Fragmentos: Dentro da noite veloz - Ferreira Gullar

A vida muda como a cor dos frutos lentamente e para sempre. A vida muda como a flor em fruto velozmente.
A vida muda como a água em folhas o sonho em luz elétrica a rosa desembrulha do carbono o pássaro da boca mas quando for tempo.
E é tempo todo o tempo mas não basta um século para fazer a pétala que um só minuto faz ou não mas a vida muda a vida muda o morto em multidão.


9 de out. de 2006

Primeiro Roud II

Blog do Josias de Souza

Alckmin venceu o debate com Lula por um ponto: '?'

O tête-à-tête deste domingo deu o tom do que será a campanha presidencial no segundo turno. Quando um quer, dois acabam brigando. E Alckmin demonstrou que quer brigar. Foi ao ringue da TV Bandeirante de luvas em punho. Saiu distribuindo “chuchutes”. Venceu a luta por um ponto. O ponto de interrogação.

Como previsto, o debate converteu-se em luta de boxe. Uma luta em que Lula entrou, na maior parte dos cinco rounds, com a cara. Beneficiado pelo sorteio, coube a Alckmin a primeira pergunta. Poderia tê-la usado para fustigar o adversário com jabs de esquerda. Mas não perdeu tempo com golpes preparatórios.

Alckmin desferiu logo um direto de direita no calcanhar-de-aquiles de Lula. “De onde veio o dinheiro sujo, R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo, para comprar dossiê fajuto”? No contragolpe, Lula tentou respirar: “Quero saber quem arquitetou esse plano maquiavélico, quero saber qual é o conteúdo do dossiê, de onde vem o dinheiro. O único ganhador nesse trambique foi a candidatura do meu adversário (...)”.
Na réplica, porém, Alckmin empurrou o adversário para o córner: “Olha nos olhos do povo brasileiro e responda: de onde veio o dinheiro”? Lula não tinha resposta: “Não sou policial, sou presidente da Republica. O governador ainda tem saudade do tempo da tortura (...).” E Alckmin, algumas perguntas depois: “A questão do dinheiro, não precisa fazer tortura para saber de onde veio o dinheiro. É só perguntar para o PT (...). É só chamar os seus amigos de 30 anos e perguntar.”
Essa primeira troca de golpes deu o tom do embate, que girou em torno da ética por duas horas e meia. A grande novidade foi o timbre de Alckmin. De chuchu aguado, o candidato converteu-se em pimenta ardida. Manteve-se no ataque durante todo o tempo.
Lula também desferiu os seus socos. Martelou perversões da era FHC e do governo de Alckmin em São Paulo –as privatizações mal explicadas, a compra de votos da reeleição, o caixa dois de Eduardo Azeredo, a paternidade tucana das sanguessugas e dos vampiros, Barjas Negri, Abel Pereira, as 69 CPIs enterradas. Mas seus ataques vieram sempre na forma de contra-golpes de um lutador acuado.
Embora relevantes, os casos que Lula mencionou, por antigos, não têm a mesma materialidade plástica da montanha de dinheiro (R$ 1,7 milhão) que ninguém sabe de onde veio. Para desassossego de Lula, nos poucos instantes em que se discutiu programa de governo, o presidente não teve nem tempo nem organização mental para expor as coisas boas que julga ter realizado em quatro anos de mandato.
Alckmin subiu ao tablado com uma missão: não deixar o adversário respirar. Para atingir o seu intento, não hesitou em apelar para os golpes baixos, como nos instantes em que trouxe os gastos com os cartões de crédito da presidência e a compra do Aerolula. Chegou mesmo a dizer, se eleito, venderá o avião presidencial para construir cinco hospitais. Como se isso fosse resolver os problemas do país.
Em certos momentos, o boxe resvalou para a briga de rua. Alckmin chamou Lula de mentiroso em três oportunidades. Numa delas, o presidente pediu direito de resposta, negado pelos organizadores do debate. Revidou chamando Alckmin de leviano.
O Lula que foi aos estúdios da Bandeirantes não fez jus ao polemista experimentado dos embates de assembléias sindicais e de disputas presidenciais anteriores. O presidente apanhou nos dois primeiros rounds. Só não foi a nocaute porque recobrou os sentidos nos dois rounds seguintes.
Embora não tenha tido desempenho capaz de anular a vantagem do rival, Lula voltou à luta. Recuperou até a capacidade de produzir ironias, como no instante em que aconselhou o candidato a retomar o figurino leguminoso: “Sem essa coisa de ficar bravo. Não faz o seu gênero. Eu te conheço e sei que não faz o seu gênero”. Ou quando chamou o vice de Alckmin, José Jorge, de rei do apagão. No quinto e último round mantiveram-se as posições.
Analisando-se o conjunto da refrega, o desempenho de Lula foi inegavelmente inferior ao de Alckmin. A pergunta é: isso muda o cenário eleitoral? Debates, por maior audiência que possam ter (o de hoje teve audiência média de 14,2 pontos), não têm o condão de virar o jogo de uma eleição. É a repercussão do confronto e os seus desdobramentos no noticiário e na campanha, que podem influir no resultado da peleja. Dificilmente o eleitores de Lula e de Alckmin mudarão de opinião a essa altura do campeonato. Está em jogo principalmente a conquista dos indecisos. E Lula entrou na briga com uma enorme interrogação a pesar-lhe sobre os ombros: de onde veio o dinheiro? É esse o ponto de interrogação que deu vantagem a Alckmin no debate deste domingo.

Link para o Blog do Josias de Souza

Charge do dia - Angeli


Folha de São Paulo 08/10/2006

Primeiro Round 1

Gilberto Dimenstein

Muito show, poucas idéias

O debate foi um belíssimo show, por manter, por mais de duas horas, a tensão entre os candidatos Lula e Alckmin. Não houve um único instante ameno, insosso, sonolento --nesse aspecto foi um notável resultado jornalístico, graças à flexibilidade para que os candidatos pudessem se expressar.
O problema é que faltou o essencial para quem queria ir além do show.
Se o espetáculo foi revelador do tom da campanha e da estratégia de marketing das candidaturas --e até revelou um Alckmin especialmente agressivo--, o telespectador mais crítico, interessado em soluções, certamente saiu frustrado.
Afinal, a grande questão nacional é hoje saber como vamos crescer mais rapidamente nos próximos anos para reduzir a miséria, aumentar o nível de emprego e elevar a renda. Sabe-se que cortes nos gastos públicos terão de ser feitos. Mas quando, onde e como? Quem vai perder. O que fazer para estancar os buracos provocados pelas aposentadorias? Certamente não se vai modificar muita coisa fechando alguns ministérios, economizando dinheiro dos gastos dos assessores e ministros nem vendendo o Aerolula.
Foi um ótimo entretenimento e ajudou a expor mais os candidatos para a escolha do eleitor. Mas, se alguém queria propostas, soluções, foi dormir de mãos vazias.

7 de out. de 2006

Tiroteio Verbal

Em comício anti-ACM, Lula hostiliza 'oligarquia' baiana

Alckmin: Lula vem dizendo um conjunto de mentiras

Marco Aurélio Garcia cria o “risco Alckmin” e diz que candidato tucano esconde dos eleitores o programa de governo

"Patota" petista deixa governo ineficiente e corrupto, diz Alckmin

Sigilo Zero

Blog do Josias de Souza - Folha on line
Sete mil contribuintes têm sigilo fiscal devassado

Investigação aberta na Corregedoria da Receita Federal no último mês de fevereiro descobriu que cerca de 7.000 pessoas físicas e jurídicas tiveram os seus dados fiscais bisbilhotados nos computadores do fisco. O caso foi noticiado aqui no blog em 29 de março. Àquela altura, o número de contribuintes cujos dados haviam sido perscrutados indevidamente somava 6.000.
O avanço da apuração revelou a existência de mais de 13 mil “acessos imotivados” a cadastros de contribuintes. Havia, porém, casos de reincidências. Ou seja, um mesmo contribuinte teve seus dados invadidos mais de uma vez. A lista incluía, de resto, homônimos. Feita a depuração, chegou-se a um número superior a 7.000 transgressões.

Conforme noticiado aqui, entre os contribuintes bisbilhotados estão o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles; o senador eleito e ex-ministro das Comunicações Eunício Oliveira (PMDB-CE); onze juízes da Justiça Federal de Brasília, o ex-secretário da Receita Everardo Maciel, a empresa dele (Logus Consultoria) e pessoas de suas relações (mãe, filha e ex-mulher).

A Receita separa as consultas indevidas ao seu banco de dados em dois tipos: o "acesso imotivado" e a "violação". O que distingue uma transgressão da outra é o fato de que, no segundo caso, além de bisbilhotar dados alheios, o infrator viola o sigilo das informações, divulgando-as.

Por ora, a investigação da Corregedoria da Receira detectou o vazamento para a imprensa de três casos. Envolvem o empresário Marcos Valério, protagonista do escândalo do mensalão, e duas empresas de publicidade que o tinham como sócio: SMP&B e DNA. Há, de resto, a suspeita de que também os dados sigilosos de Henrique Meirelles, o presidente do BC, possam ter sido divulgados indevidamente.

Os autores das supostas trangressões são auditores fiscais. Estavam lotados na própria Corregedoria da Receita. Chegou-se a eles por meio das senhas que dão acesso aos computadores do fisco. Os números de identificação de dois auditores ficaram gravados no sistema. O blog localizou um dos investigados. Chama-se Washington Afonso Rodrigues

Charge do dia - Glauco


Folha de São Paulo - 07/10/2006

6 de out. de 2006

Pé na bunda

Folha Online - 06/10/2006
Berzoini pede licença da presidência do PT

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, pediu nesta sexta-feira licença do cargo, após reunião com a Executiva nacional do partido. Berzoini já foi afastado da coordenação nacional da campanha do PT à Presidência após o envolvimento de um ex-assessor com o "dossiêgate".
O partido estava dividido sobre a permanência de Berzoini. Uma ala entendia que a situação de Berzoini havia se tornado insustentável após ele admitir que coordenava o chamado "núcleo de inteligência", composto pelos principais envolvidos no "dossiêgate". Por outro lado, outra ala do partido defendia que a saída do dirigente da presidência do PT deveria ocorrer somente depois das eleições, pois poderia ser usada pelo PSDB para prejudicar a campanha de Lula.Hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a manutenção de Berzoini no cargo."Eu não vejo necessidade de tomar nenhuma decisão política agora, enquanto você não desvendar esse processo [da compra do dossiê]. De qualquer forma, a direção vai se reunir e eu não sei qual vai ser a decisão tomada. Eu não vejo como isso [a decisão de expulsar Berzoini] pode ajudar nesse momento", afirmou.
O PT comunicou também nesta sexta-feira que Hamilton Lacerda e Jorge Lorenzetti, outros dois petistas envolvidos no "dossiêgate", se desfiliaram da legenda

Charge do dia - Glauco


Little Boy
















Senhor Diretas

Blog do Noblat 06/10/2006
Ulysses Guimarães

Se fosse vivo, Ulysses Guimarães completaria hoje 90 anos de idade. Em sua homenagem, segue artigo da cientista política Lucia Hippolito publicado no dia 14 de outubro de 1992 em O Globo por ocasião de sua morte

"Político que a mulher chama por um nome e o eleitorado por outro não tem futuro, me disse uma vez o doutor Ulysses. Doutor Ulysses, assim mesmo, sem necessidade de sobrenome. O Brasil inteiro o conhece assim. O mais completo dos políticos brasileiros dos últimos 50 anos.

Moderado por formação, radical quando necessário, irônico, charmoso, bom papo, dono de um finíssimo senso de humor, grande parlamentar. Formado na mais fina escola de políticos que o país já produziu, o velho PSD de Amaral Peixoto, Juscelino, Tancredo e Alkmin, o doutor Ulysses não acreditava em políticos improvisados. “No PSD todos eram do ramo”, dizia ele. O doutor Ulysses certamente era.

Deputado estadual em 1947, desde 1950 estava na Câmara dos Deputados – 42 anos ininterruptos. Em 1955 integrou a Ala Moça do PSD, junto com Renato Archer, João Pacheco e Chaves, Cid Carvalho, Nestor Jost, Leoberto Leal, José Joffily, Vieira de Melo e Oliveira Brito. Este grupo viabilizou a campanha e o governo de Juscelino, atuando dentro da Câmara dos Deputados. O doutor Ulysses presidiu a Câmara entre 1956 e 1957, contribuindo decisivamente para a aprovação do programa do governo JK. O doutor Ulysses já era moderno naquela época.

Concentrou sua atividade política na Câmara dos Deputados. Como ele mesmo dizia, casou-se com a Câmara. Ministro no primeiro gabinete parlamentarista, não acreditava no parlamentarismo. Só recentemente veio a se render ao sistema, tornando-se um entusiasta do governo de gabinete.

Durante os anos da ditadura, o doutor Ulysses falava por todos nós, exilados fora e dentro do país, amordaçados pela censura e pelo medo. Só ele não tinha medo. Enfrentou os tanques com a mesma dignidade com que enfrentou os cães da polícia:

- Respeitem o presidente da oposição!” Grande doutor Ulysses.

Em 74 aceitou a “anticandidatura” à presidência contra o candidato da ditadura, o general Geisel. Saiu pelo Brasil a pregar a redemocratização e a Constituinte. Com isso, impôs à ditadura uma fragorosa derrota, com a eleição de 16 senadores do MDB – um deles o atual presidente Itamar Franco. Foi o início do fim. Obra do doutor Ulysses.

Link para reportagem completa no Blog do Noblat

5 de out. de 2006

O silêncio dos culpados

CLÓVIS ROSSI

A origem dos "bandidos"

O leitor Eduardo Diniz, professor da Fundação Getúlio Vargas, exumou uma preciosidade em documento oficial do PT, aprovado em 1991. Diz: "A democracia e as relações internas no partido, nas prefeituras que dirigimos e nos movimentos sociais de que participamos devem ser analisadas e criticadas abertamente por nós.
É preciso reconhecer que no "petismo real" existem, em quantidade exagerada e perigosa, fenômenos como o aparelhismo, o sectarismo, as manobras espúrias, a falta de democracia. Sem superar tudo isso, o discurso acerca de nosso projeto de um socialismo renovado ficará no papel. Não seremos capazes de construir uma sociedade melhor amanhã se não formos capazes de mudar nossa prática hoje". Não mudaram nos 15 anos que se seguiram à aprovação dessa avaliação, que é, repito, do próprio PT, não da oposição nem minha.
Deu no que deu, a saber: 1 - O presidente da República e presidente de honra do PT afirma que "quem negocia com bandido vira bandido também". Mas esquece de dizer que quem negociou com bandidos é gente não só de seu partido mas da sua campanha e da campanha do homem pelo qual o presidente diz pôr a mão no fogo, aliás seu líder no Senado, Aloizio Mercadante. 2 - O ministro da Justiça do governo petista, Márcio Thomaz Bastos, disse, no ano passado, que "caixa dois é coisa de bandido".
Esqueceu de dizer que petistas graduadíssimos confessaram caixa dois no episódio do mensalão. Não basta, pois, demitir ou expulsar a meia dúzia apanhada agora com a mão na massa ou os 40 do escândalo anterior, a "quadrilha", segundo o procurador-geral da República. O texto de 91 prova que não nasceu agora a cultura que deu origem aos "bandidos", com a cumplicidade da cúpula e o silêncio da maioria dos filiados.

Chuchu Pai e Chuchu Garotinho

Do blog do Noblat

Panfleto recomenda voto em Lula e dá nº de Alckmin

Eleitores pernambucanos podem ter sido vítimas de uma fraude. O indício do logro está materializado em panfletos que teriam sido distribuídos na zona rural e em municípios do sertão de Pernambuco (veja imagem ao lado). Traz a foto de cinco políticos, seguidos dos respectivos números. Uma das fotos expõe a imagem de Lula. Ao lado, surge o 45, que é o número de Geraldo Alckmin. O de Lula é 13.
No universo eleitoral, esse tipo de panfleto é chamado de “santinho”. Serve para orientar o eleitor, informando-lhe o número que deve ser digitado na urna eletrônica. Junto com a foto de Lula aparecem políticos da coligação PMDB-PFL, que apoiou Alckmin em Pernambuco. São eles: Osvaldo Coelho, candidato à reeleição para a Câmara (número 2530), Geraldo Coelho, postulante à reeleição para a Assembléia Legislativa de Pernambuco (25230), Jarbas Vasconcelos, senador (156) e Mendonça Filho, governador (25).

Os “santinhos” fraudulentos foram revelados nesta quinta pelo sítio Supramax. Os responsáveis são desconhecidos. Tampouco se sabe a quantos eleitores a impostura foi distribuída. O PT de Pernambuco deve pedir uma investigação do caso.

Hortifrutigrangeiros


Folha Online - 5/10/2006
O abacaxi e o chuchu

Hélio Schwartsman

Lula conseguiu o que se afigurava mais difícil: deixou escapar entre os dedos a vitória no primeiro turno. Tendo obtido 48,61% dos quase 96 milhões de votos válidos, o presidente ficou a 1,3 milhão de sufrágios do necessário para liquidar o pleito no domingo passado. Ele até pode tentar falar em golpe, armação e complô das elites, mas o fato é que devem ser atribuídos ao PT e ao próprio Lula os erros que levaram a eleição ao segundo escrutínio.
Com efeito, o presidente liderava a disputa com boa folga até mais ou menos 15 dias antes do pleito, quando um grupo de petistas foi apanhado tentando negociar com notórios estelionatários um dossiê com acusações contra tucanos. De lá para cá, só se seguiram más notícias para o PT. Entre os envolvidos, havia gente próxima ao presidente da República. Ricardo Berzoini, presidente do PT e coordenador da campanha presidencial, teve de ser afastado. Fotos da dinheirama vazaram para a imprensa na antevéspera da jornada eleitoral. (As comparações com as imagens dos seqüestradores de Abílio Diniz vestindo camisetas do PT em 1989 não procedem; aquilo foi uma armação para prejudicar a candidatura Lula, pois os seqüestradores foram obrigados a colocar as camisetas antes de ser fotografados. Agora não, o dinheiro foi realmente encontrado com petistas).
Para tornar tudo um pouco pior, pegou bastante mal o fato de Lula ter-se recusado a participar do último debate presidencial. Tudo isso somado, fez com que o presidente não amealhasse os votos necessários para uma vitória antecipada.Sua situação agora se complica. Lula dá início à segunda etapa da campanha com um sabor de derrota na boca. Já seu adversário, Geraldo Alckmin, desponta como vitorioso, ainda que sua passagem para o segundo turno seja mérito do PT. A próxima bateria de pesquisas eleitorais já deverá colocá-los numa situação de quase empate.Apesar disso tudo, ainda considero Lula o favorito. Para que ele vença, entretanto, será necessário que o partido e os principais colaboradores do presidente se abstenham de mais uma vez meter os pés pelas mãos, o que está se tornando uma especialidade petista. Decididamente, trata-se de um partido dialético, que já traz em si sua própria oposição.
Voltando a Lula, em princípio ele não teria grande dificuldade para colher entre os quase 10 milhões de eleitores de candidatos menores o 1,3 milhão de votos de que necessita para alcançar a maioria das preferências. Precisa também, evidentemente, conservar os votos que já teve. Aqui podem surgir obstáculos às suas pretensões. Ao que tudo indica, São Paulo e outros Estados do eixo Sul-Sudeste-Centro-Oeste atravessaram uma onda tucana nas 48 horas que antecederam o pleito.
Um bom indicativo dessa hipótese é o fato de Eduardo Suplicy, que, nas pesquisas reinava absoluto nas intenções de voto para o Senado na cadeira paulista, ter vencido por uma diferença muito menor do que a inicialmente estimada. Lula precisa torcer para que esse movimento não se aprofunde nem se espalhe.
Outra fonte potencial de dificuldades são as investigações sobre a origem do dinheiro que compraria o dossiê. A PF já enrolou o quanto pôde na divulgação dos sacadores. Mais cedo ou mais tarde terá de revelar seus nomes, que poderão trazer novos dissabores à candidatura oficial. O presidente conta, a seu favor, com o fato de já ter suportado denúncias bem mais graves. Muitos analistas estão dizendo que o tempo agora atua contra Lula. Não ousaria desmenti-los, mas não excluo a possibilidade de os mesmos anticorpos que protegeram o presidente de tantos e tamanhos escândalos voltem a atuar, fagocitando as novas acusações. Na hipótese de o "dossiegate" esfriar, não há em princípio razão para que Lula não reconquiste o terreno perdido, da mesma forma que se recuperou da crise provocada pelo mensalão.
A situação de Alckmin, que hoje parece muito boa, não necessariamente continuará assim. Em termos de produto, ele é bem menos carismático que o adversário _e não há nada que se possa fazer a respeito. O presidenciável tucano também poderá sofrer "fogo amigo". Digamos, para ser simpáticos, que algumas das principais lideranças tucanas sentem-se ambivalentes em relação a Alckmin. José Serra e Aécio Neves, que têm a força de governadores eleitos, em primeiro turno, dos dois Estados mais ricos da Federação, não ficariam exatamente decepcionados com uma derrota do companheiro de plumas. Na verdade, seria bem melhor para suas pretensões em 2010 ver Alckmin definitivamente escanteado.
A maior barreira para o projeto alckmista, entretanto, ainda é a eleitoral. Seu desempenho no Nordeste, que reúne 27% do eleitorado, é pífio e, ao que tudo indica, continuará assim. Por lá não passou nem sombra de onda tucana. Muito pelo contrário, as surpresas que houve foram favoráveis ao PT, como a eleição, em primeiro escrutínio, de Jaques Wagner para o governo da Bahia.Conferir o mapa da votação de Lula e de Alckmin é um interessante exercício sociológico. Acho que a divisão entre ricos e pobres, sulistas (Sul e Sudeste) e nortistas (Nordeste e Norte), instruídos e nem tanto jamais foi tão evidente.
Seria tentador atribuir a forte votação no petista, mesmo após tantos escândalos, à ignorância e à desinformação de seu eleitor. Mas tal análise não resiste aos fatos. Prova-o a constatação de que parlamentares envolvidos nas denúncias terem sido exemplarmente punidos nas urnas: 91% dos 67 deputados sanguessugas perderam os seus mandatos ou por não ter conseguido se reeleger, caso 43, ou por nem ter tentado, como se deu com 18 deles. Apenas seis obtiveram um novo mandato. E, dos três senadores metidos no escândalo, apenas um, Ney Suassuna (PMDB-PB), enfrentou a reeleição. E fracassou miseravelmente, mesmo tendo disputado no que se considera um dos grotões do país.Sorte semelhante experimentou o ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE), que havia renunciado ao mandato para fugir do processo de cassação depois de ter sido apanhado num caso de extorsão. Severino não volta à Casa como havia planejado.
Com os mensaleiros, porém, o eleitor foi um pouco mais condescendente. Dos 11 que acabaram absolvidos pelo plenário da Câmara, cinco foram reeleitos, dois deles (João Paulo e José Mentor) por São Paulo, numa prova de que estar num dos principais pólos de riqueza e educação formal do país não significa muita coisa.Parece-me mais adequado analisar o fenômeno Lula como uma manifestação de pragmatismo. O eleitor, ainda que talvez não com detalhes, toma ciência dos descaminhos em que se metem seus representantes. O próprio Lula, convém lembrar, inicialmente sofreu impacto negativo por conta das denúncias de corrupção. Mas o cidadão que simpatiza com o presidente aparentemente colocou na balança as suspeitas e as realizações de seu governo e optou por desconsiderar o aspecto ético. É a versão tupiniquim de os fins justificam os meios.Resta saber se esse cálculo se manterá na nova fase da campanha ou se Geraldo Alckmin, pela sua incrível capacidade de manter-se inapelavelmente insosso, triunfará valendo-se dos erros do adversário.

Hélio Schwartsman, 41, é editorialista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha Online às quintas. E-mail: helio@folhasp.com.br

4 de out. de 2006

O Pinóquio do Planalto

Blog do Noblatb - 04/10/2006

Paulo Bernardo nega motivação política na liberação de R$ 1,5 bilhão de crédito extraordinário

De O Globo online

"O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou nesta quarta-feira, no Palácio do Planalto, que não teme os possíveis ataques que a oposição venha a fazer devido à edição de uma medida provisória que libera um crédito extraordinário de R$ 1,5 bilhão para pagamentos de dívidas dos ministérios e para investimentos em obras.

- Essa liberação não tem nada a ver com o momento político. As pessoas têm que entender que mesmo durante as eleições o governo tem que continuar trabalhando - disse Bernardo

Link para a reportagem completa no Globo Online

Série: Antes tarde do que nunca!

Folha Online - 04/10/2006

PF prende Luiz Estevão por desvio de recursos nas obras do TRT-SP

A Primeira Turma do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região determinou a prisão do ex-senador Luiz Estevão de Oliveira no processo que apura o desvio de R$ 169 milhões das obras do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São Paulo. A Polícia Federal informou que a prisão de Estevão foi efetuada nesta quarta-feira. Estevão é acusado de improbidade administrativa por alterar livros contábeis do Grupo OK para justificar o dinheiro superfaturado das obras do TRT.
Em maio, o TRF da 3ª Região condenou o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto a 26,5 anos de prisão pelos crimes de peculato, estelionato e corrupção passiva. Ele também foi condenado a pagar uma multa de R$ 1,2 milhão. Nicolau foi condenado no processo que apurou o desvio de R$ 169,5 milhões da obra do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São Paulo. Também foram condenados no mesmo processo o ex-senador Luiz Estevão de Oliveira e os empresários Fábio Monteiro de Barros e José Eduardo Ferraz, da construtora Incal. Luiz Estevão e Monteiro de Barros foram condenados a 31 anos de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, estelionato, uso de documentos falsos e corrupção ativa. A multa fixada a Luiz Estevão foi de R$ 3,150 milhões. Para Monteiro de Barros, o TRF aplicou o pagamento de uma multa de R$ 2,7 milhões.
O tribunal condenou Ferraz a 27,8 anos de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, estelionato, uso de documentos falsos e corrupção ativa e ao pagamento de uma multa de R$ 1,2 milhão.Todos foram condenados ao cumprimento de prisão em regime fechado. No caso de Nicolau, que já cumpre pena em regime de prisão domiciliar, nada deve ser alterado.

Zumbis

Pensata - Eliane Cantanhêde

A volta dos que não foram

A declaração de voto do governador Lúcio Alcântara (PSDB-CE) em Geraldo Alckmin é emblemática do que vai acontecer neste segundo turno. Ou melhor, já está acontecendo: os tucanos e pefelistas que puxavam o saco de Lula, dando como líquida e certa a vitória em primeiro turno, estão de volta ao ninho.
Alcântara rompeu com o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, que preferiu tirar o apoio à sua reeleição e despejar em Cid Gomes, do PSB, aliado de Lula e irmão do ex-ministro Ciro Gomes (um dos deputados mais bem votados do país). O governador ficou uma fera, e quem pagou o pato foi Alckmin. Numa cena de traição explícita, Lúcio Alcântara foi ao Planalto confraternizar com Lula no meio do primeiro turno. Perdeu a eleição para Cid e, agora, mal começou o segundo, já dá meia volta e declara voto em Alckmin. Durma-se com um barulho desses. Ou durma-se com uma política dessas...
A imprensa, sempre acusada de ser 'tucana', passou a campanha mostrando um Alckmin às traças, abandonado pelo PSDB, pelo PFL, pelos candidatos a governador, por gregos e troianos, sem vigor e sem chances. Não se passou um dia sem uma 'crise' na campanha, demonstrando fragilidade. Agora, pelo visto, estão todos de volta.O PFL, que chegou a anunciar o fim da velha aliança com o PSDB depois da eleição (lia-se: depois da derrota de Alckmin), agora é alckmista desde criancinha e para todo o sempre, amém. E reconhecendo que, sem os tucanos, a vida pode ficar muito dura. O partido perdeu Estados importantes, como a Bahia, está ameaçado em Pernambuco, disputa um surpreendente segundo turno no Maranhão e só levou um governo no primeiro turno: o do DF, com José Roberto Arruda.Sem poder (e sem cargos) nos Estados, o jeito é apoiar Alckmin e rezar para ele ganhar, para poder se pendurar no governo federal. Caso contrário, só sobra o Senado para os pefelistas reinarem. Ali, ele ficam com uma bancada de 18 senadores, a maior da Casa. E, pela tradição, cabe à maior bancada fazer o presidente.No PSDB, criou-se uma situação curiosa: foram meses de análises mostrando que Alckmin não estava com nada e enfatizando a força e as projeções de José Serra e Aécio Neves no cenário nacional, já que ambos estiveram na frente das pesquisas do início ao fim e acabaram mesmo se elegendo em primeiro turno em São Paulo e Minas. Esqueceram-se todos de combinar com o adversário --o adversário de Lula. Pois quem emerge forte da eleição, até pela surpresa, é Alckmin.Se ele ganhar, será que topa acabar com a reeleição? Duvide-o-dó. Depois de uma trajetória solitária no primeiro turno, agora ele não tem por que dar essa colher de chá aos companheiros tucanos. Vai fazer de tudo para ficar 8 anos. E Serra terá 72 anos em 2014.

A visão de Leonardo Boff sobre a eleição presidencial

Agencia Carta Maior - 04/10/2006

O que está em jogo na reeleição presidencial
Leonardo Boff

Quem derrotou Lula não foi Geraldo Alckmin mas o próprio partido do Presidente, o PT. O destemor insano de altos dirigentes petistas pôs a perder uma vitória garantida de Lula já no primeiro turno. O que pesou mesmo não foi tanto o escândalo do dossiê contra o candidato Serra, pois dossiês sempre existiram, fabricados por políticos afeitos à intimidação e ao manejo da mentira como arma política.
A ausência de Lula no debate final contou negativamente mas não foi o decisivo. O que destroçou o PT e atravancou o caminho da vitória foi a mostragem por todos os meios de comunicação da montanha de dinheiro para a compra do dossiê. Mais de 30% da população trabalhadora não ganha mais que um salário mínimo. Quando vê toda essa dinheirama se enche de auto-vergonha e pensa: meu trabalho não vale nada mesmo; nem que vivesse duas vidas acumularia tanto dinheiro quanto aquele mostrado aí. E esses corruptos tiraram de onde esse dinheiro? A indignação não tem tamanho. Políticos que usam esses expedientes mereceriam a excomunhão política e religiosa, tão grande é seu pecado contra o povo, sua dignidade e a economia popular.
Pode ocorrer um impasse jurídico, policial e institucional nas investigações do dossiê, especialmente se seu conteúdo for revelado, coisa que ainda não se fez e que pode eventualmente incriminar a gestão do PSDB quando começou a corrupção das ambulâncias. Mesmo assim o segundo turno traz também lá a suas vantagens: finalmente se criará a oportunidade de confrontar dois projetos de Brasil.
Geraldo Alckmin representa o velho projeto das classes dominantes. Não sem razão os banqueiros e os grandes industriais o apoiaram, pois sentem afinidade de classe e comunhão de propósitos: garantir políticas ricas para os ricos e pobres para os pobres. Notoriamente não possui carisma e não apresenta nada de realmente inovador, capaz de suscitar uma nova esperança. A retórica que usa é despistadora. Mas cabe à análise pôr à luz os interesses de classe ocultos. A macroeconomia que enfeudou a política, seguirá seu curso neoliberal deixando fatalmente anêmica a política social. Sua vitória representará o retorno daqueles que sempre construíram um Brasil para si, sem o povo ou contra o povo.Lula dá corpo a um projeto de mudança. Apesar dos constrangimentos encontrados num ambiente hegemonicamente neoliberal, tentou, com relativo sucesso, fazer a transição de um estado elitista e privatista para um estado republicano e social. Agora ele se vê obrigado a definir claramente seu projeto: dar a centralidade ao povo destituído, garantir seus meios de vida e sua inclusão cidadã. Para isso ele precisa se reaproximar de sua base real de sustentação: os movimentos sociais organizados e a imensidão dos excluidos. Esses poderão inviabilizar qualquer ameaça de impeachment. Tirar Lula é tirar nosso poder, dirão, é anular nossa vitória, é abortar nossa esperança.Para se diferenciar claramente de Alckmin, Lula deverá mexer em pontos importantes da macroeconomia para que ela seja de fato o sustentáculo de uma política social maciça. Deverá ter a coragem de colocar um gesto fundador de um novo Brasil: retomar o projeto de Plínio Arruda Sampaio, um dos que melhor entende de reforma agrária, e realizá-lo integralmente a fim de fixar o camponês no campo e desinchar as cidades favelizadas. Aí sim se consolidará seu governo, inaugurando a transformação social possível para o Brasil.
Leonardo Boff é teólogo e escritor.

Link para Agência Carta Maior

O Grã Circo Nacional apresenta:

ELIO GASPARI
Folha de São Paulo 04/10/2006

A marcha dos palhaços

Lula se candidatou ao lugar de coordenador da campanha eleitoral de Geraldo Alckmin

NA SEGUNDA-FEIRA, com aquelas olheiras que só a adversidade eleitoral produz, "nosso guia" se candidatou ao lugar de coordenador da campanha de Geraldo Alckmin à Presidência da República. Fez isso quando tratou do dossiê Vedoin e disse o seguinte: "Eu quero saber quem arquitetou essa obra de engenharia para atirar no próprio pé". Quer? Pergunte a Ricardo Berzoini e a Aloizio Mercadante. Eles podem ajudar.Ao tratar de um crime como curiosidade, Lula assumiu a condição de padrinho dos malfeitores petistas, aloprados e trambiqueiros. Padrinho no sentido da figura de Don Corleone/Marlon Brando.Não há nenhuma prova, indício ou pista de que haja bico tucano na construção do papelório. Há apenas um raciocínio lógico: se os tucanos foram favorecidos pelo episódio, há dedo deles na produção. Coisa assim: a invasão da Rússia por Hitler permitiu que Stálin consolidasse a sua tirania, donde, Hitler foi uma jogada de Stálin.Admita-se que o raciocínio de Lula está certo. No início de setembro, um tucano teve uma idéia: vamos pedir ao Vedoin que faça um dossiê contra o Serra, ele o vende ao PT, nós flagramos os compradores, fotografamos o ervanário e botamos o escândalo na imprensa. Um petista aloprado come a isca, compra-se o caso, acerta-se a publicação da denúncia, combina-se o pagamento e vai-se a um hotel buscar mais uns docinhos. Nisso reserva-se R$ 1,7 milhão, em grana viva, para os chantagistas.Se isso fosse verdade, o presidente de honra do PT teria razão ao chiar. O da República não é pago para tumultuar inquéritos. Os petistas que negociaram com um delinqüente cometeram uma contravenção ao trocar denúncia por dinheiro e um crime e ao remunerar bandidos. Transgrediram as leis da República. Respeitaram apenas a regra do silêncio de Don Corleone.Diante de um crime, o presidente da República não pode agir como advogado de porta de xadrez. (Será que em 1954 os capangas de Gregório Fortunato foram pagos por Carlos Lacerda para atirar no major Rubens Vaz?)Em São Paulo e no Rio, houve zonas eleitorais onde madames grisalhas, elegantes e gentis distribuíam narizes de palhaço. (Senhoras parecidas com aquelas que fizeram a Marcha da Família em 1964.) O sujeito ganhava uma bolinha vermelha e ia para a seção eleitoral. No comércio, a bolota de plástico custa R$ 2,50 e a de esponja sai por R$ 3, crime eleitoral explícito, mas isso fica para depois. Contra quem esse feliz palhaço protesta? Paulo Maluf? João Paulo Cunha? Clodovil? Lula?O calor que o senador Eduardo Suplicy tomou de Guilherme Afif Domingos mostra que se quebrou a associação da decência ao PT. Se são todos iguais, Lula é igual a Maluf e Fernando Collor. Exagero? Ouça-se Maluf: "Tenho plena consciência de que o presidente Lula é um homem limpo e correto". E Lula: "Collor poderá, se quiser, fazer um trabalho excepcional no Senado".Lula e o PT associaram-se a práticas indecentes. Fizeram isso porque quiseram. A mistura custou o resultado de domingo.A Justiça Eleitoral precisa estar cega para permitir a distribuição de prendas na área onde é proibido repassar santinhos de candidatos. Mesmo assim, o palhaço sempre poderá votar com um nariz que trouxe de casa. Ou Lula pára de dizer monstruosidades ou verá a marcha dos palhaços.

Charge do Dia - Jean


Folha de São Paulo - 03/10/2006

Eles se merecem

O Globo - 03/10/2006
Apoio de Rosinha e Garotinho a Alckmin abre crise no Rio
O ex-governador Anthony Garotinho e a governadora Rosinha anunciaram apoio à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), rachando ao meio o PMDB do Rio e abrindo crise na campanha no estado. O candidato do PMDB a governador, Sérgio Cabral, formalizou adesão à reeleição de Lula, que virá ao Rio amanhã para ato de apoio mútuo. Lula recebeu, no Palácio da Alvorada, o candidato derrotado Marcelo Crivella (PRB).
O prefeito Cesar Maia (PFL) criticou a aproximação de Alckmin com Garotinho que para ele, "pode ser virótica". "A fotografia com Garotinho desmonta o discurso ético de Alckmin", disse o prefeito, que considera a decisão de aceitar o apoio um "tiro na cabeça". Alckmin disse que apoio se agradece. "Não nos foi solicitado nada que não fosse compromisso com o Brasil." Cesar disse ainda que terá de rever a estratégia de campanha da candidatura Denise Frossard (PPS) para o segundo turno. (pág. 1, 3 a 10, Merval Pereira e editorial "Discurso punido")

Link para Sinposes - Agência Brasil - Radiobrás

28 de set. de 2006

Charge da Noite - Angeli

O Homem da Mala


Ex-assessor de Mercadante entregou dinheiro, diz PF

Polícia conclui que Hamilton Lacerda levou mala para pagar por dossiê

Gedimar Pereira Passos e Valdebran Padilha da Silva foram presos com R$ 1,168 mi e US$ 248,8 mil no dia 14, em São Paulo

Hamilton Lacerda, então coordenador da campanha de Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo, foi quem entregou a mala com dinheiro ao advogado Gedimar Pereira Passos e ao empresário Valdebran Padilha da Silva, no hotel Ibis em São Paulo, no dia 14, segundo informação da PF.Gedimar e Valdebran foram presos pela PF com R$ 1,168 milhão e US$ 248,8 mil. O dinheiro, cuja origem a PF ainda investiga, seria usado para comprar um dossiê contra tucanos montado pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia dos sanguessugas.Após analisar os CDs com a gravação de imagens que registram movimento de pessoas no hotel, a PF concluiu que Lacerda foi quem entregou o dinheiro a Gedimar e Valdebran. Contudo a PF informou que a confirmação oficial, necessária para conclusão do inquérito, será feita por meio de perícia.Desde o início da semana, a PF fazia a análise das imagens e ontem concluiu que Lacerda aparece na gravação entregando o dinheiro. Foram estudados vários CDs gravados no hotel no dia 14.Nesse dia, por telefone, Valdebran negociava com Vedoin, que estava em Cuiabá, a venda do dossiê contra os tucanos José Serra, adversário de Mercadante nas eleições em São Paulo, e Geraldo Alckmin, candidato a presidente. O material era composto por fotos, CD e fita de vídeo mostrando Serra e Alckmin em eventos de entrega de ambulâncias da máfia dos sanguessugas.O delegado Diógenes Curado Filho, que preside as investigações, deve ouvir Lacerda ainda hoje em São Paulo, segundo apurou a reportagem. O procurador da República em Cuiabá Mário Lúcio Avelar deve acompanhar o depoimento.Lacerda deixou a campanha de Mercadante após o caso.Na sexta-feira passada, em depoimento à PF em Brasília, Jorge Lorenzetti, ex-assessor da campanha e amigo do presidente Lula, disse que o dossiê seria entregue a Lacerda.Cinco dias após as prisões de Gedimar e Valdebran, Lacerda deixou o cargo, pois foi citado pela revista "IstoÉ" como intermediador da entrevista em que os Vedoin acusam José Serra de envolvimento na máfia dos sanguessugas.Conforme Gedimar em seu primeiro depoimento à Polícia Federal, o dinheiro seria usado para pagar o dossiê e uma entrevista à imprensa.Até ontem, o procurador Avelar focava a investigação em outros quatro petistas, deixando de lado Lacerda.Além de pedir novamente a prisão de Gedimar e Valdebran, Avelar queria que fossem presos Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil, Oswaldo Bargas, que trabalhava na campanha de Lula, Lorenzetti e Freud Godoy, assessor da Presidência da República até o início do escândalo.A Justiça decretou a prisão, mas, devido à legislação eleitoral, que proíbe prisões cinco dias antes das eleições, a PF só poderá efetuá-las a partir da próxima quarta-feira.

Link para a Folha de são Paulo

Corrupção Eleitoral


Palocci é investigado por suposto abuso de poder econômico no TRE
Ex-ministro é suspeito de oferecer um churrasco para mais de 200 pessoas


O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci Filho, candidato a deputado federal pelo PT, está sendo investigado pela Justiça Eleitoral por suposto abuso de poder econômico.Com uma das mais caras campanhas de São Paulo, ele é suspeito de oferecer um churrasco para mais de 200 pessoas em evento em Cedral, na região de São José do Rio Preto, no dia 14. Ônibus e vans foram fretados para transporte de eleitores de cidades vizinhas.Se comprovada, a ação pode ser considerada como compra de votos, passível a perda de mandato em caso de eleição, conforme legislação (lei 9.540).
O evento só ficou conhecido pelo juiz eleitoral Paulo Marcos Vieira após a divulgação de uma reportagem do jornal "Bom Dia", que infiltrou, como convidados, uma repórter e um repórter-fotográfico. De acordo com Vieira, a Presidência do Tribunal Regional Eleitoral foi comunicada do ocorrido, que pediu para que o fato fosse relatado por escrito. O ofício (79/2006), cópias das reportagens para apuração, foi encaminhado anteontem. O TRE informou ainda não ter recebido o documento enviado pelo juiz e ainda vai analisar quais medidas serão tomadas.
Na opinião do juiz, a reunião política deveria ter sido informada à Justiça Eleitoral. "Faz uma reunião, sem comunicar, já tem uma suspeição. Se tem churrasco, bebida, tem gasto. Com certeza, não é contabilizado. Se não é contabilizado, aí o que existiu? Aquilo que chamam de caixa 2", afirmou. O presidente do PT de São José do Rio Preto, AiltonBertoni, 44, disse que a reunião não foi comunicada à Justiça por se tratar de uma reunião interna do partido. "Isso é perseguição ao ex-ministro".Segundo a repórter Cláudia Russo, que esteve no evento, parte dos convidados eram pessoas humildes e algumas nem sabiam quem era Palocci.A assessoria de imprensa do ex-ministro informou que ele não patrocinou o churrasco -apenas aceitou o convite.

Charge do dia - Glauco


Folha de São Paulo - 28/09/2006

26 de set. de 2006

Cego, surdo e mudo!

Folha de São Paulo - 26/09/2006

Gustavo Ioschpe

Lula sabia?

A PERGUNTA QUE circula, nesses dias em que nos deparamos com mais um típico escândalo oriundo do método lulo-petista de governar é: Lula sabia? Acho que sim, assim como creio que pouco importa, e me explico. Acredito que Lula sabia por uma série de motivos.
Primeiro, porque Wagner Cinchetto admitiu ter participado do grupo de formação de dossiês contra adversários na campanha de Lula de 2002, dizendo explicitamente sobre o conhecimento do candidato: "não só tinha conhecimento como autorizou que o grupo fosse criado".
Segundo, porque todos os envolvidos na operação sabiam que seu malogro teria conseqüências dramáticas para a campanha de Lula, e duvido que se atrevessem a entrar nesse risco sem que a maior vítima em potencial estivesse de acordo.
Terceiro, pelas pessoas envolvidas. Os envolvidos na chefia da operação têm ligação direta com Lula: Berzoini foi seu ministro e era chefe da sua campanha, Lorenzetti era seu amigo e churrasqueiro, Freud Godoy era uma espécie de faz-tudo há anos. Difícil de imaginar que pessoas com esse nível de acesso tenha empreendido uma ação desse porte sem ao menos avisar o presidente-candidato.
Quarto, porque se encaixa no método petista de achincalhar opositores. A campanha "Fora, FHC", o caso Eduardo Jorge, os cartazes associando Jorge Bornhausen a Hitler, a campanha contra Paulinho nas eleições de 2002 e agora esse dossiê: há um método.
É possível desconhecer o trabalho de subalternos na primeira vez. Mas quando ocorre uma segunda, há que se imaginar que há a conivência das lideranças da organização. Tudo isso, porém, são conjecturas amparadas na lógica e nos fatos. Certamente, lulistas de carteirinha hão de usar outra lógica e outros fatos para chegar a conclusões distintas. Portanto, é uma discussão que importa pouco. O fundamental é: ele tinha de saber. Assim como no direito vale a máxima de que ignorantia juris non excusat -o desconhecimento da lei não é desculpa para inocentar o criminoso- em qualquer organização vale o princípio de que o desconhecimento do chefe não o desculpa dos erros dos subalternos. Lula é culpado pelo dossiê porque escolheu Berzoini para ser seu chefe de campanha. Ponto. E assim tem de ser, especialmente quando se trata da Presidência, porque senão todo governante diria a seus subordinados: "façam todas as loucuras que vocês acharem importantes para o meu mandato, mas não me contem".
Se um presidente pudesse se eximir da responsabilidade dessa maneira, não só teríamos dossiês e mensalões, como talvez coisa muito mais séria. Se o presidente é inimputável pela ação de seus subordinados, talvez tenhamos amanhã o Exército invadindo a Argentina ou testando uma bomba atômica, a Fazenda atrelando o real ao dólar e a Polícia Federal abrindo as fronteiras. Enfim, ou os chefes têm responsabilidade sobre a ação de seus subordinados ou não são chefes.

GUSTAVO IOSCHPE é mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Yale (EUA)

25 de set. de 2006

Vampiros

Procurador denuncia Costa e Delúbio por envolvimento na máfia dos vampiros
GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em Brasília

O procurador da República no Distrito Federal, Gustavo Pessanha, decidiu nesta segunda-feira denunciar à Justiça o ex-ministro da Saúde e candidato ao governo de Pernambuco, Humberto Costa (PT), e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares por corrupção e formação de quadrilha na máfia dos vampiros.
A Polícia Federal já havia indiciado Costa, Delúbio e outros 40 envolvidos no esquema. O relatório da PF foi entregue ao Ministério Público em 15 de agosto. O documento da Polícia Federal indicia os suspeitos sob acusação de praticar fraude a licitações, crimes contra a ordem econômica, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de influência e formação de quadrilha, entre outros delitos, no âmbito da Saúde.
Hoje, o procurador protocolou a denúncia na 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília. No total, Pessanha decidiu denunciar 33 envolvidos no esquema.A Operação Vampiro investigou o envolvimento de empresários e funcionários do Ministério da Saúde na compra superfaturada de medicamentos que atuam no processo de coagulação do sangue, os hemoderivados.Aliados de Costa temem o impacto negativo da denúncia na campanha do petista.

Link para reportagem: Folha Online

Do Blog do Claudio Humberto

Conta no Rio seria da máfia do combustível

Empresa denunciada na finada CPI dos Combustíveis em 2003 por corrupção, furto de combustível e sonegação de impostos é a pista mais concreta da conta em Duque de Caxias (RJ) onde teria sido depositada parte dos R$1,1 milhão do suposto dossiê petista. A distribuidora, que trocou de nomes várias vezes, opera com a bandeira BR no estado e seria de empresário que teve uma empresa de consultoria na zona oeste do Rio, lobista com livre trânsito no Executivo e no Congresso e forte vínculo com poderoso ex-dirigente. O esquema, apurado na CPI, funcionava com arrendamento e licenças irregulares, fraude no ICMS e roubo de gasolina, com apoio de dois funcionários da Petrobras, na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), onde a Polícia Federal descobriu uma das contas da gangue do dossiê. Um deputado federal petista do Rio apareceu em gravações autorizadas pela justiça durante a investigação do Ministério Público, ainda em curso. A CPI não indiciou ninguém. Para não ser identificada, a empresa tem uma offshore no Uruguai, a American Petros

Dinheiro de empresários

Valor Econômico - 25/09/2006
PF deve apontar origem legal para dinheiro


Mauro Zanatta e Cristiano Romero

A Polícia Federal deve tornar pública, entre hoje e amanhã, a origem dos R$ 1,7 milhão que seriam usados por petistas para comprar dossiê contra o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra. Um assessor informou ontem que os policiais já teriam descoberto que a origem dos recursos é "legal", embora o seu uso possa ser considerado "imoral".
Antonio Gauderio/folha imagem Valdebran Padilha: Petista preso é suspeito de ter arrecadado mais de R$ 2 milhões
O dinheiro teria sido oferecido a integrantes da campanha do PT por empresários, cujo objetivo, de acordo com essa fonte, era se aproximar dos operadores do partido na reta final da campanha eleitoral - o objetivo do dossiê, montado pelos empresários Darci e Luiz Antônio Vedoin, da máfia dos sanguessugas, era atingir a imagem de Serra, beneficiando o candidato do PT ao governo paulista, Aloízio Mercadante, além de desgastar Geraldo Alckmin, candidato tucano à Presidência.
Uma fonte do governo assegurou que, além do caminho do dinheiro, a PF deve divulgar os nomes dos empresários que fizeram a "doação" dos recursos. O dinheiro apreendido - 1,168 milhão em reais e 248,8 mil em dólares americanos - durante a prisão do petista Valdebran Padilha e do advogado Gedimar Passos, ambos ligados à campanha do presidente Lula à reeleição, foi sacado em três agências do Bradesco e uma do BankBoston.
No caso dos dólares, apreendidos em maços com cintas do "Bureau of Engraving and Printing", a casa da moeda americana, o que levou à desconfiança de que teriam entrado ilegalmente no país, a informação é de que o dinheiro já estava no Brasil e integrava "reservas de valor" dos empresários, para eventuais despesas de emergência.
Nos últimos dias, a PF, segundo fonte do governo, já teria ouvido gerentes e funcionários dos bancos de onde foram sacados os reais. De acordo com um assessor, a PF também teria concluído que houve o "desaparecimento" de cerca de R$ 1 milhão do esquema do dossiê. De acordo com um assessor, os petistas teriam arrecadado dois milhões em reais e os 248,8 mil em dólares, mas, como a família Vedoin teria pedido R$ 1 milhão pelo dossiê e foram apreendidos R$ 1,168 milhão, uma parte dos recursos ainda pode estar em poder dos envolvidos no escândalo.
A Polícia Federal vem sendo criticada pela demora em investigar e revelar a origem do dinheiro. Por trás disso, estaria o interesse do governo em não revelar atos que afetem a imagem do presidente Lula a poucos dias da eleição. No fim de semana, a polícia, em nota oficial, assegurou que está agindo de forma independente. "A PF, como em outras operações, cumpriu sua missão sem visar cores partidárias. Qualquer critica à ação exitosa da PF é resultado do momento político eleitoral", diz a nota.
O procurador Mário Lúcio Avelar, encarregado no Ministério Público pelo acompanhamento do caso, está intrigado com o fato de o Coaf e o Banco Central não estarem ajudando nas investigações. Por isso, decidiu fazer petição ao juiz Marcos Tavares, da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, para ordenar que os dois órgãos rastreiem o dinheiro do dossiê. Pela legislação vigente, toda movimentação superior a R$ 100 mil deve ser notificada pelos bancos ao Coaf, a quem cabe investigar se o dinheiro tem origem escusa ou não.

A Ira de Khan


Lula responsabiliza Berzoini por contratar envolvidos com dossiê

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou nesta segunda-feira o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), pela contratação dos envolvidos na compra de um dossiê contra os tucanos.
Em entrevista às rádios Tupi Rio, Tupi São Paulo e Capital, na manhã desta segunda-feira, Lula chamou os petistas que participaram da operação de "bando de aloprados", mas insistiu que é preciso investigar também o conteúdo do dossiê.
DE OLHO NA OPOSIÇÃO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma agenda política e econômica para enfrentar uma eventual crise de governabilidade caso seja reeleito. Ele avalia que a tentativa de compra de dossiê contra o PSDB dinamitou pontes com a oposição que estava reconstruindo, além de ter aumentado dúvidas do mercado e da imprensa sobre sua gestão em um eventual segundo mandato.Leia mais
"A vida humana é assim. Você escolhe um companheiro para determinada função... quem escolheu (a equipe) foi o presidente do partido (Berzoini), que era o coordenador da campanha eleitoral", disse Lula. A entrevista não estava agendada previamente.
O presidente reiterou que não se sente responsável pela escolha dos seus assessores de campanha. "Não admito que errei na escolha dos meus pares", completou Lula.
Ele declarou que, assim como a oposição, também quer saber a origem do dinheiro para a compra do dossiê.
"Eu quero saber não apenas de onde veio o dinheiro. Eu quero saber quem foi que mudou a engenharia política para essa barbárie que foi feita. Eu quero saber quem foi o engenheiro que arquitetou uma loucura dessas", afirmou Lula.

O Chefe dos Aloprados


Folha Online - 25/09/2006
Lula diz que envolvidos na compra de dossiê são um "bando de aloprados"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira que os envolvidos na compra de um suposto dossiê contra o ex-ministro José Serra são um "bando de aloprados". Lula deu uma entrevista para três rádios populares de São Paulo e do Rio de Janeiro. A entrevista não constava da agenda de Lula de presidente nem de candidato.
Na entrevista, Lula disse ainda que o responsável pela escolha da equipe de campanha é o presidente do PT, Ricardo Berzoini. Após a crise deflagrada pela tentativa de compra do suposto dossiê, Berzoini foi afastado da coordenação da campanha à reeleição de Lula. Ele foi substituído por Marco Aurélio Garcia.Lula afirmou ainda que quer saber a origem do dinheiro --R$ 1,7 milhão-- que supostamente seria usado na compra do dossiê antitucano. O dinheiro foi apreendido num quarto de hotel com o empreiteiro Valdebran Padilha e com o então funcionário do comitê de campanha de Lula Gedimar Pereira Passos. Ele disse que também quer saber quem armou todo o esquema e qual é o conteúdo do dossiê.

Charge do dia - Angeli


Folha de São Paulo - 25/09/2006

Enquanto isso, na Cãmara dos Deputados...

Correio Brazilense 25/09/2006
Câmara mantém 31 privilegiados

Adjuntos parlamentares, categoria criada no último ano do regime militar, são cedidos para gabinetes de deputados nos estados, sem qualquer custo para os parlamentares. Quem paga a conta é o cidadão
Além de milhares de secretários parlamentares e de centenas de cargos de natureza especial (CNEs), a Câmara ainda mantém uma categoria muito especial de servidores: os adjuntos parlamentares. Criada em 1984, último ano da ditadura militar, a categoria funcional tinha lotação correspondente ao número total de deputados. Com o tempo, foi sendo gradativamente extinta, mas ainda restam 31 integrantes.
Eles estão lotados em gabinetes de deputados, boa parte deles atuando nos estados de origem dos deputados, uma situação funcional que não estava prevista na resolução 102/84 da Câmara. Concursado da Câmara dos Deputados há 26 anos, o adjunto parlamentar João Geraldo Araújo está lotado no gabinete do mineiro Cabo Júlio (PMDB) desde o seu primeiro mandato, em 1999. A função do assessor, que fica no escritório político localizado no Barro Preto, em Belo Horizonte, é encaminhar as pessoas que procuram o deputado solicitando internações e consultas médicas através do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). De acordo com Cabo Júlio, Araújo trabalhava anteriormente na capital mineira para outro deputado, que não se reelegeu. “Ele então se apresentou a mim pedindo para ficar em Belo Horizonte. Eu consultei o regimento da Câmara e vi que cada deputado pode ter um assessor entre os concursados da Casa”, justificou o parlamentar. Segundo ele, o funcionário não representa qualquer custo para sua folha de pessoal, já que é pago pela Câmara. Por não trabalhar em Brasília, o deputado assegura que o salário de seu assessor é 45% menor. Procurado pela reportagem no local de trabalho, João Geraldo se negou a dar entrevistas e ainda foi muito agressivo com a equipe. “Não sou fantasma. Se estou aqui hoje é porque o regimento permite”, afirmou, aos berros. “Não vai ter entrevista. Peguem o regimento interno da Câmara para ler”, limitou-se a dizer. Há pouco mais de um mês, o Correio revelou que 600 CNEs estão desviados de função, cedidos para gabinetes de deputados, lideranças dos partidos e cargos da Mesa Diretora. Os salários desses servidores chegam a R$ 8 mil. Um mês após a publicação da reportagem, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), anunciou que seriam extintos cerca de 1,2 mil do total de 2,7 mil CNEs existentes. Em seguida, informou que serão extintos 1,5 mil cargos.

24 de set. de 2006

Ministério Público quer rastrear dinheiro do PT

Blog do Josias de Souza -24/09/2006

Dossiêgate: MP aciona judicialmente Coaf e BC

O juiz Marcos Tavares, da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, recebe nesta segunda-feira uma petição do Ministério Público Federal relacionada ao dossiêgate. Pede-se ao juiz que ordene a dois órgãos públicos – o Coaf e o Banco Central — o rastreamento do dinheiro que o PT usaria para comprar um dossiê contra os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin.

O dinheiro foi apreendido pela Polícia Federal no dia 15 de setembro. Estava com dois petistas presos no instante em que negociavam o dossiê no Hotel Íbis, em São Paulo: o empreiteiro e lobista Valdebran Padilha, que falava em nome da família Vedoin, comandante da gang dos sanguessugas, e Gedimar Passos, encarregado de fazer o pagamento. Retiveram-se R$ 1,168 milhão e US$ 248 mil. O que dá algo em torno de R$ 1,7 milhão.

Por trás da requisição do Ministério Público há uma suspeita não explicitada publicamente: o receio de que o governo esteja retardando a investigação sobre a origem do dinheiro para evitar constrangimentos à campanha reeleitoral de Lula. Estranha-se, sobretudo, o silêncio do Coaf, órgão do Ministério da Fazenda incumbido de rastrear toda e qualquer movimentação financeira acima de R$ 100 mil.

O blog apurou que, na última terça-feira, o procurador Mario Lúcio Avelar, que acompanha o caso pelo Ministério Público, conversou com o delegado Diógenes Curado Filho, escalado pela Polícia Federal para presidir o inquérito do dossiêgate. Avelar perguntou a Curado Filho sobre as providências adotadas para refazer a trilha do dinheiro. O delegado informou que o assunto estava encaminhado. Mas nenhuma informação havia aportado no processo até a noite de segunda-feira.

O fato contrasta com a impressão de agilidade que a Polícia Federal empenhou-se em difundir ao longo da semana. Vendera-se a idéia de que o rastreamento da dinheirama seria feito em tempo recorde. Informou-se, primeiro, que já haviam sido detectadas as casas bancárias de cujos guichês os reais teriam sido sacados: Bradesco, Safra e BankBoston. Divulgou-se depois, a suposta localização das agências: ficariam em São Paulo, nos bairros Barra Funda e Lapa; e no Rio, em Duque de Caxias.

Súbito, no meio da semana, a Polícia Federal deslocou de Mato Grosso para Brasília a parte da investigação relacionada ao dinheiro. Incumbiu-se da tarefa o delegado Luiz Flávio Zampronha, mais próximo do diretor-geral da PF, Paulo Lacerda. Zampronha é o delegado que atuou no caso do mensalão.

Na sexta-feira, o procurador Mario Lúcio e o delegado Diógenes Filho encontraram-se em Brasília. Foram ouvir depoimentos de petistas enredados na operação de compra do dossiê. Incomodado com a demora no rastreamento do dinheiro, o procurador revelou a intenção de recorrer à Justiça para mover as engrenagens do Coaf e do BC. O delegado assentiu.

A petição foi redigida no mesmo dia. Diógenes Filho ficou de encaminhá-la a Marcos Tavares, o juiz matogrossense, nesta segunda-feira. Em conversa com um amigo, Mário Lúcio disse que estará atento ao setor de protocolo da 1ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso. Caso o documento que redigiu não dê entrada, como combinado, ele tomará sozinho a iniciativa

Link para o Blog do Josias de Souza.

Teoria da Conspiração

Agência Carta Maior - 24/09/2006
"Há uma tentativa de golpe, irresponsável e oportunista", diz Tarso Genro

Em entrevista exclusiva à Carta Maior, o ministro da Articulação Política do Governo Lula diz que está em curso uma tentativa de golpe, irresponsável e oportunista. "É uma aventura da elite brasileira", denuncia. Tarso Genro também defende a necessidade de refundação do PT e a punição dos envolvidos no caso da tentativa de compra do dossiê.
Bernardo Kucinski - Carta Maior
“Há uma tentativa de golpe, irresponsável e oportunista . A direita reconheceu sua derrota e está criando as condições para golpear ou a diplomação, pela via judiciária, ou gerar um grau de instabilidade tal no segundo governo que impossibilite a governabilidade. É uma aventura da elite brasileira...”“O que acaba de acontecer com o PT é mais um elemento demonstrativo de que a refundação é radicalmente necessária.”“ Trata- se, no contexto dessa nova cultura política, de reorganizar o programa democrático e socialista no sentido de que ele seja mais contemporâneo, trata-se de compreender de uma maneira mais transparente e mais aberta o significado de uma nova política de alianças, contra a globalização tutelada pelo capital financeiro e na defesa de um projeto nacional...”“ Se o segundo mandato for mais do mesmo, será um governo fracassado. Num segundo governo Lula não podemos ter crescimento econômico inferior a 5% ao ano, não pode deixar de aprofundar a idéia de um projeto nacional não pode deixar de acelerar o processo de distribuição de renda, e não pode deixar de estimular o controle social do Estado de fora para dentro, para que o Estado possa ser efetivamente democratizado...”“ A receita que Palocci oferece (na sua carta programa) deve ser completamente descartada, ela não pode ser aceita, porque significa uma regressão à estabilidade como valor absoluto e não à sua combinação com o crescimento econômico e com distribuição de renda” .

Link para reportagem completa: Agência Carta Maior

A sacolinha do PSB em Pernambuco

O Estado de São Paulo - 24/09/2006

Presidente do PSB em PE se afasta do cargo após denúncias

Milton Coelho, candidato a deputado estadual por Pernambuco, é acusado de articulação de um suposto esquema de desvio de recursos públicos no valor de R$ 1 milhão para financiamento da sua campanha
O presidente regional do PSB pernambucano e membro da direção nacional do partido, Milton Coelho, pediu afastamento do cargo, na noite de sábado, após denúncia de seu envolvimento na tentativa de articulação de um suposto esquema de desvio de recursos públicos no valor de R$ 1 milhão para financiamento da sua campanha.
A denúncia foi feita pelo ex-militante estudantil Paulo Batista da Silva, de 25 anos, que prometeu entregar nesta segunda-feira, 25, nos Ministérios Públicos Federal e Eleitoral do Estado, gravações de conversas suas com Milton Coelho e com a mulher, dele, Simone Coelho. As fitas revelariam a intenção de recebimento de propina em troca de gestão do PSB para aprovação, junto a Petrobrás, de um projeto da empresa paulista Conceito Consultoria em Eventos Ltda., de instalação de uma pista de kart no gelo durante o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1. Orçado inicialmente em R$ 4,5 milhões, o projeto seria superfaturado para R$ 5,5 milhões.
De acordo com Batista, que representa a empresa, o projeto já havia sido apresentado à Petrobrás, que não demonstrou interesse. Orientado a buscar apoio político ao projeto, procurou o PSB pernambucano, em julho, através de um amigo ligado à legenda, que o apresentou a integrantes do partido. Depois dos primeiros contatos, disse ter passado a gravar as conversas, ao perceber que os socialistas queriam dinheiro para a campanha.

Do Blog do Josias de Souza

Lula compara-se a Jesus e diz que leva no 1º turno

"Eu nunca falei que iria ganhar a eleição no primeiro turno. Por modéstia, eu nunca falei. Nunca falei por respeito. Mas quero dizer para vocês: nós vamos vencer essas eleições domingo", disse Lula, em comício realizado neste domingo em Sorocaba (SP). "Se alguém achar que a eleição presidencial vai para o segundo turno, vai ter que esperar para concorrer em 2010. Porque esta eleição nós matamos no dia 1º de outubro."

Discursando para cerca de 4.000 pessoas, o presidente afirmou que "dia 1º de outubro é dia da onça beber água”. E disse estar sequioso: “Essa oncinha está com sede." Desdenhou das denúncias que assediam o PT e o Planalto: "Podem fazer denúncia. Façam o que quiser. Não tem problema. Nós vamos ganhar com a cara limpa."Neste ponto, meteu Jesus no meio da contenda. Só para realçar que o erro de discípulos não desmerece a obra do mestre. "A gente poderia pegar a história e iríamos perceber que, numa mesa de 12, um traiu Jesus Cristo." Noves fora Pedro, que o negou três vezes, Jesus, de fato, só teve um traidor. Mas a comparação de Lula soa, digamos, imprópria.

Primeiro porque o filho de Deus, onipresente como o Pai, a tudo via e de tudo sabia. Segundo porque, na santa ceia petista, a quantidade de Judas é bem maior. Aos 40 da denúncia do procurador Antonio Fernando de Souza veio somar-se a meia dúzia de compradores de dossiê. Terceiro porque a traição dos dias que correm vem custando bem mais do que trinta dinheiros.

Lula faz bem em esgrimir otimismo. É esse o papel de um candidato quando fala aos seus eleitores. De resto, apesar dos pesares, ele vai conseguindo, por ora, caminhar sobre o mar de denúncias com desenvoltura divina. Mas o favoritismo de ontem, vigoroso e acachapante, já não é tão vistoso. E a vitória, se vier, pode converter-se num triunfo de Pirro. O eventual segundo mandato avizinha-se como uma quadra de questionamentos e turbulências.

Link para o Blog do Josias de Souza

Tucanos na mira da PF

Folha de São Paulo - 24/09/2006
PF vai investigar gestão tucana na pasta da Saúde

Suspeita é que empresário tenha participado da liberação de emendas na gestão de Barjas

PF avalia que Abel Pereira pode ter negociado com os Vedoin a compra do dossiê que acusa tucanos de atuar na máfia dos sanguessugas


A Polícia Federal vai abrir um inquérito específico para apurar suspeitas de que o empresário Abel Pereira teria participado de um esquema ilegal de liberação de emendas no Ministério da Saúde na gestão do tucano Barjas Negri, sucessor de José Serra na pasta.
As emendas teriam beneficiado o grupo Planam, principal empresa da máfia dos sanguessugas. Em entrevista à revista "IstoÉ", duas semanas atrás, Luiz Antonio Vedoin (dono da Planam) disse que Abel era o responsável por liberar as emendas que favoreciam a quadrilha na gestão Negri, apesar de oficialmente não ter vínculo com a pasta. O ex-ministro nega envolvimento com os sanguessugas e afirma não conhecer os donos da Planam.Abel é empresário do município de Piracicaba (SP), da qual Negri hoje é prefeito.
O nome de Abel voltou ao escândalo após reportagens publicadas pela Folha, na semana passada, sobre os contatos que o empresário manteve recentemente com Vedoin. No dia em que a quadrilha fechou a venda para petistas de um dossiê contra Serra, Abel tentou pelo menos três vezes falar com Vedoin por telefone, chegando a deixar recados com um ex-cunhado do dono da Planam. No final do mês passado, Abel esteve hospedado por cerca de dez dias num hotel em Cuiabá.A PF avalia que Abel possa também ter negociado com Vedoin a compra do dossiê.
Na quinta-feira, quando prestou novo depoimento à PF, em Cuiabá, Vedoin entregou uma planilha com nomes das prefeituras que teriam tido emendas individuais ao Orçamento da União "pagas através de acerto com Abel Pereira".Ou seja, verbas para compra de ambulâncias teriam sido liberadas pelo Ministério da Saúde em 2002 graças a pagamento de propina a Abel. O empresário, que não foi localizado ontem para falar sobre a abertura do inquérito, nega recebimento de dinheiro. A planilha, segundo Vedoin, "incrimina Abel, ligado ao ex-ministro [Saúde] Barjas Negri".Ao Ministério Público Federal, Vedoin apresentou no dia 14, antes de ser preso, extratos bancários que comprovariam depósitos na conta de empresas supostamente ligadas a Abel para liberação de verbas.

Charge do dia - ANGELI


Folha de São Paulo - 24/09/2006

23 de set. de 2006

A Política e o Cabaré

Folha de São Paulo - 23/09/2006
LUIZ FERNANDO VIANNA

O Bataclã

Em "Gabriela, Cravo e Canela", Mundinho Falcão representa o novo, a alternativa que sai do Rio para combater os velhos barões do cacau em Ilhéus. Quando morre coronel Ramiro, chefe político local, Mundinho assume o poder sem fazer concessões: estende a mão para que o povo pobre a beije, alia-se aos coronéis, torna-se aquilo que combatia.
O retrato da velha Bahia feito por Jorge Amado não envelheceu tanto assim, descontados o figurino e alguns detalhes. Lula oferece em adoração as mãos simbolicamente cheias de Bolsa-Família enquanto beija literalmente as do coronel Jader Barbalho -que podiam ser as de Ney Suassuna e de tantos outros. Lula era, há apenas quatro anos, a imagem do novo, espelhada nas pessoas que enchiam Cinelândias, avenidas Paulistas e ruas de terra para comemorar a correção de uma história destinada a ter sempre os mesmos donos.
Hoje, Lula serve a esses donos para manter um projeto amorfo de poder, alimentado nas entranhas por Freuds, Gedimares, Valdebrans e outras figuras de identidades e funções estranhas.Mas, se a quadrilha de Collor foi desbaratada em 92, por que a de Lula resiste? É claro que a maior parte da resposta se encontra no legítimo apoio popular que ele tem, assentado sobre seu carisma, os programas de transferência de renda e alguns avanços econômicos.
Não é só. A única alternativa eleitoralmente viável é a sociedade PSDB-PFL-parte do PMDB, que produziu oito anos de iniqüidades. É a aliança dos doutores dos rincões com os coronéis da USP. Não espanta que Lula esteja na frente.Em "Gabriela", há um terreno em que cacaueiros, oposicionistas, malandros e jornalistas convivem à beira da civilidade: o bordel Bataclã. O governo Lula dá uma saudade danada da Maria Machadão.

22 de set. de 2006

O Mico do PT

Folha Online 22/09/2006
PF diz que dossiê tinha 2.000 páginas e citava PT e outros partidos

O delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno afirmou hoje que o dossiê original que seria comprado por integrantes do PT com supostas denúncias contra adversários era muito maior e abrangia "partidos de A a Z". Bruno foi o responsável pela prisão de Gedimar Pereira Passos e Valdebran Padilha em um hotel em São Paulo na sexta-feira passada.
"O Gedimar disse que o dossiê está envolvendo todos os partidos políticos e o próprio PT. Em nenhum momento o senhor Gedimar disse que era um dossiê contra o PSDB. Se vocês tiverem acesso aos meus autos, no futuro, verão que não ele não fala do PSDB", disse o delegado.
Na semana passada, a PF apreendeu uma fita de vídeo, um DVD e seis fotos --que formariam um suposto dossiê contra o ex-ministro José Serra. O material, entretanto, mostrava apenas Serra em cerimônias de entrega de ambulâncias.Bruno forneceu mais detalhes sobre a prisão dos dois na capital paulista. Primeiramente a PF prendeu Valdebran, que tentou negociar a entrega do restante do dossiê já sob a supervisão da polícia, mas a operação para conseguir o restante dos documentos não deu certo e foi interrompida. Logo depois, Valdebran teria indicado a presença de Gedimar, que foi detido no mesmo hotel.
De acordo com o delegado, os depoimentos indicam que o dossiê original teria cerca de 2.000 páginas e apontaria outras denúncias além do envolvimento com a máfia dos sanguessugas.Ainda de acordo com ele, os documentos teriam sido vistos antes em Cuiabá (MT). "Esta negociação [para comprar o dossiê], começou quando os Vedoin estavam presos na Polinter em Cuiabá", afirmou Bruno.
Na reconstituição do delegado, os Vedoin teriam avisado Valdebran que "alguém do PT" iria procurá-lo. Este alguém seria Gedimar, com conhecimento de Jorge Lorenzetti. Bruno afirmou também que o PT iria comprar uma espécie de "pacote de denúncias" que valeria em torno de R$ 2 milhões.

Charge do dia II - Lotti



Blog Pegausus

Pop Internacional IV

UOL Últimas Notícias - 22/09/2006
Escândalo do dossiê 'enlameia Lula', diz Libération

Após praticamente ignorar por vários dias o novo escândalo político brasileiro, os principais jornais europeus e americanos deram destaque nesta sexta-feira ao caso da suposta compra de um dossiê contra o ex-prefeito José Serra (PSDB) por pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“O Brasil já fala em um Watergate versão local”, diz reportagem do diário francês Libération. “Um novo escândalo enlameia o presidente Lula, candidato à reeleição e até agora dado como vencedor certo no primeiro turno.”O jornal observa que o inquérito aberto para apurar o caso somente deve ser concluído no ano que vem, mas “poderia levar à cassação do mandato de Lula se ele for reeleito”.
Na Espanha, o diário El País diz que o escândalo já foi batizado por alguns de “Watergate tropical” e destaca a tentativa de Lula de desvincular-se da crise, com declarações à TV alegando que a trama não faz sentido porque não lhe ajudaria “nem um milímetro”. O jornal observa que Lula “parece contar com uma couraça que o protege contra qualquer escândalo de corrupção” e que, após três anos em que enfrentou várias acusações e a queda de vários de seus ministros mais importantes, “a figura de Luiz Inácio Lula da Silva segue incólume”.
Em reportagem que ocupa quase meia página, o britânico Financial Times observa que “os assistentes pessoais do presidente brasileiro e o presidente de seu partido são implicados, mas ele se distancia com sucesso”.“Se a oposição acha que as últimas revelações vão virar a eleição, eles estão provavelmente subestimando as habilidades dos eleitores de considerar quase todos os delitos na política como algo que não foge muito à normalidade”, diz a reportagem.
O também britânico The Guardian, por sua vez, observa que “a oposição a Lula tem sido incapaz de transformar a crise generalizada sobre corrupção em votos”. “Os analistas minimizaram o possível impacto na campanha de Lula, argumentando que a opinião pública ficou saturada com alegações de corrupção.”O Times avalia que Lula sofreu um golpe em sua busca pela reeleição, que “parecia antes uma mera formalidade”.Na Alemanha, o Frankfurter Rundschau diz que “mais uma vez, pessoas próximas ao presidente estão no centro de um escândalo”. “A questão é se Lula também conseguirá superar esta crise intacto”, avalia a reportagem.
Para o espanhol ABC, o caso, que levou à troca do coordenador de campanha de Lula, “põe em sério risco sua reeleição”. O jornal destaca a declaração do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), adversário de Lula na disputa, comparando o presidente a um ladrão de carros que diz que não precisava daquilo e somente roubou porque pensava que sairia incólume.
O diário americano The New York Times também dá destaque ao caso, dizendo que “justo quando Lula pensava que já havia passado pelo pior dos escândalos que atormentaram seu governo nos últimos 18 meses, um novo e especialmente danoso escândalo apareceu”. A reportagem observa, porém, que “apesar de os analistas políticos dizerem que o escândalo mais recente pode ser danoso o suficiente para forçar um segundo turno, o resultado final não deve ser afetado”. O também americano The Washington Post traz em sua edição desta sexta-feira um artigo de opinião criticando a condução da política econômica do governo Lula, mas que ignora totalmente o novo escândalo.
A autora do artigo, Marcela Sanchez, observa que os analistas consideram necessário que o Brasil cresça a uma taxa muito maior do que os 3% esperados para este ano se quiser combater a pobreza e reduzir a desigualdade social, como prometeu Lula em sua campanha.“Se o crescimento não mostrar melhores dividendos logo, Lula terá dificuldades para manter seu apoio. E as coisas podem ficar difíceis também para a nova esquerda da América Latina, que está acompanhando de perto as tentativas do presidente brasileiro de triunfar sobre o antigo”, conclui o artigo.

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Quem pagou pelo Dossiê?

Agência Carta Maior -22/09/2006
Dossiê eleva tom da campanha presidencial a 10 dias das eleições


Crise que abalou campanha de Lula ainda deve ter um lance dramático: a origem dos R$ 1,7 milhões encontrados com petistas em SP.
Nesta quinta (21), também cresceu pressão para que PF aprofunde investigação sobre conteúdo do dossiê.
Marcel Gomes – Carta Maior
A crise política detonada pelo envolvimento de petistas na compra de um dossiê contra José Serra está seguindo um roteiro óbvio, cumprido ao pé da letra pela maior parte da mídia, mas também há um outro roteiro, “alternativo”, que começou a ganhar espaço nesta quinta-feira (21).O primeiro roteiro tem como próxima cena a revelação sobre a origem dos R$ 1,7 milhões encontrados com os petistas em um hotel de São Paulo. A Polícia Federal já sabe quais foram as agências bancárias que liberaram o dinheiro, mas os nomes dos titulares das contas ainda permanecem sob sigilo. Dependendo dos resultados dessa investigação, outros petistas e membros do governo Lula podem ir para a berlinda. Para afastar um desses boatos que sempre surgem em época de crise, o ministro Luiz Marinho (Trabalho) rebateu nesta quinta (21) o que ele chamou de “insinuações irresponsáveis” que envolveriam a pasta no caso. O boato, que virou reportagem em alguns veículos, dizia que uma fundação chamada Unitrabalho, onde trabalhou o petista Jorge Lorenzetti, envolvido com a compra do dossiê, havia liberado o dinheiro para o negócio. A fundação, que tem projetos financiados com dinheiro público, também negou nesta quinta qualquer envolvimento com o escândalo.Mas há também um roteiro “alternativo” para a crise. “Alternativo” porque foi deixado de lado pela maior parte da mídia, mas que tem potencial suficientemente grande para causar estragos nas candidaturas do PSDB. A Polícia Federal, parte da imprensa e parlamentares da CPI dos Sanguessugas investigam as relações da família Vedoin com o tucano Barjas Negri, ex-ministro da Saúde na gestão de Fernando Henrique Cardoso, e ligado a José Serra. Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia de superfaturamento das ambulâncias, prestou depoimento nesta quinta em Cuiabá, onde está preso provisoriamente. O teor de seu depoimento não foi divulgado.
 
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