Fragmentos: Dentro da noite veloz - Ferreira Gullar

A vida muda como a cor dos frutos lentamente e para sempre. A vida muda como a flor em fruto velozmente.
A vida muda como a água em folhas o sonho em luz elétrica a rosa desembrulha do carbono o pássaro da boca mas quando for tempo.
E é tempo todo o tempo mas não basta um século para fazer a pétala que um só minuto faz ou não mas a vida muda a vida muda o morto em multidão.


20 de set. de 2006

Bode Expiatório

Eliane Cantanhêde - Folha Online - 20/09/2006

Lula escala "culpado"

O governo recorreu a uma estratégia óbvia e que não é nenhuma novidade: tirou do Planalto e jogou para o PT a culpa pela compra de um dossiê contra tucanos pela bagatela de R$ 1,7 milhão. Lula mantém o poder, mas transforma o PT na sua Geni (aquela da música do Chico Buarque).
Mantém-se, assim, o mesmo script de todos os escândalos que têm aparecido no atual governo, e que não são poucos: o Planalto leva um susto, Lula fica indignado, um ministro é escalado para falar em "armação", Márcio Thomaz Bastos entra em ação para reduzir danos e a culpa acaba sempre nas costas do partido.
No final, Lula vai amontoando cadáveres: José Dirceu, Antonio Palocci, José Genoino, Waldomiro Diniz, Delúbio Soares, Sílvio Pereira, aos quais vêm se somar, agora, Freud Godoy, que trabalha há 16 anos com Lula e com o PT, tem gabinete no Palácio do Planalto e função na campanha da reeleição, e Jorge Lorenzetti, petista desde criancinha e também linha de frente do comitê.
A diferença entre Freud e Lorenzetti é justamente o gabinete. Então, Lula, Tarso Genro, Mercadante, Ricardo Berzoini e todos os lulistas criam a tese de que Freud, na verdade, não teve nada a ver. Foi um pequeno equívoco. Quem estava metido com a compra do dossiê era mesmo o Lorenzetti. Porque um, Freud, é Lula, de Lula, de dentro do Planalto. E o outro, Lorenzetti, é PT, do PT e fora do Planalto. Então, pau no Lorenzetti e pau no PT.
Encontrado o culpado de plantão, agora é rezar para não ter que encontrar os chefes. Porque, senão, coitado do Berzoini, ou coitado do Gilberto Carvalho, secretário particular de Lula e, em tese, chefe direto de Freud no Planalto. A cabeça de um dos dois, ou dos dois, terá que ser dada de bandeja para salvar a pele do chefe Lula.
Completado o círculo, é só manter a mesma ladainha do complô das elites: da oposição, da imprensa, dos ricos. Só não dá para citar a Febraban, que essa não acha nada demais na compra de dossiês contra adversários, desde que os lucros bancários continuem como estão - na estratosfera.
É assim que a eleição passa, as pesquisas vão confirmando o favoritismo de Lula já no primeiro turno e nada muda. Só tem um detalhe. Essa história toda não acaba em primeiro de outubro e, se Lula vencer, já vai começar o segundo mandato com a classe média de cara virada, formadores de opinião enojados e um monte de cadáveres que, na verdade, não são cadáveres. São mortos-vivos. E estes sempre aparecem. Para assombrar.

Charge do Dia: Glauco

Folha de São Paulo - 20/09/2006

Clóvis Rossi: Quadrilha é pouco!

Folha de São Paulo - 20/09/2006
CLÓVIS ROSSI

Quadrilha é pouco

É o delegado de Ribeirão Preto que pede a prisão de Antonio Palocci, acusando-o, entre outras coisas, de "formação de quadrilha" por conta do episódio chamado "máfia do lixo". Quem é Antonio Palocci? Primeiro, foi coordenador de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, no lugar de Celso Daniel, prefeito assassinado de Santo André, em crime que, segundo Luiz Inácio Lula da Silva, envolvia "gente graúda". Depois, Lula e seu partido deixaram morrer mansamente o caso, sem que ele ficasse de fato esclarecido. Depois, Palocci foi o homem forte do governo Lula, responsável pela política econômica, posição que usou para violar o sigilo bancário de um caseiro que fazia acusações contra ele e sua turma.
É também o Ministério Público que pede a prisão de Freud Godoy, recém-demitido do cargo de assessor especial do presidente Lula, pela suspeita de negociar a compra de um dossiê contra candidatos adversários, manobra que o presidente considerou "abominável". É a revista "Época" que informa que Osvaldo Bargas também ofereceu um dossiê contra adversários do PT. Quem é Osvaldo Bargas? Foi alto funcionário do Ministério do Trabalho no governo Lula e, atenção, assessor direto de Ricardo Berzoini, presidente do PT. Quem é mesmo Berzoini? Além de ter sido, como ministro da Previdência, torturador de velhinhos aposentados no processo de recadastramento, é o coordenador da campanha de Lula, como Palocci o foi em 2002. Ah, tem também Jorge Lorenzetti, misto de churrasqueiro de Lula e funcionário de um banco federal, que seria o verdadeiro responsável pela "abominação" (negociar a compra do dossiê). O procurador-geral da República foi contido ao falar em "quadrilha", na denúncia contra toda a cúpula do lulo-petismo.

Mais um na Quadrilha

Folha On line 19/09/2006 - 17h56
Ex-secretário de Berzoini é envolvido em venda de dossiê contra tucanos

O nome do presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, foi envolvido na compra do suposto dossiê contra o ex-ministro da Saúde José Serra.
Nota divulgada nesta terça-feira pela revista "Época" informa que um de seus repórteres foi procurado por Oswaldo Bargas --ex-secretário de Ricardo Berzoini no Ministério do Trabalho e um dos coordenadores de campanha à reeleição de Lula. Ele queria saber se a revista tinha interesse em publicar denúncias contra "políticos de renome".
Segundo a revista, Bargas teria mencionado que o PT não tinha nada a ver com aquela denúncia e que apenas Berzoini sabia do encontro com o jornalista da revista.
Procurada pela Folha Online, a assessoria do PT informou que vai se pronunciar ainda hoje sobre a denúncia de suposto envolvimento do presidente do partido na negociação de um dossiê contra políticos do PSDB.

19 de set. de 2006

A Ética no Lixo

Terra Notícias - 19/09/2006


Polícia pede prisão do ex-ministro Antonio Palocci

O delegado seccional Antonio Valencise da Polícia de Ribeirão Preto, confirmou que pediu a prisão do ex-ministro Antonio Palocci e demais envolvidos em irregularidades no contrato de limpeza nas administrações do PT. Segundo Valencise, o pedido foi feito no relatório final do inquérito que aponta o ex-ministro e candidato a deputado federal pelo PT Antonio Palocci como o coordenador da "máfia do lixo".

As investigações abrangeram irregularidades nas gestões dos petistas Palocci (2001 a 2002) e Gilberto Maggioni (2002 a 2004) em Ribeirão Preto. A suposta fraude no contrato de limpeza pública envolveria a empresa Leão Leão e seria coordenada por Palocci. De acordo com o relatório, o rombou deixado pela fraude foi superior a R$ 30 milhões.

Na semana passada, Palocci foi apontado pela Polícia Federal como o mandante da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. No inquérito, o delegado da PF Rodrigo Carneiro Gomes, responsável pelo caso, confirma o pedido de indiciamento do ex-ministro da Fazenda pelos crimes de denunciação caluniosa, prevaricação e quebra de sigilos bancário e funcional. A soma dos quatro crimes pode dar até 15 anos de cadeia.

Formação de Quadrilha

Blog do Noblat - 19/09/2006

Diretor do Banco do Brasil se envolveu com o escândalo do dossiê contra Serra


Expedito Afonso Veloso, diretor de Gestão de Risco do Banco do Brasil, participou ativamente da operação de montagem e de divulgação do dossiê que tenta ligar o ex-ministro da Saúde José Serra à Máfia dos Sanguessugas, responsável pelo desvio de dinheiro público para a compra e venda de ambulâncias a preços superfaturados.

Ele entrou de férias do banco no dia 29 de agosto último, segundo Felipe Recondo, repórter do blog. E desde então trabalha na campanha de Lula. Ali, não tem uma função específica. Ora recolhe informações econômicas que poderão ser aproveitadas pelo PT ou pelo candidato, ora faz trabalhos típicos de arapongas.

Na semana passada, Expedito foi despachado para Cuiabá com a missão de convencer Darci e Luiz Antonio Vedoin, chefes da Máfia dos Sanguessugas, a conceder uma entrevista à revista ISTOÉ falando mal de Serra e do seu sucessor no Ministério da Saúde Barjas Negri. A entrevista durou pouco mais de uma hora, segundo contou o próprio Expedito a um amigo.

A participação de Expedito no caso não se limitou a isso. A maioria dos documentos que os Vedoin entregaram à Justiça como parte do dossiê capaz de implodir a candidatura de Serra ao governo de São Paulo foi reunida pelo próprio Expedito. E repassada por ele aos Vedoin.

- Fui eu que investiguei tudo e montei o dossiê - revelou Expedito a esse amigo dele.

Freudgate: TSE aprova pedido para investigar Lula

Folha Online 19/09/2006 - 20h22
TSE aprova pedido para investigar Lula pelo caso do dossiê antitucano
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O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu abrir investigação judicial eleitoral contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os suspeitos de envolvimento no dossiê contra candidatos tucanos. O corregedor-geral do TSE, César Asfor Rocha, acatou nesta terça-feira o pedido protocolado no tribunal pela coligação PSDB-PFL para a apuração das denúncias que o dossiê seria vendido ao PT como forma de prejudicar as candidaturas de José Serra e Geraldo Alckmin.O corregedor determinou a notificação imediata do presidente Lula e dos envolvidos no episódio para que sejam informados sobre o início das investigações. O advogado de Lula minimizou a decisão e disse que ela era uma "tempestade em copo d'água". Em Nova York, Lula disse que estão querendo melar a eleição.Além de Lula, a ação protocolado pelo PSDB e PFL pede que o TSE investigue o ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, os dois envolvidos na compra do dossiê, Gedimar Pereira Passos e Valdebran Padilha da Silva, além do assessor especial da Presidência, Freud Godoy --apontado por Gedimar como o mandante da compra do dossiê.César Rocha também solicitou cópia do inquérito policial com informações sobre a venda do dossiê. O corregedor determinou à Polícia Federal que mantenha o TSE informado sobre todas as investigações realizadas na apuração do caso. Ele também pediu que a PF faça perícia no dinheiro (cerca de R$ 1,7 milhão) encontrado com Gedimar Passos no dia em que foi preso, após negociar a compra do dossiê.Segundo o corregedor, a investigação se justifica uma vez que a Lei Eleitoral determina o cancelamento do registro da candidatura ou a cassação do diploma se for comprovado abuso do poder econômico para pagamentos de gastos eleitorais.PuniçõesNo pedido, a oposição acusa o ministro da Justiça, como chefe da Polícia Federal, de ter interferido na campanha à Presidência da República ao evitar o flagrante da compra do dossiê. Segundo o PSDB e o PFL, a Polícia Federal só permitiu a exposição pública do material apreendido em Cuiabá, com fotos e DVDs de Serra e Alckmin, fazendo a ligação dos tucanos com a máfia das ambulâncias --mas evitou a divulgação de imagens de Gedimar e Valdebran com o dinheiro para a compra do dossiê.O ministro teria utilizado a máquina pública, segundo a oposição, em benefício da candidatura de Lula. Berzoini foi incluído no pedido por ser presidente do PT, apontado como o agente responsável pela compra do dossiê.Se o TSE concluir após as investigações que o presidente Lula teve participação na suposta compra do dossiê, ele pode ficar inelegível por três anos a partir da disputa de 2008. O presidente também corre o risco de perder o mandato se depois de empossado a oposição ingressar com recurso contra expedição de diploma ou com ação de impugnação do mandato, com base no resultado das investigações.

Série: Nem FREUD explica!

Correio Braziliense - 19/09/2006
Um cargo só para o amigo

Olhe com atenção para qualquer foto de Lula em campanha presidencial. Pode ser em 1989, 1994, 1998 ou 2002. São grandes as chances de que Freud Godoy apareça em um canto da imagem, com o olhar vigilante e expressão concentrada. Desde a primeira vez que Lula disputou o Palácio do Planalto, Freud tornou-se uma espécie de anjo da guarda de Lula. Mais que isso, virou amigo pessoal do presidente, companheiro de viagens, conversas e do futebol do fim de semana. Quando Lula chegou ao poder, premiou o amigo. Mandou criar especialmente para ele o cargo de assessor especial do gabinete pessoal da presidência, com o nível de DAS 5, o segundo maior salário pago no governo federal.
Em 29 de dezembro de 2002, já presidente eleito, Lula foi flagrado caminhando com o amigo Freud. O assessor tinha sala no terceiro andar do Palácio do Planalto, próxima ao gabinete do presidente Lula. Também costumava ficar no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente, e o acompanhava nas viagens a São Paulo nos finais de semana. Oficialmente, era designado para cuidar da segurança da primeira-dama, Marisa Letícia.
Na prática, era um assistente pessoal e interlocutor de Lula. Além do salário, de R$ 4,8 mil, recebia auxílio moradia de R$ 1,8 mil e diárias sempre que viajava a trabalho. Entre ajudas de custo e diárias, recebeu R$ 79 mil desde que foi nomeado. A proximidade com o presidente e sua família, e também com integrantes do PT, lhe rendeu um contrato para prestação de serviços de segurança para a campanha de Lula à reeleição. A empresa de segurança de Godoy está no nome da mulher.

Série: Nem FREUD explica!

Correio Brazilense - 19/09/2006
Planalto sente o baque

O clima no palácio é de preocupação.
Lula passou o dia calado e levou a crise junto com ele para Nova York

Gustavo Krieger e Sandro LimaDa equipe do Correio

Nos últimos meses, a cada vez que a crise política apertou, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou-se a Getúlio Vargas. Gosta de apresentar o ex-presidente como um exemplo de político que teria sido perseguido pelas elites. Ontem, a pelo menos dois interlocutores, fez outra incômoda analogia. “Estão querendo me arrumar um Gregório Fortunato”, reclamou, em referência ao envolvimento de seu ex-segurança e assessor especial Freud Godoy na tentativa de compra de um dossiê contra tucanos. Gregório chefiava a guarda pessoal de Vargas em 1954 e foi o mandante de uma tentativa de assassinato contra Carlos Lacerda, adversário político do presidente. Lacerda levou um tiro no pé e um de seus acompanhantes foi morto. A crise terminou com o suicídio de Getúlio. O clima no Palácio do Planalto ontem era de extrema preocupação. A coordenação da campanha à reeleição iniciou uma série de pesquisas de campanha para medir o tamanho do estrago do caso nos índices de Lula. Mas a maior preocupação é com a possibilidade das investigações do caso levarem a crise ainda mais perto do presidente. Além de Freud Godoy, outro envolvido no caso era freqüentador do Palácio da Alvorada. O petista Jorge Lorenzetti, que coordenava um núcleo de inteligência na campanha (leia abaixo) foi o “churrasqueiro” em vários almoços promovidos por Lula na residência oficial.

Eleições 2006

Do Diário do Amapá, hoje:

"O Ministério Público Eleitoral no Amapá ajuizou ontem representação por captação ilícita de sufrágio (compra de votos) e condutas vedadas aos agentes públicos em campanha eleitoral (uso da máquina pública) contra o governador e candidato à reeleição Waldez Góes (PFT), pedindo a condenação na pena de multa e cassação do registro ou diploma, pelo mesmo ter incidido nos arts. 41-A e 73, incisos I e III, da Lei nº 9.504/97 (lei das Eleições), segundo o MPE.

Em sua campanha, Waldez teria promovido nos dias 14 e 27 de agosto "almoçomícios" - misto de almoço e comício - em que houve, segundo a denúncia, farta distribuição de refeições consistentes em feijoada, arroz e farofa, acompanhada de refrigerantes.

Os almoçomícios foram realizados em áreas da periferia de Macapá, atraindo uma multidão de pessoas humildes, adultos e crianças, os quais naqueles dias tiveram, em troca do voto, garantidos seu almoço e de sua família em decorrência da prática assistencialista —na avaliação do MPF."

18 de set. de 2006

Frase do Dia!

Agora, a única frustração que eu tenho é que os ricos não estejam votando em mim. Porque eles ganharam dinheiro como ninguém no meu governo.

Lula, em entrevista publicada na Folha de São Paulo.

No Brasil até Freud se avacalha!

Assessor de Lula pede demissão após caso do dossiê anti-Serra

EPAMINONDAS NETO da Folha Online

Freud Godoy, que teve seu nome envolvido no episódio da suposta compra de um dossiê contra o ex-ministro José Serra, disse por telefone para a Folha Online que já enviou seu pedido de demissão do cargo de assessor especial da Secretaria Particular do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Seu nome teria sido citado por Gedimar Pereira Passos como o suposto responsável por repassar recursos para a compra do dossiê anti-Serra. "Eu não tenho nada a ver com isso, absolutamente nada", afirmou. "Faz uns 40 minutos que eu enviei um e-mail para o gabinete do Gilberto Carvalho [chefe do gabinete de Lula] com meu pedido de demissão", afirmou.

Enquanto isso, no Mato Grosso do Sul



Irregularidades em série

André Puccinelli, candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, é acusado de superfaturar obras e dirigir licitações

Lúcio Vaz Enviado especial - Campo Grande (MS)

Com chances de ser eleito governador do Mato Grosso do Sul já no primeiro turno, como indicam as pesquisas eleitorais, o ex-prefeito da capital André Puccinelli (1997-2004) fez uma administração marcada por muitas obras e por denúncias de irregularidades. Compra de votos, empresários laranjas “tocando” obras públicas, superfaturamento e direcionamento de licitações estão registrados em depoimentos de testemunhas ao Ministério Público Federal e à Justiça, em auditorias da Controladoria Geral da União (CGU) e até em fita de vídeo. Na urbanização do Córrego Bandeira, a CGU apontou um sobrepreço de R$ 3,9 milhões, além de sub-rogação ilegal de contrato e fuga ao procedimento licitatório. Durante quase um ano, parte da obra foi tocada por uma empresa que estava em nome de dois garis, a Engecap, controlada por Éolo Ferrari. O contrato foi cancelado, mas os garis assumiram dívidas no valor de R$ 4 milhões.
Situação semelhante é narrada pela empresária Marinês Bertagnilli, ex-mulher do empreiteiro João Amorim, em medida cautelar que moveu na Justiça, em 2003, para recuperar documentos da empresa MBM Construções, que executou diversas obras da prefeitura. Marinês também foi usada como “laranja” e herdou dívida com o INSS no valor de R$ 985 mil. Segundo ela, Éolo e Amorim, “ao que parece, têm por costume manter empreiteiras em nome de terceiros, destinadas a se beneficiar de licitações públicas do atual governo municipal, com cujo prefeito mantêm estreitos laços de amizade pessoal, já que esse último foi inclusive tesoureiro das duas campanhas do prefeito André Puccinelli”.

Link para a reportagem completa no Correio Braziliense - para assinantes

Charge do dia



Folha de São Paulo - 16/09/2006

Freud: o Gregório Fortunato do PT

O Estado de São Paulo - 16/09/2006
Preso diz à PF nome de petista que mandou comprar dossiê de Vedoin

Advogado revela que 'Froude' ou 'Freud' o escalou para pagar R$ 1,75 mi por papéis contra candidatos tucanos

Sônia Filgueiras, , Vannildo Mendes, , Ana Paula Scinocca


O advogado Gedimar Passos deu, em depoimento à Polícia Federal (PF) de São Paulo, o nome da pessoa do PT que teria sido a responsável pela operação de compra do dossiê contra os candidatos do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, e à Presidência, Geraldo Alckmin, e o ex-ministro da Saúde, Barjas Negri, também tucano. Gedimar declarou que foi a mando de um homem chamado 'Froude' ou 'Freud' que recebeu a missão de pagar R$ 1,75 milhão por documentos e informações sobre o suposto envolvimento dos políticos no esquema de venda de ambulâncias superfaturadas.Segundo ele, consta que o mandante da operação seria dono de uma empresa de segurança 'no (eixo) Rio de Janeiro/SP'. Ele também afirmou que não sabe dizer se 'Froude' ou 'Freud' tem influência no PT, mas a polícia já trabalha na identificação do responsável. Há pistas que apontam para Freud Godoy, atual assessor do Gabinete da Presidência e ex-coordenador de segurança das quatro campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. É uma espécie de fiel escudeiro do presidente desde a década de 80. Segundo informações de funcionários do Diretório Nacional do PT de São Paulo, Freud é sócio de uma empresa de segurança que presta serviços ao partido. Ele foi procurado, mas não foi localizado ontem pelo Estado (leia ao lado).Gedimar e o empresário petista Valdebran Padilha foram presos na sexta em São Paulo com R$ 1,75 milhão, em notas de real e dólar. Eles estavam em um hotel da zona sul e tinham agendado encontro com Luiz Antônio Vedoin e o tio dele, Paulo Roberto Trevisan, que teriam dossiê supostamente capaz de relacionar Serra e Alckmin com a venda superfaturada de ambulâncias para prefeituras. Vedoin é dono da Planam, empresa que vendia os veículos e era o pivô do chamado esquema dos sanguessugas.Os dois deveriam verificar a autenticidade do material. Num depoimento prestado anteontem, eles contaram que o dinheiro para adquirir o dossiê veio de um representante do PT de São Paulo. Gedimar também descreve os dois emissários do PT que teriam entregado o dinheiro destinado ao pagamento pelo dossiê. Segundo o advogado, o primeiro R$ 1 milhão ele recebeu de um desconhecido no estacionamento do hotel onde estava hospedado na véspera de ser preso. O restante, de uma pessoa que se identificou como 'André'.Ainda conforme o depoimento do advogado, o PT teria tido dificuldades de levantar o dinheiro. Assim, teria trazido para a operação um órgão de imprensa que teria exclusividade na divulgação do material. O mesmo dossiê também seria entregue por Vedoin à Justiça Federal de Mato Grosso. No dia 14, o advogado do empresário protocolou na Justiça do Estado todos os documentos relacionados ao suposto envolvimento de um empresário ligado a Barjas, hoje prefeito de Piracicaba (SP), no esquema.

Link para a reportagem completa

Série: Dinheiro na mão é vendaval

Folha de São Paulo - 18/09/2006
Entrevista contra Serra foi paga pelo PT, afirma preso

Detido por negociar dossiê, advogado diz que partido dividiu custos com revista
À PF, Gedimar Pereira Passos disse ter sido "contratado" pela Executiva Nacional do PT para negociar compra de dados da família Vedoin

RENATA LO PRETE EDITORA DO PAINEL

O advogado e ex-policial federal Gedimar Pereira Passos, preso sexta-feira em São Paulo, afirmou à PF que foi "contratado pela Executiva Nacional do PT" para negociar com a família Vedoin a compra de um dossiê contra os tucanos, e que do pacote fez parte entrevista acusando José Serra de envolvimento na máfia sanguessuga.Em seu depoimento, ao qual a Folha teve acesso, Gedimar declarou ter entregue R$ 1 milhão do total que seria pago aos donos da Planam (cerca de R$ 1,7 milhão) a Valdebran Padilha da Silva, intermediário da família no negócio, "no momento em que foi iniciada a entrevista entre os Vedoin e a imprensa" em Cuiabá (MT).Os Vedoin, de acordo com Gedimar, pediram inicialmente R$ 20 milhões por "informações graves" que envolveriam "não só políticos de outros partidos, mas também do próprio PT", e referentes "não apenas ao caso sanguessuga". O valor, entretanto, "estava fora do alcance do partido".
A negociação teria prosseguido até baixar a R$ 2 milhões. Como mesmo essa quantia foi considerada elevada, o PT, segundo Gedimar, ofereceu "a uma importante revista de circulação nacional sociedade na compra das informações".
Ele disse não saber se a revista seria "IstoÉ" que na sexta-feira chegou às bancas com entrevista exclusiva em que Luiz Antonio Vedoin acusa Serra-, "Época" "ou mesmo um grande jornal de São Paulo".Gedimar contou à PF que "houve um acordo entre o PT e o órgão de imprensa" e que chegaram a reunir "pouco menos de R$ 2 milhões".Segundo o depoimento, "ficou acertado que uma equipe de jornalistas se deslocaria até Cuiabá para realizar entrevista exclusiva com os Vedoin", que na ocasião apresentariam "um arsenal de documentos".
Os papéis, diz Gedimar, foram mostrados aos jornalistas, mas ficaram com Vedoin, pois "só seriam entregues mediante pagamento". As informações, no entanto, se revelaram decepcionantes. Resumiam-se "a fatos já de conhecimento da sociedade em geral, de pouca importância para o PT e para o órgão de imprensa".

16 de set. de 2006

Charge do Millôr


Que é isso companheiro?

Folha Online - 16/09/2006 - 18h05
Advogado preso diz à PF que dinheiro veio do PT

HUDSON CORRÊA da Agência Folha, em Cuiabá

O advogado Gedimar Pereira Passos --que foi preso ontem em São Paulo, onde receberia um dossiê contra o candidato a governador pelo PSDB, José Serra-- disse à Polícia Federal que recebeu de membro do PT em São Paulo, cujo nome ele disse não saber, o dinheiro para comprar o material.O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, negou que o partido tenha pago pelo dossiê e condenou a tentativa de chantagem aos tucanos. O dossiê --uma fita de vídeo, um DVD e seis fotos-- foi enviado pelo empresário Luiz Antonio Trevisan Vedoin, apontado como chefe da máfia dos sanguessugas. Por conta do negócio, Vedoin foi preso ontem. A Justiça Federal determinou a prisão alegando que Vedoin ocultava provas e chantageava pessoas envolvidas com a máfia dos sanguessugas.
O material mostra Serra em maio de 2001, então ministro da Saúde, participando da entrega de 41 ambulâncias em Cuiabá (MT). Esses veículos, pagos com verbas federais, foram vendidos a municípios pela máfia dos sanguessugas.Há ainda uma foto, sem data, em que o candidato a presidente pelo PSDB, Geraldo Alckmin, aparece cumprimentando uma pessoa identificada pela PF como Sinomar Martins Camargo, representante da empresa Santa Maria, que pertencia aos sanguessugas e fornecia ambulâncias. Serra e Alckmin negam envolvimento com os sanguessugas e falam de armação eleitoral.Segundo passos, outra parte do dinheiro veio de uma revista cujo nome ele não soube dizer no depoimento à PF. A revista iria pagar pela exclusividade de uma reportagem.

PT e PSDB: o roto falando do esfarrapado!

Correio Brazilense - 16/09/2006
Serra e Costa na mesma crise

Jorge Hage diz que a situação dos ex-ministros é idêntica e que o tratamento deve ser igual para os dois. “É uma questão de mostrar a verdade”, destaca
Sandro Lima - Da equipe do Correio

O ministro da Controladoria Geral da União, Jorge Hage, afirmou ontem, após participar de solenidade no Palácio do Planalto, que a investigação sobre a suposta participação do ex-ministro Humberto Costa (PT) no esquema das ambulâncias deve ser tratada da mesma maneira que a do ex-ministro José Serra (PSDB). “A situação do ex-ministro Serra é a mesma situação do Humberto Costa. O que não vejo como razoável é que no caso de Humberto Costa, com o mesmo nível de indício, alguns saltem para a conclusão de que está consumado o envolvimento, e que no caso de ministro do governo passado o tratamento seja diferente. O tratamento tem que ser o mesmo. Indícios são indícios”, afirmou Hage.
Reportagem publicada pelo Correio na última quinta-feira mostra que o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Barjas Negri — que substituiu Serra quando ele deixou o cargo para disputar a Presidência —, teria determinado em dezembro de 2001 ao Fundo Nacional de Saúde “empenho e elaboração do convênio” para uma emenda no valor de R$ 88 mil que beneficiava o município de Nossa Senhora do Livramento (MT). Essa ambulância foi fornecida por duas empresas de fachada da Planam, de Darci Vedoin e Luiz Antônio Vedoin, acusados de liderar o esquema sanguessuga.
“As acusações sobre o governo anterior não estão somente apoiadas no depoimento dos Vedoin. Existem documentos e depoimentos de parlamentares que fazem acusações ao então secretário-executivo (Barjas Negri) e ao ministro (José Serra)”, afirmou Hage. Para o ministro da CGU, “a credibilidade dada aos Vedoin sobre as acusações ao ex-ministro José Serra tem que ser a mesma a que se atribui a ele quando acusa o governo atual”. Ele ressaltou, porém, que não se pode esquecer de tratar com reserva as acusações de “quem é réu e está sob delação premiada”.

Sanguessugas & Cia


FolhaOnline - 16/09/2006
Lula defende Suassuna e diz que senador é "leal e decente"

FÁBIO GUIBUda Agência Folha, em João Pessoa,
O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu hoje, durante comício em João Pessoa (PB), o senador Ney Suassuna (PMDB-PB), acusado de envolvimento na máfia dos sanguessugas. Lula classificou o senador de "leal" e "decente" e disse que não pode aceitar o julgamento dos seus adversários."Não sou de condenar ninguém antes do julgamento", afirmou o presidente. "Acho que todo o ser humano é inocente até prova em contrário, e o senador Ney Suassuna foi um senador leal, foi um senador que teve um comportamento decente", declarou.Lula afirmou que Suassuna "tem o direito de se defender" e que, "se cometeu algum erro", deve ser julgado e condenado" pela Justiça. "O que nós não podemos é aceitar o julgamento dos nossos adversários, porque se a gente fosse aceitar isso eu já estaria morto", disse.
Suassuna foi convidado pela organização do comício, mas não compareceu ao evento. Alegou que sua presença ao lado de Lula poderia ser usada pelos adversários para atacar o presidente. Outro suspeito de envolvimento com os sanguessugas, o deputado federal Marcondes Gadelha (PSB-PB), também não subiu no palanque.

15 de set. de 2006

Os Meninos do Brasil

Correioweb - 15/09/2006 - 12:37
Trabalho infantil sobe 10,3% em 2005, diz IBGE


Da FolhaNews

O trabalho infantil apresentou avanço no ano passado. O número de crianças de 5 a 14 anos que trabalham subiu 10,3% entre 2004 e 2005, influenciado pelo aumento no trabalho para o próprio consumo - construção e criação para si próprio - e atividades não-remuneradas, ambas tipicamente agrícolas. A conclusão faz parte da Pnad 2005, elaborada pelo IBGE, que constatou ainda que o contingente de crianças entre 5 e 17 anos que trabalham subiu e passou de 11,8% para 12,2% entre 2004 e 2005. Segundo o IBGE, uma das possíveis causas para esse aumento é a crise da agricultura, sobretudo, na região Sul do país. Os aumentos no trabalho entre crianças foram maiores nas regiões Sul e Nordeste. O envolvimento de crianças e adolescentes em atividade econômica apresentou diferenças regionais e diminuía conforme a idade avançava. A região Sudeste foi a que deteve menor número de crianças trabalhando (8,6%), vindo em seguida a Centro-Oeste (10,5%). No outro extremo, ficou o Nordeste (15,9%), seguido pela região Sul (14,0%). O percentual na região Norte foi de 13,1%.

Os buracos do Brasil

Agência Carta Maior - 15/09/2006
SÉRIE - ESTRADAS DO BRASIL
Concessões e melhorias ficam à mercê de disputa por lucro

Morrem em rodovias cerca de 20 a 40 mil pessoas por ano. Série de reportagens detalha as condições de determinados trechos e problemas correlatos ao tema e ajuda a compreender o que ocorre com as estradas do Brasil.
André Barrocal*- Carta Maior

BRASÍLIA – Dias atrás, o Jornal Nacional, da TV Globo, exibiu reportagem sobre a “pior rodovia do Brasil”, como as próprias autoridades classificam um trecho no Maranhão da BR 316. As condições da estrada são precárias desde o início da década de 90 - e pioram a cada ano - mas o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, tentou, sem sucesso, tirar proveito eleitoral da buraqueira e culpar o governo pela situação. Chegou a viajar às pressas para a região, na esperança de aparecer em uma segunda reportagem da emissora a respeito do tema. De qualquer maneira, o episódio ajudou a chamar a atenção, mais uma vez, para a deprimente situação das rodovias federais.
As rodovias brasileiras matam de 20 mil a 40 mil pessoas por ano, segundo estatísticas divergentes do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), do Ministério da Saúde e das seguradoras privadas. Acidentes ocorrem por imprudência do motorista, mas também pela má qualidade das estradas. Os prejuízos do país com acidentes de trânsito, com ou sem vítimas fatais, superam R$ 5 bilhões por ano, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). São perdas porque as vítimas deixam de trabalhar, geram despesas em hospitais e pagam conserto do veículo, entre outras coisas.
O governo federal tem recorrido a paliativos para melhorar as estradas, como a "operação tapa-buraco", deflagrada depois que as chuvas multiplicaram os buracos. As soluções mais duradouras, no entanto, estão empacadas - privatizações e parcerias com empresas privadas. Ambas tentam driblar a falta de investimentos nas rodovias decorrente da opção do governo por pagar altos juros da dívida.

Imagem do dia

Charge do Dia
























Folha de São Paulo, 15/09/2006

14 de set. de 2006

Até tu, MPU?

Correio Brazilense - 14/09/2006
Vagas para protegidos garantidas

Sindicato dos Servidores do MPU denuncia cabide de emprego dentro da instituição

Lúcio Vaz e Fabíola Góis - Da equipe do Correio

O Ministério Público da União (MPU) mantém em seu quadro de funcionários de confiança 26 candidatos que não conseguiram entrar por concurso público. Essa é uma das imoralidades apontadas por levantamento do Sindicato dos Servidores do Ministério Público da União (Sinasempu), entregue ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, em maio deste ano. Nomeações irregulares de pessoas sem vínculo com a administração pública para funções comissionadas e casos de nepotismo e de servidores fantasmas também fazem parte do relatório. O MPU é o guardião dos poderes e advogado dos interesses da sociedade.
Entre os 26, a pior colocada no concurso, Sílvia Terra Amaral, ficou em 10.080º lugar. Logo depois do concurso público, foi nomeada para o cargo de assessor (FC-07), com salário de R$ 7,9 mil. Trabalha no órgão desde 2003.
O documento com os nomes desses servidores era mantido em sigilo, mas o presidente do Sinasempu, Luiz Ivan Cunha Oliveira, foi provocado pelo secretário-geral do Ministério Público Federal, Carlos Frederico Santos, a apresentar a lista dos comissionados que não foram classificadas no concurso, além de casos de nepotismo. “Apresentem a lista”, desafiou Santos na última sexta-feira. O sindicato apresentou uma listagem completa, com o nome dos servidores, a classificação no concurso, o cargo que ocupam, o local de trabalho e a data da nomeação. No ofício, Ivan afirma que essas nomeações “ferem de morte os princípios da moralidade e da impessoalidade. Afinal, somente por apadrinhamento é que pessoas incapazes de conseguir classificação em concurso público do MPU seriam chamadas para exercerem cargos comissionados no próprio órgão, em detrimento das que foram aprovadas”.

Charge do dia

Série: Dinheiro na mão é vendaval

Folha de São Paulo 13/09/2006
TCU vê irregularidade em caso das cartilhas e dá 15 dias para governo se explicar
ANDREZA MATAISda Folha Online, em Brasília


O plenário do TCU (Tribunal de Contas da União) aprovou hoje o relatório do ministro Ubiratan Aguiar que denuncia irregularidades na execução e destinação de cartilhas feitas a pedido do governo. O relatório de Aguiar diz que o governo não conseguiu comprovar R$ 11,7 milhões de gastos feitos pela Secom (Secretária de Comunicação) com a produção de cartilhas e que há indícios de superfaturamento na confecção do material e de serviços não-prestados. O TCU deu 15 dias para o governo apresentar sua defesa.
Entre os citados pelo TCU estão o secretário Luiz Gushiken, que responde pela Secom (Secretaria de Comunicação do Governo), Marcos Flora, ex-secretário adjunto da Secom, além da agência de publicidade de Duda Mendonça --que fez as cartilhas. Se eles não conseguirem se explicar, terão de devolver o dinheiro das cartilhas para os cofres públicos.No relatório, o ministro apontou fortes indícios de desvio de R$ 11,7 milhões da Secom.
O dinheiro teria sido destinado para a confecção de cartilhas sobre os feitos do governo Lula e com críticas à gestão anterior. Sobre parte do material não há comprovação de entrega. Outro montante teria sido encaminhado para o PT. Em nota ontem, o presidente nacional do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), confirmou que a legenda recebeu o material.

13 de set. de 2006

Série: A Ética do Poder

Folha de São Paulo - 13/09/2006

FERNANDO RODRIGUES

Valores em falta

BRASÍLIA - É difícil saber o que é pior no episódio do fim de semana prolongado de 47 juízes num hotel de luxo em Comandatuba, tudo pago pela Febraban. Há o fato em si, desgastante para a imagem do Judiciário. Mas há também a explicação dos magistrados, que nada enxergam de errado.
Um dos juízes alega ter feito um "sacrifício". Foi cumprir o "preceito constitucional" de manter interlocução do Judiciário com a sociedade. Pago pelos bancos. De cada 100 ações analisadas pelo Superior Tribunal de Justiça, cerca de 30 têm relação com os bancos. Os associados da Febraban são os maiores clientes da Justiça. Num país com normalidade democrática e valores assentados, a sociedade tenderia a repelir tal relação. No Brasil, não.
Essa atitude leniente com os modos e os costumes é muito disseminada nas instituições nacionais. Questionados, os protagonistas reagem como se estivessem sendo agredidos quando o assunto é apresentado em público.
Tome-se também o caso da Petrobras. A estatal tem feito muito mais ações sociais em prefeituras aliadas a Lula. As de oposição ficam para o fim da fila. Ontem, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, irritou-se com a reportagem da Folha que mostrava a divisão partidária dos gastos da empresa. "Eu acho que é um escândalo a Folha insinuar que o critério da distribuição de recursos da Petrobras seria um critério partidário".
Ora, não houve insinuação. Foram apresentados números. Mas o doutor resolveu ficar indignado. No fundo, são poucos os agentes públicos acostumados a conviver com o contraditório. Admitir um erro e corrigir uma conduta é raro. Os valores são frágeis. Pior: nenhum candidato a presidente trata desse tema de maneira correta.

Público Privado

Correio Braziliense 13/09/2006
Caso das cartilhas assusta o Planalto

Governo teme que oposição peça ao TSE a impugnação da candidatura petista com base em auditoria do TCU

Gustavo KriegerDa equipe do Correio

O Palácio do Planalto acompanha com muita preocupação o caso das cartilhas impressas pelo governo e entregues a diretórios do PT para distribuição. Oficialmente o governo procura demonstrar tranqüilidade, mas a portas fechadas o quadro é outro. O Planalto teme que a oposição use o caso para pedir à Justiça Eleitoral a impugnação da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, sob acusação de uso da máquina administrativa. O caso será julgado pela Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma corte na qual Lula já colecionou derrotas e sob a presidência do ministro Marco Aurélio Mello, considerado “imprevisível” pelo governo.
Lula e seus principais assessores consideram a eleição virtualmente ganha e acreditam que ela pode mesmo ser decidida no primeiro turno. O otimismo eleitoral acendeu a paranóia com a possibilidade de que a oposição, vencida nas urnas, tente outros caminhos para afastar o presidente do cargo.
O caso das cartilhas serviria a este objetivo. É uma denúncia nova, envolve a mistura de dinheiro público com campanha eleitoral e chega à Secretaria de Comunicação (Secom), um órgão diretamente ligado à Presidência da República. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou que a Secom não tinha comprovantes da aplicação de R$ 11 milhões, que deveriam ter sido gastos na impressão de cartilhas e folhetos de propaganda do governo. Também não havia provas da impressão ou distribuição de 2 milhões de exemplares da cartilha, cuja tiragem declarada foi de 5 milhões. Para se justificar, a Secom disse que as revistas foram entregues a diretórios do PT. O argumento foi que eles distribuiriam o material sem custos para o governo.

12 de set. de 2006

Finalmente


Câmara vai extinguir 1.163 cargos de natureza especial
A Mesa Diretora da Câmara aprovou por unanimidade ato que extingue 49% dos cargos de natureza especial (CNEs) da Casa – 1.163, de um total de 2.365. As demissões devem acontecer até o dia 3 de outubro. O anúncio foi feito há pouco pelo presidente da Casa, Aldo Rebelo, após reunião com integrantes da Mesa em sua residência oficial.O ato proíbe a contratação de CNEs para desempenhar função fora de Brasília e em gabinetes parlamentares e veda a contratação de parentes de 1º e 2º graus de parlamentares e funcionários da Câmara. Também fica proibida a cessão de ocupantes de cargo de natureza especial para desempenhar função em órgão externo à Câmara.
Aldo anunciou que será apresentado um projeto de resolução, a ser votado em plenário, para legitimar as decisões tomadas na reunião de hoje. A intenção é evitar que, posteriormente, um novo ato da Mesa venha a revogar essas proibições.Também a partir de 3 de outubro, será publicada no portal da Câmara na internet (www.camara.gov.br) a lista de todos os CNEs contratados com a respectiva lotação.

E o Troféu Motoserra de Ouro vai para Jorge Viana













CLÓVIS ROSSI

Troca de motosserra


SÃO PAULO - É comovente a evolução ética do petismo nos últimos tempos. Começou com a constatação do ator petista Paulo Betti segundo quem não se faz política sem pôr a mão em matéria fecal. Dias depois, o presidente Lula referendou a tese ao dizer: "Política a gente faz com o que a gente tem. Não com o que a gente quer".
Agora vem o complemento, na boca de um dos raros petistas que é estrela ascendente, o governador acreano Jorge Viana. Na bela reportagem de Fábio Zanini, ontem publicada por esta Folha, Viana justifica assim sua aliança com os políticos que antes considerava delinquentes: "Qualquer apoio estamos aceitando com gosto". O "qualquer" inclui o pessoal ligado a Hildebrando Pascoal, sim, aquele mesmo que está preso há sete anos por mandar matar um adversário com uma motosserra.
Ou seja, antes o PT era contra "tudo o que está aí"; mais recentemente, passou a aceitar o que está aí por ser supostamente tudo o que "a gente tem". Agora, não é apenas aceitação conformada, mas "com gosto". Não significa, como já mostrou na semana passada Renata Lo Prete, que o PT vá desaparecer ou murchar. Vai apenas ser um novo PMDB. Partido sem cara, sem cheiro (não vale pensar em Paulo Betti), sem identidade, mas que, não obstante, está sempre entre os três mais votados para o Congresso, quando não é o mais votado. Viverá da tradição política brasileira, do caciquismo/coronelismo, sustentado por vínculos com o poder público (municipal, estadual ou federal ou todos juntos).
Há 40 ou 50 anos, a oligarquia maranhense era comandada por Victorino Freire, desbancado por um jovem chamado José Sarney. Mudou o Maranhão? Não, mudou o novo dono político do pedaço. Assim como no Acre: sai a motosserra, entram Jorge Viana e o PT.

Série: Quem te viu, quem te vê.....

Folha de São Paulo 12/09/2006
Doação da Petrobras favorece prefeituras do PT e de aliados

Cidades administradas pelo partido ficaram com 27,5% dos R$ 31 milhões repassados
Piauí, também governado por petistas, foi o único Estado beneficiado; estatal diz que seleção foi feita com base em projetos sociais

RUBENS VALENTEENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA

Entre outubro do ano passado e início da campanha eleitoral, a Petrobras beneficiou prefeituras do PT e da base aliada no financiamento de R$ 18,4 milhões de um total de R$ 31,6 milhões em ações sociais para municípios. O único repasse do gênero feito a um Estado, de R$ 1,25 milhão, também atendeu um reduto do PT, o Piauí. A lista dos patrocinados pela Petrobras neste ano eleitoral inclui apoiadores da campanha para reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), que receberá R$ 8,75 milhões para um programa de alfabetização, e a UNE (União Nacional dos Estudantes), com R$ 130 mil. Adversária da CUT, a Força Sindical recebeu apenas R$ 250 mil para um evento de 1º de Maio.
Cerca de R$ 700 mil foram destinados pela Petrobras a obras de melhoria de asfalto nas cidades de Maragogipe (BA) e Alagoinhas (BA), também administradas pelo PT. Os repasses aos municípios foram feitos às prefeituras ou a conselhos municipais da infância e da adolescência. A Petrobras afirma ter feito uma seleção dos projetos sociais.
Do total de 208 municípios beneficiados com recursos da Petrobras entre outubro de 2005 e junho último, 46 estão sob controle do PT. Os municípios administrados pelo partido obtiveram R$ 8,6 milhões, ou 27,5% do total dos recursos (o PT administra 7,4% das prefeituras no país, segundo o resultado das eleições de 2004).
As cidades administradas por petistas e atendidas pela Petrobras têm cerca de 11 milhões de habitantes. Outros 61 municípios de partidos aliados de Lula (PMDB, PSB, PL, PP e PTB) ficaram com R$ 9,83 milhões. Em contrapartida, prefeituras administradas pelos dois maiores partidos de oposição, PSDB e PFL, obtiveram apenas R$ 4,47 milhões (14%). As duas siglas comandam 29,9% das prefeituras brasileiras.

11 de set. de 2006

Palocci em maus lencóis

O Estado de São Paulo 11/09/2006
Em 10 dias, Palocci será denunciado duas vezes à Justiça por sete crimes
Ex-ministro disputa a Câmara e responde a processos por quebra de sigilo de caseiro e por integrar 'máfia do lixo'
Rosa Costa, Vanildo Mendes
A 20 dias da eleição, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci - candidato a deputado federal pelo PT - começa a enfrentar mais uma prova de fogo em sua carreira política. Num período de dez dias, Palocci será denunciado à Justiça por sete crimes: formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, peculato, quebra de sigilo bancário, quebra de sigilo funcional e prevaricação.
As denúncias, da Polícia Federal (PF) e da Polícia Civil, dizem respeito ao envolvimento de Palocci na quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo - que disse que o ex-ministro freqüentava a mansão do Lago Sul, em Brasília, usada para lobby -, e nas fraudes nos contratos de lixo em suas duas administrações na prefeitura de Ribeirão Preto (1993-1996 e 2001-2002).
Hoje, o delegado Rodrigo Carneiro Gomes, da PF, entrega à Justiça o inquérito, aberto em março, em que Palocci é acusado dos crimes de violação de sigilo bancário e funcional e prevaricação do caseiro Nildo. Ele afirma que as provas que têm são suficientemente robustas.

Série: Até tu, Brutus!

Folha de São Paulo - 11/09/2006
Bancos pagam feriado na praia de 47 juízes

Febraban gasta R$ 182 mil e leva magistrados e suas famílias a Comandatuba, na Bahia, para discutir "spread" e crédito

Encontro contou ainda com outros 60 participantes; banqueiros dizem que evento visa um diálogo aberto com os juízes
FERNANDO RODRIGUESENVIADO ESPECIAL A COMANDATUBA

O feriado de Sete de Setembro foi especial para 16 ministros (dois aposentados) do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e 31 desembargadores de sete Estados: eles receberam passagem e estada grátis no resort de luxo Transamérica da Ilha de Comandatuba, no litoral baiano, para assistirem a algumas palestras sobre como funciona a arquitetura do crédito do sistema bancário brasileiro.O patrocínio do evento foi da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), que arcou com uma fatura de ao menos R$ 182 mil com hospedagem e transporte dos 47 juízes. Esse valor é estimado com base no número de magistrados presentes e de seus acompanhantes multiplicado pelo preço básico promocional cobrado pelo pacote.Os magistrados podiam trazer familiares para o hotel. A lista completa de participantes não foi divulgada.A agenda em Comandatuba foi leve. As palestras começavam às 16h. Terminavam por volta de 20h30, com jantar e algum show. O restante do tempo era livre. O domingo também foi aberto para passeios.

Link para a reportagem completa: para assinantes da Folha de São Paulo

Série: Quem te viu, quem te vê.....

Jorge Viana esquece passado e se alia a políticos que o PT antes combatia

Grupo do governador, forte candidato a um ministério caso Lula se reeleja, fecha coligação com PP
Um dos pais do acordo é o ex-deputado Ronivon Santiago, envolvido nos escândalos da compra de votos e dos sanguessugas
FÁBIO ZANINI ENVIADO ESPECIAL A RIO BRANCO

Oito anos após ter despontado na política com a promessa de tirar o Acre das páginas policiais, o grupo ligado ao governador Jorge Viana (PT) recorreu às mesmas personagens que antes combatia para se manter no poder.Forte candidato para o ministério em um eventual segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, Viana conquistou o apoio do ex-governador Orleir Cameli (1995-1998), o mesmo que era caracterizado por ele como responsável pelo "desmonte" do Estado.Cameli entrou no barco petista junto com seu primo Cesar Messias (PP), ex-prefeito de Cruzeiro do Sul (segunda cidade do Estado), indicado vice na chapa do PT ao governo.
Do lado do PP, um dos pais da aliança é o ex-deputado Ronivon Santiago, presença constante nos grandes escândalos dos últimos anos -compra de votos, valerioduto e sanguessugas.Mas ele não pôde ver o resultado final de seu trabalho. Foi preso pela Polícia Federal poucas horas antes da apresentação da coligação, em 4 de maio.Figura ainda na frente petista o PL de Aureliano Pascoal, ex-secretário de Segurança Pública de Cameli e primo de Hildebrando Pascoal, símbolo do "faroeste" que o PT combatia. Hildebrando, preso desde 1999 por mandar matar um adversário com uma motosserra, comandava a PM do Estado.
Há oito anos, o PT dizia que o Acre era palco de uma luta do bem contra o mal, este simbolizado por Cameli e Ronivon. Como dizia Jorge Viana à época: "São grupelhos que se organizaram e atuam como bandos. Tudo coordenado por um governador [Cameli] que não tem currículo, mas folha corrida".A "folha corrida" de Cameli incluía, além dos muitos CPFs, acusações de desvio de recursos, a apreensão de um Boeing de sua família com contrabando e a intermediação da compra de deputados para aprovar a reeleição no Congresso.O bem, no maniqueísmo vigente, era representado pelos "meninos do PT" -Jorge, o senador Tião Viana e a ministra Marina Silva (Meio Ambiente). Hoje quarentões e grisalhos, assumem o pragmatismo.

A Ética do Poder

Folha de São Paulo - 11/09/2006
TCU bloqueia R$ 10,8 mi do governo por causa da eleição
Tribunal pede que Ministério Público tome providências em relação a repasses
Verba foi liberada por dois ministérios para compra de ambulâncias e tratores; outros R$ 55 mi também são alvo de investigação

MARTA SALOMONDA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O TCU (Tribunal de Contas da União) mandou bloquear gastos de R$ 10,8 milhões liberados em julho pelo governo Lula para a compra de ambulâncias e tratores, supostamente em desacordo com a lei eleitoral. O tribunal também pediu "providências cabíveis" ao Ministério Público Federal. No caso do descumprimento da regra, a legislação prevê a perda do registro ou do diploma do "candidato beneficiado".
O bloqueio dos gastos determinado pelo TCU, por meio de medidas cautelares, atingiu a transferência de R$ 8,4 milhões do Ministério da Saúde para o Estado do Piauí, destinados à compra de ambulâncias. Alcançou ainda R$ 2,4 milhões transferidos pelo Ministério da Agricultura, via Caixa Econômica Federal, a 17 prefeituras de 11 Estados diferentes. O objetivo, nesse caso, era a compra de tratores, chamados de "patrulhas mecânicas".
Além dos dois casos acima, o tribunal investiga indícios de irregularidades na transferência de mais R$ 55,2 milhões a Estados e municípios, entre 1º de julho e 22 de agosto.É prevista para os próximos dias a edição pelo TCU de uma terceira medida cautelar. O alvo seria a transferência de R$ 6,3 milhões destinados a iniciar obras da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba) no Piauí, onde o petista Wellington Dias disputa a reeleição ao governo.

9 de set. de 2006

Até tu, Brutus?


CORREIOWEB
Trem da alegria na porta do Ministério Público

Lúcio Vaz -Do Correio Braziliense 09/09/2006

Projeto de lei aprovado pelo Congresso nesta semana cria 365 cargos em comissão e preserva os direitos de servidores requisitados de outros órgãos ou sem-vínculo com o Ministério Público Federal que ocupam as atuais funções comissionadas. O sindicato dos servidores tentou reduzir o número de cargos ocupados por funcionários estranhos à carreira. Conseguiu avanços em negociações feitas nas comissões técnicas da Câmara, mas foi surpreendido, na noite de terça-feira, por um substitutivo do Executivo que recolocou integralmente a proposta apresentada originalmente pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza.
No dia 17 de agosto, o procurador-geral enviou ofício ao presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), solicitando que seja enviado ao Ministério Público Federal a listagem com o nome de todos os ocupantes dos cargos de natureza especial (CNEs) na Câmara, quanto ganham e onde estão lotados. As informações interessam à investigação feita por procuradores federais. Uma série de reportagens publicada no Correio, no mês passado, mostrou que pelo menos 600 CNEs estão desviados de função, à disposição dos gabinetes dos deputados. Há dezenas de casos de nepotismo, apadrinhamento e de funcionários fantasmas, que não aparecem no emprego. Representantes dos servidores do MP afirmam que a manutenção de funções comissionadas para pessoas estranhas à carreira se presta para o apadrinhamento.

8 de set. de 2006

Charge do dia

Dia da Independência

Agência Carta Maior - 08/09/2006
Grito dos Excluídos mobiliza milhares

Em sua 12ª edição, manifestação contra política econômica e por melhores condições de vida, organizada por movimentos sociais e o setor progressista da Igreja Católica, aconteceu em diversas cidades e teve versão continental.

Bia Barbosa e Gilberto Maringoni – Carta Maior

APARECIDA DO NORTE E SÃO PAULO – A 12ª edição do Grito dos Excluídos, em São Paulo, foi a mais maciça dos últimos anos, aglutinando, em seu pico, nos jardins do Museu do Ipiranga, zona sul, cerca de dez mil ativistas. A manifestação teve início na catedral da Sé, na região central, com um culto realizado para mais de duas mil pessoas. Quando iniciaram a marcha de quatro quilômetros para o ato final, os manifestantes foram recebendo adesões pelo caminho.Trabalhadores de todas as regiões da capital, representando as Pastorais Sociais, a Intersindical (dissidência da Central Única dos Trabalhadores), o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), a Central de Movimentos Populares (CMP), a Conlutas e dezenas de organizações populares.Realizado anualmente no dia da Independência, a manifestação tem por objetivo protestar contra as más condições de vida da maioria da população e ocorre simultaneamente em diversas cidades brasileiras.Embora candidatos e partidos políticos não tivessem direito à palavra no palanque improvisado sobre um caminhão de som, militantes do PT, PCdoB, PSOL e PSTU fizeram propaganda de seus candidatos.Francisvaldo Mendes, dirigente da Intersindical, acusou a política econômica “criada pelo PSDB e mantida pelo PT no governo” de ser a fonte das dificuldades vividas pela população. A fala gerou descontentamento entre petistas presentes no ato, sem maiores conseqüências. Mas José Maria de Almeida, representando a Conlutas, insistiu na tecla. “Os candidatos à presidência da República, tidos como favoritos, escondem suas propostas principais durante essa campanha”. Segundo ele, estaria sendo planejada a aprovação de uma reforma sindical e trabalhista restritiva de direitos e uma nova etapa da reforma previdenciária.Para Delwek Matheus, dirigente nacional do MST, “o Grito marca o ressurgimento da luta política e a expressão clara da luta de classes existente no nosso país”.Paulo Pedrino, das Pastorais Sociais, lembro da violência que atinge os mais pobres e afirmou a necessidade de todos lutarem por “pão, terra e liberdade” como única alternativa para uma vida melhor.

Link para reportagem completa - Agência Carta Maior

6 de set. de 2006

Frase do Dia

“Ética é vergonha na cara, decência. Exatamente o que falta a certos políticos e eleitores que votam neles"

Jefferson Perez - Senador

Palocci em maus lencóis

Correio Braziliense - 06/09/2006
CASO FRANCENILDO
Justiça quebra sigilo telefônico de Palocci

A Justiça Federal quebrou o sigilo telefônico do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, no período de 10 a 17 de abril de 2006, para descobrir com quem ele se comunicou na semana em que foi violado o sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Demitido do cargo por causa do escândalo, Palocci já está indiciado pelo crime, junto com seu então assessor de imprensa Marcelo Netto e o ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso.
O Ministério Público entendeu que a quebra do sigilo telefônico de Palocci pode reforçar o rol de provas e assegurar a condenação judicial dos acusados. Indiciado também por prevaricação e violação de sigilo funcional, Palocci pode pegar de 2 a 8 anos de prisão, mesma pena a que está sujeito Mattoso. Acusado apenas de ter vazado os dados bancários do caseiro para a imprensa, Netto pode pegar de 1 a 3 anos de prisão.
O delegado Rodrigo Carneiro Gomes, encarregado do inquérito, pediu à Brasil Telecom que envie os extratos telefônicos de Palocci até sexta-feira e espera concluir seu relatório complementar até o próximo dia 15. Ontem, em depoimento sigiloso dado na sua residência, o líder do governo no Senado, Tião Viana (PT-AC), admitiu ter tomado conhecimento de rumores sobre a existência de “uma grande soma de dinheiro estranho” circulando na conta de Francenildo.

Charge do dia

Folha de São Paulo - 06/09/2006

Aprovado na Câmara fim do voto secreto

Folha Online - 06/09/2006
PFL recua e Câmara aprova fim do voto secreto para todas as sessões do Congresso

ANDREZA MATAISda Folha Online, em Brasília
Por 383 votos favoráveis e 4 abstenções, o plenário da Câmara aprovou nesta terça-feira o fim do voto secreto em todas as sessões no Congresso. A medida vale para as eleições da Mesa Diretora da Câmara e do Senado, derrubada de veto presidencial, cassação de mandato e indicação de embaixadores.
Na última hora, o PFL retirou a proposta de limitar o voto aberto às sessões de votação de cassação de mandato. Agora, o voto aberto vale para todas as votações.O presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), disse que a medida deve ajudar na punição dos parlamentares denunciados pela CPI dos Sanguessugas. "No resultado do mensalão, se tivéssemos o voto aberto, o resultado seria diferente. Se tiver alguém trabalhando contra isso, problema deles. A maioria quer o fim do voto secreto", disse.
A PEC (proposta de emenda constitucional) ainda precisa ser votada mais uma vez pelo plenário da Câmara e depois segue para discussão no Senado. A expectativa é que o Senado altere a proposta e restrinja o voto aberto às votações de cassação de mandato.Como não existem votações previstas na pauta da Câmara antes das eleições, a segunda fase da votação da PEC do voto secreto não deve ocorrer antes de 1º de outubro. Os deputados do PSOL e PPS ameaçavam divulgar na internet os nomes dos deputados que faltassem à votação da PEC do voto secreto. Essa ameaça acabou ampliando o quórum da sessão, que era de 259 parlamentares no início. Como se trata de emenda constitucional, eram necessários 308 votos a favor da medida.Dos 67 parlamentares acusados de envolvimento com a máfia das ambulâncias, 28 não compareceram à votação.

Voto nulo não anula eleição

Blog do Fernando Rodrigues
50% dos votos nulos não anulam a eleição, diz Marco Aurélio, do TSE

Acabou um dos mitos mais recorrentes na internet durante o atual processo eleitoral: o de que 50% ou mais dos votos nulos dados pelos eleitores anullariam o pleito sendo necessária a convocação de nova votação. É quase impossível encontrar alguém que não tenha recebido o spam da campanha que divulga essa lenda. Pois o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, diz que essa determinação não existe na lei, não está na Constituição e há até uma decisão recente da Corte (de agosto último) falando exatamente o oposto.
A explicação de Marco Aurélio Mello é cristalina e vem em boa hora. Nada contra o voto nulo, uma manifestação legítima do eleitor (basta digitar “00” na urna e clicar em “confirma”). O ruim era que pessoas estavam acreditando ter o poder de cancelar o pleito. Não têm. O voto nulo basicamente vai ajudar a eleger mais dos mesmos. Quantos menos forem os votos válidos, menos votos vai precisar um político tradicional para ficar no cargo que já ocupa.
O equívoco existia porque, de fato, a lei fala sobre novo pleito quando “a nulidade atiginr a mais da metade dos votos no país”. Ocorre que essa “nulidade” se refere aos votos anulados por fraude, entre outras razões, e não aos votos nulos dados pelo eleitor –algo bem diferente.

5 de set. de 2006

Mensaleiros na Justiça Comum

Blog do Josias de Souza
STF deve submeter Dirceu e Jefferson a juiz comum

STF concluiu a primeira fase do julgamento do processo do mensalão. Todos os 40 integrantes da “quadrilha” denunciada pelo Ministério Público já foram notificados. O Supremo aguarda para esta semana a entrega da defesa prévia do último notificado, o ex-deputado José Borba (PMDB-PR).
Vencido esse primeiro estágio, o ministro Joaquim Barbosa (na foto), relator do caso, deseja agora desmembrar a denúncia em vários processos. Acha que o julgamento dos réus sem mandato parlamentar deve ser feito por juízes da primeira instância do Poder Judiciário.
É o caso, por exemplo, dos únicos três políticos que tiveram os mandatos cassados pela Câmara: José Dirceu (PT-SP), Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Pedro Corrêa (PP-SP). É o caso também do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, do publicitário Marcos Valério e dos gestores dos bancos BMG e Rural.
Barbosa evita mencionar os nomes dos acusados que, segundo o seu entendimento, devem ser julgados em primeira instância. Limita-se a dizer que, a seu juízo, aqueles que não detêm mandatos eletivos não têm direito ao chamado foro privilegiado. Daí a intenção de transferir o julgamento para juízes federais de primeiro grau.
O ministro encaminhará uma consulta ao procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, autor da denúncia. Deseja que ele diga se vê inconvenientes no desmembramento da denúncia. De posse da manifestação do procurador-geral, Barbosa vai submeter o assunto ao crivo do plenário do Supremo.
Em função da relevância do caso, Joaquim Barbosa quer dividir a decisão com os colegas de tribunal. Caberá ao pleno do STF a palavra final sobre os processos que continuarão tramitando na Suprema Corte. Ouvidos pelo blog, dois ministros do Supremo disseram concordar com o entendimento de Barbosa. A decisão final será tomada depois das eleições de outubro.
Só após a abertura das urnas será possível saber quais os acusados que conseguiram reaver os mandatos parlamentares. Doze mensaleiros concorrem à reeleição. Impedidos de disputar eleições até o ano de 2015, Dirceu, Jefferson e Corrêa não estão entre eles.
Dos 40 denunciados, 38 já protocolaram no STF as suas defesas prévias. Foram notificados em oito Estados diferentes. José Borba fugiu a onze tentativas de notificação no Paraná. Só foi alcançado pelo oficial de Justiça na semana passada, em Brasília. Deve apresentar sua defesa nesta semana. Um doleiro chamado Carlos Alberto Quaglia perdeu o prazo para a defesa. E só poderá exercer o direito na próxima fase do processo.
Em condições normais, a notificação de toda essa gente levaria cerca de um ano e oito meses. O processo foi acelerado graças à decisão de Barbosa de digitalizar os 29 volumes e 86 anexos que compõem a denúncia do mensalão. Foram ao computador cerca de 40 mil páginas, permitindo o acesso simultâneo por todos os advogados dos denunciados.
A prevalecer a intenção de Joaquim Barbosa de desmembrar os processos, os julgamentos podem ser abreviados. Além dos 40 réus, a denúncia do Ministério Público arrola 41 testemunhas de acusação. A esse contingente irá somar-se a legião de testemunhas de defesa cuja inquirição será requerida pelos acusados.

Lula sabia.....

O Estado de São Paulo - 05/07/2006
Lula sabia sim do mensalão, afirma ex-governador tucano
Perillo lembrou ter alertado o presidente sobre escândalo em 2004

Christiane Samarco
O ex-governador de Goiás Marconi Perillo, que é candidato do PSDB a senador, acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "patrocinar os maiores escândalos da história recente do Brasil" e complementou sua versão sobre o alerta que teria dado em 2004 ao próprio presidente sobre o pagamento de mesada a parlamentares."Não adianta o Lula falar que não sabia de mensalão, porque eu avisei a ele em Rio Verde , e ele disse: cuide de seus deputados que eu cuido dos meus", afirmou Perillo no aeroporto da cidade goiana de Jataí, enquanto aguardava a chegada do candidato do PSDB a presidente, Geraldo Alckmin, que faria campanha na cidade.
Desde que o então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) denunciou o mensalão, acusando o Palácio do Planalto de pagar mesada a parlamentares para que votassem projetos de seu interesse e de financiar o troca-troca de legendas para reforçar sua base, Perillo foi o único governador que confirmou os rumores sobre sua existência. Também foi o único a afirmar que levara o assunto ao conhecimento do presidente Lula. A conversa entre os dois, segundo o tucano, teria ocorrido em maio de 2004, por ocasião de uma visita oficial de Lula à cidade goiana de Rio Verde. Mas Perillo jamais havia contado que Lula o mandara "cuidar" de seus deputados, deixando que ele, presidente, cuidasse de sua base na Câmara. "Nunca disse isso a ninguém", confirmou ontem. "Mas como o Lula tem problema de amnésia, deve ter esquecido disso também."
Nas investigações sobre o mensalão, Perillo chegou a ser convidado a depor como testemunha no Conselho de Ética da Câmara, quando a deputada Raquel Teixeira (PSDB) denunciou o líder do PL na Casa, Sandro Mabel (GO). A deputada acusou Mabel de lhe ter oferecido R$ 1 milhão para que trocasse de partido. O Conselho de Ética da Câmara decidiu ouvir Perillo porque Raquel garantira ter levado a seu conhecimento a "proposta" de Mabel.
CARTA
O testemunho do então governador ao conselho foi dado por escrito. Em carta datada de 26 de julho do ano passado e dirigida ao presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), o governador confirmou que alertara o presidente Lula a respeito do mensalão. Disse ter relatado ao presidente "que ouvira rumores sobre a existência de mesada a parlamentares em conversas informais em Brasília, porém sem provas concretas".Mais adiante, contou ter apenas repetido o inteiro teor das informações que havia recebido. Depois, completou: "O senhor presidente da República disse que não tinha conhecimento e que ia tomar as providências que o assunto requeria."Ainda na carta, Perillo acrescentou as razões que o levaram a dar esse assunto por encerrado. "Não tive mais informações", explicou, acrescentando que nem possuía "provas concretas" a esse respeito, e estava "certo de que havia levado o assunto ao conhecimento da maior autoridade e mais alto magistrado do País".

4 de set. de 2006

Gastos com juros 7 vezes maior que com o Bolsa-Família

Agência Carta Maior
Recurso para pagamento de juro equivale a 7 Bolsas-Famílias
A prioridade ao pagamento de juros diminui o espaço para a utilização dos recursos em outras áreas. O gasto com juros deve ser aproximadamente 7 vezes (R$ 56 bi) maior que o valor estipulado para manter o Bolsa Família (R$ 8,6 bi).


André Barrocal - Carta Maior

O governo federal planeja trabalhar em 2007 com um quinto de tudo aquilo que calcula que a economia brasileira vai gerar em riquezas no ano que vem. De cada R$ 100, pretende arrecadar R$ 20 em impostos, contribuições sociais, taxas e a parte que lhe cabe do lucro das empresas estatais. A coleta prevista, caso se cumpra, vai atingir R$ 467 bilhões. Neste total, não estão computadas contribuições à Previdência Social e ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), pois estes recursos pertencem aos trabalhadores - são apenas administrados pelo governo.
Com base na estimativa de receita de R$ 467 bilhões, o governo preparou uma proposta de gastos para 2007 que enviou ao Congresso nesta quinta-feira (31), prazo estabelecido pela Constituição.
É o Orçamento Geral da União (OGU), lei mais importante do País, pois expõe as prioridades do governo federal e, em tese, da maioria da população que o elegeu. O projeto mostra que, ao se apropriar de um quinto das riquezas, o governo pretende gastar em programas assistenciais o mesmo que em obras para melhorar a infra-estrutura (estradas, ferrovias). Aplicar em saúde e educação quantia idêntica à que botará para cobrir o déficit da Previdência. Pagar juros a especuladores da dívida pública quase a metade da folha de pessoal. Transferir mais de R$ 100 bilhões a estados e municípios. A repartição da proposta de orçamento de 2007 acompanha as proporções de 2006, sem grandes variações.A divisão do bolo arrecadado pelo governo federal, em 2007 e em qualquer ano, segue preferências individuais do próprio governo, mas também imposições constitucionais. Despesas com saúde, por exemplo, obedecem a Constituição. Repasses a governadores e prefeitos, também.
Já o tamanho da retirada do caixa para pagar financiadores da dívida pública é decidido livremente pelo governo, segundo uma linha de política econômica. A linha atual diz que é preciso pagar em juros o montante que for necessário para impedir o crescimento da dívida. Por esta opção, o uso de recursos tributários no pagamento de juros vai se apresentar como o terceiro maior gasto federal no ano que vem. Só perde para a folha de pessoal e transferência a estados e municípios. Daquilo que o governo coletar em 2007, quase metade ficará com governadores, prefeitos e funcionários do Executivo, Legislativo e Judiciário. A folha de pessoal deve consumir 25% (R$ 118 bilhões) da arrecadação esperada. O dinheiro pagará dois milhões de servidores ativos e aposentados. Já Estados e municípios vão levar quase 22% (R$ 101 bilhões). O gasto da arrecadação tributária com juro custará R$ 56 bilhões, 12% da arrecadação. A decisão de fazer o chamado “superávit primário” favorece 20 mil famílias no Brasil, segundo cálculos do economista Márcio Pochmann, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Quando se levam em conta outras fontes de financiamento, além dos recursos tributários, o pagamento de juros pelo governo federal, no ano que vem, será de R$ 166 bilhões. Para realizá-lo, o governo federal cobrará de governadores e prefeitos que também tirem tributos de seus cofres e que as empresas estatais lucrem. Mas o engajamento de governadores, prefeitos, e estatais será insuficiente para pagar todos os juros que vão vencer em 2007. Por isso, o governo federal buscará ainda uma outra fonte de dinheiro: empréstimos dos próprios credores dos juros. O empréstimo do chamado “mercado”, que vai cobrar juros elevados, deverá totalizar R$ 70 bilhões. A prioridade do governo federal ao pagamento de juros diminui o espaço para utilizar recursos tributários em outras despesas. Para se ter uma idéia de comparação: o gasto com juros deverá ter, em 2007, quatro vezes mais dinheiro do que programas assistenciais ou obras de infra-estrutura.

Vampiros mensaleiros

Folha de São Paulo 03/09/2006
Operação Vampiro vê prova de mensalão

ANDRÉA MICHAEL, LUCIANA CONSTANTINO da Folha de S.Paulo, em Brasília

Ao investigar o esquema montado por lobistas e servidores para fraudar licitações de aquisição de medicamentos no Ministério da Saúde --a chamada Operação Vampiro--, a Polícia Federal descobriu mais evidências da existência de um esquema de cooptação de deputados federais para a base aliada do governo Lula em 2004.

Relatórios da PF mostram que, em fevereiro de 2004, conforme conversas gravadas com autorização judicial, o deputado federal José Janene (PP-PR), ex-líder do partido, teria buscado a ajuda dos lobistas Laerte Correa Jr., Eduardo Pedrosa e Frederico Coelho Neto, conhecido como Lilico e irmão do deputado Luiz Antônio Fleury (PTB-SP), para supostamente atrair ao menos dois deputados à bancada do PP em um prazo de três dias.

Segundo os relatórios da PF, eles falam de forma cifrada. Pelas investigações, o termo partido vira "condomínio", e deputado é tratado por "inquilino" ou "carro" para encobrir negociações, que chegariam a R$ 150 mil, além de "prestações mensais", oferta supostamente patrocinada por Janene.

Em 12 fevereiro, o lobista Correa Jr. aborda o assunto com Lilico. Durante o diálogo, após Correa introduzir o tema, Janene entra na conversa e pergunta a Lilico: "Não tem nenhum de estoque, brimo?".

Pelo diálogo, o deputado nem precisava ficar definitivamente no partido: "Mesmo que o cara [deputado] não queira ficar em definitivo, mas na semana que vem o cara pode sair, não tem problema [...]. Dá um acerto bom". Naquela data, o PP estava a três dias de um prazo importante. Em 15 de fevereiro, a Câmara fecharia a contabilidade relativa às bancadas partidárias, número decisivo para a legenda garantir maior participação e comando em 12 comissões temáticas da Casa.

Segundo banco de dados da Câmara, entre os dias 10 e 15 daquele mês, o PP passou de 50 para 53 deputados. Mas em nenhum momento a investigação da PF aponta o nome dos deputados que trocaram de partido.

Em 2002, o PP (à época PPB), elegeu 49 deputados. Na posse, em fevereiro de 2003, estava com 43 integrantes na Câmara. Iniciou 2004 com dez deputados a mais.

Ainda em 12 de fevereiro, Janene retoma o assunto com Pedrosa. O retorno da ligação ocorre durante o almoço. Pedrosa tenta cifrar a conversa, segundo a PF, mudando o termo deputado por carro.

"...Seu carro. Quanto você quer no seu carro?", pergunta o lobista. O deputado diz que "precisa dar uma olhada" e questiona se Pedrosa tem uma avaliação. Em seguida, o lobista responde: "Eu não... deixei de mexer com carro há um tempinho, né? Que estou aqui com um comprador (deputado federal) e ele tá querendo saber... quanto você quer que ele... vê se ele anima comprar". Janene responde: "É... um cinco zero (R$ 150.000). [...] Depois as prestações mensais, né?".
 
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