Fragmentos: Dentro da noite veloz - Ferreira Gullar

A vida muda como a cor dos frutos lentamente e para sempre. A vida muda como a flor em fruto velozmente.
A vida muda como a água em folhas o sonho em luz elétrica a rosa desembrulha do carbono o pássaro da boca mas quando for tempo.
E é tempo todo o tempo mas não basta um século para fazer a pétala que um só minuto faz ou não mas a vida muda a vida muda o morto em multidão.


22 de set. de 2006

A quem interessa apurar?


PF afasta delegado e faz intervenção branca para controlar investigações

Orientação é restringir acesso a informações e concentrar apuração em policiais de confiança do diretor do órgão
O delegado Edmilson Pereira Bruno, que prendeu petista e ex-policial em São Paulo e fez a apreensão do dinheiro, está fora do caso
A Polícia Federal tentou abafar o caso do dossiê após descobrir o envolvimento de petistas no escândalo. Em São Paulo, onde um ex-agente da PF foi preso, a orientação era restringir ao máximo o acesso a informações e concentrar a investigação nas mãos de policiais de confiança do diretor-executivo da PF, delegado Zulmar Pimentel, 55, segundo homem na hierarquia do órgão.Segundo a Folha apurou, o delegado Edmilson Pereira Bruno, que estava de plantão na madrugada de sexta-feira e prendeu o petista Valdebran Padilha, foi afastado do caso.
Durante a operação, o delegado prendeu ainda o ex-agente da PF Gedimar Passos -que negociava o dossiê com Padilha, no hotel Ibis-, apreendeu R$ 1,7 milhão e colheu os primeiros depoimentos.Na segunda-feira, Bruno foi afastado. No lugar dele foram acionados policiais ligados ao superintendente em exercício da PF em São Paulo, Severino Alexandre, indicado para a diretoria executiva do órgão pelo diretor-executivo Pimentel.
Como o superintendente em exercício, a Folha apurou que o policial preso também fazia parte do grupo de agentes que gozavam da confiança do diretor-executivo -a PF de Brasília não confirmou a informação. Por orientação do superintendente em exercício, todos os delegados e agentes foram proibidos de falar sobre o caso. Também foi vetada a divulgação de imagens do dinheiro apreendido no hotel.As fitas de vídeo gravadas pelo circuito interno do Ibis, segundo um funcionário do hotel, haviam sido prometidas ao delegado Bruno, que deveria retirá-las na segunda-feira. Por determinação do superintendente em exercício, o material foi lacrado e encaminhado diretamente para ele.
Uma das situações consideradas "estranhas" por agentes da PF, que pediram para que seus nomes não fossem divulgados, foi o depoimento de Freud Godoy, ex-assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O superintendente em exercício determinou que Godoy fosse ouvido na segunda-feira por uma delegada assistente dele, considerada "novata" na profissão. O normal, dizem, seria Bruno ter assumido o interrogatório já que ele ouviu os presos e é delegado de classe especial, último grau na polícia.

Charge do dia - Glauco


Folha de São Paulo 22/09/2006

Série:Quem te viu, quem te vê!

Folha de São Paulo 22-08/2006
CLÓVIS ROSSI

Como se faz uma quadrilha

Oded Grajew, empresário que foi dos primeiros da espécie a aderir ao lulo-petismo, bem antes do poder, matou faz tempo a charada do apodrecimento do PT e, com ele, do governo Lula. Em depoimento para livro de duas jornalistas inglesas sobre a crise petista (a primeira), Oded lamentou que, para a cúpula partidária e para o pessoal do aparato burocrático, a política tenha se tornado "maneira de ganhar a vida". Completou: "Alcançar o poder se converte no mais importante, e, para isso, as pessoas estão dispostas a fazer concessões éticas. Em outras palavras, se desejo estar no poder, necessito dinheiro, e, se não posso conseguir os fundos legalmente, então o farei ilegalmente".
Outro "lulista", aliás o novo coordenador de campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, por sua vez, queixou-se, no mesmo livro, de que trabalhou de graça como secretário de Relações Internacionais do PT durante dez anos, ao passo que "um membro de uma tendência de esquerda [do PT] ganhava R$ 7,2 mil por mês", mais do que Garcia como assessor para assuntos internacionais de Lula.
São essas "boquinhas" que fazem compradores de dossiê ou praticantes de outras delinqüências. Freud Godoy, mero segurança, usou o PT (e o governo Lula) como meio de alpinismo social, a ponto de morar em um apartamento de R$ 500 mil. Valdebran Carlos Padilha da Silva, por sua vez, mora em um condomínio de luxo em Cuiabá. José Lorenzetti, enfermeiro, virou diretor de banco federal. Para manter as "boquinhas", é lógico que fariam de tudo. Assim como as pessoas que assessoram, todas com cargos eletivos.
Para manter o poder, fazem o diabo, contando com o acobertamento do chefe, que, mesmo quando os demite, acaricia-os depois. Foi essa cultura que gerou a "quadrilha" antigamente chamada de Partido dos Trabalhadores.

21 de set. de 2006

Censura


Sarney não gosta de Alcinéa? Viva Alcinéa!

Não sei quem é Alcinéa Cavalcante. Sei que é uma jornalista do Amapá e que José Sarney não gosta dela. Por isso, simpatizo com Alcinéa Cavalcante. Sempre que Sarney não gostar de alguém, acho que a gente deve examinar seriamente a possibilidade de defender essa pessoa. Ainda mais que ele decidiu mobilizar a Justiça para censurar o blog da moça (http://alcineacavalcante.blogspot.com/).
Entrem lá. O site lembra a edição do Estadão nos tempos da ditadura: cheio de espaços ocupados por textos que estão no lugar de notícias ou comentários censurados. Até capas de revista de circulação nacional estão proibidas. Sarney, um acadêmico, volta aos bons tempos da ditadura, quando foi chefão da Arena e do PDS. Em vez de mandar criar um blog que combata o de Alcinéa — já que ele não gosta do dela —, prefere o caminho da censura.
Atenção: ela não está cometendo os chamados crimes contra a honra, não — calúnia, injúria, difamação. Apenas faz análises que não são do agrado do coronel do Amapá — aquele território que virou Estado para que ele pudesse ter uma cadeira cativa no Senado. O busílis está aí: Cristina Almeida, do PSB, uma novata, ameaça a sua reeleição. Noticiou a Folha On Line: “Em maio, o Ibope dava 50 pontos de diferença entre os dois: 58% para Sarney e 8% para Cristina. No final de agosto, o Ibope já dava 29% a ela e 50% a Sarney. Cristina - que disputa pela primeira vez uma eleição - tem agora 40%, contra 47% do atual senador.” Sarney é a oligarquia a serviço do PT. Clique aqui, entre no site de Alcinéa e deixe lá uma mensagem de solidariedade e de protesto. Vamos encher o saco de Sarney.

Série:Quem te viu, quem te vê!

Folha de São Paulo - 21/09/2006
Otavio Frias Filho

O chefão

O MAIS recente escândalo envolvendo Lula & Cia. tornou evidentes duas coisas. A primeira já era sabida desde pelo menos o escândalo do mensalão, há mais de um ano. Ou seja, a cúpula petista instalou uma máfia sindical-partidária no aparelho do Estado. A função dessa máfia é garantir condições para que Lula e seu grupo se eternizem no poder.
O método é desviar recursos públicos e privados para financiar campanhas eleitorais, comprar adesões no Congresso e montar operações de intimidação contra eventuais adversários. Embora ocupando postos de pouca visibilidade, o que caracteriza os integrantes da máfia é a lealdade antiga e canina a Lula, o chefão.
São operadores acostumados a agir nas sombras da delinqüência municipal. Sua ação é agora "legitimada" por intelectuais como Marilena Chaui e Rose Marie Muraro, para as quais o imoral é moral se for bom para a cúpula do partido. Todo governo tem nichos de corrupção, muitas vezes incrustados na vizinhança dos amigos do presidente. Mas são esquemas paralelos, de caráter "particular". Traduzem a sobrevivência do velho patrimonialismo brasileiro.
Onde o PT inovou foi ao estender esses pequenos esquemas ao aparelho governamental inteiro, dando-lhes, além de comando unificado, um caráter partidário e permanente. De fato a corrupção se tornou "sistêmica", como querem os apologistas do governo. Não no sentido de resultar das mazelas do nosso sistema político, mas por configurar uma máquina impessoal agindo dentro do Estado.
O "dossiêgate", como vem sendo chamado, revelou no entanto algo mais perturbador do que essa notícia velha. Tornou evidente que, sob o beneplácito de Lula, a máfia continua a agir de modo cada vez mais desabrido. A impunidade, como era de se prever, gerou a desfaçatez. O favoritismo eleitoral de Lula, turbinado pelas políticas de transferência de renda, aumentou ainda mais a sensação de impunidade. E espicaçou o atrevimento, a ponto de a facção mafiosa correr o risco de prejudicar a reeleição do chefe na tentativa de reverter a vantagem dos tucanos na eleição paulista.
O próprio Lula pergunta retoricamente o que teria a ganhar com uma operação criminal desse tipo, estando sua reeleição quase assegurada. É que em geral os asseclas são mais realistas que o rei. É que cedo ou tarde a "turma" passa a agir por conta própria. Para ilustrar a constatação, basta lembrar que foi exatamente assim que o chefe de segurança de Getúlio mandou matar Lacerda, a principal voz da oposição em 1954, num crime imbecil que derrubaria o presidente em qualquer democracia. Se houver segundo mandato, haverá muito trabalho para o Ministério Público, para o Judiciário e para o que restar de imprensa independente "neste país".

Cai o Rei de Copas, cai o Rei de Paus... cai não fica nada....

Correio Brasiliense - 21/09/2006
Efeito dominó

Crise do dossiê provoca baixas em seqüência no governo e na campanha petista. Berzoini foi afastado da coordenação

Uma nota oficial de apenas duas frases, assinada pelo assessor de imprensa da campanha. Foi assim, sem pompa ou solenidade, que o deputado Ricardo Berzoini foi dispensado da coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. A demissão de Berzoini foi o ponto mais tenso de um dia especialmente nervoso no Palácio do Planalto.
Assustado com as repercussões do escândalo provocado pelo envolvimento de petistas na compra de um dossiê contra políticos tucanos, o presidente decidiu sacrificar seu braço-direito na campanha. Tenta com isso antecipar-se a novas revelações da investigação feita pela Polícia Federal sobre a origem do dinheiro (R$ 1,7 milhão) usado para tentar comprar o material contra os tucanos. Berzoini está sendo pressionado a afastar-se também da presidência do PT. As circunstâncias da demissão de Berzoini demonstram o clima pesado que tomou conta do governo desde que o caso do dossiê explodiu. Lula chegou a pensar em afastá-lo na terça-feira, quando ainda estava em Nova York, onde participou da Assembléia Geral das Nações Unidas. Assustou-se com a rapidez com que novos nomes de petistas eram envolvidos no caso. Primeiro foi seu assessor especial, Freud Godoy. Depois foi a vez de Jorge Lorenzetti, que chefiava um núcleo de inteligência na campanha e de Oswaldo Bargas, que coordenava um dos grupos de elaboração do programa de governo de Lula. O seguinte foi Expedito Veloso, diretor do Banco do Brasil.

Link para a reportagem completa: assinantes do Correio Braziliense
CorreioWeb - 21/09/2006
Tucanos na mira


Lula ameaça com dossiê se cair nas pesquisas
Gilberto Nascimento Do Correio Braziliense21/09/200607h32 - São Paulo –

Petistas influentes revelaram ontem, em conversas reservadas, que o presidente Lula enviou emissários para conversar com a cúpula tucana e levar o recado de que a prolongação da crise do dossiê não interessa a nenhum dos dois lados e tanto o PT como o PSDB podem sair perdendo. O encarregado de buscar esses contatos com os tucanos, desde segunda-feira, teria sido o próprio presidente petista, Ricardo Berzoini.
Os maiores prejudicados com a crise, num primeiro momento, seriam o próprio Lula e o candidato tucano ao governo de São Paulo, José Serra, que, nesse momento, já estariam com a eleição praticamente vencida. Lula sofre o desgaste de ver vários de seus auxiliares metidos numa lambança, a fim de tentar abalar a imagem dos concorrentes tucanos com métodos absolutamente reprováveis. Serra, por outro lado, pode ser prejudicado, caso as denúncias contra ele comecem a ser investigadas. Petistas avaliam que caso Lula venha a perder pontos nas pesquisas por causa dessas trapalhadas a solução será partir para o ataque. Lula, então, sacrificará seus colaboradores envolvidos na operação e cobrará, explicitamente, o julgamento de Serra, exigindo a apuração das denúncias contra o candidato ao governo paulista. Sabe-se, no entanto, que, se não houver alterações nas pesquisas, alguns tucanos podem começar a sugerir, inclusive, um impeachment.
Não se sabe exatamente se é por causa da avaliação petista, mas Serra tem se mantido em silêncio em São Paulo. Dá até sinais de que já poderia ter aceitado a proposta do PT. No entanto, o candidato à Presidência do PSDB, Geraldo Alckmin, não embarcará em hipótese alguma nessa idéia e muito menos o PFL, que nunca poupou as duras críticas a Lula.

Foto do dia


Operação Tapa-Buracos

20 de set. de 2006

Manchetes da Crise


Crise do dossiê derruba Berzoini e Garcia assume campanha de Lula.

Mercadante afasta assessor por envolvimento em caso de reportagem contra Serra.

Cai diretor do BB envolvido no dossiêgate

Dinheiro do dossiê foi sacado em três bancos

Paulo Bernardo diz que dossiê é 'trapalhada colossal'

Pop Internacional III


Acepta la justicia brasileña recurso para declarar inelegible a Lula

La justicia electoral de Brasil aceptó hoy un recurso presentado por fuerzas de oposición para declarar inelegible al presidente Luiz Inacio Lula da Silva, acusado de haberse "beneficiado de actos de abuso de poder" en vísperas de los comicios del primero de octubre.
El magistrado César Asfor Rocha concedió el recurso, con lo cual "la investigación judicial contra el presidente Lula y las demás partes tendrá proseguimiento regular", informó el Tribunal Superior Electoral (TSE) en su sitio Internet.

Pop Internacional II

Clarin - Argentina
A 13 días de las elecciones en Brasil, el Gobierno trata de bajarle el tono al nuevo escándalo político

El ministro de Justicia afirmó que Lula "no cree" que su asesor personal haya comprado pruebas para acusar a sus adversarios electorales. En tanto, el candidato opositor, Geraldo Alckmin, dijo que tras este nuevo escándalo es casi seguro que habrá ballotage.

Pop Internacional I

El Pais - Espanha

Un tribunal brasileño investiga a Lula por la divulgación de datos falsos de sus opositores

La confirmación de su implicación en la trama provocaría la cancelación del registro de su candidatura a la reelección


El Tribunal Superior Electoral de Brasil (TSE) ha abierto una investigación contra el presidente Luiz Inácio Lula da Silva y los sospechosos de tramar la divulgación de un expediente con pruebas falsas contra los candidatos opositores a la jefatura del Estado y la gobernación de Sao Paulo. La Policía Federal puso al descubierto el viernes pasado un plan, tramado presuntamente por dirigentes del PT que abandera Lula, para neutralizar las candidaturas de Geraldo Alckmin a la Presidencia y de José Serra a la Gobernación de Sao Paulo.

Bode Expiatório

Eliane Cantanhêde - Folha Online - 20/09/2006

Lula escala "culpado"

O governo recorreu a uma estratégia óbvia e que não é nenhuma novidade: tirou do Planalto e jogou para o PT a culpa pela compra de um dossiê contra tucanos pela bagatela de R$ 1,7 milhão. Lula mantém o poder, mas transforma o PT na sua Geni (aquela da música do Chico Buarque).
Mantém-se, assim, o mesmo script de todos os escândalos que têm aparecido no atual governo, e que não são poucos: o Planalto leva um susto, Lula fica indignado, um ministro é escalado para falar em "armação", Márcio Thomaz Bastos entra em ação para reduzir danos e a culpa acaba sempre nas costas do partido.
No final, Lula vai amontoando cadáveres: José Dirceu, Antonio Palocci, José Genoino, Waldomiro Diniz, Delúbio Soares, Sílvio Pereira, aos quais vêm se somar, agora, Freud Godoy, que trabalha há 16 anos com Lula e com o PT, tem gabinete no Palácio do Planalto e função na campanha da reeleição, e Jorge Lorenzetti, petista desde criancinha e também linha de frente do comitê.
A diferença entre Freud e Lorenzetti é justamente o gabinete. Então, Lula, Tarso Genro, Mercadante, Ricardo Berzoini e todos os lulistas criam a tese de que Freud, na verdade, não teve nada a ver. Foi um pequeno equívoco. Quem estava metido com a compra do dossiê era mesmo o Lorenzetti. Porque um, Freud, é Lula, de Lula, de dentro do Planalto. E o outro, Lorenzetti, é PT, do PT e fora do Planalto. Então, pau no Lorenzetti e pau no PT.
Encontrado o culpado de plantão, agora é rezar para não ter que encontrar os chefes. Porque, senão, coitado do Berzoini, ou coitado do Gilberto Carvalho, secretário particular de Lula e, em tese, chefe direto de Freud no Planalto. A cabeça de um dos dois, ou dos dois, terá que ser dada de bandeja para salvar a pele do chefe Lula.
Completado o círculo, é só manter a mesma ladainha do complô das elites: da oposição, da imprensa, dos ricos. Só não dá para citar a Febraban, que essa não acha nada demais na compra de dossiês contra adversários, desde que os lucros bancários continuem como estão - na estratosfera.
É assim que a eleição passa, as pesquisas vão confirmando o favoritismo de Lula já no primeiro turno e nada muda. Só tem um detalhe. Essa história toda não acaba em primeiro de outubro e, se Lula vencer, já vai começar o segundo mandato com a classe média de cara virada, formadores de opinião enojados e um monte de cadáveres que, na verdade, não são cadáveres. São mortos-vivos. E estes sempre aparecem. Para assombrar.

Charge do Dia: Glauco

Folha de São Paulo - 20/09/2006

Clóvis Rossi: Quadrilha é pouco!

Folha de São Paulo - 20/09/2006
CLÓVIS ROSSI

Quadrilha é pouco

É o delegado de Ribeirão Preto que pede a prisão de Antonio Palocci, acusando-o, entre outras coisas, de "formação de quadrilha" por conta do episódio chamado "máfia do lixo". Quem é Antonio Palocci? Primeiro, foi coordenador de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, no lugar de Celso Daniel, prefeito assassinado de Santo André, em crime que, segundo Luiz Inácio Lula da Silva, envolvia "gente graúda". Depois, Lula e seu partido deixaram morrer mansamente o caso, sem que ele ficasse de fato esclarecido. Depois, Palocci foi o homem forte do governo Lula, responsável pela política econômica, posição que usou para violar o sigilo bancário de um caseiro que fazia acusações contra ele e sua turma.
É também o Ministério Público que pede a prisão de Freud Godoy, recém-demitido do cargo de assessor especial do presidente Lula, pela suspeita de negociar a compra de um dossiê contra candidatos adversários, manobra que o presidente considerou "abominável". É a revista "Época" que informa que Osvaldo Bargas também ofereceu um dossiê contra adversários do PT. Quem é Osvaldo Bargas? Foi alto funcionário do Ministério do Trabalho no governo Lula e, atenção, assessor direto de Ricardo Berzoini, presidente do PT. Quem é mesmo Berzoini? Além de ter sido, como ministro da Previdência, torturador de velhinhos aposentados no processo de recadastramento, é o coordenador da campanha de Lula, como Palocci o foi em 2002. Ah, tem também Jorge Lorenzetti, misto de churrasqueiro de Lula e funcionário de um banco federal, que seria o verdadeiro responsável pela "abominação" (negociar a compra do dossiê). O procurador-geral da República foi contido ao falar em "quadrilha", na denúncia contra toda a cúpula do lulo-petismo.

Mais um na Quadrilha

Folha On line 19/09/2006 - 17h56
Ex-secretário de Berzoini é envolvido em venda de dossiê contra tucanos

O nome do presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, foi envolvido na compra do suposto dossiê contra o ex-ministro da Saúde José Serra.
Nota divulgada nesta terça-feira pela revista "Época" informa que um de seus repórteres foi procurado por Oswaldo Bargas --ex-secretário de Ricardo Berzoini no Ministério do Trabalho e um dos coordenadores de campanha à reeleição de Lula. Ele queria saber se a revista tinha interesse em publicar denúncias contra "políticos de renome".
Segundo a revista, Bargas teria mencionado que o PT não tinha nada a ver com aquela denúncia e que apenas Berzoini sabia do encontro com o jornalista da revista.
Procurada pela Folha Online, a assessoria do PT informou que vai se pronunciar ainda hoje sobre a denúncia de suposto envolvimento do presidente do partido na negociação de um dossiê contra políticos do PSDB.

19 de set. de 2006

A Ética no Lixo

Terra Notícias - 19/09/2006


Polícia pede prisão do ex-ministro Antonio Palocci

O delegado seccional Antonio Valencise da Polícia de Ribeirão Preto, confirmou que pediu a prisão do ex-ministro Antonio Palocci e demais envolvidos em irregularidades no contrato de limpeza nas administrações do PT. Segundo Valencise, o pedido foi feito no relatório final do inquérito que aponta o ex-ministro e candidato a deputado federal pelo PT Antonio Palocci como o coordenador da "máfia do lixo".

As investigações abrangeram irregularidades nas gestões dos petistas Palocci (2001 a 2002) e Gilberto Maggioni (2002 a 2004) em Ribeirão Preto. A suposta fraude no contrato de limpeza pública envolveria a empresa Leão Leão e seria coordenada por Palocci. De acordo com o relatório, o rombou deixado pela fraude foi superior a R$ 30 milhões.

Na semana passada, Palocci foi apontado pela Polícia Federal como o mandante da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. No inquérito, o delegado da PF Rodrigo Carneiro Gomes, responsável pelo caso, confirma o pedido de indiciamento do ex-ministro da Fazenda pelos crimes de denunciação caluniosa, prevaricação e quebra de sigilos bancário e funcional. A soma dos quatro crimes pode dar até 15 anos de cadeia.

Formação de Quadrilha

Blog do Noblat - 19/09/2006

Diretor do Banco do Brasil se envolveu com o escândalo do dossiê contra Serra


Expedito Afonso Veloso, diretor de Gestão de Risco do Banco do Brasil, participou ativamente da operação de montagem e de divulgação do dossiê que tenta ligar o ex-ministro da Saúde José Serra à Máfia dos Sanguessugas, responsável pelo desvio de dinheiro público para a compra e venda de ambulâncias a preços superfaturados.

Ele entrou de férias do banco no dia 29 de agosto último, segundo Felipe Recondo, repórter do blog. E desde então trabalha na campanha de Lula. Ali, não tem uma função específica. Ora recolhe informações econômicas que poderão ser aproveitadas pelo PT ou pelo candidato, ora faz trabalhos típicos de arapongas.

Na semana passada, Expedito foi despachado para Cuiabá com a missão de convencer Darci e Luiz Antonio Vedoin, chefes da Máfia dos Sanguessugas, a conceder uma entrevista à revista ISTOÉ falando mal de Serra e do seu sucessor no Ministério da Saúde Barjas Negri. A entrevista durou pouco mais de uma hora, segundo contou o próprio Expedito a um amigo.

A participação de Expedito no caso não se limitou a isso. A maioria dos documentos que os Vedoin entregaram à Justiça como parte do dossiê capaz de implodir a candidatura de Serra ao governo de São Paulo foi reunida pelo próprio Expedito. E repassada por ele aos Vedoin.

- Fui eu que investiguei tudo e montei o dossiê - revelou Expedito a esse amigo dele.

Freudgate: TSE aprova pedido para investigar Lula

Folha Online 19/09/2006 - 20h22
TSE aprova pedido para investigar Lula pelo caso do dossiê antitucano
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O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu abrir investigação judicial eleitoral contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os suspeitos de envolvimento no dossiê contra candidatos tucanos. O corregedor-geral do TSE, César Asfor Rocha, acatou nesta terça-feira o pedido protocolado no tribunal pela coligação PSDB-PFL para a apuração das denúncias que o dossiê seria vendido ao PT como forma de prejudicar as candidaturas de José Serra e Geraldo Alckmin.O corregedor determinou a notificação imediata do presidente Lula e dos envolvidos no episódio para que sejam informados sobre o início das investigações. O advogado de Lula minimizou a decisão e disse que ela era uma "tempestade em copo d'água". Em Nova York, Lula disse que estão querendo melar a eleição.Além de Lula, a ação protocolado pelo PSDB e PFL pede que o TSE investigue o ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, os dois envolvidos na compra do dossiê, Gedimar Pereira Passos e Valdebran Padilha da Silva, além do assessor especial da Presidência, Freud Godoy --apontado por Gedimar como o mandante da compra do dossiê.César Rocha também solicitou cópia do inquérito policial com informações sobre a venda do dossiê. O corregedor determinou à Polícia Federal que mantenha o TSE informado sobre todas as investigações realizadas na apuração do caso. Ele também pediu que a PF faça perícia no dinheiro (cerca de R$ 1,7 milhão) encontrado com Gedimar Passos no dia em que foi preso, após negociar a compra do dossiê.Segundo o corregedor, a investigação se justifica uma vez que a Lei Eleitoral determina o cancelamento do registro da candidatura ou a cassação do diploma se for comprovado abuso do poder econômico para pagamentos de gastos eleitorais.PuniçõesNo pedido, a oposição acusa o ministro da Justiça, como chefe da Polícia Federal, de ter interferido na campanha à Presidência da República ao evitar o flagrante da compra do dossiê. Segundo o PSDB e o PFL, a Polícia Federal só permitiu a exposição pública do material apreendido em Cuiabá, com fotos e DVDs de Serra e Alckmin, fazendo a ligação dos tucanos com a máfia das ambulâncias --mas evitou a divulgação de imagens de Gedimar e Valdebran com o dinheiro para a compra do dossiê.O ministro teria utilizado a máquina pública, segundo a oposição, em benefício da candidatura de Lula. Berzoini foi incluído no pedido por ser presidente do PT, apontado como o agente responsável pela compra do dossiê.Se o TSE concluir após as investigações que o presidente Lula teve participação na suposta compra do dossiê, ele pode ficar inelegível por três anos a partir da disputa de 2008. O presidente também corre o risco de perder o mandato se depois de empossado a oposição ingressar com recurso contra expedição de diploma ou com ação de impugnação do mandato, com base no resultado das investigações.

Série: Nem FREUD explica!

Correio Braziliense - 19/09/2006
Um cargo só para o amigo

Olhe com atenção para qualquer foto de Lula em campanha presidencial. Pode ser em 1989, 1994, 1998 ou 2002. São grandes as chances de que Freud Godoy apareça em um canto da imagem, com o olhar vigilante e expressão concentrada. Desde a primeira vez que Lula disputou o Palácio do Planalto, Freud tornou-se uma espécie de anjo da guarda de Lula. Mais que isso, virou amigo pessoal do presidente, companheiro de viagens, conversas e do futebol do fim de semana. Quando Lula chegou ao poder, premiou o amigo. Mandou criar especialmente para ele o cargo de assessor especial do gabinete pessoal da presidência, com o nível de DAS 5, o segundo maior salário pago no governo federal.
Em 29 de dezembro de 2002, já presidente eleito, Lula foi flagrado caminhando com o amigo Freud. O assessor tinha sala no terceiro andar do Palácio do Planalto, próxima ao gabinete do presidente Lula. Também costumava ficar no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente, e o acompanhava nas viagens a São Paulo nos finais de semana. Oficialmente, era designado para cuidar da segurança da primeira-dama, Marisa Letícia.
Na prática, era um assistente pessoal e interlocutor de Lula. Além do salário, de R$ 4,8 mil, recebia auxílio moradia de R$ 1,8 mil e diárias sempre que viajava a trabalho. Entre ajudas de custo e diárias, recebeu R$ 79 mil desde que foi nomeado. A proximidade com o presidente e sua família, e também com integrantes do PT, lhe rendeu um contrato para prestação de serviços de segurança para a campanha de Lula à reeleição. A empresa de segurança de Godoy está no nome da mulher.

Série: Nem FREUD explica!

Correio Brazilense - 19/09/2006
Planalto sente o baque

O clima no palácio é de preocupação.
Lula passou o dia calado e levou a crise junto com ele para Nova York

Gustavo Krieger e Sandro LimaDa equipe do Correio

Nos últimos meses, a cada vez que a crise política apertou, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou-se a Getúlio Vargas. Gosta de apresentar o ex-presidente como um exemplo de político que teria sido perseguido pelas elites. Ontem, a pelo menos dois interlocutores, fez outra incômoda analogia. “Estão querendo me arrumar um Gregório Fortunato”, reclamou, em referência ao envolvimento de seu ex-segurança e assessor especial Freud Godoy na tentativa de compra de um dossiê contra tucanos. Gregório chefiava a guarda pessoal de Vargas em 1954 e foi o mandante de uma tentativa de assassinato contra Carlos Lacerda, adversário político do presidente. Lacerda levou um tiro no pé e um de seus acompanhantes foi morto. A crise terminou com o suicídio de Getúlio. O clima no Palácio do Planalto ontem era de extrema preocupação. A coordenação da campanha à reeleição iniciou uma série de pesquisas de campanha para medir o tamanho do estrago do caso nos índices de Lula. Mas a maior preocupação é com a possibilidade das investigações do caso levarem a crise ainda mais perto do presidente. Além de Freud Godoy, outro envolvido no caso era freqüentador do Palácio da Alvorada. O petista Jorge Lorenzetti, que coordenava um núcleo de inteligência na campanha (leia abaixo) foi o “churrasqueiro” em vários almoços promovidos por Lula na residência oficial.

Eleições 2006

Do Diário do Amapá, hoje:

"O Ministério Público Eleitoral no Amapá ajuizou ontem representação por captação ilícita de sufrágio (compra de votos) e condutas vedadas aos agentes públicos em campanha eleitoral (uso da máquina pública) contra o governador e candidato à reeleição Waldez Góes (PFT), pedindo a condenação na pena de multa e cassação do registro ou diploma, pelo mesmo ter incidido nos arts. 41-A e 73, incisos I e III, da Lei nº 9.504/97 (lei das Eleições), segundo o MPE.

Em sua campanha, Waldez teria promovido nos dias 14 e 27 de agosto "almoçomícios" - misto de almoço e comício - em que houve, segundo a denúncia, farta distribuição de refeições consistentes em feijoada, arroz e farofa, acompanhada de refrigerantes.

Os almoçomícios foram realizados em áreas da periferia de Macapá, atraindo uma multidão de pessoas humildes, adultos e crianças, os quais naqueles dias tiveram, em troca do voto, garantidos seu almoço e de sua família em decorrência da prática assistencialista —na avaliação do MPF."

18 de set. de 2006

Frase do Dia!

Agora, a única frustração que eu tenho é que os ricos não estejam votando em mim. Porque eles ganharam dinheiro como ninguém no meu governo.

Lula, em entrevista publicada na Folha de São Paulo.

No Brasil até Freud se avacalha!

Assessor de Lula pede demissão após caso do dossiê anti-Serra

EPAMINONDAS NETO da Folha Online

Freud Godoy, que teve seu nome envolvido no episódio da suposta compra de um dossiê contra o ex-ministro José Serra, disse por telefone para a Folha Online que já enviou seu pedido de demissão do cargo de assessor especial da Secretaria Particular do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Seu nome teria sido citado por Gedimar Pereira Passos como o suposto responsável por repassar recursos para a compra do dossiê anti-Serra. "Eu não tenho nada a ver com isso, absolutamente nada", afirmou. "Faz uns 40 minutos que eu enviei um e-mail para o gabinete do Gilberto Carvalho [chefe do gabinete de Lula] com meu pedido de demissão", afirmou.

Enquanto isso, no Mato Grosso do Sul



Irregularidades em série

André Puccinelli, candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, é acusado de superfaturar obras e dirigir licitações

Lúcio Vaz Enviado especial - Campo Grande (MS)

Com chances de ser eleito governador do Mato Grosso do Sul já no primeiro turno, como indicam as pesquisas eleitorais, o ex-prefeito da capital André Puccinelli (1997-2004) fez uma administração marcada por muitas obras e por denúncias de irregularidades. Compra de votos, empresários laranjas “tocando” obras públicas, superfaturamento e direcionamento de licitações estão registrados em depoimentos de testemunhas ao Ministério Público Federal e à Justiça, em auditorias da Controladoria Geral da União (CGU) e até em fita de vídeo. Na urbanização do Córrego Bandeira, a CGU apontou um sobrepreço de R$ 3,9 milhões, além de sub-rogação ilegal de contrato e fuga ao procedimento licitatório. Durante quase um ano, parte da obra foi tocada por uma empresa que estava em nome de dois garis, a Engecap, controlada por Éolo Ferrari. O contrato foi cancelado, mas os garis assumiram dívidas no valor de R$ 4 milhões.
Situação semelhante é narrada pela empresária Marinês Bertagnilli, ex-mulher do empreiteiro João Amorim, em medida cautelar que moveu na Justiça, em 2003, para recuperar documentos da empresa MBM Construções, que executou diversas obras da prefeitura. Marinês também foi usada como “laranja” e herdou dívida com o INSS no valor de R$ 985 mil. Segundo ela, Éolo e Amorim, “ao que parece, têm por costume manter empreiteiras em nome de terceiros, destinadas a se beneficiar de licitações públicas do atual governo municipal, com cujo prefeito mantêm estreitos laços de amizade pessoal, já que esse último foi inclusive tesoureiro das duas campanhas do prefeito André Puccinelli”.

Link para a reportagem completa no Correio Braziliense - para assinantes

Charge do dia



Folha de São Paulo - 16/09/2006

Freud: o Gregório Fortunato do PT

O Estado de São Paulo - 16/09/2006
Preso diz à PF nome de petista que mandou comprar dossiê de Vedoin

Advogado revela que 'Froude' ou 'Freud' o escalou para pagar R$ 1,75 mi por papéis contra candidatos tucanos

Sônia Filgueiras, , Vannildo Mendes, , Ana Paula Scinocca


O advogado Gedimar Passos deu, em depoimento à Polícia Federal (PF) de São Paulo, o nome da pessoa do PT que teria sido a responsável pela operação de compra do dossiê contra os candidatos do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, e à Presidência, Geraldo Alckmin, e o ex-ministro da Saúde, Barjas Negri, também tucano. Gedimar declarou que foi a mando de um homem chamado 'Froude' ou 'Freud' que recebeu a missão de pagar R$ 1,75 milhão por documentos e informações sobre o suposto envolvimento dos políticos no esquema de venda de ambulâncias superfaturadas.Segundo ele, consta que o mandante da operação seria dono de uma empresa de segurança 'no (eixo) Rio de Janeiro/SP'. Ele também afirmou que não sabe dizer se 'Froude' ou 'Freud' tem influência no PT, mas a polícia já trabalha na identificação do responsável. Há pistas que apontam para Freud Godoy, atual assessor do Gabinete da Presidência e ex-coordenador de segurança das quatro campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. É uma espécie de fiel escudeiro do presidente desde a década de 80. Segundo informações de funcionários do Diretório Nacional do PT de São Paulo, Freud é sócio de uma empresa de segurança que presta serviços ao partido. Ele foi procurado, mas não foi localizado ontem pelo Estado (leia ao lado).Gedimar e o empresário petista Valdebran Padilha foram presos na sexta em São Paulo com R$ 1,75 milhão, em notas de real e dólar. Eles estavam em um hotel da zona sul e tinham agendado encontro com Luiz Antônio Vedoin e o tio dele, Paulo Roberto Trevisan, que teriam dossiê supostamente capaz de relacionar Serra e Alckmin com a venda superfaturada de ambulâncias para prefeituras. Vedoin é dono da Planam, empresa que vendia os veículos e era o pivô do chamado esquema dos sanguessugas.Os dois deveriam verificar a autenticidade do material. Num depoimento prestado anteontem, eles contaram que o dinheiro para adquirir o dossiê veio de um representante do PT de São Paulo. Gedimar também descreve os dois emissários do PT que teriam entregado o dinheiro destinado ao pagamento pelo dossiê. Segundo o advogado, o primeiro R$ 1 milhão ele recebeu de um desconhecido no estacionamento do hotel onde estava hospedado na véspera de ser preso. O restante, de uma pessoa que se identificou como 'André'.Ainda conforme o depoimento do advogado, o PT teria tido dificuldades de levantar o dinheiro. Assim, teria trazido para a operação um órgão de imprensa que teria exclusividade na divulgação do material. O mesmo dossiê também seria entregue por Vedoin à Justiça Federal de Mato Grosso. No dia 14, o advogado do empresário protocolou na Justiça do Estado todos os documentos relacionados ao suposto envolvimento de um empresário ligado a Barjas, hoje prefeito de Piracicaba (SP), no esquema.

Link para a reportagem completa

Série: Dinheiro na mão é vendaval

Folha de São Paulo - 18/09/2006
Entrevista contra Serra foi paga pelo PT, afirma preso

Detido por negociar dossiê, advogado diz que partido dividiu custos com revista
À PF, Gedimar Pereira Passos disse ter sido "contratado" pela Executiva Nacional do PT para negociar compra de dados da família Vedoin

RENATA LO PRETE EDITORA DO PAINEL

O advogado e ex-policial federal Gedimar Pereira Passos, preso sexta-feira em São Paulo, afirmou à PF que foi "contratado pela Executiva Nacional do PT" para negociar com a família Vedoin a compra de um dossiê contra os tucanos, e que do pacote fez parte entrevista acusando José Serra de envolvimento na máfia sanguessuga.Em seu depoimento, ao qual a Folha teve acesso, Gedimar declarou ter entregue R$ 1 milhão do total que seria pago aos donos da Planam (cerca de R$ 1,7 milhão) a Valdebran Padilha da Silva, intermediário da família no negócio, "no momento em que foi iniciada a entrevista entre os Vedoin e a imprensa" em Cuiabá (MT).Os Vedoin, de acordo com Gedimar, pediram inicialmente R$ 20 milhões por "informações graves" que envolveriam "não só políticos de outros partidos, mas também do próprio PT", e referentes "não apenas ao caso sanguessuga". O valor, entretanto, "estava fora do alcance do partido".
A negociação teria prosseguido até baixar a R$ 2 milhões. Como mesmo essa quantia foi considerada elevada, o PT, segundo Gedimar, ofereceu "a uma importante revista de circulação nacional sociedade na compra das informações".
Ele disse não saber se a revista seria "IstoÉ" que na sexta-feira chegou às bancas com entrevista exclusiva em que Luiz Antonio Vedoin acusa Serra-, "Época" "ou mesmo um grande jornal de São Paulo".Gedimar contou à PF que "houve um acordo entre o PT e o órgão de imprensa" e que chegaram a reunir "pouco menos de R$ 2 milhões".Segundo o depoimento, "ficou acertado que uma equipe de jornalistas se deslocaria até Cuiabá para realizar entrevista exclusiva com os Vedoin", que na ocasião apresentariam "um arsenal de documentos".
Os papéis, diz Gedimar, foram mostrados aos jornalistas, mas ficaram com Vedoin, pois "só seriam entregues mediante pagamento". As informações, no entanto, se revelaram decepcionantes. Resumiam-se "a fatos já de conhecimento da sociedade em geral, de pouca importância para o PT e para o órgão de imprensa".

16 de set. de 2006

Charge do Millôr


Que é isso companheiro?

Folha Online - 16/09/2006 - 18h05
Advogado preso diz à PF que dinheiro veio do PT

HUDSON CORRÊA da Agência Folha, em Cuiabá

O advogado Gedimar Pereira Passos --que foi preso ontem em São Paulo, onde receberia um dossiê contra o candidato a governador pelo PSDB, José Serra-- disse à Polícia Federal que recebeu de membro do PT em São Paulo, cujo nome ele disse não saber, o dinheiro para comprar o material.O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, negou que o partido tenha pago pelo dossiê e condenou a tentativa de chantagem aos tucanos. O dossiê --uma fita de vídeo, um DVD e seis fotos-- foi enviado pelo empresário Luiz Antonio Trevisan Vedoin, apontado como chefe da máfia dos sanguessugas. Por conta do negócio, Vedoin foi preso ontem. A Justiça Federal determinou a prisão alegando que Vedoin ocultava provas e chantageava pessoas envolvidas com a máfia dos sanguessugas.
O material mostra Serra em maio de 2001, então ministro da Saúde, participando da entrega de 41 ambulâncias em Cuiabá (MT). Esses veículos, pagos com verbas federais, foram vendidos a municípios pela máfia dos sanguessugas.Há ainda uma foto, sem data, em que o candidato a presidente pelo PSDB, Geraldo Alckmin, aparece cumprimentando uma pessoa identificada pela PF como Sinomar Martins Camargo, representante da empresa Santa Maria, que pertencia aos sanguessugas e fornecia ambulâncias. Serra e Alckmin negam envolvimento com os sanguessugas e falam de armação eleitoral.Segundo passos, outra parte do dinheiro veio de uma revista cujo nome ele não soube dizer no depoimento à PF. A revista iria pagar pela exclusividade de uma reportagem.

PT e PSDB: o roto falando do esfarrapado!

Correio Brazilense - 16/09/2006
Serra e Costa na mesma crise

Jorge Hage diz que a situação dos ex-ministros é idêntica e que o tratamento deve ser igual para os dois. “É uma questão de mostrar a verdade”, destaca
Sandro Lima - Da equipe do Correio

O ministro da Controladoria Geral da União, Jorge Hage, afirmou ontem, após participar de solenidade no Palácio do Planalto, que a investigação sobre a suposta participação do ex-ministro Humberto Costa (PT) no esquema das ambulâncias deve ser tratada da mesma maneira que a do ex-ministro José Serra (PSDB). “A situação do ex-ministro Serra é a mesma situação do Humberto Costa. O que não vejo como razoável é que no caso de Humberto Costa, com o mesmo nível de indício, alguns saltem para a conclusão de que está consumado o envolvimento, e que no caso de ministro do governo passado o tratamento seja diferente. O tratamento tem que ser o mesmo. Indícios são indícios”, afirmou Hage.
Reportagem publicada pelo Correio na última quinta-feira mostra que o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Barjas Negri — que substituiu Serra quando ele deixou o cargo para disputar a Presidência —, teria determinado em dezembro de 2001 ao Fundo Nacional de Saúde “empenho e elaboração do convênio” para uma emenda no valor de R$ 88 mil que beneficiava o município de Nossa Senhora do Livramento (MT). Essa ambulância foi fornecida por duas empresas de fachada da Planam, de Darci Vedoin e Luiz Antônio Vedoin, acusados de liderar o esquema sanguessuga.
“As acusações sobre o governo anterior não estão somente apoiadas no depoimento dos Vedoin. Existem documentos e depoimentos de parlamentares que fazem acusações ao então secretário-executivo (Barjas Negri) e ao ministro (José Serra)”, afirmou Hage. Para o ministro da CGU, “a credibilidade dada aos Vedoin sobre as acusações ao ex-ministro José Serra tem que ser a mesma a que se atribui a ele quando acusa o governo atual”. Ele ressaltou, porém, que não se pode esquecer de tratar com reserva as acusações de “quem é réu e está sob delação premiada”.

Sanguessugas & Cia


FolhaOnline - 16/09/2006
Lula defende Suassuna e diz que senador é "leal e decente"

FÁBIO GUIBUda Agência Folha, em João Pessoa,
O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu hoje, durante comício em João Pessoa (PB), o senador Ney Suassuna (PMDB-PB), acusado de envolvimento na máfia dos sanguessugas. Lula classificou o senador de "leal" e "decente" e disse que não pode aceitar o julgamento dos seus adversários."Não sou de condenar ninguém antes do julgamento", afirmou o presidente. "Acho que todo o ser humano é inocente até prova em contrário, e o senador Ney Suassuna foi um senador leal, foi um senador que teve um comportamento decente", declarou.Lula afirmou que Suassuna "tem o direito de se defender" e que, "se cometeu algum erro", deve ser julgado e condenado" pela Justiça. "O que nós não podemos é aceitar o julgamento dos nossos adversários, porque se a gente fosse aceitar isso eu já estaria morto", disse.
Suassuna foi convidado pela organização do comício, mas não compareceu ao evento. Alegou que sua presença ao lado de Lula poderia ser usada pelos adversários para atacar o presidente. Outro suspeito de envolvimento com os sanguessugas, o deputado federal Marcondes Gadelha (PSB-PB), também não subiu no palanque.

15 de set. de 2006

Os Meninos do Brasil

Correioweb - 15/09/2006 - 12:37
Trabalho infantil sobe 10,3% em 2005, diz IBGE


Da FolhaNews

O trabalho infantil apresentou avanço no ano passado. O número de crianças de 5 a 14 anos que trabalham subiu 10,3% entre 2004 e 2005, influenciado pelo aumento no trabalho para o próprio consumo - construção e criação para si próprio - e atividades não-remuneradas, ambas tipicamente agrícolas. A conclusão faz parte da Pnad 2005, elaborada pelo IBGE, que constatou ainda que o contingente de crianças entre 5 e 17 anos que trabalham subiu e passou de 11,8% para 12,2% entre 2004 e 2005. Segundo o IBGE, uma das possíveis causas para esse aumento é a crise da agricultura, sobretudo, na região Sul do país. Os aumentos no trabalho entre crianças foram maiores nas regiões Sul e Nordeste. O envolvimento de crianças e adolescentes em atividade econômica apresentou diferenças regionais e diminuía conforme a idade avançava. A região Sudeste foi a que deteve menor número de crianças trabalhando (8,6%), vindo em seguida a Centro-Oeste (10,5%). No outro extremo, ficou o Nordeste (15,9%), seguido pela região Sul (14,0%). O percentual na região Norte foi de 13,1%.

Os buracos do Brasil

Agência Carta Maior - 15/09/2006
SÉRIE - ESTRADAS DO BRASIL
Concessões e melhorias ficam à mercê de disputa por lucro

Morrem em rodovias cerca de 20 a 40 mil pessoas por ano. Série de reportagens detalha as condições de determinados trechos e problemas correlatos ao tema e ajuda a compreender o que ocorre com as estradas do Brasil.
André Barrocal*- Carta Maior

BRASÍLIA – Dias atrás, o Jornal Nacional, da TV Globo, exibiu reportagem sobre a “pior rodovia do Brasil”, como as próprias autoridades classificam um trecho no Maranhão da BR 316. As condições da estrada são precárias desde o início da década de 90 - e pioram a cada ano - mas o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, tentou, sem sucesso, tirar proveito eleitoral da buraqueira e culpar o governo pela situação. Chegou a viajar às pressas para a região, na esperança de aparecer em uma segunda reportagem da emissora a respeito do tema. De qualquer maneira, o episódio ajudou a chamar a atenção, mais uma vez, para a deprimente situação das rodovias federais.
As rodovias brasileiras matam de 20 mil a 40 mil pessoas por ano, segundo estatísticas divergentes do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), do Ministério da Saúde e das seguradoras privadas. Acidentes ocorrem por imprudência do motorista, mas também pela má qualidade das estradas. Os prejuízos do país com acidentes de trânsito, com ou sem vítimas fatais, superam R$ 5 bilhões por ano, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). São perdas porque as vítimas deixam de trabalhar, geram despesas em hospitais e pagam conserto do veículo, entre outras coisas.
O governo federal tem recorrido a paliativos para melhorar as estradas, como a "operação tapa-buraco", deflagrada depois que as chuvas multiplicaram os buracos. As soluções mais duradouras, no entanto, estão empacadas - privatizações e parcerias com empresas privadas. Ambas tentam driblar a falta de investimentos nas rodovias decorrente da opção do governo por pagar altos juros da dívida.

Imagem do dia

Charge do Dia
























Folha de São Paulo, 15/09/2006

14 de set. de 2006

Até tu, MPU?

Correio Brazilense - 14/09/2006
Vagas para protegidos garantidas

Sindicato dos Servidores do MPU denuncia cabide de emprego dentro da instituição

Lúcio Vaz e Fabíola Góis - Da equipe do Correio

O Ministério Público da União (MPU) mantém em seu quadro de funcionários de confiança 26 candidatos que não conseguiram entrar por concurso público. Essa é uma das imoralidades apontadas por levantamento do Sindicato dos Servidores do Ministério Público da União (Sinasempu), entregue ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, em maio deste ano. Nomeações irregulares de pessoas sem vínculo com a administração pública para funções comissionadas e casos de nepotismo e de servidores fantasmas também fazem parte do relatório. O MPU é o guardião dos poderes e advogado dos interesses da sociedade.
Entre os 26, a pior colocada no concurso, Sílvia Terra Amaral, ficou em 10.080º lugar. Logo depois do concurso público, foi nomeada para o cargo de assessor (FC-07), com salário de R$ 7,9 mil. Trabalha no órgão desde 2003.
O documento com os nomes desses servidores era mantido em sigilo, mas o presidente do Sinasempu, Luiz Ivan Cunha Oliveira, foi provocado pelo secretário-geral do Ministério Público Federal, Carlos Frederico Santos, a apresentar a lista dos comissionados que não foram classificadas no concurso, além de casos de nepotismo. “Apresentem a lista”, desafiou Santos na última sexta-feira. O sindicato apresentou uma listagem completa, com o nome dos servidores, a classificação no concurso, o cargo que ocupam, o local de trabalho e a data da nomeação. No ofício, Ivan afirma que essas nomeações “ferem de morte os princípios da moralidade e da impessoalidade. Afinal, somente por apadrinhamento é que pessoas incapazes de conseguir classificação em concurso público do MPU seriam chamadas para exercerem cargos comissionados no próprio órgão, em detrimento das que foram aprovadas”.

Charge do dia

Série: Dinheiro na mão é vendaval

Folha de São Paulo 13/09/2006
TCU vê irregularidade em caso das cartilhas e dá 15 dias para governo se explicar
ANDREZA MATAISda Folha Online, em Brasília


O plenário do TCU (Tribunal de Contas da União) aprovou hoje o relatório do ministro Ubiratan Aguiar que denuncia irregularidades na execução e destinação de cartilhas feitas a pedido do governo. O relatório de Aguiar diz que o governo não conseguiu comprovar R$ 11,7 milhões de gastos feitos pela Secom (Secretária de Comunicação) com a produção de cartilhas e que há indícios de superfaturamento na confecção do material e de serviços não-prestados. O TCU deu 15 dias para o governo apresentar sua defesa.
Entre os citados pelo TCU estão o secretário Luiz Gushiken, que responde pela Secom (Secretaria de Comunicação do Governo), Marcos Flora, ex-secretário adjunto da Secom, além da agência de publicidade de Duda Mendonça --que fez as cartilhas. Se eles não conseguirem se explicar, terão de devolver o dinheiro das cartilhas para os cofres públicos.No relatório, o ministro apontou fortes indícios de desvio de R$ 11,7 milhões da Secom.
O dinheiro teria sido destinado para a confecção de cartilhas sobre os feitos do governo Lula e com críticas à gestão anterior. Sobre parte do material não há comprovação de entrega. Outro montante teria sido encaminhado para o PT. Em nota ontem, o presidente nacional do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), confirmou que a legenda recebeu o material.

13 de set. de 2006

Série: A Ética do Poder

Folha de São Paulo - 13/09/2006

FERNANDO RODRIGUES

Valores em falta

BRASÍLIA - É difícil saber o que é pior no episódio do fim de semana prolongado de 47 juízes num hotel de luxo em Comandatuba, tudo pago pela Febraban. Há o fato em si, desgastante para a imagem do Judiciário. Mas há também a explicação dos magistrados, que nada enxergam de errado.
Um dos juízes alega ter feito um "sacrifício". Foi cumprir o "preceito constitucional" de manter interlocução do Judiciário com a sociedade. Pago pelos bancos. De cada 100 ações analisadas pelo Superior Tribunal de Justiça, cerca de 30 têm relação com os bancos. Os associados da Febraban são os maiores clientes da Justiça. Num país com normalidade democrática e valores assentados, a sociedade tenderia a repelir tal relação. No Brasil, não.
Essa atitude leniente com os modos e os costumes é muito disseminada nas instituições nacionais. Questionados, os protagonistas reagem como se estivessem sendo agredidos quando o assunto é apresentado em público.
Tome-se também o caso da Petrobras. A estatal tem feito muito mais ações sociais em prefeituras aliadas a Lula. As de oposição ficam para o fim da fila. Ontem, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, irritou-se com a reportagem da Folha que mostrava a divisão partidária dos gastos da empresa. "Eu acho que é um escândalo a Folha insinuar que o critério da distribuição de recursos da Petrobras seria um critério partidário".
Ora, não houve insinuação. Foram apresentados números. Mas o doutor resolveu ficar indignado. No fundo, são poucos os agentes públicos acostumados a conviver com o contraditório. Admitir um erro e corrigir uma conduta é raro. Os valores são frágeis. Pior: nenhum candidato a presidente trata desse tema de maneira correta.

Público Privado

Correio Braziliense 13/09/2006
Caso das cartilhas assusta o Planalto

Governo teme que oposição peça ao TSE a impugnação da candidatura petista com base em auditoria do TCU

Gustavo KriegerDa equipe do Correio

O Palácio do Planalto acompanha com muita preocupação o caso das cartilhas impressas pelo governo e entregues a diretórios do PT para distribuição. Oficialmente o governo procura demonstrar tranqüilidade, mas a portas fechadas o quadro é outro. O Planalto teme que a oposição use o caso para pedir à Justiça Eleitoral a impugnação da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, sob acusação de uso da máquina administrativa. O caso será julgado pela Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma corte na qual Lula já colecionou derrotas e sob a presidência do ministro Marco Aurélio Mello, considerado “imprevisível” pelo governo.
Lula e seus principais assessores consideram a eleição virtualmente ganha e acreditam que ela pode mesmo ser decidida no primeiro turno. O otimismo eleitoral acendeu a paranóia com a possibilidade de que a oposição, vencida nas urnas, tente outros caminhos para afastar o presidente do cargo.
O caso das cartilhas serviria a este objetivo. É uma denúncia nova, envolve a mistura de dinheiro público com campanha eleitoral e chega à Secretaria de Comunicação (Secom), um órgão diretamente ligado à Presidência da República. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou que a Secom não tinha comprovantes da aplicação de R$ 11 milhões, que deveriam ter sido gastos na impressão de cartilhas e folhetos de propaganda do governo. Também não havia provas da impressão ou distribuição de 2 milhões de exemplares da cartilha, cuja tiragem declarada foi de 5 milhões. Para se justificar, a Secom disse que as revistas foram entregues a diretórios do PT. O argumento foi que eles distribuiriam o material sem custos para o governo.

12 de set. de 2006

Finalmente


Câmara vai extinguir 1.163 cargos de natureza especial
A Mesa Diretora da Câmara aprovou por unanimidade ato que extingue 49% dos cargos de natureza especial (CNEs) da Casa – 1.163, de um total de 2.365. As demissões devem acontecer até o dia 3 de outubro. O anúncio foi feito há pouco pelo presidente da Casa, Aldo Rebelo, após reunião com integrantes da Mesa em sua residência oficial.O ato proíbe a contratação de CNEs para desempenhar função fora de Brasília e em gabinetes parlamentares e veda a contratação de parentes de 1º e 2º graus de parlamentares e funcionários da Câmara. Também fica proibida a cessão de ocupantes de cargo de natureza especial para desempenhar função em órgão externo à Câmara.
Aldo anunciou que será apresentado um projeto de resolução, a ser votado em plenário, para legitimar as decisões tomadas na reunião de hoje. A intenção é evitar que, posteriormente, um novo ato da Mesa venha a revogar essas proibições.Também a partir de 3 de outubro, será publicada no portal da Câmara na internet (www.camara.gov.br) a lista de todos os CNEs contratados com a respectiva lotação.

E o Troféu Motoserra de Ouro vai para Jorge Viana













CLÓVIS ROSSI

Troca de motosserra


SÃO PAULO - É comovente a evolução ética do petismo nos últimos tempos. Começou com a constatação do ator petista Paulo Betti segundo quem não se faz política sem pôr a mão em matéria fecal. Dias depois, o presidente Lula referendou a tese ao dizer: "Política a gente faz com o que a gente tem. Não com o que a gente quer".
Agora vem o complemento, na boca de um dos raros petistas que é estrela ascendente, o governador acreano Jorge Viana. Na bela reportagem de Fábio Zanini, ontem publicada por esta Folha, Viana justifica assim sua aliança com os políticos que antes considerava delinquentes: "Qualquer apoio estamos aceitando com gosto". O "qualquer" inclui o pessoal ligado a Hildebrando Pascoal, sim, aquele mesmo que está preso há sete anos por mandar matar um adversário com uma motosserra.
Ou seja, antes o PT era contra "tudo o que está aí"; mais recentemente, passou a aceitar o que está aí por ser supostamente tudo o que "a gente tem". Agora, não é apenas aceitação conformada, mas "com gosto". Não significa, como já mostrou na semana passada Renata Lo Prete, que o PT vá desaparecer ou murchar. Vai apenas ser um novo PMDB. Partido sem cara, sem cheiro (não vale pensar em Paulo Betti), sem identidade, mas que, não obstante, está sempre entre os três mais votados para o Congresso, quando não é o mais votado. Viverá da tradição política brasileira, do caciquismo/coronelismo, sustentado por vínculos com o poder público (municipal, estadual ou federal ou todos juntos).
Há 40 ou 50 anos, a oligarquia maranhense era comandada por Victorino Freire, desbancado por um jovem chamado José Sarney. Mudou o Maranhão? Não, mudou o novo dono político do pedaço. Assim como no Acre: sai a motosserra, entram Jorge Viana e o PT.

Série: Quem te viu, quem te vê.....

Folha de São Paulo 12/09/2006
Doação da Petrobras favorece prefeituras do PT e de aliados

Cidades administradas pelo partido ficaram com 27,5% dos R$ 31 milhões repassados
Piauí, também governado por petistas, foi o único Estado beneficiado; estatal diz que seleção foi feita com base em projetos sociais

RUBENS VALENTEENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA

Entre outubro do ano passado e início da campanha eleitoral, a Petrobras beneficiou prefeituras do PT e da base aliada no financiamento de R$ 18,4 milhões de um total de R$ 31,6 milhões em ações sociais para municípios. O único repasse do gênero feito a um Estado, de R$ 1,25 milhão, também atendeu um reduto do PT, o Piauí. A lista dos patrocinados pela Petrobras neste ano eleitoral inclui apoiadores da campanha para reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), que receberá R$ 8,75 milhões para um programa de alfabetização, e a UNE (União Nacional dos Estudantes), com R$ 130 mil. Adversária da CUT, a Força Sindical recebeu apenas R$ 250 mil para um evento de 1º de Maio.
Cerca de R$ 700 mil foram destinados pela Petrobras a obras de melhoria de asfalto nas cidades de Maragogipe (BA) e Alagoinhas (BA), também administradas pelo PT. Os repasses aos municípios foram feitos às prefeituras ou a conselhos municipais da infância e da adolescência. A Petrobras afirma ter feito uma seleção dos projetos sociais.
Do total de 208 municípios beneficiados com recursos da Petrobras entre outubro de 2005 e junho último, 46 estão sob controle do PT. Os municípios administrados pelo partido obtiveram R$ 8,6 milhões, ou 27,5% do total dos recursos (o PT administra 7,4% das prefeituras no país, segundo o resultado das eleições de 2004).
As cidades administradas por petistas e atendidas pela Petrobras têm cerca de 11 milhões de habitantes. Outros 61 municípios de partidos aliados de Lula (PMDB, PSB, PL, PP e PTB) ficaram com R$ 9,83 milhões. Em contrapartida, prefeituras administradas pelos dois maiores partidos de oposição, PSDB e PFL, obtiveram apenas R$ 4,47 milhões (14%). As duas siglas comandam 29,9% das prefeituras brasileiras.

11 de set. de 2006

Palocci em maus lencóis

O Estado de São Paulo 11/09/2006
Em 10 dias, Palocci será denunciado duas vezes à Justiça por sete crimes
Ex-ministro disputa a Câmara e responde a processos por quebra de sigilo de caseiro e por integrar 'máfia do lixo'
Rosa Costa, Vanildo Mendes
A 20 dias da eleição, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci - candidato a deputado federal pelo PT - começa a enfrentar mais uma prova de fogo em sua carreira política. Num período de dez dias, Palocci será denunciado à Justiça por sete crimes: formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, peculato, quebra de sigilo bancário, quebra de sigilo funcional e prevaricação.
As denúncias, da Polícia Federal (PF) e da Polícia Civil, dizem respeito ao envolvimento de Palocci na quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo - que disse que o ex-ministro freqüentava a mansão do Lago Sul, em Brasília, usada para lobby -, e nas fraudes nos contratos de lixo em suas duas administrações na prefeitura de Ribeirão Preto (1993-1996 e 2001-2002).
Hoje, o delegado Rodrigo Carneiro Gomes, da PF, entrega à Justiça o inquérito, aberto em março, em que Palocci é acusado dos crimes de violação de sigilo bancário e funcional e prevaricação do caseiro Nildo. Ele afirma que as provas que têm são suficientemente robustas.

Série: Até tu, Brutus!

Folha de São Paulo - 11/09/2006
Bancos pagam feriado na praia de 47 juízes

Febraban gasta R$ 182 mil e leva magistrados e suas famílias a Comandatuba, na Bahia, para discutir "spread" e crédito

Encontro contou ainda com outros 60 participantes; banqueiros dizem que evento visa um diálogo aberto com os juízes
FERNANDO RODRIGUESENVIADO ESPECIAL A COMANDATUBA

O feriado de Sete de Setembro foi especial para 16 ministros (dois aposentados) do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e 31 desembargadores de sete Estados: eles receberam passagem e estada grátis no resort de luxo Transamérica da Ilha de Comandatuba, no litoral baiano, para assistirem a algumas palestras sobre como funciona a arquitetura do crédito do sistema bancário brasileiro.O patrocínio do evento foi da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), que arcou com uma fatura de ao menos R$ 182 mil com hospedagem e transporte dos 47 juízes. Esse valor é estimado com base no número de magistrados presentes e de seus acompanhantes multiplicado pelo preço básico promocional cobrado pelo pacote.Os magistrados podiam trazer familiares para o hotel. A lista completa de participantes não foi divulgada.A agenda em Comandatuba foi leve. As palestras começavam às 16h. Terminavam por volta de 20h30, com jantar e algum show. O restante do tempo era livre. O domingo também foi aberto para passeios.

Link para a reportagem completa: para assinantes da Folha de São Paulo

Série: Quem te viu, quem te vê.....

Jorge Viana esquece passado e se alia a políticos que o PT antes combatia

Grupo do governador, forte candidato a um ministério caso Lula se reeleja, fecha coligação com PP
Um dos pais do acordo é o ex-deputado Ronivon Santiago, envolvido nos escândalos da compra de votos e dos sanguessugas
FÁBIO ZANINI ENVIADO ESPECIAL A RIO BRANCO

Oito anos após ter despontado na política com a promessa de tirar o Acre das páginas policiais, o grupo ligado ao governador Jorge Viana (PT) recorreu às mesmas personagens que antes combatia para se manter no poder.Forte candidato para o ministério em um eventual segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, Viana conquistou o apoio do ex-governador Orleir Cameli (1995-1998), o mesmo que era caracterizado por ele como responsável pelo "desmonte" do Estado.Cameli entrou no barco petista junto com seu primo Cesar Messias (PP), ex-prefeito de Cruzeiro do Sul (segunda cidade do Estado), indicado vice na chapa do PT ao governo.
Do lado do PP, um dos pais da aliança é o ex-deputado Ronivon Santiago, presença constante nos grandes escândalos dos últimos anos -compra de votos, valerioduto e sanguessugas.Mas ele não pôde ver o resultado final de seu trabalho. Foi preso pela Polícia Federal poucas horas antes da apresentação da coligação, em 4 de maio.Figura ainda na frente petista o PL de Aureliano Pascoal, ex-secretário de Segurança Pública de Cameli e primo de Hildebrando Pascoal, símbolo do "faroeste" que o PT combatia. Hildebrando, preso desde 1999 por mandar matar um adversário com uma motosserra, comandava a PM do Estado.
Há oito anos, o PT dizia que o Acre era palco de uma luta do bem contra o mal, este simbolizado por Cameli e Ronivon. Como dizia Jorge Viana à época: "São grupelhos que se organizaram e atuam como bandos. Tudo coordenado por um governador [Cameli] que não tem currículo, mas folha corrida".A "folha corrida" de Cameli incluía, além dos muitos CPFs, acusações de desvio de recursos, a apreensão de um Boeing de sua família com contrabando e a intermediação da compra de deputados para aprovar a reeleição no Congresso.O bem, no maniqueísmo vigente, era representado pelos "meninos do PT" -Jorge, o senador Tião Viana e a ministra Marina Silva (Meio Ambiente). Hoje quarentões e grisalhos, assumem o pragmatismo.

A Ética do Poder

Folha de São Paulo - 11/09/2006
TCU bloqueia R$ 10,8 mi do governo por causa da eleição
Tribunal pede que Ministério Público tome providências em relação a repasses
Verba foi liberada por dois ministérios para compra de ambulâncias e tratores; outros R$ 55 mi também são alvo de investigação

MARTA SALOMONDA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O TCU (Tribunal de Contas da União) mandou bloquear gastos de R$ 10,8 milhões liberados em julho pelo governo Lula para a compra de ambulâncias e tratores, supostamente em desacordo com a lei eleitoral. O tribunal também pediu "providências cabíveis" ao Ministério Público Federal. No caso do descumprimento da regra, a legislação prevê a perda do registro ou do diploma do "candidato beneficiado".
O bloqueio dos gastos determinado pelo TCU, por meio de medidas cautelares, atingiu a transferência de R$ 8,4 milhões do Ministério da Saúde para o Estado do Piauí, destinados à compra de ambulâncias. Alcançou ainda R$ 2,4 milhões transferidos pelo Ministério da Agricultura, via Caixa Econômica Federal, a 17 prefeituras de 11 Estados diferentes. O objetivo, nesse caso, era a compra de tratores, chamados de "patrulhas mecânicas".
Além dos dois casos acima, o tribunal investiga indícios de irregularidades na transferência de mais R$ 55,2 milhões a Estados e municípios, entre 1º de julho e 22 de agosto.É prevista para os próximos dias a edição pelo TCU de uma terceira medida cautelar. O alvo seria a transferência de R$ 6,3 milhões destinados a iniciar obras da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba) no Piauí, onde o petista Wellington Dias disputa a reeleição ao governo.
 
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