Fragmentos: Dentro da noite veloz - Ferreira Gullar

A vida muda como a cor dos frutos lentamente e para sempre. A vida muda como a flor em fruto velozmente.
A vida muda como a água em folhas o sonho em luz elétrica a rosa desembrulha do carbono o pássaro da boca mas quando for tempo.
E é tempo todo o tempo mas não basta um século para fazer a pétala que um só minuto faz ou não mas a vida muda a vida muda o morto em multidão.


4 de out. de 2006

O Pinóquio do Planalto

Blog do Noblatb - 04/10/2006

Paulo Bernardo nega motivação política na liberação de R$ 1,5 bilhão de crédito extraordinário

De O Globo online

"O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou nesta quarta-feira, no Palácio do Planalto, que não teme os possíveis ataques que a oposição venha a fazer devido à edição de uma medida provisória que libera um crédito extraordinário de R$ 1,5 bilhão para pagamentos de dívidas dos ministérios e para investimentos em obras.

- Essa liberação não tem nada a ver com o momento político. As pessoas têm que entender que mesmo durante as eleições o governo tem que continuar trabalhando - disse Bernardo

Link para a reportagem completa no Globo Online

Série: Antes tarde do que nunca!

Folha Online - 04/10/2006

PF prende Luiz Estevão por desvio de recursos nas obras do TRT-SP

A Primeira Turma do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região determinou a prisão do ex-senador Luiz Estevão de Oliveira no processo que apura o desvio de R$ 169 milhões das obras do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São Paulo. A Polícia Federal informou que a prisão de Estevão foi efetuada nesta quarta-feira. Estevão é acusado de improbidade administrativa por alterar livros contábeis do Grupo OK para justificar o dinheiro superfaturado das obras do TRT.
Em maio, o TRF da 3ª Região condenou o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto a 26,5 anos de prisão pelos crimes de peculato, estelionato e corrupção passiva. Ele também foi condenado a pagar uma multa de R$ 1,2 milhão. Nicolau foi condenado no processo que apurou o desvio de R$ 169,5 milhões da obra do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São Paulo. Também foram condenados no mesmo processo o ex-senador Luiz Estevão de Oliveira e os empresários Fábio Monteiro de Barros e José Eduardo Ferraz, da construtora Incal. Luiz Estevão e Monteiro de Barros foram condenados a 31 anos de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, estelionato, uso de documentos falsos e corrupção ativa. A multa fixada a Luiz Estevão foi de R$ 3,150 milhões. Para Monteiro de Barros, o TRF aplicou o pagamento de uma multa de R$ 2,7 milhões.
O tribunal condenou Ferraz a 27,8 anos de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, estelionato, uso de documentos falsos e corrupção ativa e ao pagamento de uma multa de R$ 1,2 milhão.Todos foram condenados ao cumprimento de prisão em regime fechado. No caso de Nicolau, que já cumpre pena em regime de prisão domiciliar, nada deve ser alterado.

Zumbis

Pensata - Eliane Cantanhêde

A volta dos que não foram

A declaração de voto do governador Lúcio Alcântara (PSDB-CE) em Geraldo Alckmin é emblemática do que vai acontecer neste segundo turno. Ou melhor, já está acontecendo: os tucanos e pefelistas que puxavam o saco de Lula, dando como líquida e certa a vitória em primeiro turno, estão de volta ao ninho.
Alcântara rompeu com o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, que preferiu tirar o apoio à sua reeleição e despejar em Cid Gomes, do PSB, aliado de Lula e irmão do ex-ministro Ciro Gomes (um dos deputados mais bem votados do país). O governador ficou uma fera, e quem pagou o pato foi Alckmin. Numa cena de traição explícita, Lúcio Alcântara foi ao Planalto confraternizar com Lula no meio do primeiro turno. Perdeu a eleição para Cid e, agora, mal começou o segundo, já dá meia volta e declara voto em Alckmin. Durma-se com um barulho desses. Ou durma-se com uma política dessas...
A imprensa, sempre acusada de ser 'tucana', passou a campanha mostrando um Alckmin às traças, abandonado pelo PSDB, pelo PFL, pelos candidatos a governador, por gregos e troianos, sem vigor e sem chances. Não se passou um dia sem uma 'crise' na campanha, demonstrando fragilidade. Agora, pelo visto, estão todos de volta.O PFL, que chegou a anunciar o fim da velha aliança com o PSDB depois da eleição (lia-se: depois da derrota de Alckmin), agora é alckmista desde criancinha e para todo o sempre, amém. E reconhecendo que, sem os tucanos, a vida pode ficar muito dura. O partido perdeu Estados importantes, como a Bahia, está ameaçado em Pernambuco, disputa um surpreendente segundo turno no Maranhão e só levou um governo no primeiro turno: o do DF, com José Roberto Arruda.Sem poder (e sem cargos) nos Estados, o jeito é apoiar Alckmin e rezar para ele ganhar, para poder se pendurar no governo federal. Caso contrário, só sobra o Senado para os pefelistas reinarem. Ali, ele ficam com uma bancada de 18 senadores, a maior da Casa. E, pela tradição, cabe à maior bancada fazer o presidente.No PSDB, criou-se uma situação curiosa: foram meses de análises mostrando que Alckmin não estava com nada e enfatizando a força e as projeções de José Serra e Aécio Neves no cenário nacional, já que ambos estiveram na frente das pesquisas do início ao fim e acabaram mesmo se elegendo em primeiro turno em São Paulo e Minas. Esqueceram-se todos de combinar com o adversário --o adversário de Lula. Pois quem emerge forte da eleição, até pela surpresa, é Alckmin.Se ele ganhar, será que topa acabar com a reeleição? Duvide-o-dó. Depois de uma trajetória solitária no primeiro turno, agora ele não tem por que dar essa colher de chá aos companheiros tucanos. Vai fazer de tudo para ficar 8 anos. E Serra terá 72 anos em 2014.

A visão de Leonardo Boff sobre a eleição presidencial

Agencia Carta Maior - 04/10/2006

O que está em jogo na reeleição presidencial
Leonardo Boff

Quem derrotou Lula não foi Geraldo Alckmin mas o próprio partido do Presidente, o PT. O destemor insano de altos dirigentes petistas pôs a perder uma vitória garantida de Lula já no primeiro turno. O que pesou mesmo não foi tanto o escândalo do dossiê contra o candidato Serra, pois dossiês sempre existiram, fabricados por políticos afeitos à intimidação e ao manejo da mentira como arma política.
A ausência de Lula no debate final contou negativamente mas não foi o decisivo. O que destroçou o PT e atravancou o caminho da vitória foi a mostragem por todos os meios de comunicação da montanha de dinheiro para a compra do dossiê. Mais de 30% da população trabalhadora não ganha mais que um salário mínimo. Quando vê toda essa dinheirama se enche de auto-vergonha e pensa: meu trabalho não vale nada mesmo; nem que vivesse duas vidas acumularia tanto dinheiro quanto aquele mostrado aí. E esses corruptos tiraram de onde esse dinheiro? A indignação não tem tamanho. Políticos que usam esses expedientes mereceriam a excomunhão política e religiosa, tão grande é seu pecado contra o povo, sua dignidade e a economia popular.
Pode ocorrer um impasse jurídico, policial e institucional nas investigações do dossiê, especialmente se seu conteúdo for revelado, coisa que ainda não se fez e que pode eventualmente incriminar a gestão do PSDB quando começou a corrupção das ambulâncias. Mesmo assim o segundo turno traz também lá a suas vantagens: finalmente se criará a oportunidade de confrontar dois projetos de Brasil.
Geraldo Alckmin representa o velho projeto das classes dominantes. Não sem razão os banqueiros e os grandes industriais o apoiaram, pois sentem afinidade de classe e comunhão de propósitos: garantir políticas ricas para os ricos e pobres para os pobres. Notoriamente não possui carisma e não apresenta nada de realmente inovador, capaz de suscitar uma nova esperança. A retórica que usa é despistadora. Mas cabe à análise pôr à luz os interesses de classe ocultos. A macroeconomia que enfeudou a política, seguirá seu curso neoliberal deixando fatalmente anêmica a política social. Sua vitória representará o retorno daqueles que sempre construíram um Brasil para si, sem o povo ou contra o povo.Lula dá corpo a um projeto de mudança. Apesar dos constrangimentos encontrados num ambiente hegemonicamente neoliberal, tentou, com relativo sucesso, fazer a transição de um estado elitista e privatista para um estado republicano e social. Agora ele se vê obrigado a definir claramente seu projeto: dar a centralidade ao povo destituído, garantir seus meios de vida e sua inclusão cidadã. Para isso ele precisa se reaproximar de sua base real de sustentação: os movimentos sociais organizados e a imensidão dos excluidos. Esses poderão inviabilizar qualquer ameaça de impeachment. Tirar Lula é tirar nosso poder, dirão, é anular nossa vitória, é abortar nossa esperança.Para se diferenciar claramente de Alckmin, Lula deverá mexer em pontos importantes da macroeconomia para que ela seja de fato o sustentáculo de uma política social maciça. Deverá ter a coragem de colocar um gesto fundador de um novo Brasil: retomar o projeto de Plínio Arruda Sampaio, um dos que melhor entende de reforma agrária, e realizá-lo integralmente a fim de fixar o camponês no campo e desinchar as cidades favelizadas. Aí sim se consolidará seu governo, inaugurando a transformação social possível para o Brasil.
Leonardo Boff é teólogo e escritor.

Link para Agência Carta Maior

O Grã Circo Nacional apresenta:

ELIO GASPARI
Folha de São Paulo 04/10/2006

A marcha dos palhaços

Lula se candidatou ao lugar de coordenador da campanha eleitoral de Geraldo Alckmin

NA SEGUNDA-FEIRA, com aquelas olheiras que só a adversidade eleitoral produz, "nosso guia" se candidatou ao lugar de coordenador da campanha de Geraldo Alckmin à Presidência da República. Fez isso quando tratou do dossiê Vedoin e disse o seguinte: "Eu quero saber quem arquitetou essa obra de engenharia para atirar no próprio pé". Quer? Pergunte a Ricardo Berzoini e a Aloizio Mercadante. Eles podem ajudar.Ao tratar de um crime como curiosidade, Lula assumiu a condição de padrinho dos malfeitores petistas, aloprados e trambiqueiros. Padrinho no sentido da figura de Don Corleone/Marlon Brando.Não há nenhuma prova, indício ou pista de que haja bico tucano na construção do papelório. Há apenas um raciocínio lógico: se os tucanos foram favorecidos pelo episódio, há dedo deles na produção. Coisa assim: a invasão da Rússia por Hitler permitiu que Stálin consolidasse a sua tirania, donde, Hitler foi uma jogada de Stálin.Admita-se que o raciocínio de Lula está certo. No início de setembro, um tucano teve uma idéia: vamos pedir ao Vedoin que faça um dossiê contra o Serra, ele o vende ao PT, nós flagramos os compradores, fotografamos o ervanário e botamos o escândalo na imprensa. Um petista aloprado come a isca, compra-se o caso, acerta-se a publicação da denúncia, combina-se o pagamento e vai-se a um hotel buscar mais uns docinhos. Nisso reserva-se R$ 1,7 milhão, em grana viva, para os chantagistas.Se isso fosse verdade, o presidente de honra do PT teria razão ao chiar. O da República não é pago para tumultuar inquéritos. Os petistas que negociaram com um delinqüente cometeram uma contravenção ao trocar denúncia por dinheiro e um crime e ao remunerar bandidos. Transgrediram as leis da República. Respeitaram apenas a regra do silêncio de Don Corleone.Diante de um crime, o presidente da República não pode agir como advogado de porta de xadrez. (Será que em 1954 os capangas de Gregório Fortunato foram pagos por Carlos Lacerda para atirar no major Rubens Vaz?)Em São Paulo e no Rio, houve zonas eleitorais onde madames grisalhas, elegantes e gentis distribuíam narizes de palhaço. (Senhoras parecidas com aquelas que fizeram a Marcha da Família em 1964.) O sujeito ganhava uma bolinha vermelha e ia para a seção eleitoral. No comércio, a bolota de plástico custa R$ 2,50 e a de esponja sai por R$ 3, crime eleitoral explícito, mas isso fica para depois. Contra quem esse feliz palhaço protesta? Paulo Maluf? João Paulo Cunha? Clodovil? Lula?O calor que o senador Eduardo Suplicy tomou de Guilherme Afif Domingos mostra que se quebrou a associação da decência ao PT. Se são todos iguais, Lula é igual a Maluf e Fernando Collor. Exagero? Ouça-se Maluf: "Tenho plena consciência de que o presidente Lula é um homem limpo e correto". E Lula: "Collor poderá, se quiser, fazer um trabalho excepcional no Senado".Lula e o PT associaram-se a práticas indecentes. Fizeram isso porque quiseram. A mistura custou o resultado de domingo.A Justiça Eleitoral precisa estar cega para permitir a distribuição de prendas na área onde é proibido repassar santinhos de candidatos. Mesmo assim, o palhaço sempre poderá votar com um nariz que trouxe de casa. Ou Lula pára de dizer monstruosidades ou verá a marcha dos palhaços.

Charge do Dia - Jean


Folha de São Paulo - 03/10/2006

Eles se merecem

O Globo - 03/10/2006
Apoio de Rosinha e Garotinho a Alckmin abre crise no Rio
O ex-governador Anthony Garotinho e a governadora Rosinha anunciaram apoio à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), rachando ao meio o PMDB do Rio e abrindo crise na campanha no estado. O candidato do PMDB a governador, Sérgio Cabral, formalizou adesão à reeleição de Lula, que virá ao Rio amanhã para ato de apoio mútuo. Lula recebeu, no Palácio da Alvorada, o candidato derrotado Marcelo Crivella (PRB).
O prefeito Cesar Maia (PFL) criticou a aproximação de Alckmin com Garotinho que para ele, "pode ser virótica". "A fotografia com Garotinho desmonta o discurso ético de Alckmin", disse o prefeito, que considera a decisão de aceitar o apoio um "tiro na cabeça". Alckmin disse que apoio se agradece. "Não nos foi solicitado nada que não fosse compromisso com o Brasil." Cesar disse ainda que terá de rever a estratégia de campanha da candidatura Denise Frossard (PPS) para o segundo turno. (pág. 1, 3 a 10, Merval Pereira e editorial "Discurso punido")

Link para Sinposes - Agência Brasil - Radiobrás

28 de set. de 2006

Charge da Noite - Angeli

O Homem da Mala


Ex-assessor de Mercadante entregou dinheiro, diz PF

Polícia conclui que Hamilton Lacerda levou mala para pagar por dossiê

Gedimar Pereira Passos e Valdebran Padilha da Silva foram presos com R$ 1,168 mi e US$ 248,8 mil no dia 14, em São Paulo

Hamilton Lacerda, então coordenador da campanha de Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo, foi quem entregou a mala com dinheiro ao advogado Gedimar Pereira Passos e ao empresário Valdebran Padilha da Silva, no hotel Ibis em São Paulo, no dia 14, segundo informação da PF.Gedimar e Valdebran foram presos pela PF com R$ 1,168 milhão e US$ 248,8 mil. O dinheiro, cuja origem a PF ainda investiga, seria usado para comprar um dossiê contra tucanos montado pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia dos sanguessugas.Após analisar os CDs com a gravação de imagens que registram movimento de pessoas no hotel, a PF concluiu que Lacerda foi quem entregou o dinheiro a Gedimar e Valdebran. Contudo a PF informou que a confirmação oficial, necessária para conclusão do inquérito, será feita por meio de perícia.Desde o início da semana, a PF fazia a análise das imagens e ontem concluiu que Lacerda aparece na gravação entregando o dinheiro. Foram estudados vários CDs gravados no hotel no dia 14.Nesse dia, por telefone, Valdebran negociava com Vedoin, que estava em Cuiabá, a venda do dossiê contra os tucanos José Serra, adversário de Mercadante nas eleições em São Paulo, e Geraldo Alckmin, candidato a presidente. O material era composto por fotos, CD e fita de vídeo mostrando Serra e Alckmin em eventos de entrega de ambulâncias da máfia dos sanguessugas.O delegado Diógenes Curado Filho, que preside as investigações, deve ouvir Lacerda ainda hoje em São Paulo, segundo apurou a reportagem. O procurador da República em Cuiabá Mário Lúcio Avelar deve acompanhar o depoimento.Lacerda deixou a campanha de Mercadante após o caso.Na sexta-feira passada, em depoimento à PF em Brasília, Jorge Lorenzetti, ex-assessor da campanha e amigo do presidente Lula, disse que o dossiê seria entregue a Lacerda.Cinco dias após as prisões de Gedimar e Valdebran, Lacerda deixou o cargo, pois foi citado pela revista "IstoÉ" como intermediador da entrevista em que os Vedoin acusam José Serra de envolvimento na máfia dos sanguessugas.Conforme Gedimar em seu primeiro depoimento à Polícia Federal, o dinheiro seria usado para pagar o dossiê e uma entrevista à imprensa.Até ontem, o procurador Avelar focava a investigação em outros quatro petistas, deixando de lado Lacerda.Além de pedir novamente a prisão de Gedimar e Valdebran, Avelar queria que fossem presos Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil, Oswaldo Bargas, que trabalhava na campanha de Lula, Lorenzetti e Freud Godoy, assessor da Presidência da República até o início do escândalo.A Justiça decretou a prisão, mas, devido à legislação eleitoral, que proíbe prisões cinco dias antes das eleições, a PF só poderá efetuá-las a partir da próxima quarta-feira.

Link para a Folha de são Paulo

Corrupção Eleitoral


Palocci é investigado por suposto abuso de poder econômico no TRE
Ex-ministro é suspeito de oferecer um churrasco para mais de 200 pessoas


O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci Filho, candidato a deputado federal pelo PT, está sendo investigado pela Justiça Eleitoral por suposto abuso de poder econômico.Com uma das mais caras campanhas de São Paulo, ele é suspeito de oferecer um churrasco para mais de 200 pessoas em evento em Cedral, na região de São José do Rio Preto, no dia 14. Ônibus e vans foram fretados para transporte de eleitores de cidades vizinhas.Se comprovada, a ação pode ser considerada como compra de votos, passível a perda de mandato em caso de eleição, conforme legislação (lei 9.540).
O evento só ficou conhecido pelo juiz eleitoral Paulo Marcos Vieira após a divulgação de uma reportagem do jornal "Bom Dia", que infiltrou, como convidados, uma repórter e um repórter-fotográfico. De acordo com Vieira, a Presidência do Tribunal Regional Eleitoral foi comunicada do ocorrido, que pediu para que o fato fosse relatado por escrito. O ofício (79/2006), cópias das reportagens para apuração, foi encaminhado anteontem. O TRE informou ainda não ter recebido o documento enviado pelo juiz e ainda vai analisar quais medidas serão tomadas.
Na opinião do juiz, a reunião política deveria ter sido informada à Justiça Eleitoral. "Faz uma reunião, sem comunicar, já tem uma suspeição. Se tem churrasco, bebida, tem gasto. Com certeza, não é contabilizado. Se não é contabilizado, aí o que existiu? Aquilo que chamam de caixa 2", afirmou. O presidente do PT de São José do Rio Preto, AiltonBertoni, 44, disse que a reunião não foi comunicada à Justiça por se tratar de uma reunião interna do partido. "Isso é perseguição ao ex-ministro".Segundo a repórter Cláudia Russo, que esteve no evento, parte dos convidados eram pessoas humildes e algumas nem sabiam quem era Palocci.A assessoria de imprensa do ex-ministro informou que ele não patrocinou o churrasco -apenas aceitou o convite.

Charge do dia - Glauco


Folha de São Paulo - 28/09/2006

26 de set. de 2006

Cego, surdo e mudo!

Folha de São Paulo - 26/09/2006

Gustavo Ioschpe

Lula sabia?

A PERGUNTA QUE circula, nesses dias em que nos deparamos com mais um típico escândalo oriundo do método lulo-petista de governar é: Lula sabia? Acho que sim, assim como creio que pouco importa, e me explico. Acredito que Lula sabia por uma série de motivos.
Primeiro, porque Wagner Cinchetto admitiu ter participado do grupo de formação de dossiês contra adversários na campanha de Lula de 2002, dizendo explicitamente sobre o conhecimento do candidato: "não só tinha conhecimento como autorizou que o grupo fosse criado".
Segundo, porque todos os envolvidos na operação sabiam que seu malogro teria conseqüências dramáticas para a campanha de Lula, e duvido que se atrevessem a entrar nesse risco sem que a maior vítima em potencial estivesse de acordo.
Terceiro, pelas pessoas envolvidas. Os envolvidos na chefia da operação têm ligação direta com Lula: Berzoini foi seu ministro e era chefe da sua campanha, Lorenzetti era seu amigo e churrasqueiro, Freud Godoy era uma espécie de faz-tudo há anos. Difícil de imaginar que pessoas com esse nível de acesso tenha empreendido uma ação desse porte sem ao menos avisar o presidente-candidato.
Quarto, porque se encaixa no método petista de achincalhar opositores. A campanha "Fora, FHC", o caso Eduardo Jorge, os cartazes associando Jorge Bornhausen a Hitler, a campanha contra Paulinho nas eleições de 2002 e agora esse dossiê: há um método.
É possível desconhecer o trabalho de subalternos na primeira vez. Mas quando ocorre uma segunda, há que se imaginar que há a conivência das lideranças da organização. Tudo isso, porém, são conjecturas amparadas na lógica e nos fatos. Certamente, lulistas de carteirinha hão de usar outra lógica e outros fatos para chegar a conclusões distintas. Portanto, é uma discussão que importa pouco. O fundamental é: ele tinha de saber. Assim como no direito vale a máxima de que ignorantia juris non excusat -o desconhecimento da lei não é desculpa para inocentar o criminoso- em qualquer organização vale o princípio de que o desconhecimento do chefe não o desculpa dos erros dos subalternos. Lula é culpado pelo dossiê porque escolheu Berzoini para ser seu chefe de campanha. Ponto. E assim tem de ser, especialmente quando se trata da Presidência, porque senão todo governante diria a seus subordinados: "façam todas as loucuras que vocês acharem importantes para o meu mandato, mas não me contem".
Se um presidente pudesse se eximir da responsabilidade dessa maneira, não só teríamos dossiês e mensalões, como talvez coisa muito mais séria. Se o presidente é inimputável pela ação de seus subordinados, talvez tenhamos amanhã o Exército invadindo a Argentina ou testando uma bomba atômica, a Fazenda atrelando o real ao dólar e a Polícia Federal abrindo as fronteiras. Enfim, ou os chefes têm responsabilidade sobre a ação de seus subordinados ou não são chefes.

GUSTAVO IOSCHPE é mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Yale (EUA)

25 de set. de 2006

Vampiros

Procurador denuncia Costa e Delúbio por envolvimento na máfia dos vampiros
GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em Brasília

O procurador da República no Distrito Federal, Gustavo Pessanha, decidiu nesta segunda-feira denunciar à Justiça o ex-ministro da Saúde e candidato ao governo de Pernambuco, Humberto Costa (PT), e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares por corrupção e formação de quadrilha na máfia dos vampiros.
A Polícia Federal já havia indiciado Costa, Delúbio e outros 40 envolvidos no esquema. O relatório da PF foi entregue ao Ministério Público em 15 de agosto. O documento da Polícia Federal indicia os suspeitos sob acusação de praticar fraude a licitações, crimes contra a ordem econômica, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de influência e formação de quadrilha, entre outros delitos, no âmbito da Saúde.
Hoje, o procurador protocolou a denúncia na 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília. No total, Pessanha decidiu denunciar 33 envolvidos no esquema.A Operação Vampiro investigou o envolvimento de empresários e funcionários do Ministério da Saúde na compra superfaturada de medicamentos que atuam no processo de coagulação do sangue, os hemoderivados.Aliados de Costa temem o impacto negativo da denúncia na campanha do petista.

Link para reportagem: Folha Online

Do Blog do Claudio Humberto

Conta no Rio seria da máfia do combustível

Empresa denunciada na finada CPI dos Combustíveis em 2003 por corrupção, furto de combustível e sonegação de impostos é a pista mais concreta da conta em Duque de Caxias (RJ) onde teria sido depositada parte dos R$1,1 milhão do suposto dossiê petista. A distribuidora, que trocou de nomes várias vezes, opera com a bandeira BR no estado e seria de empresário que teve uma empresa de consultoria na zona oeste do Rio, lobista com livre trânsito no Executivo e no Congresso e forte vínculo com poderoso ex-dirigente. O esquema, apurado na CPI, funcionava com arrendamento e licenças irregulares, fraude no ICMS e roubo de gasolina, com apoio de dois funcionários da Petrobras, na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), onde a Polícia Federal descobriu uma das contas da gangue do dossiê. Um deputado federal petista do Rio apareceu em gravações autorizadas pela justiça durante a investigação do Ministério Público, ainda em curso. A CPI não indiciou ninguém. Para não ser identificada, a empresa tem uma offshore no Uruguai, a American Petros

Dinheiro de empresários

Valor Econômico - 25/09/2006
PF deve apontar origem legal para dinheiro


Mauro Zanatta e Cristiano Romero

A Polícia Federal deve tornar pública, entre hoje e amanhã, a origem dos R$ 1,7 milhão que seriam usados por petistas para comprar dossiê contra o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra. Um assessor informou ontem que os policiais já teriam descoberto que a origem dos recursos é "legal", embora o seu uso possa ser considerado "imoral".
Antonio Gauderio/folha imagem Valdebran Padilha: Petista preso é suspeito de ter arrecadado mais de R$ 2 milhões
O dinheiro teria sido oferecido a integrantes da campanha do PT por empresários, cujo objetivo, de acordo com essa fonte, era se aproximar dos operadores do partido na reta final da campanha eleitoral - o objetivo do dossiê, montado pelos empresários Darci e Luiz Antônio Vedoin, da máfia dos sanguessugas, era atingir a imagem de Serra, beneficiando o candidato do PT ao governo paulista, Aloízio Mercadante, além de desgastar Geraldo Alckmin, candidato tucano à Presidência.
Uma fonte do governo assegurou que, além do caminho do dinheiro, a PF deve divulgar os nomes dos empresários que fizeram a "doação" dos recursos. O dinheiro apreendido - 1,168 milhão em reais e 248,8 mil em dólares americanos - durante a prisão do petista Valdebran Padilha e do advogado Gedimar Passos, ambos ligados à campanha do presidente Lula à reeleição, foi sacado em três agências do Bradesco e uma do BankBoston.
No caso dos dólares, apreendidos em maços com cintas do "Bureau of Engraving and Printing", a casa da moeda americana, o que levou à desconfiança de que teriam entrado ilegalmente no país, a informação é de que o dinheiro já estava no Brasil e integrava "reservas de valor" dos empresários, para eventuais despesas de emergência.
Nos últimos dias, a PF, segundo fonte do governo, já teria ouvido gerentes e funcionários dos bancos de onde foram sacados os reais. De acordo com um assessor, a PF também teria concluído que houve o "desaparecimento" de cerca de R$ 1 milhão do esquema do dossiê. De acordo com um assessor, os petistas teriam arrecadado dois milhões em reais e os 248,8 mil em dólares, mas, como a família Vedoin teria pedido R$ 1 milhão pelo dossiê e foram apreendidos R$ 1,168 milhão, uma parte dos recursos ainda pode estar em poder dos envolvidos no escândalo.
A Polícia Federal vem sendo criticada pela demora em investigar e revelar a origem do dinheiro. Por trás disso, estaria o interesse do governo em não revelar atos que afetem a imagem do presidente Lula a poucos dias da eleição. No fim de semana, a polícia, em nota oficial, assegurou que está agindo de forma independente. "A PF, como em outras operações, cumpriu sua missão sem visar cores partidárias. Qualquer critica à ação exitosa da PF é resultado do momento político eleitoral", diz a nota.
O procurador Mário Lúcio Avelar, encarregado no Ministério Público pelo acompanhamento do caso, está intrigado com o fato de o Coaf e o Banco Central não estarem ajudando nas investigações. Por isso, decidiu fazer petição ao juiz Marcos Tavares, da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, para ordenar que os dois órgãos rastreiem o dinheiro do dossiê. Pela legislação vigente, toda movimentação superior a R$ 100 mil deve ser notificada pelos bancos ao Coaf, a quem cabe investigar se o dinheiro tem origem escusa ou não.

A Ira de Khan


Lula responsabiliza Berzoini por contratar envolvidos com dossiê

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou nesta segunda-feira o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), pela contratação dos envolvidos na compra de um dossiê contra os tucanos.
Em entrevista às rádios Tupi Rio, Tupi São Paulo e Capital, na manhã desta segunda-feira, Lula chamou os petistas que participaram da operação de "bando de aloprados", mas insistiu que é preciso investigar também o conteúdo do dossiê.
DE OLHO NA OPOSIÇÃO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma agenda política e econômica para enfrentar uma eventual crise de governabilidade caso seja reeleito. Ele avalia que a tentativa de compra de dossiê contra o PSDB dinamitou pontes com a oposição que estava reconstruindo, além de ter aumentado dúvidas do mercado e da imprensa sobre sua gestão em um eventual segundo mandato.Leia mais
"A vida humana é assim. Você escolhe um companheiro para determinada função... quem escolheu (a equipe) foi o presidente do partido (Berzoini), que era o coordenador da campanha eleitoral", disse Lula. A entrevista não estava agendada previamente.
O presidente reiterou que não se sente responsável pela escolha dos seus assessores de campanha. "Não admito que errei na escolha dos meus pares", completou Lula.
Ele declarou que, assim como a oposição, também quer saber a origem do dinheiro para a compra do dossiê.
"Eu quero saber não apenas de onde veio o dinheiro. Eu quero saber quem foi que mudou a engenharia política para essa barbárie que foi feita. Eu quero saber quem foi o engenheiro que arquitetou uma loucura dessas", afirmou Lula.

O Chefe dos Aloprados


Folha Online - 25/09/2006
Lula diz que envolvidos na compra de dossiê são um "bando de aloprados"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira que os envolvidos na compra de um suposto dossiê contra o ex-ministro José Serra são um "bando de aloprados". Lula deu uma entrevista para três rádios populares de São Paulo e do Rio de Janeiro. A entrevista não constava da agenda de Lula de presidente nem de candidato.
Na entrevista, Lula disse ainda que o responsável pela escolha da equipe de campanha é o presidente do PT, Ricardo Berzoini. Após a crise deflagrada pela tentativa de compra do suposto dossiê, Berzoini foi afastado da coordenação da campanha à reeleição de Lula. Ele foi substituído por Marco Aurélio Garcia.Lula afirmou ainda que quer saber a origem do dinheiro --R$ 1,7 milhão-- que supostamente seria usado na compra do dossiê antitucano. O dinheiro foi apreendido num quarto de hotel com o empreiteiro Valdebran Padilha e com o então funcionário do comitê de campanha de Lula Gedimar Pereira Passos. Ele disse que também quer saber quem armou todo o esquema e qual é o conteúdo do dossiê.

Charge do dia - Angeli


Folha de São Paulo - 25/09/2006

Enquanto isso, na Cãmara dos Deputados...

Correio Brazilense 25/09/2006
Câmara mantém 31 privilegiados

Adjuntos parlamentares, categoria criada no último ano do regime militar, são cedidos para gabinetes de deputados nos estados, sem qualquer custo para os parlamentares. Quem paga a conta é o cidadão
Além de milhares de secretários parlamentares e de centenas de cargos de natureza especial (CNEs), a Câmara ainda mantém uma categoria muito especial de servidores: os adjuntos parlamentares. Criada em 1984, último ano da ditadura militar, a categoria funcional tinha lotação correspondente ao número total de deputados. Com o tempo, foi sendo gradativamente extinta, mas ainda restam 31 integrantes.
Eles estão lotados em gabinetes de deputados, boa parte deles atuando nos estados de origem dos deputados, uma situação funcional que não estava prevista na resolução 102/84 da Câmara. Concursado da Câmara dos Deputados há 26 anos, o adjunto parlamentar João Geraldo Araújo está lotado no gabinete do mineiro Cabo Júlio (PMDB) desde o seu primeiro mandato, em 1999. A função do assessor, que fica no escritório político localizado no Barro Preto, em Belo Horizonte, é encaminhar as pessoas que procuram o deputado solicitando internações e consultas médicas através do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). De acordo com Cabo Júlio, Araújo trabalhava anteriormente na capital mineira para outro deputado, que não se reelegeu. “Ele então se apresentou a mim pedindo para ficar em Belo Horizonte. Eu consultei o regimento da Câmara e vi que cada deputado pode ter um assessor entre os concursados da Casa”, justificou o parlamentar. Segundo ele, o funcionário não representa qualquer custo para sua folha de pessoal, já que é pago pela Câmara. Por não trabalhar em Brasília, o deputado assegura que o salário de seu assessor é 45% menor. Procurado pela reportagem no local de trabalho, João Geraldo se negou a dar entrevistas e ainda foi muito agressivo com a equipe. “Não sou fantasma. Se estou aqui hoje é porque o regimento permite”, afirmou, aos berros. “Não vai ter entrevista. Peguem o regimento interno da Câmara para ler”, limitou-se a dizer. Há pouco mais de um mês, o Correio revelou que 600 CNEs estão desviados de função, cedidos para gabinetes de deputados, lideranças dos partidos e cargos da Mesa Diretora. Os salários desses servidores chegam a R$ 8 mil. Um mês após a publicação da reportagem, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), anunciou que seriam extintos cerca de 1,2 mil do total de 2,7 mil CNEs existentes. Em seguida, informou que serão extintos 1,5 mil cargos.

24 de set. de 2006

Ministério Público quer rastrear dinheiro do PT

Blog do Josias de Souza -24/09/2006

Dossiêgate: MP aciona judicialmente Coaf e BC

O juiz Marcos Tavares, da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, recebe nesta segunda-feira uma petição do Ministério Público Federal relacionada ao dossiêgate. Pede-se ao juiz que ordene a dois órgãos públicos – o Coaf e o Banco Central — o rastreamento do dinheiro que o PT usaria para comprar um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin.

O dinheiro foi apreendido pela Polícia Federal no dia 15 de setembro. Estava com dois petistas presos no instante em que negociavam o dossiê no Hotel Íbis, em São Paulo: o empreiteiro e lobista Valdebran Padilha, que falava em nome da família Vedoin, comandante da gang dos sanguessugas, e Gedimar Passos, encarregado de fazer o pagamento. Retiveram-se R$ 1,168 milhão e US$ 248 mil. O que dá algo em torno de R$ 1,7 milhão.

Por trás da requisição do Ministério Público há uma suspeita não explicitada publicamente: o receio de que o governo esteja retardando a investigação sobre a origem do dinheiro para evitar constrangimentos à campanha reeleitoral de Lula. Estranha-se, sobretudo, o silêncio do Coaf, órgão do Ministério da Fazenda incumbido de rastrear toda e qualquer movimentação financeira acima de R$ 100 mil.

O blog apurou que, na última terça-feira, o procurador Mario Lúcio Avelar, que acompanha o caso pelo Ministério Público, conversou com o delegado Diógenes Curado Filho, escalado pela Polícia Federal para presidir o inquérito do dossiêgate. Avelar perguntou a Curado Filho sobre as providências adotadas para refazer a trilha do dinheiro. O delegado informou que o assunto estava encaminhado. Mas nenhuma informação havia aportado no processo até a noite de segunda-feira.

O fato contrasta com a impressão de agilidade que a Polícia Federal empenhou-se em difundir ao longo da semana. Vendera-se a idéia de que o rastreamento da dinheirama seria feito em tempo recorde. Informou-se, primeiro, que já haviam sido detectadas as casas bancárias de cujos guichês os reais teriam sido sacados: Bradesco, Safra e BankBoston. Divulgou-se depois, a suposta localização das agências: ficariam em São Paulo, nos bairros Barra Funda e Lapa; e no Rio, em Duque de Caxias.

Súbito, no meio da semana, a Polícia Federal deslocou de Mato Grosso para Brasília a parte da investigação relacionada ao dinheiro. Incumbiu-se da tarefa o delegado Luiz Flávio Zampronha, mais próximo do diretor-geral da PF, Paulo Lacerda. Zampronha é o delegado que atuou no caso do mensalão.

Na sexta-feira, o procurador Mario Lúcio e o delegado Diógenes Filho encontraram-se em Brasília. Foram ouvir depoimentos de petistas enredados na operação de compra do dossiê. Incomodado com a demora no rastreamento do dinheiro, o procurador revelou a intenção de recorrer à Justiça para mover as engrenagens do Coaf e do BC. O delegado assentiu.

A petição foi redigida no mesmo dia. Diógenes Filho ficou de encaminhá-la a Marcos Tavares, o juiz matogrossense, nesta segunda-feira. Em conversa com um amigo, Mário Lúcio disse que estará atento ao setor de protocolo da 1ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso. Caso o documento que redigiu não dê entrada, como combinado, ele tomará sozinho a iniciativa

Link para o Blog do Josias de Souza.

Teoria da Conspiração

Agência Carta Maior - 24/09/2006
"Há uma tentativa de golpe, irresponsável e oportunista", diz Tarso Genro

Em entrevista exclusiva à Carta Maior, o ministro da Articulação Política do Governo Lula diz que está em curso uma tentativa de golpe, irresponsável e oportunista. "É uma aventura da elite brasileira", denuncia. Tarso Genro também defende a necessidade de refundação do PT e a punição dos envolvidos no caso da tentativa de compra do dossiê.
Bernardo Kucinski - Carta Maior
“Há uma tentativa de golpe, irresponsável e oportunista . A direita reconheceu sua derrota e está criando as condições para golpear ou a diplomação, pela via judiciária, ou gerar um grau de instabilidade tal no segundo governo que impossibilite a governabilidade. É uma aventura da elite brasileira...”“O que acaba de acontecer com o PT é mais um elemento demonstrativo de que a refundação é radicalmente necessária.”“ Trata- se, no contexto dessa nova cultura política, de reorganizar o programa democrático e socialista no sentido de que ele seja mais contemporâneo, trata-se de compreender de uma maneira mais transparente e mais aberta o significado de uma nova política de alianças, contra a globalização tutelada pelo capital financeiro e na defesa de um projeto nacional...”“ Se o segundo mandato for mais do mesmo, será um governo fracassado. Num segundo governo Lula não podemos ter crescimento econômico inferior a 5% ao ano, não pode deixar de aprofundar a idéia de um projeto nacional não pode deixar de acelerar o processo de distribuição de renda, e não pode deixar de estimular o controle social do Estado de fora para dentro, para que o Estado possa ser efetivamente democratizado...”“ A receita que Palocci oferece (na sua carta programa) deve ser completamente descartada, ela não pode ser aceita, porque significa uma regressão à estabilidade como valor absoluto e não à sua combinação com o crescimento econômico e com distribuição de renda” .

Link para reportagem completa: Agência Carta Maior

A sacolinha do PSB em Pernambuco

O Estado de São Paulo - 24/09/2006

Presidente do PSB em PE se afasta do cargo após denúncias

Milton Coelho, candidato a deputado estadual por Pernambuco, é acusado de articulação de um suposto esquema de desvio de recursos públicos no valor de R$ 1 milhão para financiamento da sua campanha
O presidente regional do PSB pernambucano e membro da direção nacional do partido, Milton Coelho, pediu afastamento do cargo, na noite de sábado, após denúncia de seu envolvimento na tentativa de articulação de um suposto esquema de desvio de recursos públicos no valor de R$ 1 milhão para financiamento da sua campanha.
A denúncia foi feita pelo ex-militante estudantil Paulo Batista da Silva, de 25 anos, que prometeu entregar nesta segunda-feira, 25, nos Ministérios Públicos Federal e Eleitoral do Estado, gravações de conversas suas com Milton Coelho e com a mulher, dele, Simone Coelho. As fitas revelariam a intenção de recebimento de propina em troca de gestão do PSB para aprovação, junto a Petrobrás, de um projeto da empresa paulista Conceito Consultoria em Eventos Ltda., de instalação de uma pista de kart no gelo durante o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1. Orçado inicialmente em R$ 4,5 milhões, o projeto seria superfaturado para R$ 5,5 milhões.
De acordo com Batista, que representa a empresa, o projeto já havia sido apresentado à Petrobrás, que não demonstrou interesse. Orientado a buscar apoio político ao projeto, procurou o PSB pernambucano, em julho, através de um amigo ligado à legenda, que o apresentou a integrantes do partido. Depois dos primeiros contatos, disse ter passado a gravar as conversas, ao perceber que os socialistas queriam dinheiro para a campanha.

Do Blog do Josias de Souza

Lula compara-se a Jesus e diz que leva no 1º turno

"Eu nunca falei que iria ganhar a eleição no primeiro turno. Por modéstia, eu nunca falei. Nunca falei por respeito. Mas quero dizer para vocês: nós vamos vencer essas eleições domingo", disse Lula, em comício realizado neste domingo em Sorocaba (SP). "Se alguém achar que a eleição presidencial vai para o segundo turno, vai ter que esperar para concorrer em 2010. Porque esta eleição nós matamos no dia 1º de outubro."

Discursando para cerca de 4.000 pessoas, o presidente afirmou que "dia 1º de outubro é dia da onça beber água”. E disse estar sequioso: “Essa oncinha está com sede." Desdenhou das denúncias que assediam o PT e o Planalto: "Podem fazer denúncia. Façam o que quiser. Não tem problema. Nós vamos ganhar com a cara limpa."Neste ponto, meteu Jesus no meio da contenda. Só para realçar que o erro de discípulos não desmerece a obra do mestre. "A gente poderia pegar a história e iríamos perceber que, numa mesa de 12, um traiu Jesus Cristo." Noves fora Pedro, que o negou três vezes, Jesus, de fato, só teve um traidor. Mas a comparação de Lula soa, digamos, imprópria.

Primeiro porque o filho de Deus, onipresente como o Pai, a tudo via e de tudo sabia. Segundo porque, na santa ceia petista, a quantidade de Judas é bem maior. Aos 40 da denúncia do procurador Antonio Fernando de Souza veio somar-se a meia dúzia de compradores de dossiê. Terceiro porque a traição dos dias que correm vem custando bem mais do que trinta dinheiros.

Lula faz bem em esgrimir otimismo. É esse o papel de um candidato quando fala aos seus eleitores. De resto, apesar dos pesares, ele vai conseguindo, por ora, caminhar sobre o mar de denúncias com desenvoltura divina. Mas o favoritismo de ontem, vigoroso e acachapante, já não é tão vistoso. E a vitória, se vier, pode converter-se num triunfo de Pirro. O eventual segundo mandato avizinha-se como uma quadra de questionamentos e turbulências.

Link para o Blog do Josias de Souza

Tucanos na mira da PF

Folha de São Paulo - 24/09/2006
PF vai investigar gestão tucana na pasta da Saúde

Suspeita é que empresário tenha participado da liberação de emendas na gestão de Barjas

PF avalia que Abel Pereira pode ter negociado com os Vedoin a compra do dossiê que acusa tucanos de atuar na máfia dos sanguessugas


A Polícia Federal vai abrir um inquérito específico para apurar suspeitas de que o empresário Abel Pereira teria participado de um esquema ilegal de liberação de emendas no Ministério da Saúde na gestão do tucano Barjas Negri, sucessor de José Serra na pasta.
As emendas teriam beneficiado o grupo Planam, principal empresa da máfia dos sanguessugas. Em entrevista à revista "IstoÉ", duas semanas atrás, Luiz Antonio Vedoin (dono da Planam) disse que Abel era o responsável por liberar as emendas que favoreciam a quadrilha na gestão Negri, apesar de oficialmente não ter vínculo com a pasta. O ex-ministro nega envolvimento com os sanguessugas e afirma não conhecer os donos da Planam.Abel é empresário do município de Piracicaba (SP), da qual Negri hoje é prefeito.
O nome de Abel voltou ao escândalo após reportagens publicadas pela Folha, na semana passada, sobre os contatos que o empresário manteve recentemente com Vedoin. No dia em que a quadrilha fechou a venda para petistas de um dossiê contra Serra, Abel tentou pelo menos três vezes falar com Vedoin por telefone, chegando a deixar recados com um ex-cunhado do dono da Planam. No final do mês passado, Abel esteve hospedado por cerca de dez dias num hotel em Cuiabá.A PF avalia que Abel possa também ter negociado com Vedoin a compra do dossiê.
Na quinta-feira, quando prestou novo depoimento à PF, em Cuiabá, Vedoin entregou uma planilha com nomes das prefeituras que teriam tido emendas individuais ao Orçamento da União "pagas através de acerto com Abel Pereira".Ou seja, verbas para compra de ambulâncias teriam sido liberadas pelo Ministério da Saúde em 2002 graças a pagamento de propina a Abel. O empresário, que não foi localizado ontem para falar sobre a abertura do inquérito, nega recebimento de dinheiro. A planilha, segundo Vedoin, "incrimina Abel, ligado ao ex-ministro [Saúde] Barjas Negri".Ao Ministério Público Federal, Vedoin apresentou no dia 14, antes de ser preso, extratos bancários que comprovariam depósitos na conta de empresas supostamente ligadas a Abel para liberação de verbas.

Charge do dia - ANGELI


Folha de São Paulo - 24/09/2006

23 de set. de 2006

A Política e o Cabaré

Folha de São Paulo - 23/09/2006
LUIZ FERNANDO VIANNA

O Bataclã

Em "Gabriela, Cravo e Canela", Mundinho Falcão representa o novo, a alternativa que sai do Rio para combater os velhos barões do cacau em Ilhéus. Quando morre coronel Ramiro, chefe político local, Mundinho assume o poder sem fazer concessões: estende a mão para que o povo pobre a beije, alia-se aos coronéis, torna-se aquilo que combatia.
O retrato da velha Bahia feito por Jorge Amado não envelheceu tanto assim, descontados o figurino e alguns detalhes. Lula oferece em adoração as mãos simbolicamente cheias de Bolsa-Família enquanto beija literalmente as do coronel Jader Barbalho -que podiam ser as de Ney Suassuna e de tantos outros. Lula era, há apenas quatro anos, a imagem do novo, espelhada nas pessoas que enchiam Cinelândias, avenidas Paulistas e ruas de terra para comemorar a correção de uma história destinada a ter sempre os mesmos donos.
Hoje, Lula serve a esses donos para manter um projeto amorfo de poder, alimentado nas entranhas por Freuds, Gedimares, Valdebrans e outras figuras de identidades e funções estranhas.Mas, se a quadrilha de Collor foi desbaratada em 92, por que a de Lula resiste? É claro que a maior parte da resposta se encontra no legítimo apoio popular que ele tem, assentado sobre seu carisma, os programas de transferência de renda e alguns avanços econômicos.
Não é só. A única alternativa eleitoralmente viável é a sociedade PSDB-PFL-parte do PMDB, que produziu oito anos de iniqüidades. É a aliança dos doutores dos rincões com os coronéis da USP. Não espanta que Lula esteja na frente.Em "Gabriela", há um terreno em que cacaueiros, oposicionistas, malandros e jornalistas convivem à beira da civilidade: o bordel Bataclã. O governo Lula dá uma saudade danada da Maria Machadão.

22 de set. de 2006

O Mico do PT

Folha Online 22/09/2006
PF diz que dossiê tinha 2.000 páginas e citava PT e outros partidos

O delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno afirmou hoje que o dossiê original que seria comprado por integrantes do PT com supostas denúncias contra adversários era muito maior e abrangia "partidos de A a Z". Bruno foi o responsável pela prisão de Gedimar Pereira Passos e Valdebran Padilha em um hotel em São Paulo na sexta-feira passada.
"O Gedimar disse que o dossiê está envolvendo todos os partidos políticos e o próprio PT. Em nenhum momento o senhor Gedimar disse que era um dossiê contra o PSDB. Se vocês tiverem acesso aos meus autos, no futuro, verão que não ele não fala do PSDB", disse o delegado.
Na semana passada, a PF apreendeu uma fita de vídeo, um DVD e seis fotos --que formariam um suposto dossiê contra o ex-ministro José Serra. O material, entretanto, mostrava apenas Serra em cerimônias de entrega de ambulâncias.Bruno forneceu mais detalhes sobre a prisão dos dois na capital paulista. Primeiramente a PF prendeu Valdebran, que tentou negociar a entrega do restante do dossiê já sob a supervisão da polícia, mas a operação para conseguir o restante dos documentos não deu certo e foi interrompida. Logo depois, Valdebran teria indicado a presença de Gedimar, que foi detido no mesmo hotel.
De acordo com o delegado, os depoimentos indicam que o dossiê original teria cerca de 2.000 páginas e apontaria outras denúncias além do envolvimento com a máfia dos sanguessugas.Ainda de acordo com ele, os documentos teriam sido vistos antes em Cuiabá (MT). "Esta negociação [para comprar o dossiê], começou quando os Vedoin estavam presos na Polinter em Cuiabá", afirmou Bruno.
Na reconstituição do delegado, os Vedoin teriam avisado Valdebran que "alguém do PT" iria procurá-lo. Este alguém seria Gedimar, com conhecimento de Jorge Lorenzetti. Bruno afirmou também que o PT iria comprar uma espécie de "pacote de denúncias" que valeria em torno de R$ 2 milhões.

Charge do dia II - Lotti



Blog Pegausus

Pop Internacional IV

UOL Últimas Notícias - 22/09/2006
Escândalo do dossiê 'enlameia Lula', diz Libération

Após praticamente ignorar por vários dias o novo escândalo político brasileiro, os principais jornais europeus e americanos deram destaque nesta sexta-feira ao caso da suposta compra de um dossiê contra o ex-prefeito José Serra (PSDB) por pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“O Brasil já fala em um Watergate versão local”, diz reportagem do diário francês Libération. “Um novo escândalo enlameia o presidente Lula, candidato à reeleição e até agora dado como vencedor certo no primeiro turno.”O jornal observa que o inquérito aberto para apurar o caso somente deve ser concluído no ano que vem, mas “poderia levar à cassação do mandato de Lula se ele for reeleito”.
Na Espanha, o diário El País diz que o escândalo já foi batizado por alguns de “Watergate tropical” e destaca a tentativa de Lula de desvincular-se da crise, com declarações à TV alegando que a trama não faz sentido porque não lhe ajudaria “nem um milímetro”. O jornal observa que Lula “parece contar com uma couraça que o protege contra qualquer escândalo de corrupção” e que, após três anos em que enfrentou várias acusações e a queda de vários de seus ministros mais importantes, “a figura de Luiz Inácio Lula da Silva segue incólume”.
Em reportagem que ocupa quase meia página, o britânico Financial Times observa que “os assistentes pessoais do presidente brasileiro e o presidente de seu partido são implicados, mas ele se distancia com sucesso”.“Se a oposição acha que as últimas revelações vão virar a eleição, eles estão provavelmente subestimando as habilidades dos eleitores de considerar quase todos os delitos na política como algo que não foge muito à normalidade”, diz a reportagem.
O também britânico The Guardian, por sua vez, observa que “a oposição a Lula tem sido incapaz de transformar a crise generalizada sobre corrupção em votos”. “Os analistas minimizaram o possível impacto na campanha de Lula, argumentando que a opinião pública ficou saturada com alegações de corrupção.”O Times avalia que Lula sofreu um golpe em sua busca pela reeleição, que “parecia antes uma mera formalidade”.Na Alemanha, o Frankfurter Rundschau diz que “mais uma vez, pessoas próximas ao presidente estão no centro de um escândalo”. “A questão é se Lula também conseguirá superar esta crise intacto”, avalia a reportagem.
Para o espanhol ABC, o caso, que levou à troca do coordenador de campanha de Lula, “põe em sério risco sua reeleição”. O jornal destaca a declaração do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), adversário de Lula na disputa, comparando o presidente a um ladrão de carros que diz que não precisava daquilo e somente roubou porque pensava que sairia incólume.
O diário americano The New York Times também dá destaque ao caso, dizendo que “justo quando Lula pensava que já havia passado pelo pior dos escândalos que atormentaram seu governo nos últimos 18 meses, um novo e especialmente danoso escândalo apareceu”. A reportagem observa, porém, que “apesar de os analistas políticos dizerem que o escândalo mais recente pode ser danoso o suficiente para forçar um segundo turno, o resultado final não deve ser afetado”. O também americano The Washington Post traz em sua edição desta sexta-feira um artigo de opinião criticando a condução da política econômica do governo Lula, mas que ignora totalmente o novo escândalo.
A autora do artigo, Marcela Sanchez, observa que os analistas consideram necessário que o Brasil cresça a uma taxa muito maior do que os 3% esperados para este ano se quiser combater a pobreza e reduzir a desigualdade social, como prometeu Lula em sua campanha.“Se o crescimento não mostrar melhores dividendos logo, Lula terá dificuldades para manter seu apoio. E as coisas podem ficar difíceis também para a nova esquerda da América Latina, que está acompanhando de perto as tentativas do presidente brasileiro de triunfar sobre o antigo”, conclui o artigo.

Link para o UOL - Últimas Notícias

Quem pagou pelo Dossiê?

Agência Carta Maior -22/09/2006
Dossiê eleva tom da campanha presidencial a 10 dias das eleições


Crise que abalou campanha de Lula ainda deve ter um lance dramático: a origem dos R$ 1,7 milhões encontrados com petistas em SP.
Nesta quinta (21), também cresceu pressão para que PF aprofunde investigação sobre conteúdo do dossiê.
Marcel Gomes – Carta Maior
A crise política detonada pelo envolvimento de petistas na compra de um dossiê contra José Serra está seguindo um roteiro óbvio, cumprido ao pé da letra pela maior parte da mídia, mas também há um outro roteiro, “alternativo”, que começou a ganhar espaço nesta quinta-feira (21).O primeiro roteiro tem como próxima cena a revelação sobre a origem dos R$ 1,7 milhões encontrados com os petistas em um hotel de São Paulo. A Polícia Federal já sabe quais foram as agências bancárias que liberaram o dinheiro, mas os nomes dos titulares das contas ainda permanecem sob sigilo. Dependendo dos resultados dessa investigação, outros petistas e membros do governo Lula podem ir para a berlinda. Para afastar um desses boatos que sempre surgem em época de crise, o ministro Luiz Marinho (Trabalho) rebateu nesta quinta (21) o que ele chamou de “insinuações irresponsáveis” que envolveriam a pasta no caso. O boato, que virou reportagem em alguns veículos, dizia que uma fundação chamada Unitrabalho, onde trabalhou o petista Jorge Lorenzetti, envolvido com a compra do dossiê, havia liberado o dinheiro para o negócio. A fundação, que tem projetos financiados com dinheiro público, também negou nesta quinta qualquer envolvimento com o escândalo.Mas há também um roteiro “alternativo” para a crise. “Alternativo” porque foi deixado de lado pela maior parte da mídia, mas que tem potencial suficientemente grande para causar estragos nas candidaturas do PSDB. A Polícia Federal, parte da imprensa e parlamentares da CPI dos Sanguessugas investigam as relações da família Vedoin com o tucano Barjas Negri, ex-ministro da Saúde na gestão de Fernando Henrique Cardoso, e ligado a José Serra. Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia de superfaturamento das ambulâncias, prestou depoimento nesta quinta em Cuiabá, onde está preso provisoriamente. O teor de seu depoimento não foi divulgado.

A quem interessa apurar?


PF afasta delegado e faz intervenção branca para controlar investigações

Orientação é restringir acesso a informações e concentrar apuração em policiais de confiança do diretor do órgão
O delegado Edmilson Pereira Bruno, que prendeu petista e ex-policial em São Paulo e fez a apreensão do dinheiro, está fora do caso
A Polícia Federal tentou abafar o caso do dossiê após descobrir o envolvimento de petistas no escândalo. Em São Paulo, onde um ex-agente da PF foi preso, a orientação era restringir ao máximo o acesso a informações e concentrar a investigação nas mãos de policiais de confiança do diretor-executivo da PF, delegado Zulmar Pimentel, 55, segundo homem na hierarquia do órgão.Segundo a Folha apurou, o delegado Edmilson Pereira Bruno, que estava de plantão na madrugada de sexta-feira e prendeu o petista Valdebran Padilha, foi afastado do caso.
Durante a operação, o delegado prendeu ainda o ex-agente da PF Gedimar Passos -que negociava o dossiê com Padilha, no hotel Ibis-, apreendeu R$ 1,7 milhão e colheu os primeiros depoimentos.Na segunda-feira, Bruno foi afastado. No lugar dele foram acionados policiais ligados ao superintendente em exercício da PF em São Paulo, Severino Alexandre, indicado para a diretoria executiva do órgão pelo diretor-executivo Pimentel.
Como o superintendente em exercício, a Folha apurou que o policial preso também fazia parte do grupo de agentes que gozavam da confiança do diretor-executivo -a PF de Brasília não confirmou a informação. Por orientação do superintendente em exercício, todos os delegados e agentes foram proibidos de falar sobre o caso. Também foi vetada a divulgação de imagens do dinheiro apreendido no hotel.As fitas de vídeo gravadas pelo circuito interno do Ibis, segundo um funcionário do hotel, haviam sido prometidas ao delegado Bruno, que deveria retirá-las na segunda-feira. Por determinação do superintendente em exercício, o material foi lacrado e encaminhado diretamente para ele.
Uma das situações consideradas "estranhas" por agentes da PF, que pediram para que seus nomes não fossem divulgados, foi o depoimento de Freud Godoy, ex-assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O superintendente em exercício determinou que Godoy fosse ouvido na segunda-feira por uma delegada assistente dele, considerada "novata" na profissão. O normal, dizem, seria Bruno ter assumido o interrogatório já que ele ouviu os presos e é delegado de classe especial, último grau na polícia.

Charge do dia - Glauco


Folha de São Paulo 22/09/2006

Série:Quem te viu, quem te vê!

Folha de São Paulo 22-08/2006
CLÓVIS ROSSI

Como se faz uma quadrilha

Oded Grajew, empresário que foi dos primeiros da espécie a aderir ao lulo-petismo, bem antes do poder, matou faz tempo a charada do apodrecimento do PT e, com ele, do governo Lula. Em depoimento para livro de duas jornalistas inglesas sobre a crise petista (a primeira), Oded lamentou que, para a cúpula partidária e para o pessoal do aparato burocrático, a política tenha se tornado "maneira de ganhar a vida". Completou: "Alcançar o poder se converte no mais importante, e, para isso, as pessoas estão dispostas a fazer concessões éticas. Em outras palavras, se desejo estar no poder, necessito dinheiro, e, se não posso conseguir os fundos legalmente, então o farei ilegalmente".
Outro "lulista", aliás o novo coordenador de campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, por sua vez, queixou-se, no mesmo livro, de que trabalhou de graça como secretário de Relações Internacionais do PT durante dez anos, ao passo que "um membro de uma tendência de esquerda [do PT] ganhava R$ 7,2 mil por mês", mais do que Garcia como assessor para assuntos internacionais de Lula.
São essas "boquinhas" que fazem compradores de dossiê ou praticantes de outras delinqüências. Freud Godoy, mero segurança, usou o PT (e o governo Lula) como meio de alpinismo social, a ponto de morar em um apartamento de R$ 500 mil. Valdebran Carlos Padilha da Silva, por sua vez, mora em um condomínio de luxo em Cuiabá. José Lorenzetti, enfermeiro, virou diretor de banco federal. Para manter as "boquinhas", é lógico que fariam de tudo. Assim como as pessoas que assessoram, todas com cargos eletivos.
Para manter o poder, fazem o diabo, contando com o acobertamento do chefe, que, mesmo quando os demite, acaricia-os depois. Foi essa cultura que gerou a "quadrilha" antigamente chamada de Partido dos Trabalhadores.

21 de set. de 2006

Censura


Sarney não gosta de Alcinéa? Viva Alcinéa!

Não sei quem é Alcinéa Cavalcante. Sei que é uma jornalista do Amapá e que José Sarney não gosta dela. Por isso, simpatizo com Alcinéa Cavalcante. Sempre que Sarney não gostar de alguém, acho que a gente deve examinar seriamente a possibilidade de defender essa pessoa. Ainda mais que ele decidiu mobilizar a Justiça para censurar o blog da moça (http://alcineacavalcante.blogspot.com/).
Entrem lá. O site lembra a edição do Estadão nos tempos da ditadura: cheio de espaços ocupados por textos que estão no lugar de notícias ou comentários censurados. Até capas de revista de circulação nacional estão proibidas. Sarney, um acadêmico, volta aos bons tempos da ditadura, quando foi chefão da Arena e do PDS. Em vez de mandar criar um blog que combata o de Alcinéa — já que ele não gosta do dela —, prefere o caminho da censura.
Atenção: ela não está cometendo os chamados crimes contra a honra, não — calúnia, injúria, difamação. Apenas faz análises que não são do agrado do coronel do Amapá — aquele território que virou Estado para que ele pudesse ter uma cadeira cativa no Senado. O busílis está aí: Cristina Almeida, do PSB, uma novata, ameaça a sua reeleição. Noticiou a Folha On Line: “Em maio, o Ibope dava 50 pontos de diferença entre os dois: 58% para Sarney e 8% para Cristina. No final de agosto, o Ibope já dava 29% a ela e 50% a Sarney. Cristina - que disputa pela primeira vez uma eleição - tem agora 40%, contra 47% do atual senador.” Sarney é a oligarquia a serviço do PT. Clique aqui, entre no site de Alcinéa e deixe lá uma mensagem de solidariedade e de protesto. Vamos encher o saco de Sarney.

Série:Quem te viu, quem te vê!

Folha de São Paulo - 21/09/2006
Otavio Frias Filho

O chefão

O MAIS recente escândalo envolvendo Lula & Cia. tornou evidentes duas coisas. A primeira já era sabida desde pelo menos o escândalo do mensalão, há mais de um ano. Ou seja, a cúpula petista instalou uma máfia sindical-partidária no aparelho do Estado. A função dessa máfia é garantir condições para que Lula e seu grupo se eternizem no poder.
O método é desviar recursos públicos e privados para financiar campanhas eleitorais, comprar adesões no Congresso e montar operações de intimidação contra eventuais adversários. Embora ocupando postos de pouca visibilidade, o que caracteriza os integrantes da máfia é a lealdade antiga e canina a Lula, o chefão.
São operadores acostumados a agir nas sombras da delinqüência municipal. Sua ação é agora "legitimada" por intelectuais como Marilena Chaui e Rose Marie Muraro, para as quais o imoral é moral se for bom para a cúpula do partido. Todo governo tem nichos de corrupção, muitas vezes incrustados na vizinhança dos amigos do presidente. Mas são esquemas paralelos, de caráter "particular". Traduzem a sobrevivência do velho patrimonialismo brasileiro.
Onde o PT inovou foi ao estender esses pequenos esquemas ao aparelho governamental inteiro, dando-lhes, além de comando unificado, um caráter partidário e permanente. De fato a corrupção se tornou "sistêmica", como querem os apologistas do governo. Não no sentido de resultar das mazelas do nosso sistema político, mas por configurar uma máquina impessoal agindo dentro do Estado.
O "dossiêgate", como vem sendo chamado, revelou no entanto algo mais perturbador do que essa notícia velha. Tornou evidente que, sob o beneplácito de Lula, a máfia continua a agir de modo cada vez mais desabrido. A impunidade, como era de se prever, gerou a desfaçatez. O favoritismo eleitoral de Lula, turbinado pelas políticas de transferência de renda, aumentou ainda mais a sensação de impunidade. E espicaçou o atrevimento, a ponto de a facção mafiosa correr o risco de prejudicar a reeleição do chefe na tentativa de reverter a vantagem dos tucanos na eleição paulista.
O próprio Lula pergunta retoricamente o que teria a ganhar com uma operação criminal desse tipo, estando sua reeleição quase assegurada. É que em geral os asseclas são mais realistas que o rei. É que cedo ou tarde a "turma" passa a agir por conta própria. Para ilustrar a constatação, basta lembrar que foi exatamente assim que o chefe de segurança de Getúlio mandou matar Lacerda, a principal voz da oposição em 1954, num crime imbecil que derrubaria o presidente em qualquer democracia. Se houver segundo mandato, haverá muito trabalho para o Ministério Público, para o Judiciário e para o que restar de imprensa independente "neste país".

Cai o Rei de Copas, cai o Rei de Paus... cai não fica nada....

Correio Brasiliense - 21/09/2006
Efeito dominó

Crise do dossiê provoca baixas em seqüência no governo e na campanha petista. Berzoini foi afastado da coordenação

Uma nota oficial de apenas duas frases, assinada pelo assessor de imprensa da campanha. Foi assim, sem pompa ou solenidade, que o deputado Ricardo Berzoini foi dispensado da coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. A demissão de Berzoini foi o ponto mais tenso de um dia especialmente nervoso no Palácio do Planalto.
Assustado com as repercussões do escândalo provocado pelo envolvimento de petistas na compra de um dossiê contra políticos tucanos, o presidente decidiu sacrificar seu braço-direito na campanha. Tenta com isso antecipar-se a novas revelações da investigação feita pela Polícia Federal sobre a origem do dinheiro (R$ 1,7 milhão) usado para tentar comprar o material contra os tucanos. Berzoini está sendo pressionado a afastar-se também da presidência do PT. As circunstâncias da demissão de Berzoini demonstram o clima pesado que tomou conta do governo desde que o caso do dossiê explodiu. Lula chegou a pensar em afastá-lo na terça-feira, quando ainda estava em Nova York, onde participou da Assembléia Geral das Nações Unidas. Assustou-se com a rapidez com que novos nomes de petistas eram envolvidos no caso. Primeiro foi seu assessor especial, Freud Godoy. Depois foi a vez de Jorge Lorenzetti, que chefiava um núcleo de inteligência na campanha e de Oswaldo Bargas, que coordenava um dos grupos de elaboração do programa de governo de Lula. O seguinte foi Expedito Veloso, diretor do Banco do Brasil.

Link para a reportagem completa: assinantes do Correio Braziliense
CorreioWeb - 21/09/2006
Tucanos na mira


Lula ameaça com dossiê se cair nas pesquisas
Gilberto Nascimento Do Correio Braziliense21/09/200607h32 - São Paulo –

Petistas influentes revelaram ontem, em conversas reservadas, que o presidente Lula enviou emissários para conversar com a cúpula tucana e levar o recado de que a prolongação da crise do dossiê não interessa a nenhum dos dois lados e tanto o PT como o PSDB podem sair perdendo. O encarregado de buscar esses contatos com os tucanos, desde segunda-feira, teria sido o próprio presidente petista, Ricardo Berzoini.
Os maiores prejudicados com a crise, num primeiro momento, seriam o próprio Lula e o candidato tucano ao governo de São Paulo, José Serra, que, nesse momento, já estariam com a eleição praticamente vencida. Lula sofre o desgaste de ver vários de seus auxiliares metidos numa lambança, a fim de tentar abalar a imagem dos concorrentes tucanos com métodos absolutamente reprováveis. Serra, por outro lado, pode ser prejudicado, caso as denúncias contra ele comecem a ser investigadas. Petistas avaliam que caso Lula venha a perder pontos nas pesquisas por causa dessas trapalhadas a solução será partir para o ataque. Lula, então, sacrificará seus colaboradores envolvidos na operação e cobrará, explicitamente, o julgamento de Serra, exigindo a apuração das denúncias contra o candidato ao governo paulista. Sabe-se, no entanto, que, se não houver alterações nas pesquisas, alguns tucanos podem começar a sugerir, inclusive, um impeachment.
Não se sabe exatamente se é por causa da avaliação petista, mas Serra tem se mantido em silêncio em São Paulo. Dá até sinais de que já poderia ter aceitado a proposta do PT. No entanto, o candidato à Presidência do PSDB, Geraldo Alckmin, não embarcará em hipótese alguma nessa idéia e muito menos o PFL, que nunca poupou as duras críticas a Lula.

Foto do dia


Operação Tapa-Buracos

20 de set. de 2006

Manchetes da Crise


Crise do dossiê derruba Berzoini e Garcia assume campanha de Lula.

Mercadante afasta assessor por envolvimento em caso de reportagem contra Serra.

Cai diretor do BB envolvido no dossiêgate

Dinheiro do dossiê foi sacado em três bancos

Paulo Bernardo diz que dossiê é 'trapalhada colossal'

Pop Internacional III


Acepta la justicia brasileña recurso para declarar inelegible a Lula

La justicia electoral de Brasil aceptó hoy un recurso presentado por fuerzas de oposición para declarar inelegible al presidente Luiz Inacio Lula da Silva, acusado de haberse "beneficiado de actos de abuso de poder" en vísperas de los comicios del primero de octubre.
El magistrado César Asfor Rocha concedió el recurso, con lo cual "la investigación judicial contra el presidente Lula y las demás partes tendrá proseguimiento regular", informó el Tribunal Superior Electoral (TSE) en su sitio Internet.

Pop Internacional II

Clarin - Argentina
A 13 días de las elecciones en Brasil, el Gobierno trata de bajarle el tono al nuevo escándalo político

El ministro de Justicia afirmó que Lula "no cree" que su asesor personal haya comprado pruebas para acusar a sus adversarios electorales. En tanto, el candidato opositor, Geraldo Alckmin, dijo que tras este nuevo escándalo es casi seguro que habrá ballotage.

Pop Internacional I

El Pais - Espanha

Un tribunal brasileño investiga a Lula por la divulgación de datos falsos de sus opositores

La confirmación de su implicación en la trama provocaría la cancelación del registro de su candidatura a la reelección


El Tribunal Superior Electoral de Brasil (TSE) ha abierto una investigación contra el presidente Luiz Inácio Lula da Silva y los sospechosos de tramar la divulgación de un expediente con pruebas falsas contra los candidatos opositores a la jefatura del Estado y la gobernación de Sao Paulo. La Policía Federal puso al descubierto el viernes pasado un plan, tramado presuntamente por dirigentes del PT que abandera Lula, para neutralizar las candidaturas de Geraldo Alckmin a la Presidencia y de José Serra a la Gobernación de Sao Paulo.

 
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