Fragmentos: Dentro da noite veloz - Ferreira Gullar

A vida muda como a cor dos frutos lentamente e para sempre. A vida muda como a flor em fruto velozmente.
A vida muda como a água em folhas o sonho em luz elétrica a rosa desembrulha do carbono o pássaro da boca mas quando for tempo.
E é tempo todo o tempo mas não basta um século para fazer a pétala que um só minuto faz ou não mas a vida muda a vida muda o morto em multidão.


14 de set. de 2006

Até tu, MPU?

Correio Brazilense - 14/09/2006
Vagas para protegidos garantidas

Sindicato dos Servidores do MPU denuncia cabide de emprego dentro da instituição

Lúcio Vaz e Fabíola Góis - Da equipe do Correio

O Ministério Público da União (MPU) mantém em seu quadro de funcionários de confiança 26 candidatos que não conseguiram entrar por concurso público. Essa é uma das imoralidades apontadas por levantamento do Sindicato dos Servidores do Ministério Público da União (Sinasempu), entregue ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, em maio deste ano. Nomeações irregulares de pessoas sem vínculo com a administração pública para funções comissionadas e casos de nepotismo e de servidores fantasmas também fazem parte do relatório. O MPU é o guardião dos poderes e advogado dos interesses da sociedade.
Entre os 26, a pior colocada no concurso, Sílvia Terra Amaral, ficou em 10.080º lugar. Logo depois do concurso público, foi nomeada para o cargo de assessor (FC-07), com salário de R$ 7,9 mil. Trabalha no órgão desde 2003.
O documento com os nomes desses servidores era mantido em sigilo, mas o presidente do Sinasempu, Luiz Ivan Cunha Oliveira, foi provocado pelo secretário-geral do Ministério Público Federal, Carlos Frederico Santos, a apresentar a lista dos comissionados que não foram classificadas no concurso, além de casos de nepotismo. “Apresentem a lista”, desafiou Santos na última sexta-feira. O sindicato apresentou uma listagem completa, com o nome dos servidores, a classificação no concurso, o cargo que ocupam, o local de trabalho e a data da nomeação. No ofício, Ivan afirma que essas nomeações “ferem de morte os princípios da moralidade e da impessoalidade. Afinal, somente por apadrinhamento é que pessoas incapazes de conseguir classificação em concurso público do MPU seriam chamadas para exercerem cargos comissionados no próprio órgão, em detrimento das que foram aprovadas”.

Charge do dia

Série: Dinheiro na mão é vendaval

Folha de São Paulo 13/09/2006
TCU vê irregularidade em caso das cartilhas e dá 15 dias para governo se explicar
ANDREZA MATAISda Folha Online, em Brasília


O plenário do TCU (Tribunal de Contas da União) aprovou hoje o relatório do ministro Ubiratan Aguiar que denuncia irregularidades na execução e destinação de cartilhas feitas a pedido do governo. O relatório de Aguiar diz que o governo não conseguiu comprovar R$ 11,7 milhões de gastos feitos pela Secom (Secretária de Comunicação) com a produção de cartilhas e que há indícios de superfaturamento na confecção do material e de serviços não-prestados. O TCU deu 15 dias para o governo apresentar sua defesa.
Entre os citados pelo TCU estão o secretário Luiz Gushiken, que responde pela Secom (Secretaria de Comunicação do Governo), Marcos Flora, ex-secretário adjunto da Secom, além da agência de publicidade de Duda Mendonça --que fez as cartilhas. Se eles não conseguirem se explicar, terão de devolver o dinheiro das cartilhas para os cofres públicos.No relatório, o ministro apontou fortes indícios de desvio de R$ 11,7 milhões da Secom.
O dinheiro teria sido destinado para a confecção de cartilhas sobre os feitos do governo Lula e com críticas à gestão anterior. Sobre parte do material não há comprovação de entrega. Outro montante teria sido encaminhado para o PT. Em nota ontem, o presidente nacional do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), confirmou que a legenda recebeu o material.

13 de set. de 2006

Série: A Ética do Poder

Folha de São Paulo - 13/09/2006

FERNANDO RODRIGUES

Valores em falta

BRASÍLIA - É difícil saber o que é pior no episódio do fim de semana prolongado de 47 juízes num hotel de luxo em Comandatuba, tudo pago pela Febraban. Há o fato em si, desgastante para a imagem do Judiciário. Mas há também a explicação dos magistrados, que nada enxergam de errado.
Um dos juízes alega ter feito um "sacrifício". Foi cumprir o "preceito constitucional" de manter interlocução do Judiciário com a sociedade. Pago pelos bancos. De cada 100 ações analisadas pelo Superior Tribunal de Justiça, cerca de 30 têm relação com os bancos. Os associados da Febraban são os maiores clientes da Justiça. Num país com normalidade democrática e valores assentados, a sociedade tenderia a repelir tal relação. No Brasil, não.
Essa atitude leniente com os modos e os costumes é muito disseminada nas instituições nacionais. Questionados, os protagonistas reagem como se estivessem sendo agredidos quando o assunto é apresentado em público.
Tome-se também o caso da Petrobras. A estatal tem feito muito mais ações sociais em prefeituras aliadas a Lula. As de oposição ficam para o fim da fila. Ontem, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, irritou-se com a reportagem da Folha que mostrava a divisão partidária dos gastos da empresa. "Eu acho que é um escândalo a Folha insinuar que o critério da distribuição de recursos da Petrobras seria um critério partidário".
Ora, não houve insinuação. Foram apresentados números. Mas o doutor resolveu ficar indignado. No fundo, são poucos os agentes públicos acostumados a conviver com o contraditório. Admitir um erro e corrigir uma conduta é raro. Os valores são frágeis. Pior: nenhum candidato a presidente trata desse tema de maneira correta.

Público Privado

Correio Braziliense 13/09/2006
Caso das cartilhas assusta o Planalto

Governo teme que oposição peça ao TSE a impugnação da candidatura petista com base em auditoria do TCU

Gustavo KriegerDa equipe do Correio

O Palácio do Planalto acompanha com muita preocupação o caso das cartilhas impressas pelo governo e entregues a diretórios do PT para distribuição. Oficialmente o governo procura demonstrar tranqüilidade, mas a portas fechadas o quadro é outro. O Planalto teme que a oposição use o caso para pedir à Justiça Eleitoral a impugnação da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, sob acusação de uso da máquina administrativa. O caso será julgado pela Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma corte na qual Lula já colecionou derrotas e sob a presidência do ministro Marco Aurélio Mello, considerado “imprevisível” pelo governo.
Lula e seus principais assessores consideram a eleição virtualmente ganha e acreditam que ela pode mesmo ser decidida no primeiro turno. O otimismo eleitoral acendeu a paranóia com a possibilidade de que a oposição, vencida nas urnas, tente outros caminhos para afastar o presidente do cargo.
O caso das cartilhas serviria a este objetivo. É uma denúncia nova, envolve a mistura de dinheiro público com campanha eleitoral e chega à Secretaria de Comunicação (Secom), um órgão diretamente ligado à Presidência da República. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou que a Secom não tinha comprovantes da aplicação de R$ 11 milhões, que deveriam ter sido gastos na impressão de cartilhas e folhetos de propaganda do governo. Também não havia provas da impressão ou distribuição de 2 milhões de exemplares da cartilha, cuja tiragem declarada foi de 5 milhões. Para se justificar, a Secom disse que as revistas foram entregues a diretórios do PT. O argumento foi que eles distribuiriam o material sem custos para o governo.

12 de set. de 2006

Finalmente


Câmara vai extinguir 1.163 cargos de natureza especial
A Mesa Diretora da Câmara aprovou por unanimidade ato que extingue 49% dos cargos de natureza especial (CNEs) da Casa – 1.163, de um total de 2.365. As demissões devem acontecer até o dia 3 de outubro. O anúncio foi feito há pouco pelo presidente da Casa, Aldo Rebelo, após reunião com integrantes da Mesa em sua residência oficial.O ato proíbe a contratação de CNEs para desempenhar função fora de Brasília e em gabinetes parlamentares e veda a contratação de parentes de 1º e 2º graus de parlamentares e funcionários da Câmara. Também fica proibida a cessão de ocupantes de cargo de natureza especial para desempenhar função em órgão externo à Câmara.
Aldo anunciou que será apresentado um projeto de resolução, a ser votado em plenário, para legitimar as decisões tomadas na reunião de hoje. A intenção é evitar que, posteriormente, um novo ato da Mesa venha a revogar essas proibições.Também a partir de 3 de outubro, será publicada no portal da Câmara na internet (www.camara.gov.br) a lista de todos os CNEs contratados com a respectiva lotação.

E o Troféu Motoserra de Ouro vai para Jorge Viana













CLÓVIS ROSSI

Troca de motosserra


SÃO PAULO - É comovente a evolução ética do petismo nos últimos tempos. Começou com a constatação do ator petista Paulo Betti segundo quem não se faz política sem pôr a mão em matéria fecal. Dias depois, o presidente Lula referendou a tese ao dizer: "Política a gente faz com o que a gente tem. Não com o que a gente quer".
Agora vem o complemento, na boca de um dos raros petistas que é estrela ascendente, o governador acreano Jorge Viana. Na bela reportagem de Fábio Zanini, ontem publicada por esta Folha, Viana justifica assim sua aliança com os políticos que antes considerava delinquentes: "Qualquer apoio estamos aceitando com gosto". O "qualquer" inclui o pessoal ligado a Hildebrando Pascoal, sim, aquele mesmo que está preso há sete anos por mandar matar um adversário com uma motosserra.
Ou seja, antes o PT era contra "tudo o que está aí"; mais recentemente, passou a aceitar o que está aí por ser supostamente tudo o que "a gente tem". Agora, não é apenas aceitação conformada, mas "com gosto". Não significa, como já mostrou na semana passada Renata Lo Prete, que o PT vá desaparecer ou murchar. Vai apenas ser um novo PMDB. Partido sem cara, sem cheiro (não vale pensar em Paulo Betti), sem identidade, mas que, não obstante, está sempre entre os três mais votados para o Congresso, quando não é o mais votado. Viverá da tradição política brasileira, do caciquismo/coronelismo, sustentado por vínculos com o poder público (municipal, estadual ou federal ou todos juntos).
Há 40 ou 50 anos, a oligarquia maranhense era comandada por Victorino Freire, desbancado por um jovem chamado José Sarney. Mudou o Maranhão? Não, mudou o novo dono político do pedaço. Assim como no Acre: sai a motosserra, entram Jorge Viana e o PT.

Série: Quem te viu, quem te vê.....

Folha de São Paulo 12/09/2006
Doação da Petrobras favorece prefeituras do PT e de aliados

Cidades administradas pelo partido ficaram com 27,5% dos R$ 31 milhões repassados
Piauí, também governado por petistas, foi o único Estado beneficiado; estatal diz que seleção foi feita com base em projetos sociais

RUBENS VALENTEENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA

Entre outubro do ano passado e início da campanha eleitoral, a Petrobras beneficiou prefeituras do PT e da base aliada no financiamento de R$ 18,4 milhões de um total de R$ 31,6 milhões em ações sociais para municípios. O único repasse do gênero feito a um Estado, de R$ 1,25 milhão, também atendeu um reduto do PT, o Piauí. A lista dos patrocinados pela Petrobras neste ano eleitoral inclui apoiadores da campanha para reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), que receberá R$ 8,75 milhões para um programa de alfabetização, e a UNE (União Nacional dos Estudantes), com R$ 130 mil. Adversária da CUT, a Força Sindical recebeu apenas R$ 250 mil para um evento de 1º de Maio.
Cerca de R$ 700 mil foram destinados pela Petrobras a obras de melhoria de asfalto nas cidades de Maragogipe (BA) e Alagoinhas (BA), também administradas pelo PT. Os repasses aos municípios foram feitos às prefeituras ou a conselhos municipais da infância e da adolescência. A Petrobras afirma ter feito uma seleção dos projetos sociais.
Do total de 208 municípios beneficiados com recursos da Petrobras entre outubro de 2005 e junho último, 46 estão sob controle do PT. Os municípios administrados pelo partido obtiveram R$ 8,6 milhões, ou 27,5% do total dos recursos (o PT administra 7,4% das prefeituras no país, segundo o resultado das eleições de 2004).
As cidades administradas por petistas e atendidas pela Petrobras têm cerca de 11 milhões de habitantes. Outros 61 municípios de partidos aliados de Lula (PMDB, PSB, PL, PP e PTB) ficaram com R$ 9,83 milhões. Em contrapartida, prefeituras administradas pelos dois maiores partidos de oposição, PSDB e PFL, obtiveram apenas R$ 4,47 milhões (14%). As duas siglas comandam 29,9% das prefeituras brasileiras.

11 de set. de 2006

Palocci em maus lencóis

O Estado de São Paulo 11/09/2006
Em 10 dias, Palocci será denunciado duas vezes à Justiça por sete crimes
Ex-ministro disputa a Câmara e responde a processos por quebra de sigilo de caseiro e por integrar 'máfia do lixo'
Rosa Costa, Vanildo Mendes
A 20 dias da eleição, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci - candidato a deputado federal pelo PT - começa a enfrentar mais uma prova de fogo em sua carreira política. Num período de dez dias, Palocci será denunciado à Justiça por sete crimes: formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, peculato, quebra de sigilo bancário, quebra de sigilo funcional e prevaricação.
As denúncias, da Polícia Federal (PF) e da Polícia Civil, dizem respeito ao envolvimento de Palocci na quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo - que disse que o ex-ministro freqüentava a mansão do Lago Sul, em Brasília, usada para lobby -, e nas fraudes nos contratos de lixo em suas duas administrações na prefeitura de Ribeirão Preto (1993-1996 e 2001-2002).
Hoje, o delegado Rodrigo Carneiro Gomes, da PF, entrega à Justiça o inquérito, aberto em março, em que Palocci é acusado dos crimes de violação de sigilo bancário e funcional e prevaricação do caseiro Nildo. Ele afirma que as provas que têm são suficientemente robustas.

Série: Até tu, Brutus!

Folha de São Paulo - 11/09/2006
Bancos pagam feriado na praia de 47 juízes

Febraban gasta R$ 182 mil e leva magistrados e suas famílias a Comandatuba, na Bahia, para discutir "spread" e crédito

Encontro contou ainda com outros 60 participantes; banqueiros dizem que evento visa um diálogo aberto com os juízes
FERNANDO RODRIGUESENVIADO ESPECIAL A COMANDATUBA

O feriado de Sete de Setembro foi especial para 16 ministros (dois aposentados) do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e 31 desembargadores de sete Estados: eles receberam passagem e estada grátis no resort de luxo Transamérica da Ilha de Comandatuba, no litoral baiano, para assistirem a algumas palestras sobre como funciona a arquitetura do crédito do sistema bancário brasileiro.O patrocínio do evento foi da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), que arcou com uma fatura de ao menos R$ 182 mil com hospedagem e transporte dos 47 juízes. Esse valor é estimado com base no número de magistrados presentes e de seus acompanhantes multiplicado pelo preço básico promocional cobrado pelo pacote.Os magistrados podiam trazer familiares para o hotel. A lista completa de participantes não foi divulgada.A agenda em Comandatuba foi leve. As palestras começavam às 16h. Terminavam por volta de 20h30, com jantar e algum show. O restante do tempo era livre. O domingo também foi aberto para passeios.

Link para a reportagem completa: para assinantes da Folha de São Paulo

Série: Quem te viu, quem te vê.....

Jorge Viana esquece passado e se alia a políticos que o PT antes combatia

Grupo do governador, forte candidato a um ministério caso Lula se reeleja, fecha coligação com PP
Um dos pais do acordo é o ex-deputado Ronivon Santiago, envolvido nos escândalos da compra de votos e dos sanguessugas
FÁBIO ZANINI ENVIADO ESPECIAL A RIO BRANCO

Oito anos após ter despontado na política com a promessa de tirar o Acre das páginas policiais, o grupo ligado ao governador Jorge Viana (PT) recorreu às mesmas personagens que antes combatia para se manter no poder.Forte candidato para o ministério em um eventual segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, Viana conquistou o apoio do ex-governador Orleir Cameli (1995-1998), o mesmo que era caracterizado por ele como responsável pelo "desmonte" do Estado.Cameli entrou no barco petista junto com seu primo Cesar Messias (PP), ex-prefeito de Cruzeiro do Sul (segunda cidade do Estado), indicado vice na chapa do PT ao governo.
Do lado do PP, um dos pais da aliança é o ex-deputado Ronivon Santiago, presença constante nos grandes escândalos dos últimos anos -compra de votos, valerioduto e sanguessugas.Mas ele não pôde ver o resultado final de seu trabalho. Foi preso pela Polícia Federal poucas horas antes da apresentação da coligação, em 4 de maio.Figura ainda na frente petista o PL de Aureliano Pascoal, ex-secretário de Segurança Pública de Cameli e primo de Hildebrando Pascoal, símbolo do "faroeste" que o PT combatia. Hildebrando, preso desde 1999 por mandar matar um adversário com uma motosserra, comandava a PM do Estado.
Há oito anos, o PT dizia que o Acre era palco de uma luta do bem contra o mal, este simbolizado por Cameli e Ronivon. Como dizia Jorge Viana à época: "São grupelhos que se organizaram e atuam como bandos. Tudo coordenado por um governador [Cameli] que não tem currículo, mas folha corrida".A "folha corrida" de Cameli incluía, além dos muitos CPFs, acusações de desvio de recursos, a apreensão de um Boeing de sua família com contrabando e a intermediação da compra de deputados para aprovar a reeleição no Congresso.O bem, no maniqueísmo vigente, era representado pelos "meninos do PT" -Jorge, o senador Tião Viana e a ministra Marina Silva (Meio Ambiente). Hoje quarentões e grisalhos, assumem o pragmatismo.

A Ética do Poder

Folha de São Paulo - 11/09/2006
TCU bloqueia R$ 10,8 mi do governo por causa da eleição
Tribunal pede que Ministério Público tome providências em relação a repasses
Verba foi liberada por dois ministérios para compra de ambulâncias e tratores; outros R$ 55 mi também são alvo de investigação

MARTA SALOMONDA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O TCU (Tribunal de Contas da União) mandou bloquear gastos de R$ 10,8 milhões liberados em julho pelo governo Lula para a compra de ambulâncias e tratores, supostamente em desacordo com a lei eleitoral. O tribunal também pediu "providências cabíveis" ao Ministério Público Federal. No caso do descumprimento da regra, a legislação prevê a perda do registro ou do diploma do "candidato beneficiado".
O bloqueio dos gastos determinado pelo TCU, por meio de medidas cautelares, atingiu a transferência de R$ 8,4 milhões do Ministério da Saúde para o Estado do Piauí, destinados à compra de ambulâncias. Alcançou ainda R$ 2,4 milhões transferidos pelo Ministério da Agricultura, via Caixa Econômica Federal, a 17 prefeituras de 11 Estados diferentes. O objetivo, nesse caso, era a compra de tratores, chamados de "patrulhas mecânicas".
Além dos dois casos acima, o tribunal investiga indícios de irregularidades na transferência de mais R$ 55,2 milhões a Estados e municípios, entre 1º de julho e 22 de agosto.É prevista para os próximos dias a edição pelo TCU de uma terceira medida cautelar. O alvo seria a transferência de R$ 6,3 milhões destinados a iniciar obras da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba) no Piauí, onde o petista Wellington Dias disputa a reeleição ao governo.

9 de set. de 2006

Até tu, Brutus?


CORREIOWEB
Trem da alegria na porta do Ministério Público

Lúcio Vaz -Do Correio Braziliense 09/09/2006

Projeto de lei aprovado pelo Congresso nesta semana cria 365 cargos em comissão e preserva os direitos de servidores requisitados de outros órgãos ou sem-vínculo com o Ministério Público Federal que ocupam as atuais funções comissionadas. O sindicato dos servidores tentou reduzir o número de cargos ocupados por funcionários estranhos à carreira. Conseguiu avanços em negociações feitas nas comissões técnicas da Câmara, mas foi surpreendido, na noite de terça-feira, por um substitutivo do Executivo que recolocou integralmente a proposta apresentada originalmente pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza.
No dia 17 de agosto, o procurador-geral enviou ofício ao presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), solicitando que seja enviado ao Ministério Público Federal a listagem com o nome de todos os ocupantes dos cargos de natureza especial (CNEs) na Câmara, quanto ganham e onde estão lotados. As informações interessam à investigação feita por procuradores federais. Uma série de reportagens publicada no Correio, no mês passado, mostrou que pelo menos 600 CNEs estão desviados de função, à disposição dos gabinetes dos deputados. Há dezenas de casos de nepotismo, apadrinhamento e de funcionários fantasmas, que não aparecem no emprego. Representantes dos servidores do MP afirmam que a manutenção de funções comissionadas para pessoas estranhas à carreira se presta para o apadrinhamento.

8 de set. de 2006

Charge do dia

Dia da Independência

Agência Carta Maior - 08/09/2006
Grito dos Excluídos mobiliza milhares

Em sua 12ª edição, manifestação contra política econômica e por melhores condições de vida, organizada por movimentos sociais e o setor progressista da Igreja Católica, aconteceu em diversas cidades e teve versão continental.

Bia Barbosa e Gilberto Maringoni – Carta Maior

APARECIDA DO NORTE E SÃO PAULO – A 12ª edição do Grito dos Excluídos, em São Paulo, foi a mais maciça dos últimos anos, aglutinando, em seu pico, nos jardins do Museu do Ipiranga, zona sul, cerca de dez mil ativistas. A manifestação teve início na catedral da Sé, na região central, com um culto realizado para mais de duas mil pessoas. Quando iniciaram a marcha de quatro quilômetros para o ato final, os manifestantes foram recebendo adesões pelo caminho.Trabalhadores de todas as regiões da capital, representando as Pastorais Sociais, a Intersindical (dissidência da Central Única dos Trabalhadores), o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), a Central de Movimentos Populares (CMP), a Conlutas e dezenas de organizações populares.Realizado anualmente no dia da Independência, a manifestação tem por objetivo protestar contra as más condições de vida da maioria da população e ocorre simultaneamente em diversas cidades brasileiras.Embora candidatos e partidos políticos não tivessem direito à palavra no palanque improvisado sobre um caminhão de som, militantes do PT, PCdoB, PSOL e PSTU fizeram propaganda de seus candidatos.Francisvaldo Mendes, dirigente da Intersindical, acusou a política econômica “criada pelo PSDB e mantida pelo PT no governo” de ser a fonte das dificuldades vividas pela população. A fala gerou descontentamento entre petistas presentes no ato, sem maiores conseqüências. Mas José Maria de Almeida, representando a Conlutas, insistiu na tecla. “Os candidatos à presidência da República, tidos como favoritos, escondem suas propostas principais durante essa campanha”. Segundo ele, estaria sendo planejada a aprovação de uma reforma sindical e trabalhista restritiva de direitos e uma nova etapa da reforma previdenciária.Para Delwek Matheus, dirigente nacional do MST, “o Grito marca o ressurgimento da luta política e a expressão clara da luta de classes existente no nosso país”.Paulo Pedrino, das Pastorais Sociais, lembro da violência que atinge os mais pobres e afirmou a necessidade de todos lutarem por “pão, terra e liberdade” como única alternativa para uma vida melhor.

Link para reportagem completa - Agência Carta Maior

6 de set. de 2006

Frase do Dia

“Ética é vergonha na cara, decência. Exatamente o que falta a certos políticos e eleitores que votam neles"

Jefferson Perez - Senador

Palocci em maus lencóis

Correio Braziliense - 06/09/2006
CASO FRANCENILDO
Justiça quebra sigilo telefônico de Palocci

A Justiça Federal quebrou o sigilo telefônico do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, no período de 10 a 17 de abril de 2006, para descobrir com quem ele se comunicou na semana em que foi violado o sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Demitido do cargo por causa do escândalo, Palocci já está indiciado pelo crime, junto com seu então assessor de imprensa Marcelo Netto e o ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso.
O Ministério Público entendeu que a quebra do sigilo telefônico de Palocci pode reforçar o rol de provas e assegurar a condenação judicial dos acusados. Indiciado também por prevaricação e violação de sigilo funcional, Palocci pode pegar de 2 a 8 anos de prisão, mesma pena a que está sujeito Mattoso. Acusado apenas de ter vazado os dados bancários do caseiro para a imprensa, Netto pode pegar de 1 a 3 anos de prisão.
O delegado Rodrigo Carneiro Gomes, encarregado do inquérito, pediu à Brasil Telecom que envie os extratos telefônicos de Palocci até sexta-feira e espera concluir seu relatório complementar até o próximo dia 15. Ontem, em depoimento sigiloso dado na sua residência, o líder do governo no Senado, Tião Viana (PT-AC), admitiu ter tomado conhecimento de rumores sobre a existência de “uma grande soma de dinheiro estranho” circulando na conta de Francenildo.

Charge do dia

Folha de São Paulo - 06/09/2006

Aprovado na Câmara fim do voto secreto

Folha Online - 06/09/2006
PFL recua e Câmara aprova fim do voto secreto para todas as sessões do Congresso

ANDREZA MATAISda Folha Online, em Brasília
Por 383 votos favoráveis e 4 abstenções, o plenário da Câmara aprovou nesta terça-feira o fim do voto secreto em todas as sessões no Congresso. A medida vale para as eleições da Mesa Diretora da Câmara e do Senado, derrubada de veto presidencial, cassação de mandato e indicação de embaixadores.
Na última hora, o PFL retirou a proposta de limitar o voto aberto às sessões de votação de cassação de mandato. Agora, o voto aberto vale para todas as votações.O presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), disse que a medida deve ajudar na punição dos parlamentares denunciados pela CPI dos Sanguessugas. "No resultado do mensalão, se tivéssemos o voto aberto, o resultado seria diferente. Se tiver alguém trabalhando contra isso, problema deles. A maioria quer o fim do voto secreto", disse.
A PEC (proposta de emenda constitucional) ainda precisa ser votada mais uma vez pelo plenário da Câmara e depois segue para discussão no Senado. A expectativa é que o Senado altere a proposta e restrinja o voto aberto às votações de cassação de mandato.Como não existem votações previstas na pauta da Câmara antes das eleições, a segunda fase da votação da PEC do voto secreto não deve ocorrer antes de 1º de outubro. Os deputados do PSOL e PPS ameaçavam divulgar na internet os nomes dos deputados que faltassem à votação da PEC do voto secreto. Essa ameaça acabou ampliando o quórum da sessão, que era de 259 parlamentares no início. Como se trata de emenda constitucional, eram necessários 308 votos a favor da medida.Dos 67 parlamentares acusados de envolvimento com a máfia das ambulâncias, 28 não compareceram à votação.

Voto nulo não anula eleição

Blog do Fernando Rodrigues
50% dos votos nulos não anulam a eleição, diz Marco Aurélio, do TSE

Acabou um dos mitos mais recorrentes na internet durante o atual processo eleitoral: o de que 50% ou mais dos votos nulos dados pelos eleitores anullariam o pleito sendo necessária a convocação de nova votação. É quase impossível encontrar alguém que não tenha recebido o spam da campanha que divulga essa lenda. Pois o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, diz que essa determinação não existe na lei, não está na Constituição e há até uma decisão recente da Corte (de agosto último) falando exatamente o oposto.
A explicação de Marco Aurélio Mello é cristalina e vem em boa hora. Nada contra o voto nulo, uma manifestação legítima do eleitor (basta digitar “00” na urna e clicar em “confirma”). O ruim era que pessoas estavam acreditando ter o poder de cancelar o pleito. Não têm. O voto nulo basicamente vai ajudar a eleger mais dos mesmos. Quantos menos forem os votos válidos, menos votos vai precisar um político tradicional para ficar no cargo que já ocupa.
O equívoco existia porque, de fato, a lei fala sobre novo pleito quando “a nulidade atiginr a mais da metade dos votos no país”. Ocorre que essa “nulidade” se refere aos votos anulados por fraude, entre outras razões, e não aos votos nulos dados pelo eleitor –algo bem diferente.

5 de set. de 2006

Mensaleiros na Justiça Comum

Blog do Josias de Souza
STF deve submeter Dirceu e Jefferson a juiz comum

STF concluiu a primeira fase do julgamento do processo do mensalão. Todos os 40 integrantes da “quadrilha” denunciada pelo Ministério Público já foram notificados. O Supremo aguarda para esta semana a entrega da defesa prévia do último notificado, o ex-deputado José Borba (PMDB-PR).
Vencido esse primeiro estágio, o ministro Joaquim Barbosa (na foto), relator do caso, deseja agora desmembrar a denúncia em vários processos. Acha que o julgamento dos réus sem mandato parlamentar deve ser feito por juízes da primeira instância do Poder Judiciário.
É o caso, por exemplo, dos únicos três políticos que tiveram os mandatos cassados pela Câmara: José Dirceu (PT-SP), Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Pedro Corrêa (PP-SP). É o caso também do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, do publicitário Marcos Valério e dos gestores dos bancos BMG e Rural.
Barbosa evita mencionar os nomes dos acusados que, segundo o seu entendimento, devem ser julgados em primeira instância. Limita-se a dizer que, a seu juízo, aqueles que não detêm mandatos eletivos não têm direito ao chamado foro privilegiado. Daí a intenção de transferir o julgamento para juízes federais de primeiro grau.
O ministro encaminhará uma consulta ao procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, autor da denúncia. Deseja que ele diga se vê inconvenientes no desmembramento da denúncia. De posse da manifestação do procurador-geral, Barbosa vai submeter o assunto ao crivo do plenário do Supremo.
Em função da relevância do caso, Joaquim Barbosa quer dividir a decisão com os colegas de tribunal. Caberá ao pleno do STF a palavra final sobre os processos que continuarão tramitando na Suprema Corte. Ouvidos pelo blog, dois ministros do Supremo disseram concordar com o entendimento de Barbosa. A decisão final será tomada depois das eleições de outubro.
Só após a abertura das urnas será possível saber quais os acusados que conseguiram reaver os mandatos parlamentares. Doze mensaleiros concorrem à reeleição. Impedidos de disputar eleições até o ano de 2015, Dirceu, Jefferson e Corrêa não estão entre eles.
Dos 40 denunciados, 38 já protocolaram no STF as suas defesas prévias. Foram notificados em oito Estados diferentes. José Borba fugiu a onze tentativas de notificação no Paraná. Só foi alcançado pelo oficial de Justiça na semana passada, em Brasília. Deve apresentar sua defesa nesta semana. Um doleiro chamado Carlos Alberto Quaglia perdeu o prazo para a defesa. E só poderá exercer o direito na próxima fase do processo.
Em condições normais, a notificação de toda essa gente levaria cerca de um ano e oito meses. O processo foi acelerado graças à decisão de Barbosa de digitalizar os 29 volumes e 86 anexos que compõem a denúncia do mensalão. Foram ao computador cerca de 40 mil páginas, permitindo o acesso simultâneo por todos os advogados dos denunciados.
A prevalecer a intenção de Joaquim Barbosa de desmembrar os processos, os julgamentos podem ser abreviados. Além dos 40 réus, a denúncia do Ministério Público arrola 41 testemunhas de acusação. A esse contingente irá somar-se a legião de testemunhas de defesa cuja inquirição será requerida pelos acusados.

Lula sabia.....

O Estado de São Paulo - 05/07/2006
Lula sabia sim do mensalão, afirma ex-governador tucano
Perillo lembrou ter alertado o presidente sobre escândalo em 2004

Christiane Samarco
O ex-governador de Goiás Marconi Perillo, que é candidato do PSDB a senador, acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "patrocinar os maiores escândalos da história recente do Brasil" e complementou sua versão sobre o alerta que teria dado em 2004 ao próprio presidente sobre o pagamento de mesada a parlamentares."Não adianta o Lula falar que não sabia de mensalão, porque eu avisei a ele em Rio Verde , e ele disse: cuide de seus deputados que eu cuido dos meus", afirmou Perillo no aeroporto da cidade goiana de Jataí, enquanto aguardava a chegada do candidato do PSDB a presidente, Geraldo Alckmin, que faria campanha na cidade.
Desde que o então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) denunciou o mensalão, acusando o Palácio do Planalto de pagar mesada a parlamentares para que votassem projetos de seu interesse e de financiar o troca-troca de legendas para reforçar sua base, Perillo foi o único governador que confirmou os rumores sobre sua existência. Também foi o único a afirmar que levara o assunto ao conhecimento do presidente Lula. A conversa entre os dois, segundo o tucano, teria ocorrido em maio de 2004, por ocasião de uma visita oficial de Lula à cidade goiana de Rio Verde. Mas Perillo jamais havia contado que Lula o mandara "cuidar" de seus deputados, deixando que ele, presidente, cuidasse de sua base na Câmara. "Nunca disse isso a ninguém", confirmou ontem. "Mas como o Lula tem problema de amnésia, deve ter esquecido disso também."
Nas investigações sobre o mensalão, Perillo chegou a ser convidado a depor como testemunha no Conselho de Ética da Câmara, quando a deputada Raquel Teixeira (PSDB) denunciou o líder do PL na Casa, Sandro Mabel (GO). A deputada acusou Mabel de lhe ter oferecido R$ 1 milhão para que trocasse de partido. O Conselho de Ética da Câmara decidiu ouvir Perillo porque Raquel garantira ter levado a seu conhecimento a "proposta" de Mabel.
CARTA
O testemunho do então governador ao conselho foi dado por escrito. Em carta datada de 26 de julho do ano passado e dirigida ao presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), o governador confirmou que alertara o presidente Lula a respeito do mensalão. Disse ter relatado ao presidente "que ouvira rumores sobre a existência de mesada a parlamentares em conversas informais em Brasília, porém sem provas concretas".Mais adiante, contou ter apenas repetido o inteiro teor das informações que havia recebido. Depois, completou: "O senhor presidente da República disse que não tinha conhecimento e que ia tomar as providências que o assunto requeria."Ainda na carta, Perillo acrescentou as razões que o levaram a dar esse assunto por encerrado. "Não tive mais informações", explicou, acrescentando que nem possuía "provas concretas" a esse respeito, e estava "certo de que havia levado o assunto ao conhecimento da maior autoridade e mais alto magistrado do País".

4 de set. de 2006

Gastos com juros 7 vezes maior que com o Bolsa-Família

Agência Carta Maior
Recurso para pagamento de juro equivale a 7 Bolsas-Famílias
A prioridade ao pagamento de juros diminui o espaço para a utilização dos recursos em outras áreas. O gasto com juros deve ser aproximadamente 7 vezes (R$ 56 bi) maior que o valor estipulado para manter o Bolsa Família (R$ 8,6 bi).


André Barrocal - Carta Maior

O governo federal planeja trabalhar em 2007 com um quinto de tudo aquilo que calcula que a economia brasileira vai gerar em riquezas no ano que vem. De cada R$ 100, pretende arrecadar R$ 20 em impostos, contribuições sociais, taxas e a parte que lhe cabe do lucro das empresas estatais. A coleta prevista, caso se cumpra, vai atingir R$ 467 bilhões. Neste total, não estão computadas contribuições à Previdência Social e ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), pois estes recursos pertencem aos trabalhadores - são apenas administrados pelo governo.
Com base na estimativa de receita de R$ 467 bilhões, o governo preparou uma proposta de gastos para 2007 que enviou ao Congresso nesta quinta-feira (31), prazo estabelecido pela Constituição.
É o Orçamento Geral da União (OGU), lei mais importante do País, pois expõe as prioridades do governo federal e, em tese, da maioria da população que o elegeu. O projeto mostra que, ao se apropriar de um quinto das riquezas, o governo pretende gastar em programas assistenciais o mesmo que em obras para melhorar a infra-estrutura (estradas, ferrovias). Aplicar em saúde e educação quantia idêntica à que botará para cobrir o déficit da Previdência. Pagar juros a especuladores da dívida pública quase a metade da folha de pessoal. Transferir mais de R$ 100 bilhões a estados e municípios. A repartição da proposta de orçamento de 2007 acompanha as proporções de 2006, sem grandes variações.A divisão do bolo arrecadado pelo governo federal, em 2007 e em qualquer ano, segue preferências individuais do próprio governo, mas também imposições constitucionais. Despesas com saúde, por exemplo, obedecem a Constituição. Repasses a governadores e prefeitos, também.
Já o tamanho da retirada do caixa para pagar financiadores da dívida pública é decidido livremente pelo governo, segundo uma linha de política econômica. A linha atual diz que é preciso pagar em juros o montante que for necessário para impedir o crescimento da dívida. Por esta opção, o uso de recursos tributários no pagamento de juros vai se apresentar como o terceiro maior gasto federal no ano que vem. Só perde para a folha de pessoal e transferência a estados e municípios. Daquilo que o governo coletar em 2007, quase metade ficará com governadores, prefeitos e funcionários do Executivo, Legislativo e Judiciário. A folha de pessoal deve consumir 25% (R$ 118 bilhões) da arrecadação esperada. O dinheiro pagará dois milhões de servidores ativos e aposentados. Já Estados e municípios vão levar quase 22% (R$ 101 bilhões). O gasto da arrecadação tributária com juro custará R$ 56 bilhões, 12% da arrecadação. A decisão de fazer o chamado “superávit primário” favorece 20 mil famílias no Brasil, segundo cálculos do economista Márcio Pochmann, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Quando se levam em conta outras fontes de financiamento, além dos recursos tributários, o pagamento de juros pelo governo federal, no ano que vem, será de R$ 166 bilhões. Para realizá-lo, o governo federal cobrará de governadores e prefeitos que também tirem tributos de seus cofres e que as empresas estatais lucrem. Mas o engajamento de governadores, prefeitos, e estatais será insuficiente para pagar todos os juros que vão vencer em 2007. Por isso, o governo federal buscará ainda uma outra fonte de dinheiro: empréstimos dos próprios credores dos juros. O empréstimo do chamado “mercado”, que vai cobrar juros elevados, deverá totalizar R$ 70 bilhões. A prioridade do governo federal ao pagamento de juros diminui o espaço para utilizar recursos tributários em outras despesas. Para se ter uma idéia de comparação: o gasto com juros deverá ter, em 2007, quatro vezes mais dinheiro do que programas assistenciais ou obras de infra-estrutura.

Vampiros mensaleiros

Folha de São Paulo 03/09/2006
Operação Vampiro vê prova de mensalão

ANDRÉA MICHAEL, LUCIANA CONSTANTINO da Folha de S.Paulo, em Brasília

Ao investigar o esquema montado por lobistas e servidores para fraudar licitações de aquisição de medicamentos no Ministério da Saúde --a chamada Operação Vampiro--, a Polícia Federal descobriu mais evidências da existência de um esquema de cooptação de deputados federais para a base aliada do governo Lula em 2004.

Relatórios da PF mostram que, em fevereiro de 2004, conforme conversas gravadas com autorização judicial, o deputado federal José Janene (PP-PR), ex-líder do partido, teria buscado a ajuda dos lobistas Laerte Correa Jr., Eduardo Pedrosa e Frederico Coelho Neto, conhecido como Lilico e irmão do deputado Luiz Antônio Fleury (PTB-SP), para supostamente atrair ao menos dois deputados à bancada do PP em um prazo de três dias.

Segundo os relatórios da PF, eles falam de forma cifrada. Pelas investigações, o termo partido vira "condomínio", e deputado é tratado por "inquilino" ou "carro" para encobrir negociações, que chegariam a R$ 150 mil, além de "prestações mensais", oferta supostamente patrocinada por Janene.

Em 12 fevereiro, o lobista Correa Jr. aborda o assunto com Lilico. Durante o diálogo, após Correa introduzir o tema, Janene entra na conversa e pergunta a Lilico: "Não tem nenhum de estoque, brimo?".

Pelo diálogo, o deputado nem precisava ficar definitivamente no partido: "Mesmo que o cara [deputado] não queira ficar em definitivo, mas na semana que vem o cara pode sair, não tem problema [...]. Dá um acerto bom". Naquela data, o PP estava a três dias de um prazo importante. Em 15 de fevereiro, a Câmara fecharia a contabilidade relativa às bancadas partidárias, número decisivo para a legenda garantir maior participação e comando em 12 comissões temáticas da Casa.

Segundo banco de dados da Câmara, entre os dias 10 e 15 daquele mês, o PP passou de 50 para 53 deputados. Mas em nenhum momento a investigação da PF aponta o nome dos deputados que trocaram de partido.

Em 2002, o PP (à época PPB), elegeu 49 deputados. Na posse, em fevereiro de 2003, estava com 43 integrantes na Câmara. Iniciou 2004 com dez deputados a mais.

Ainda em 12 de fevereiro, Janene retoma o assunto com Pedrosa. O retorno da ligação ocorre durante o almoço. Pedrosa tenta cifrar a conversa, segundo a PF, mudando o termo deputado por carro.

"...Seu carro. Quanto você quer no seu carro?", pergunta o lobista. O deputado diz que "precisa dar uma olhada" e questiona se Pedrosa tem uma avaliação. Em seguida, o lobista responde: "Eu não... deixei de mexer com carro há um tempinho, né? Que estou aqui com um comprador (deputado federal) e ele tá querendo saber... quanto você quer que ele... vê se ele anima comprar". Janene responde: "É... um cinco zero (R$ 150.000). [...] Depois as prestações mensais, né?".

1 de set. de 2006

Transilvânia Brasileira


Folha de São Paulo - 1º de setembro de 2006
Vampiros atuaram em mais oito órgãos públicos, afirma PF
ANDRÉA MICHAELLUCIANA CONSTANTINO da Folha de S.Paulo, em São Paulo

Integrantes do mesmo grupo acusado pelo Ministério Público de fraudar licitações para a compra de medicamentos no Ministério da Saúde teriam tentado promover negócios ilegais em ao menos mais oito órgãos públicos, segundo investigação da Polícia Federal.
Na Operação Vampiro, a PF encontrou indícios de tráfico de influência na Petrobras, na BR Distribuidora, na Infraero, nos ministérios das Comunicações e da Previdência, no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), no IRB (Instituto de Resseguros do Brasil), no fundo de pensão Nucleos (Eletrobrás) e na Secretaria de Saúde do Distrito Federal.
São apontados como pivôs dos contatos os lobistas Frederico Coelho Neto --o Lilico, irmão do deputado Luiz Antônio Fleury (PTB-SP)--, Laerte Correa Júnior e Eduardo Pedrosa.Em diálogos telefônicos gravados entre janeiro e março de 2004, os três revelaram ter acesso à agenda de executivos e técnicos instalados em órgãos públicos e estatais. Os contatos seriam o meio de fechar negócios com a iniciativa privada.Lilico refuta as acusações de que cobraria comissão sobre negócios fraudulentos. Nega praticar tráfico de influência, mas confirma que agendou reuniões na BR Distribuidora.Ele teria contatado um diretor para encampar um projeto de controle de consumo de combustível. O empresário queria vender a tecnologia de um chip, que instalado nas bombas de gasolina das distribuidoras, registra o quanto cada veículo consome.
IRB
Já no IRB, Lilico tinha o amigo Luiz Apolônio Neto, membro da diretoria. Saiu do cargo em junho de 2005, durante a investigação do mensalão.Para o IRB, o produto a vender seria certificação digital de documentos. Segundo Lilico, o contato não foi feito, porque Apolônio não era da área responsável pelo possível negócio.Lilico ingressou no suposto esquema apontado pela PF porque, em parceria com Pedrosa, queria vender ao Ministério da Saúde um projeto para entregar remédios para idosos em casa. Não conseguiu.
Segundo a PF, havia dois grupos de lobistas em ação no ministério. Um seria ligado ao então ministro Humberto Costa e comandado por Jaisler Jabour. O outro, associado ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, teria como chefe Correa Júnior.Numa conversa de 26 de fevereiro com Correa, Lilico sugere: "Vamos juntar nossos "feelings", o seu para o mercado e o meu da sacanagem?".Pedrosa também é um interlocutor ativo no grupo. Em 9 de fevereiro de 2004, diz a Eduardo Vaz Musa, então gerente de Engenharia da BR Distribuidora, que vai "conseguir uma parada nos próximos 15 dias aí", "é muito grande". Diz que Musa "vai se aposentar". O diretor diz: "Fazemos qualquer negócio se for interesse da nação".Em outra conversa, em 24 de março, a dupla discute possíveis mudanças como o deslocamento do secretário-geral do PT, Silvio Pereira, que teria influência política sobre a estatal, para cuidar somente da eleição municipal. Pergunta Musa: "E agora, como é que vai ficar o equilíbrio de forças aí? Quem cuida das caixinhas, hein?"

31 de ago. de 2006

A passos de tartaruga

Uol Economia - 31/08/2006
Economia cresce só 0,5% no 2º trimestre; indústria sofre queda

O Produto Interno Bruto (PIB, a soma de tudo o que é produzido no país) cresceu apenas 0,5% no segundo trimestre deste ano em relação ao primeiro trimestre, quando houve expansão de 1,3%. Em relação ao segundo trimestre do ano passado, o avanço foi de 1,2%.É o pior desempenho desde o terceiro trimestre de 2005, quando houve recuo de 1,2%. A indústria teve o resultado mais negativo, e caiu 0,3%.
As informações foram divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.Economistas consultados pela Reuters esperavam crescimento de 0,8% frente ao primeiro trimestre e de 2,1% na comparação com igual período do ano passado. A indústria foi o setor da economia que apresentou o pior desempenho, com baixa de 0,3% em relação ao primeiro trimestre, o que influenciou no resultado fraco do PIB.
A agropecuária foi a que mais avançou, com alta de 0,8%, enquanto os serviços tiveram elevação de 0,6%, Os dados sobre capital fixo, indicativo dos investimentos feitos no país, mostram que houve queda de 2,2% perante o trimestre anterior. O consumo das famílias, que tem peso aproximado de 60% no cálculo do PIB, aumentou 1,2%. O consumo do governo subiu 0,8%.As exportações de bens e serviços declinaram 5,1% entre abril e junho, após 12 trimestres consecutivos de alta, e registraram a menor taxa desde o primeiro trimestre de 2003, quando cederam 8,2%.As importações diminuíram 0,1%. No primeiro trimestre, tinha havido alta de 10,4% nas importações em relação ao último trimestre de 2005.

Escatalogia Presidencial em espanhol

El Mercurio On Line -30 de agosto

Lula habría dicho que "Chile es una mierda", según libro

El presidente de Brasil, Luis Inacio Lula da Silva usó palabras ofensivas contra el presidente de Argentina, Néstor Kirchner y el ex presidente de Uruguay, Jorge Batlle, tras beber tres whiskys en una cena, informa hoy el diario "Folha de Sao Paulo", citando un libro de dos periodistas brasileños.
También habría atacado a Chile. "Chile es una mierda. Chile es una broma. Ellos hacen acuerdos con los americanos. Quieren que uno se joda por aquí. Ellos se cagan en nosotros".
En el libro "Viajes con el Presidente" los periodistas Eduardo Scolese y Leonencio Nossa, que realizan la cobertura informativa sobre el Palacio del Planalto, sede de la presidencia brasileña, se refieren a una cena realizada en la embajada de Brasil en Tokio, en mayo de 2005, en la que frente a unas 20 personas el mandatario soltó palabrotas contra los presidentes.
"Hay momentos, mis queridos, que tengo ganas de mandar a Kirchner a la puta que lo parió", habría afirmado Lula.Sobre el entonces presidente de Uruguay, Lula habría dicho: "Aquel no es uruguayo, carajo. Aquel fue criado en los Estados Unidos. Es cachorro de los (norte)americanos".
Los estancieros brasileños tampoco se habrían salvado de los improperios del presidente. "Hay que acabar con esa mierda de los estancieros que a cada rato vienen a pedirle dinero al gobierno".

Escatalogia Presidencial


Blog do Josias de Souza
Lula para chilenos: ‘O Chile é uma merda’


Lula virou notícia no Chile. A edição desta quinta-feira do jornal El Mercurio, o mais influente diário chileno, reproduz trechos do livro “Viagens com o Presidente”, escrito pelos repórteres Eduardo Scolese e Leocencio Nossa.

O texto que está sendo consumido hoje no Chile mostra um Lula diferente do presidente que se esconde atrás das regras do cerimonial (leia). Reportando-se a notícia publicada na véspera pela Folha, El Mercurio realça comentários feitos pelo presidente durante um jantar na embaixada brasileira em Tóquio, em maio de 2005. Lula tomara três doses de uísque. Empunhava o quarto copo.

Eis os comentários que o jornal chileno destacou, em negrito:

· "O Chile é uma merda. O Chile é uma piada. Eles fazem os acordos lá deles com os americanos. Querem mais é que a gente se foda por aqui. Eles estão cagando para nós";
· "Tem horas, meus caros, que eu tenho vontade de mandar o [Néstor] Kirchner [presidente da Argentina] para a puta que o pariu";

· "Aquele lá [Jorge Battle, então presidente do Uruguai] não é uruguaio porra nenhuma. Aquele lá foi criado nos Estados Unidos. É filhote dos americanos."

30 de ago. de 2006

O odor e a consistência da ética

Foha de São Paulo - 30/08/2006
A consagração da merda

Clóvis Rossi

Pegou e fez escola a sociologia política da merda, exposta inicialmente pelo ator Paulo Betti para justificar a crise ética do governo Lula. Betti disse, curto e bem grosso: "Não dá para fazer [política] sem botar a mão na merda".

Uma semana depois, Lula repete, menos grosso, mas rigorosamente com o mesmo sentido: "Política a gente faz com o que a gente tem. Não com o que a gente quer". E, em seguida: "Maioria a gente constrói pelo que a gente tem ao nosso lado. Não pelo que a gente pensa que tem. Esse é o jogo real da política que precisou ser feito em quatro anos para que chegássemos a uma situação altamente confortável".

Não é que seja novidade ou surpresa. Novidade é o fato de que quem se dizia monopolista da ética agora assume gostosamente a mais cínica versão do que é política. De quebra, desconstrói as versões anteriores, a da "conspiração das elites" e a do "fui traído", que todo mundo sabia que eram ficções, mas que foram sustentadas ao longo de toda a crise. Não houve traição, confessa agora Lula. Houve "o jogo real da política que precisou ser feito". Leia-se: o mensalão (para não falar em outras atividades, tipo sanguessugas, que também envolvem figuras graúdas do lulo-petismo).

Compare-se o Lula de hoje com o Lula do seguinte trecho de seu discurso de posse: "O combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública serão objetivos centrais e permanentes do meu governo. É preciso enfrentar com determinação e derrotar a verdadeira cultura da impunidade que prevalece em certos setores da vida brasileira". Pronto, está demonstrado o estelionato eleitoral praticado em 2002. Vai-se repetir agora, ao que tudo indica, mas já não como estelionato. O eleitor está informado que o presidente botou a mão na merda. Mas não se importa.

Link para assinantes da Folha de São Paulo

29 de ago. de 2006

Os intelectuais e a m*...

Blog do Josias de Souza - 29/08/2006
Descoberta, afinal, a utilidade dos intelectuais

Descobriu-se, finalmente, para que servem os intelectuais: eles são as lavadeiras da República, os faxineiros da realpolitik. Dedicam-se a limpar a biografia de governantes que, no dizer casual-escatológico de Paulo Betti, viram-se forçados a “botar a mão na merda”.

No encontro que manteve com a intelectualidade simpática ao petismo, Lula disse que fez “o jogo real da política”. Deu a entender que não teve alternativas: "Política a gente faz com quem a gente tem, não com quem a gente a gente quer".

Revelou-se um adepto da linha Wagner Tiso. “O PT fez o que tinha que fazer para governar”, regera o maestro na semana passada. Lula seguiu os movimentos da batuta: "Esse é o jogo real da política e precisou ser feito por quatro anos para que nós pudéssemos chegar hoje numa situação altamente confortável do ponto de vista econômico, político e social".

O fato é que, a despeito do cocô, das más companhias e do jogo bruto, os intelectuais limparam toda réstia de nódoa que ainda pudesse haver no prontuário da era Lula. Lavaram, engomaram e passaram a ferro os escândalos. De quebra, emitiram certifiado de garantia à ética petista válido por pelo menos mais quatro anos. Num manifesto no qual se penduraram 213 assinaturas, a intelectualidade reclama apoio a Lula.

O texto faz menção a "recentes escândalos”. Faz uma concessão às “perplexidades" que despertaram. Mas driblam o mal-estar elogiando a PF e a CGU. De resto, apelam ao povo inculto: "As próximas eleições, que não se reduzem ao nível federal, poderão, através do voto, afastar políticos corruptos, tarefa difícil, porém indispensável", diz o texto.
Lula, evidentemente, não tem nada a ver com coisa nenhuma. Antes, não tomara conhecimento do mensalão. Agora, suspeita até que tudo não tenha passado de uma lenda. É uma petulância imaginar que o presidente poderia ter sido ao menos omisso. Para a protopetista Marilena Chuaí, críticas a Lula soam a "preconceito de classe". O PT, diz ela, "sabe o que ética na política. Por isso pode enfrentar de cabeça erguida as acusações de corrupção".
Mudam os faxineiros, mas o sabão é sempre o mesmo. Nos dias que correm, recorre-se à beira do tanque metafórico da intelectualidade ao mesmo tipo de sabão usado há bem pouco, por exemplo, por José Arthur Giannotti. Também ele justificou, sob espuma retórica, as incursões do amigo FHC pelo universo da amoralidade.

MORDAÇA

Folha de São Paulo -29/08/2006
TRE do Distrito Federal proíbe veiculação de conversa de Roriz
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A Folha, juntamente com outros veículos de comunicação, está proibida por uma decisão judicial de divulgar qualquer informação sobre uma conversa telefônica que envolveu o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz (PMDB).Atendendo a um pedido dos advogados de defesa de Roriz, o TRE-DF (Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal) determinou que a Folha se "abstenha de veicular, sob qualquer forma, a conversa telefônica objeto da presente representação".Joaquim Roriz é candidato ao Senado pelo PMDB no DF. O ex-governador apóia oficialmente a candidata tucana ao governo do Distrito Federal, a atual governadora Maria de Lourdes Abadia. Ela era vice-governadora e assumiu o governo quando Roriz se desincompatibilizou para disputar uma cadeira no Senado.Na representação, os advogados de Roriz argumentaram que a conversa, entre o ex-governador e um de seus aliados, foi obtida por meio de "interceptação ilegal" e, por isso, não pode ser divulgada.
Veja abaixo, nesse Blog, o que contém a fita que o Roriz proibiu a divulgação!

Nosferatu

Folha de Sâo Paulo - 29/08/2006
Delúbio desviou R$ 15 mi da Saúde, sugerem grampos

Relatório da PF diz que ex-tesoureiro e ex-ministro Humberto Costa lideravam esquemasInvestigações sobre fraudes em licitações indicam que irregularidades ocorriam também no governo de Fernando Henrique Cardoso

ANDRÉA MICHAELLUCIANA CONSTANTINODA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Relatório da Polícia Federal sobre a Operação Vampiro afirma que o esquema de fraudes a licitações instalado no Ministério da Saúde era comandado por dois grandes grupos: um ligado ao ex-ministro Humberto Costa e outro ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.Encaminhado ao Ministério Público no dia 15 de agosto, o relatório reproduz trechos de conversas telefônicas, gravadas com autorização judicial, sugerindo que o grupo de Delúbio "efetivamente alcançou, aproximadamente, R$ 15 milhões com o esquema".
Numa das gravações, afirma o relatório, os lobistas Eduardo Passos Pedrosa e Laerte de Arruda Correa fazem comentários, em fevereiro de 2004, sobre "a prestação de contas de valores arrecadados junto às empresas licitantes por intermédio de lobistas consorciados". Laerte e Pedrosa estão entre os 17 empresários e servidores que foram presos pela PF em maio de 2004, como resultado da Operação Vampiro, que investigou denúncias de fraudes em licitação para compra de hemoderivados -medicamentos para hemofílicos- no Ministério da Saúde. Na época, a investigação foi feita a pedido do próprio ministério, depois de receber uma denúncia de uma empresa do setor.

28 de ago. de 2006

Série: Nessa eleição não vote em ladrão, sanguessuga, vampiro, mensalão...

Folha Online - 28/08/2006
Conselho abre processos de cassação contra senadores sanguessugas

GABRIELA GUERREIROda Folha Online, em Brasília

O presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto Souza (PMDB-MA), instaurou oficialmente hoje os três processos de cassação contra os senadores acusados de participação na máfia das ambulâncias: Ney Suassuna (PMDB-PB), Serys Slhessarenko (PT-MT) e Magno Malta (PL-ES). Souza retornou a Brasília para assinar os documentos que dão início aos processos.
Os três senadores, segundo João Alberto, serão notificados ainda hoje. João Alberto também designou os senadores que vão relatar cada um dos processos de cassação. Diante da dificuldade em encontrar um relator para o processo do senador Magno Malta, João Alberto fez uma troca nas relatorias. O senador Demóstenes Torres (PFL-GO), que inicialmente seria o relator do processo contra Serys Slhessarenko, agora vai relatar o caso de Magno Malta. No lugar de Demóstenes, João Alberto escolheu o senador Paulo Octavio (PFL-DF) para relatar o processo contra Serys. Já o senador Jefferson Peres (PDT-AM) permanece como o relator do caso de Ney Suassuna.
A mudança, segundo João Alberto, ocorreu diante da ligação entre Paulo Octavio e Magno Malta. "O Paulo Octavio é muito ligado ao Magno Malta, então achei por bem fazer essa mudança, e ele também disse que não ficaria confortável com essa relatoria", disse.Na semana passada, o presidente do Conselho de Ética conversou com vários parlamentares em busca de um relator para o caso de Malta. Vários senadores, como César Borges (PFL-BA) e Heráclito Fortes (PFL-PI) negaram o convite para assumirem as relatorias. O ano eleitoral, segundo João Alberto, prejudica o ritmo das investigações -- já que a maioria dos senadores está fora de Brasília em campanhas regionais.

A Ética do Poder

Folha de São Paulo, 18/08/2006
Ética, de Paulo Betti a Chaui
FERNANDO DE BARROS E SILVA

SÃO PAULO- O avanço do favoritismo de Lula começa a remover certos embaraços morais de quem o apóia. Isso ficou claro na última semana entre os artistas: passaram do silêncio constrangido ao ataque desabrido. "Não dá para fazer política sem sujar as mãos", disse o ator Paulo Betti; "Não estou preocupado com a ética do PT. O partido fez o jogo que tem que fazer para governar", emendou o músico Wagner Tiso, ambos convidados para o convescote com Lula no apartamento do músico-ministro Gilberto Gil.
O elogio nesses termos da realpolitik petista provocou muita grita indignada. Não seria para tanto. Os artistas só fizeram levantar o véu da hipocrisia do debate eleitoral. Disseram o que qualquer eleitor de Lula que não seja incauto, lunático ou movido por má-fé já sabia.
Mas os artistas ofuscaram uma outra defesa da reeleição de Lula, esta mais "elevada", feita por Marilena Chaui. Em palestra no Rio na última quinta-feira, a filósofa primeiro se recusou a tratar com a imprensa burguesa. Como de hábito, também não disse palavra sobre o PT, Lula ou o mensalão. Foi a homenagem involuntária que prestou ao tema do ciclo de que participava: "O Esquecimento da Política".
O que fez então Chaui? Mostrou à platéia por que, segundo o filósofo Espinosa, do século 17, a boa política se dá quando a esperança vence o medo. Ou seja: depois de mais de 20 anos debruçada sobre seu pensador predileto e mais de mil páginas dedicadas às "nervuras do real", Chaui termina por colocar Espinosa no colo de Duda Mendonça.Pior: a versão filosofante do slogan publicitário aparece com quatro anos de atraso, como se entre a fantasia vendida em 2002 e hoje não existisse o estelionato político operado pelo lulismo. A esperança, aqui, está a serviço do obscurantismo tarefeiro, não do pensamento.
No livro sobre "O Silêncio dos Intelectuais", que acaba de sair, Francis Wolff escreve que "nunca os intelectuais falaram tanto para dizer por que não dizem nada". É verdade. Chaui precisa ouvir Wagner Tiso e aprender com Paulo Betti.

27 de ago. de 2006

Eles se conhecem muito bem....

Blog do Noblat - 27/08/2006
Roriz sobre Arruda: " Falso, vagabundo, mentiroso"


Pegou fogo a campanha eleitoral em Brasília.

Eri Varela, advogado há mais de 20 anos do ex-governador Joaquim Roriz e candidato a deputado federal pelo PMDB, aproveitou ontem a inauguração do seu comitê de campanha no Setor Comercial Sul para divulgar fita de áudio de1 minuto e 54 segundos gravada por ele mesmo.

O conteúdo da fita é explosivo. Registra uma conversa que Varela teve por telefone com Roriz no meio da semana passada. Os dois baixam o caceta no deputado José Roberto Arruda, candidato do PFL ao governo do Distrito Federal, e até recentemente aliado de Roriz.

Arruda lançou-se candidato depois de tentar, sem sucesso, obter o apoio de Roriz - mas apóia a candidatura dele ao Senado. E faz questão de pedir votos para Roriz em seu programa de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Roriz apóia a reeleição da governadora Maria de Lourdes Abadia (PSDB).

Até a semana passada, Abadia receiava que Roriz a largasse de mão e se juntasse a Arruda, líder disparado nas pesquisas de intenção de voto. Depois da divulgação da fita por Varela, tal hipótese está descartada. Varela não tornaria público seu diálogo com Roriz se Roriz não o autorizasse.

Na manhã de ontem, em comício na cidade-satélite de São Sebastião, Roriz se referiu a Arruda como "bandido" e "traidor". Na fita que Varela mostrou às mais de 500 pessoas que compareceram à inauguração do seu comitê, Roriz chama Arruda de "falso, vagabundo e mentiroso".

Série: Quem te viu, quem te vê...

Folha de São Paulo - 27/08/2006
IMPROBIDADE

Justiça do Rio bloqueia bens de Lindberg
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DO RIO

A Justiça bloqueou na sexta-feira os bens do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT) por determinação da 5ª Vara Cível, na Baixada Fluminense, a 35 quilômetros do Rio).Lindberg foi denunciado pelo Ministério Público, acusado de improbidade administrativa ao contratar para publicidade da prefeitura a Supernova Mídia, com a qual tinha dívidas de campanha. No ano passado, a Supernova venceu licitação R$ 598.468.

Segundo o MP, enquanto a empresa era contratada pela Prefeitura de Nova Iguaçu, Lindberg deixava de pagar sua dívida. Para os promotores, seria assumida pelo diretório municipal do PT, que também não a pagou. O procurador-geral de Nova Iguaçu, Rodrigo Mascarenhas, enviou recurso ao TJ-RJ para tentar anular o bloqueio.

Para assinantes da Folha

Farra de cargos na Câmara

Correio Brazilense - 27/08/2006
Filhos, mulheres e fantasmas

Familiares empregados por deputados e até por um ex-parlamentar na Câmara sequer freqüentam o local de trabalho. Despesa anual com essa turma, só em salários-base, ultrapassa os R$ 100 mil
Helayne Boaventura e Fabíola Góis Da equipe do Correio

Há na Câmara um grupo especial de funcionários. Eles foram contratados sem concurso e não pisam na Casa nem para assinar a folha de ponto. São servidores fantasmas. Após denúncia do Correio, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), exonerou na semana passada três servidoras nessa situação. Existem, porém, mais fantasmas na lista de servidores. E com uma característica particular: têm sobrenomes famosos. São parentes dos deputados, indicados para os postos pelos próprios parlamentares. Levantamento do Correio revela que pelo menos 11 deputados e um ex-deputado contrataram servidores para a Câmara de forma, no mínimo, inusitada.Três deles não trabalham na Casa. São fantasmas, que só prestam serviço no papel. Mas seus salários são pagos regularmente. Um custo de R$ 8.079 por mês, ou R$ 105.030 por ano.

Oficialmente, Clarissa Cabral Trinta, filha do deputado Remi Trinta (PL-MA), foi contratada para a diretoria legislativa da Câmara. Os registros mostram que ela foi cedida para a Liderança do PL, partido ao qual o pai está filiado. Clarissa recebe R$ 2.388, o equivalente a um cargo de natureza especial (CNE) 14. Procurada, Clarissa não foi encontrada nem na Diretoria Legislativa nem na Liderança do PL. Isso porque ela trabalha há exatos 2.223 quilômetros de Brasília, em Palmeirândia, uma cidade do Maranhão a 66 quilômetros de São Luís. É dentista e dirige o Hospital Municipal do município. Está na função há cerca de três meses. Todos no hospital a conhecem e sabem que ela é filha do deputado Remi Trinta. Antes disso, ela trabalhou por pelo menos um ano em outra cidade do interior maranhense, São Bento. Ou seja, há quase um ano e meio ela está impedida de trabalhar na Câmara. Mas seu nome consta como servidora da Casa e o salário cai na conta todo mês. Sem explicação Na liderança do PL, informaram inicialmente que Clarissa estava em férias. Mais tarde, a assessoria do partido avisou que ela foi dispensada da função. Flagrados, pelo menos 20 deputados pediram a exoneração de seus apadrinhados na última semana.

Situação semelhante é de Ana Beatriz Cunha e Silva Lins. Filha do deputado Átila Lins (PMDB-AM), é beneficiária de uma remuneração de R$ 3.904 (CNE 11). O Correio procurou por ela na Diretoria-Geral da Câmara, a lotação oficial, e na Primeira Vice-Presidência, para onde ela teria sido cedida. Funcionários dizem que ela não trabalha em nenhum dos locais. O deputado Átila Lins não aceitou falar à reportagem.

Ninguém conhece também Wandecy Gabriel de Brito, filho do ex-deputado Nilson Gibson, nos locais onde ele deveria estar trabalhando. Wandecy recebe salário de R$ 1.952 (CNE 15) da Coordenação de Registro Funcional. Estaria cedido para a Comissão de Educação e Cultura. Nos dois locais, os funcionários nem conhecem o rapaz. Além dos fantasmas, há parentes de deputados em situação flagrantemente irregular. José Nilson Santiago Segundo, primo do líder do PMDB na Câmara, Wilson Santiago (PB), é contratado da Câmara. Recebe salário de R$ 2.388. Mas não pisa em Brasília. Trabalha no gabinete do deputado em João Pessoa. As funcionárias do escritório no estado garantiram que José Nilson trabalha efetivamente. Mas que ele não poderia ser localizado porque “fazia campanha” para o deputado no interior do estado. Procurado, o deputado não retornou a ligação.
Irmão do deputado Carlos William (PMDB-MG), Ary de Souza Júnior até trabalha no gabinete. Mas não cumpre horário. Os colegas não sabem dizer qual é a função dele e quando ele pode ser encontrado no local. O deputado confirma a situação. “Ele trabalha. É assessor em tudo. Ele não tem trabalho específico. Pode fazer a qualquer horário e momento”, argumenta. Ausentes Às vésperas da campanha eleitoral, o Correio conseguiu localizar nos gabinetes apenas dois dos parentes de deputados e de um ex-deputado. As explicações para as ausências foram as mais variadas. Odimércia Araújo Costa Reis Sá, mulher do deputado B.Sá (PSB-PI), não estava no gabinete na quinta e sexta-feiras passadas. Estaria acompanhando uma irmã a uma cirurgia no hospital.
A filha do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Andressa de Azambuja Alves, é uma funcionária pouco conhecida dos colegas. Ela foi procurada na Liderança do PMDB, onde dados da Câmara apontam como seu local de trabalho. Parte dos funcionários disse não conhecê-la. Outros disseram que ela estava em férias.
Thiago de Carvalho de Freitas, filho do deputado Ricarte de Freitas (PTB-MT), também não foi encontrado no gabinete. Os funcionários informaram que ele estava em recesso na semana passada. Apenas a filha do deputado Osvaldo Reis (PMDB-TO), Denise Souza Reis, e a sobrinha do deputado Homero Barreto (PTB-TO), Isolda Eline Barreto Nunes, foram encontradas no final da semana passada. Denise reconhece que o pai é o responsável por sua contratação. “Ele intercedeu, é um cargo de confiança. Mas trabalho”, argumenta. Já Isolda diz que o tio não teve qualquer participação em sua contratação pela Casa. “Estou na Câmara desde 1995. Não tenho vínculo com ele. Ele foi eleito apenas em 2003 pelo Tocantins. Minha vida sempre foi em Brasília”, justifica.

Farra dos cargos na Cãmara (2)

Correio Brazilense - 27/08/2006

Quem nomeia parente
José Varella/CB - 25/10/05

Átila Lins (PMDB/AM) - Emprega a filha, Ana Beatriz Cunha e Silva Lins, que recebe R$ 3.904,17 mas não aparece para trabalhar nem na diretoria-geral, à qual está vinculada, nem na vice-presidência, onde a Câmara informa que ela deveria dar expediente;
• B. Sá (PSB/PI) - Emprega a mulher, Odimércia Araújo Costa Reis Sá, que recebe R$ 3.904,17 para B. Sá (PSB/PI) trabalhar no gabinete do marido. Na sexta-feira, ela não estava no local. Teria ido ao hospital;
• Gonzaga Patriota (PSB/PE) - Emprega a filha Gandhy Lua de Queiroz Andrade Patriota e a mulher, Rocksana Belmárcia, cada uma com salário de R$ 1.952,12. A filha, que mora em Salvador, foi demitida após revelação de que era funcionária “fantasma”. A mulher trabalha no escritório de Patriota em Pernambuco;
• Remi Trinta (PL/MA) - Emprega a filha Clarissa Cabral Trinta, por R$ 2.388,24. Registrada na diretoria legislativa, deveria dar expediente na liderança do PL, mas ela nem mora em Brasília. É diretora de hospital em Palmeirândia (MA), onde reside. Foi exonerada semana passada;
• Ex-deputado Nilson Gibson - Emprega o filho Gabriel de Brito. Com salário de R$ 1.952,12, está lotado na Coordenação de Registro Funcional, mas cedido à Comissão de Educação e Cultura. Não foi encontrado em nenhum dos dois locais.
• Carlos William (PMDB/MG) - Emprega o irmão Ary de Souza Júnior, cujo salário é R$ 2.388,24. Lotado na diretoria legislativa, consta que deveria trabalhar no gabinete do deputado, mas não cumpre os horários regularmente;
• Wilson Santiago (PMDB/PB) - Nomeou o primo José Nilson Santiago Segundo, com salário de R$ 2.388,24. Trabalha no escritório do deputado na Paraíba;
• Osvaldo Reis (PMDB/TO) - Nomeou a filha Denise Souza Reis. Com salário de R$ 2.388,24, trabalha no gabinete do pai.;
• Zé Lima (PP/AP) - Empregava a filha Dilaene Lima da Silva Antunes. Com salário de R$ 1.952,12, foi exonerada na semana passada. Trabalhava no gabinete do pai no Amapá;
• Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN) - Emprega a filha Andressa de Azambuja Alves por R$ 1.952,12. Registrada na diretoria-geral, deveria dar expediente na liderança do PMDB. Parte dos funcionários da liderança não a conhece. Outros dizem que ela está em férias;
• Homero Barreto (PTB-TO) - Nomeou a sobrinha Isolda Eline Barreto Nunes, que ganha R$ 2.388,24. Lotada na assessoria técnica da diretoria geral, trabalha regularmente na coordenação de Inativos e Pensionistas;
• Ricarte de Freitas (PTB/MT) - Empregou o filho Thiago de Carvalho de Freitas, por R$ 3.329,64, na diretoria legislativa. Cedido para o gabinete do pai, não foi encontrado no trabalha. Um funcionário informou que Thiago está “em recesso”.

Não vote em ladrão, vampiro, sanguessuga, mensalão...

Folha de São Paulo - 27/08/2006
Procuradoria vai denunciar Azeredo por desvio de verba

Dinheiro investido por estatais mineiras em evento em 1998 teria sido usado na campanha de senador ao governo mineiro

• Agência de Marcos Valério teria feito triangulação; empresário e tesoureiro de tucano também vão ser incluídos na denúncia

O Ministério Público Federal vai denunciar à Justiça o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) sob a acusação de crime de peculato. Essa prática ocorre quando o servidor público se apropria de dinheiro ao qual tem acesso em razão do cargo e desvia os recursos em benefício próprio ou de terceiros.
Juntamente com Azeredo serão acusados pelo mesmo crime o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e Cláudio Mourão, que foi tesoureiro da campanha derrotada de reeleição ao governo de Minas de Azeredo em 1998. A pena para o crime pode chegar a 12 anos de prisão.
Como o senador tem direito a foro especial no STF (Supremo Tribunal Federal), a prerrogativa de oferecer a denúncia é do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza.
O centro da acusação está na edição de 1998 do evento esportivo Enduro da Independência, promovido pela agência de publicidade SMPB, da qual Valério era sócio. Estatais mineiras, como a Copasa e a Comig, compraram duas cotas de patrocínio da competição, no valor de R$ 1,5 milhão cada uma delas.

Série: Quem te viu, quem te vê...

UOL - 27/08/2006 - 00h00
Políticos do PT são os que têm o maior avanço patrimonial

FERNANDO RODRIGUES
com variação de 83,7%, petistas são os campeões entre os grandes
• valor médio de pefelistas é o maior: R$ 3,196 milhões


Os políticos vencedores do PT nas eleições de 1998 e de 2002 são os que apresentam, entre as siglas de maior porte, a mais robusta variação patrimonial em quatro anos. Os petistas tiveram um aumento do seu patrimônio médio de 83,7% em quatro anos, um percentual bem acima da inflação do período (27,2%, segundo o IPCA). Esse dado pode ser comprovado com as informações do livro "Políticos do Brasil" (Publifolha, 424 págs.), lançado neste fim de semana. Os dados usados no livro estão abertos para consulta no site www.politicosdobrasil.com.br.
Apesar de os petistas registrarem um avanço patrimonial bem superior ao de políticos do PFL (cuja taxa foi de 49%), PMDB (45,7%) e PSDB (37,6%), é necessário registrar que os integrantes do PT partem de uma base monetária bem menor. O patrimônio médio dos petistas que venceram as duas eleições pesquisadas foi de R$ 102,7 mil em 1998 e de R$ 188,5 mil em 2002.Já os outros políticos de siglas mais tradicionais partem de uma valor bem mais elevado na eleição de 1998. Os vencedores do PFL tinham um patrimônio médio de R$ 2,144 milhões em 1998. Pularam para R$ 3,196 milhões em 2002.Os peemedebistas saíram de R$ 971,7 mil em 1998 para R$ 1,416 milhão em 2002. Os tucanos pularam de R$ 1,063 milhão em 1998 para R$ 1,463 milhão em 2002.

DESILUSÃO POLÍTICA

Folha de São pulo 27/08/2006
18% do eleitorado pretende anular voto para deputado

FERNANDO RODRIGUES da Folha de S.Paulo, em Brasília

O desânimo do brasileiro com a eleição para deputados federais e estaduais pode resultar numa taxa além do normal de votos nulos no pleito de 1º de outubro. Segundo pesquisa do Datafolha, 18% dos eleitores pretendem votar nulo na hora de escolher o legislador federal e 16% dizem que podem anular o voto para deputado estadual. As taxas são altas se comparadas aos apenas 2,9% de votos nulos nas eleições para deputados federais e estaduais em 2002 --o percentual foi idêntico para as duas votações. Se a intenção do eleitor for confirmada nas urnas, a nulidade dos votos deste ano será equivalente a seis vezes à registrada na eleição passada. Mesmo levando em conta os votos brancos para deputado federal em 2002, a soma de votos inválidos (7,6%) não chega à metade da taxa apontada pela pesquisa. A pesquisa Datafolha foi realizada com 6.279 eleitores de 272 municípios de 24 Estados e o Distrito Federal, nos dias 21 e 22 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa resultou de parceria entre a Folha e a Rede Globo.
Não há pesquisas semelhantes de eleições anteriores. Por essa razão, não é possível afirmar se essa intenção de votar nulo para cargos do Legislativo ocorreu em outros pleitos nesta fase da campanha --e se isso se concretizou nas urnas.
Há um dado a ser considerado: a Justiça Eleitoral nunca ensina em suas campanhas didáticas como se faz para votar nulo. Os meios de comunicação também informam de maneira modesta como é essa operação (basta digitar um número que não esteja relacionado a nenhum candidato --como 99--, e apertar a tecla "confirma").
É possível que muitos que queiram votar nulo não saibam como fazê-lo e acabem votando em branco ou em uma legenda. A única propaganda a favor do voto nulo se deu de maneira informal, por meio de correntes na internet. O Brasil tem cerca de 32 milhões de pessoas com acesso à rede, para um eleitorado de 126 milhões. Na campanha pela internet propagou-se uma informação falsa: a de que a eleição seria anulada se mais de 50% dos votos fossem nulos. A legislação não contém essa determinação. Se mais da metade dos votos forem nulos, todos os eleitos tomarão posse da mesma forma.
 
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