Fragmentos: Dentro da noite veloz - Ferreira Gullar

A vida muda como a cor dos frutos lentamente e para sempre. A vida muda como a flor em fruto velozmente.
A vida muda como a água em folhas o sonho em luz elétrica a rosa desembrulha do carbono o pássaro da boca mas quando for tempo.
E é tempo todo o tempo mas não basta um século para fazer a pétala que um só minuto faz ou não mas a vida muda a vida muda o morto em multidão.


13 de out. de 2006

Morde e Assopra!

Folha de São Paulo 13/10/2006
Campanha de Lula ataca a família de Alckmin e recua

Partido cita mulher e filha de adversário em boletim e depois pede desculpas
Presidente abre propaganda eleitoral dizendo que não desejava "baixaria"; Marco Aurélio Garcia afirma que ataque foi "inapropriado"

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

No dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu sua propaganda eleitoral dizendo que não desejava "baixaria", os sites na internet do PT e de sua campanha divulgaram um boletim com ataques a familiares do tucano Geraldo Alckmin. No final da tarde de ontem, o PT pediu desculpas em nota assinada pelo presidente da legenda e coordenador da campanha, Marco Aurélio Garcia.
Retirado do ar por ordem de auxiliares de Lula, o texto "O telhado de vidro de Alckmin" atacava Sofia e Lu Alckmin, respectivamente a filha e a mulher do tucano. O boletim criticava ainda veículos de comunicação e acusava o tucano de "hipocrisia e moralismo de ocasião"."Alckmin não deveria colocar o debate neste nível [sobre saber ou não de irregularidades]. Afinal, alguém poderia perguntar se ele sabia que sua filha era funcionária de uma empresa acusada de contrabando, a Daslu, ou se tinha conhecimento [de] que sua esposa ganhou de presente 400 vestidinhos chiques", diz o texto.
Em 2005, a PF prendeu a dona da Daslu sob acusação de evasão de divisas e contrabando.O texto foi retirado do site da campanha às 12h40 por determinação de um auxiliar do presidente, que falou com Garcia. Às 15h49, o site do PT reproduziu o texto, que seria retirado meia hora depois por orientação do presidente do PT.
Responsável pela área de internet da campanha e secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar disse que foi o autor do boletim. "Eu passei da mão. O Lula não aprovou a referência aos familiares e elas foram retiradas. O texto deverá voltar a ser divulgado sem essas menções", disse.
Por determinação de Lula, Pomar redigiu nota assinada por Garcia e que foi divulgada às 17h39 no site do PT. Ela dizia que o presidente, o partido e seus aliados consideravam "totalmente inadequado, inapropriado e lamentável lançar mão de ataques pessoais envolvendo os candidatos ou suas famílias". A nota afirmou que Lula sofrera ataques semelhantes em campanhas passadas. "Exatamente por isso, consideramos incorretas e nos desculpamos publicamente pelas referências feitas -em um boletim da campanha- a familiares do candidato da oposição."
Segundo relato de auxiliares diretos à Folha, Lula ficou contrariado quando soube do episódio por volta das 13h e deu ordem para que as informações do site de sua campanha passem pelo controle prévio do marqueteiro João Santana.
Na avaliação de Lula, ataques desse tipo poderiam colocar em risco a sua reeleição, pois vitimizariam Alckmin e poderiam resultar num contra-ataque à sua família. Lula teme que o PSDB lance suspeitas sobre a empresa de um filho seu, Fábio Luiz, que recebeu da Telemar um aporte de recursos no valor de R$ 10 milhões. No debate da TV Bandeirantes no último domingo, apesar do tom agressivo do evento, o petista e o tucano deixaram os parentes fora da disputa.

12 de out. de 2006

Mercadante Mercador

UOL Eleições 2006

PF quer ouvir Mercadante sobre dossiê contra tucanos

Por Áureo Germano

A Polícia Federal pretende ouvir o depoimento do senador Aloizio Mercadante, candidato do PT derrotado ao governo de São Paulo, nas investigações sobre a tentativa de negociação do dossiê contra políticos tucanos.
Uma fonte ligada à investigação afirmou à Reuters, sob a condição de anonimato, que a partir da descoberta de fortes indícios da participação de seu ex-coordenador de campanha Hamilton Lacerda na tentativa de aquisição dos documentos, os investigadores se convenceram da necessidade de ouvir o parlamentar sobre o suposto envolvimento de seu comitê eleitoral no caso."É preciso saber até onde vai o conhecimento do senador a respeito do envolvimento de seu (ex-)coordenador no caso", explicou a fonte.
Hamilton foi flagrado pelo sistema de vídeo de um hotel de São Paulo transportando uma bolsa na qual a PF suspeita que estaria parte dos cerca de 1,7 milhão de reais --apreendidos com Gedimar Passos e Valdebran Padilha, ligados ao PT-- que seriam utilizados na aquisição do dossiê.

Link para reportagem completa - site do UOL

11 de out. de 2006

Mais uma, Maluf!

Última instância - Revista Jurídica

Justiça paulista condena Paulo Maluf por improbidade administrativa

A juíza de direito Silvia Maria Meirelles Novaes de Andrade, da 12ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, condenou Paulo Maluf, ex-prefeiro de São Paulo, por improbidade administrativa. A decisão suspende seus direitos políticos por dez anos, mas a pena só pode ser aplicada quando a sentença transitar em julgado (todos os recursos possíveis esgotados). O futuro deputado federal já possui uma condenação transitada em julgado, de março de 2001.
Na prática, Maluf poderá assumir o cargo de deputado federal em 1º de janeiro de 2007, para o qual foi eleito com 739.827 votos. O ex-prefeito também está condenado a pagar multa cível equivalente a três vezes à vantagem patrimonial auferida, atualizada para a data do pagamento, bem como ao pagamento das despesas processuais. Cabe recurso de apelação ao Tribunal de Justiça de São Paulo.De acordo com informações do Ministério Público, a ação foi proposta em 24 de julho 1996 pela Promotoria de Justiça da Cidadania de São Paulo. A promotoria afirma que Maluf, recém-eleito deputado federal, teria se utilizado da máquina pública para promoção pessoal.
A advogada Patrícia Rios, uma das defensoras de Maluf na área cível, afirma que vai recorrer da decisão e que o ex-prefeito "é um cidadão no pleno gozo de seus direitos, tanto que vai assumir seu cargo de deputado federal no dia 1º de janeiro de 2007". Ela também afirmou que, assim que Maluf assumir suas novas funções em Brasília, seu eventual recurso automaticamente passará a correr no Supremo Tribunal Federal, já que os deputados federais têm foro privilegiado.
Enquanto prefeito, Maluf teria, às custas dos cofres municipais, determinado a promoção de campanhas publicitárias por meio de outdoors e de publicações na imprensa televisiva, utilizando-se de seu símbolo pessoal, um trevo vermelho formado por quatro corações simétricos, criado especialmente para suas campanhas político-eleitorais.
De acordo com o Ministério Público, o objetivo dessa medida seria o claro e ostensivo objetivo de promoção pessoal com dinheiro público, o que desrespeitaria o artigo 37, §1º, da Constituição. A ONG Transparência Brasil, que faz um acompanhamento da atuação dos políticos no país, informa que tramitam contra o ex-prefeito dois processos de interesse da Promotoria da Cidadania paulista sobre o desvio de dinheiro na construção da Avenida Águas Espraiadas. O processo cível, no qual os bens de Maluf foram bloqueados, corre na 4ª Vara da Fazenda Pública; o criminal corre na 2ª Vara Federal Criminal e resultou na retenção de seu passaporte.

Link para a reportagem completa

Charge do dia - Aroeira

Pinóquios

CLÓVIS ROSSI

Mentiras e indigência

Durante a campanha eleitoral de 2002, Ciro Gomes vinha subindo nas pesquisas até enroscar-se na própria língua: começou a contar mentiras, rapidamente desmascaradas, e caiu até ficar atrás de Anthony Garotinho na hora da contagem de votos. Eram pequenas mentiras, como a de jurar que estudara a vida inteira em escolas públicas, o que se provou falso. Mas parece que o eleitorado se deu conta de quem conta pequenas mentiras pode também contar grandes mentiras e, por extensão, é inconfiável para governar o país (ou o que quer que seja).
Se os votantes aplicassem idêntico critério para os dois candidatos remanescentes em 2006, o país ficaria sem presidente. Afinal, como a Folha mostrou ontem, tanto Luiz Inácio Lula da Silva como Geraldo Alckmin contaram mentiras -e grandes mentiras, não as pequenas que desclassificaram Ciro há quatro anos.
A principal mentira diz respeito, em ambos os casos, a crescimento econômico, dado fundamental para o pobre país tupiniquim. Lula "chutou" alto, bem de acordo com a megalomania que o caracteriza, ao dizer que nunca, nos últimos 20 anos, o país crescera tanto. Falso, mostrou a Folha ontem. Alckmin disse que São Paulo é que cresceu mais que a média nacional. Igualmente falso, como igualmente mostrou a Folha ontem.
Digo que é a principal mentira porque, se ambos estão satisfeitos com o desempenho econômico do país que um governa e do Estado que o outro governou, estamos todos roubados. Afinal, o crescimento da renda per capita do Brasil no século 21 foi de indigente 0,8% na média anual. O século 21 dividiu-se igualmente entre os irmãos-inimigos PT e PSDB. Se ambos festejam a indigência, seria melhor mesmo que ninguém se elegesse. O país talvez caminhasse com mais garbo.
crossi@uol.com.br

Link para Folha de São Paulo: assinantes

Um dos chefe da quadrilha

Correioweb - 11/10/2006
CPI acredita que Berzoini mandou comprar dossiê
Ugo BragaDo Correio Braziliense 11/10/200607h20-

O delegado Diógenes Curado, responsável pelo inquérito aberto pela Polícia Federal para investigar o caso do dossiê tucano, já tem montada uma história com começo, meio e fim sobre o caso. Segundo contou à comitiva de deputados da CPI dos Sanguessugas mandada a Cuiabá na segunda-feira, a operação não era uma tentativa desesperada de virar a eleição paulista na reta final da campanha. Ao contrário, começou antes mesmo de agosto. E teve participação ativa da cúpula da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição.
Pela versão atribuída à PF mato-grossense, a trama do dossiê partiu do então diretor de gestão de risco do Banco do Brasil, Expedito Antônio Veloso. Ele teria reunido informações comprometedoras sobre a relação dos sanguessugas com o empreiteiro paulista Abel Pereira. Este é muito próximo do último ministro da Saúde do governo Fernando Henrique Cardoso, o tucano Barjas Negri, hoje prefeito de Piracicaba (SP). E seria o laranja no pagamento de propinas a Negri. Era a prova que o PT procurava para jogar a máfia dos sanguessugas no colo da gestão anterior.
Uma vez confirmada, Expedito a teria passado a Jorge Lorenzetti, amigo pessoal, churrasqueiro preferido do presidente da República e chefe do grupo de análise de risco da campanha. Lorenzetti assumiu a operação do caso. Já portando as informações sobre os elos dos sanguessugas com o PSDB, Expedito Veloso foi três vezes a Cuiabá no mês de agosto. Negociou pessoalmente com Luiz Antônio Vedoin o preço e o conteúdo do dossiê, assim como uma entrevista dele atestando a papelada a algum veículo de amplitude nacional. Lorenzetti o acompanhou em duas dessas viagens. Animado com o que viu, Lorenzetti teria negociado o preço do dossiê (que baixou de R$ 20 milhões para R$ 2 milhões) e informado ao então presidente do PT, Ricardo Berzoini, que valia a pena comprá-lo. Recebeu deste sinal verde e foi a luta.

Reflexos do debate?

Lula amplia vantagem sobre Alckmin, diz Datafolha

Folha Online

A primeira pesquisa Datafolha após o debate na TV entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), realizado no último domingo, aponta que a vantagem do candidato petista subiu para 11 pontos em relação ao seu adversário tucano.
A intenção de voto em Lula oscilou de 50% para 51%. Já Alckmin caiu três pontos, de 43% para 40%, em relação a pesquisa anterior publicada no último dia 6. Considerando apenas os votos válidos, excluindo brancos e nulos, o candidato do PT à reeleição tem 56% contra 44% do ex-governador de São Paulo. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos, para mais ou para menos.O Datafolha entrevistou 2.868 eleitores em 194 municípios de 25 Estados. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número 21.972/2006.
Leia a pesquisa completa na edição desta quarta-feira da Folha de S.Paulo (só para assinantes).

10 de out. de 2006

Tiroteio pós-debate: Folha Online












Lula errou em acusação na TV, afirma líder do PT

Lula critica "pequenez" de Alckmin e diz que tucano só sabe privatizar

Líder do PSDB diz que Lula está desesperado e tenta criar fatos contra Alckmin

Lula diz que Alckmin é especialista em destruir o que ele construiu

Serra diz que Lula utilizou governo como "propriedade do PT"

Pergunta simples


Por que Lula não investigou?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz estar pronto para discutir corrupção e ética com o oponente, o tucano Geraldo Alckmin. Ministros, ex-ministros e aliados passaram a lembrar casos e suspeitas de corrupção do governo Fernando Henrique Cardoso, presidente por dois mandatos (1995-1998 e 1999-2002). E acusaram FHC e Alckmin de terem abafado CPIs quando presidente e governador.
Todo o governo diz: Lula quer debater, agora acha os confrontos na TV fundamentais para ganhar a eleição, está pronto para discutir ética, economia, política social.
No entanto, algumas perguntas sobre ética são pertinentes:
Se havia tantos casos de corrupção no governo FHC, porque o PT quer ressuscitá-los agora, quando não venceu no primeiro turno?
Por que Lula não mandou investigar tais acusações e suspeitas quando assumiu o poder em 2003?Se houve corrupção, o presidente não teria sido conivente ou omisso por não ter determinado apurações?
Se não houve corrupção, o presidente não estaria sendo leviano e jogando na confusão para fazer um contraponto ao mensalão e ao dossiêgate?
Se Lula está realmente preparado para debates, é importante que tenha respostas para essas perguntas. Do contrário, subestimará mais uma vez Alckmin. E poderá se dar muito mal.
No início do ano, quando o ex-governador de São Paulo foi escolhido candidato a presidente do PSDB, Lula disse a auxiliares que o achava mais perigoso do que José Serra, que perdera então a indicação partidária.
Motivo: Alckmin seria um fato novo, imprevisível. Já Serra, apesar do maior cacife nas pesquisas, foi derrotado pelo petista em 2002 e seria um inimigo conhecido. Portanto, mais previsível.
Com o passar tempo, a série de pesquisas que dava a Lula vitória em primeiro turno levou Alckmin a ser visto pela cúpula do governo como um chuchu marcado para perder. Não há dúvida de que o dossiêgate foi, sim, o maior responsável pela existência do segundo turno. A campanha de Alckmin comete um erro ao avaliar que haveria segundo fase independentemente do tiro no pé dado pelo PT.
No entanto, seria prudente o PT perceber que Alckmin atravessou o deserto com frieza e solidão incríveis. Talvez tenha tido algum mérito no cumprimento dessa tarefa. Talvez esteja mais para o adversário imprevisível do início do ano do que para o chuchu que apanhou calado na campanha do primeiro turno.
Kennedy Alencar, 38, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos.

Link para a coluna Pensata na Folha Online

Instituto Candango de Solidariedade aos LADRÕES

Correio Braziliense 10/10/2006
Atrás de desvios de R$ 1 bilhão

Investigadores procuram destino do restante do dinheiro público do Instituto Candango de Solidariedade. Devassa feita nas contas do ICS por integrantes de força-tarefa indicou irregularidades

Uma devassa realizada por auditores da Receita Federal e de outros órgãos do governo federal na contabilidade do Instituto Candango de Solidariedade (ICS) indica que a entidade filantrópica pode ter desviado nos últimos três anos quase R$ 1 bilhão de recursos repassados pelo Governo do Distrito Federal (GDF) e pelo Ministério da Saúde.
Investigação de força-tarefa da Receita Federal, Ministério Público e Polícia Federal indicou que R$ 26 milhões de recursos públicos foram parar na conta de empresas ligadas ao ex-presidente da entidade, Ronan Batista de Souza, e do atual, Lázaro Severo Rocha, conforme revelou o Correio na edição de domingo. Numa segunda fase de investigação, os auditores procuram agora o destino final do restante da bolada de recursos públicos que teve o destino modificado e ficou com dirigentes da instituição.
“Os R$ 26 milhões que encontramos é apenas uma migalha em relação ao montante de recursos desviados”, disse uma fonte ligada às investigações. Diante dos fortes indícios de desvio de recursos públicos, o Ministério Público de Contas do Distrito Federal adverte: “As irregularidades dos contratos de gestão, firmados com o ICS (Instituto Candango de Solidariedade), bem como as falhas e os desvirtuamentos constatados na execução do objeto contratual, são capazes de influenciar a regularidade das contas do governo”. O alerta de que os contratos com o ICS podem comprometer a prestação de contas do GDF está no relatório analítico e parecer prévio sobre os gastos do Executivo, referente a 2005, relatado pela conselheira do Tribunal de Contas do DF Marli Vinhadeli.
Em seis páginas, são listados 82 contratos sob suspeita do ICS com diferentes órgãos do GDF e identificados desvios como a falta de acompanhamento de execução, a contratação de mão-de-obra sem concurso público e a previsão de serviços sem estudo de viabilidade econômica. “As apurações existentes permitem concluir pela irregularidade da execução”, atesta o relatório.

Dossiê zoológico: deu avestruz na cabeça

Correio Braziliense - 10/10/2006
Dinheiro do jogo do bicho

Polícia Federal investiga se parte dos R$ 1,7 milhão apreendidos com petistas veio de bicheiros ou de caixa 2 de campanha

Marcelo Rocha - Enviado especial

Cuiabá — A Polícia Federal suspeita que parte do dinheiro arrecadado por petistas para a compra do dossiê contra o PSDB tenha origem em bancas do jogo do bicho no Rio. A linha de investigação foi debatida ontem durante encontro entre quatro integrantes da CPI dos Sanguessugas e o delegado Diógenes Curado, encarregado de desvendar de onde saíram os R$ 1,7 milhão (em notas de dólares e reais) que seriam usados na negociação do material que pudesse comprometer tucanos com os sanguessugas.
Os policiais também não descartaram a hipótese de que a procedência dos recursos seja de caixa 2 de campanha. Duas tiras de papel encontradas com os R$ 1,1 milhão e os US$ 248,8 mil que estavam em poder de Valdebran Padilha e Gedimar Passos, em São Paulo, chamaram a atenção dos investigadores. Elas trazem anotações de valores e fazem referência a duas localidades no Rio: Duque de Caxias e Campo Grande. Ao lado de cada nome, havia ainda um número que a polícia acreditava se referir a bancos (118 e 119, respectivamente). Após pesquisar a rede bancária, a PF constatou que não existem tais números.
Com isso, ganhou força entre os policiais a tese de que o dinheiro tenha origem no jogo do bicho. Também não foram descartadas outras fontes de recursos, como casas de bingo. A forma como o dinheiro foi encontrado também fez aumentar a desconfiança: boa parte em notas velhas e miúdas, de R$ 5 e R$ 10. “Essa foi uma operação digna de concorrer ao prêmio Nobel de burrice”, desabafou o deputado Paulo Rubem Santiago (PT-PE), um dos sub-relatores da CPI ao receber do delegado Diógenes Curado um panorama das investigações. Como integrante do partido, não lhe restou outra alternativa: cobrar explicações do presidente afastado da legenda. “Por maior ou menor grau de envolvimento, ele, como presidente do partido deveria ter abortado essa operação”, afirmou o pernambucano.

Fantasmas

CLÓVIS ROSSI

A assombração

É complicada a vida de um governante que, chamado reiteradamente de mentiroso por seu principal oponente do momento, não consegue demonstrar, em momento nenhum, que quem mente é o acusador. Aconteceu domingo com Luiz Inácio Lula da Silva ante um Geraldo Alckmin subitamente transformado de "picolé de chuchu" em atirador de facas.
O debate da Band serviu para demonstrar, uma vez mais, que, apertado, Lula entrega os companheiros sem a menor cerimônia para tentar livrar-se do fantasma que persegue o seu governo e o seu partido. Já havia ocorrido em entrevistas a William Bonner/Fátima Bernardes e, antes, a Pedro Bial, todos da Globo.
O presidente entrega seus auxiliares e seus amigos para poder refugiar-se no cantochão de que não pode saber de tudo o que acontece nos cantos de seu governo, em especial, os cantos escuros, que não são poucos.
Mesmo que seja verdadeiro, o argumento tem, por baixo, por baixo, dois graves inconvenientes: 1 - Dá a Alckmin um habeas corpus preventivo. Se Lula não sabe do que se passa em seu próprio governo, como Alckmin poderia saber, ainda mais quando a suspeita recai sobre governo alheio (no caso o de Fernando Henrique Cardoso)?
2 - Permite a dúvida que foi explicitada na pergunta do jornalista Franklin Martins. Se Lula não sabe das coisas, quem pode garantir que, no futuro, não se repitam os crimes cometidos (e confessados) às costas do presidente? Pior: quem pode garantir que neste exato minuto algum "aloprado", como diz Lula, não esteja tramando algum novo trambique em alguma sala do próprio Palácio do Planalto?
Significa dizer que a assombração continuará pairando sobre um eventual segundo governo Lula, mesmo que não seja suficiente para impedir agora a sua vitória.
crossi@uol.com.br
Link para a Folha de São Paulo: Assinantes

Ecos do Debate

Charge do dia - Glauco - Folha de São Paulo

Alckmin se diz "zen", acusa Lula de mentir e cobra origem de dinheiro
Alckmin agiu como "delegado de porta de cadeia", diz Lula
Tucano afirma que externou sentimento de revolta "que estava parado na garganta de todo mundo
Petista se queixa da falta de "nível" e afirma ter vivido um de seus dias mais tristes

9 de out. de 2006

Do blog do Noblat


Lula decepcionado com Alckmin


Lula se disse surpreso e decepcionado com a postura de Alckmin depois do debate de ontem na Rede Bandeirantes.

Jaques Wagner, eleito governador da Bahia, que voltou com Lula de São Paulo para Brasília, relatou que o presidente não esperava os ataques que recebeu no programa. Esperava que questões de programa de governo fossem o centro das discussões.

Diante da postura de Alckmin no primeiro debate, Lula avisou que vai se preparar melhor para rebater críticas nos próximos programas:

- Já entendi. A única coisa que eles querem é isso. Vou me preparar, embora quisesse discutir projetos -, disse Lula ao voltar para Brasília.

O próximo debate está marcado para a próxima segunda-feira na TV Gazeta. A conferir.

Link para o Blog do Noblat

Um homem de Opinião

Homenagem a Fernando Gasparian

Com a morte de Gasparian, fundador do jornal Opinião, está extinta a geração de empresários nacionalistas que foi combatida pela Ditadura Militar. Eram homens preocupados com um projeto nacional de desenvolvimento, que Gasparian simbolizava e em nome dos quais atuava na cena política.

Bernardo Kucinski

Passou quase despercebida na grande imprensa a morte na última sexta-feira (6) de Fernando Gasparian, o fundador do jornal Opinião, um dos mais importantes semanários de nossa história e referência da luta da imprensa alternativa contra a ditadura militar.
Conheci Gasparian e sua esposa em Londres no início de 1972, em pleno regime Médici. Com eu, ele estava em “exílio voluntário”. Eu havia saído de Veja com a equipe liderada por Raimundo Pereira, que trabalhou nas capas denunciando as torturas no Brasil. Gasparian e sua esposa estavam traumatizados com o seqüestro e assassinato, pelos militares, de seu grande amigo, o deputado federal também nacionalista Rubens Paiva.
Gasparian, dono da indústria têxtil América Fabril, era de uma geração de empresários nacionalistas que entrou em desgraça com o golpe militar de 1964. Suas empresas, em geral familiares, foram submetidas ao cerco econômico. Alguns deles, como Pignatari, sofreram confisco patrimonial e tiveram que fechar as portas ou suas empresas foram compradas na bacia das almas por grupos estrangeiros. Com a morte de Gasparian, pode-se declarar extinta essa geração de empresários nacionalistas, preocupados com um projeto nacional de desenvolvimento, que ele simbolizava e em nome dos quais atuava na cena política. Gasparian, em especial, era muito amigo de Celso Furtado, Fernando Henrique Cardoso, Barbosa Lima Sobrinho, Enio Silveira e outros intelectuais progressistas e/ou nacionalistas, que tentavam pensar um futuro para o Brasil. Tudo isso também foi interrompido de modo brutal pelo golpe militar.
Profundamente chocado, Gasparian pensava em lançar no Brasil um jornal moderno, que não tivesse com a ditadura a relação complacente da maioria dos jornalões brasileiros; um jornal que combatesse a ditadura militar e o entreguismo. Lembro que chegamos a visitar juntos uma feira de equipamentos gráficos em Londres. Indiquei a ele Raimundo Pereira como o jornalista capaz de liderar um projeto desse porte. Assim nasceu, poucos meses depois, o semanário Opinião.
Nessa época, outros empresários ou amigos de empresários também ajudaram a viabilizar projetos de imprensa alternativa de combate aberto ou velado ao regime militar. A revista Bondinho não teria existido sem a ajuda de Thomas Fárkas, dono da Fotóptica, e de Bresser Pereira, ligado ao grupo Pão de Açúcar (dai o nome Bondinho). Pasquim contou de início com apoio de Murilo Reis, dono de uma distribuidora de jornais e revistas.Mas Gasparian foi de todos o que mais se dedicou ao que poderíamos chamar de “mecenato político”, bancando todo o projeto desde o início, no segundo semestre de 1972, até sua última edição, 231 semanas depois, em abril de 1977. O projeto do Raimundo combinava o melhor da experiência de Veja, como semanário de atualidades que chegava simultaneamente a todas as grandes cidades brasileiras, e o melhor da imprensa mundial progressista da época, como o Le Monde, o The Guardian e o Financial Times. Gasparian fez acordos editoriais com todos eles, também como forma de blindar Opinião contra os ataques do regime militar. Richard Gott e Basil Davidson podiam ser lidos em Opinião. Também escreviam no semanário os principais intelectuais brasileiros da época, como Celso Furtado, Luciano Martins e Niemeyer. Com diagramação moderna e desenhos elegantes a bico de pena ao estilo do New York Times Review of Books, por Cássio Loredano e Luís Trimano, Opinião nasceu como se já tivesse cem anos de tradição.
Mas a força bruta da repressão prevaleceu sobre a qualidade e o cuidado editorial. Os tempos eram duros. Não por acaso, a capa do número zero era uma fina caricatura em bico de pena de Plínio Salgado, líder da extrema direita brasileira, que então se tornava cada vez mais forte junto ao governo Médici. A censura pegou Opinião já na nona edição e foi apertando o cerco até se tornar devastadora a partir da edição 23. Do material enviado para Brasília, metade era vetada ou mutilada.Quando Gasparian fechou o jornal, em abril de 77, Geisel fechava o Congresso, para baixar o famoso “pacote de abril”, que mudou as regras do jogo eleitoral numa tentativa de manter artificialmente uma maioria conservadora. De Médici a Geisel, esses foram os tempos vividos por Opinião. Tempos de resistência. Opinião tornou-se um símbolo de imprensa de resistência e Gasparian, sem dúvida está no céu, nem que seja só por isso.
Bernardo Kucinski, jornalista e professor da Universidade de São Paulo, é editor-associado da Carta Maior. É autor, entre outros, de “A síndrome da antena parabólica: ética no jornalismo brasileiro” (1996) e “As Cartas Ácidas da campanha de Lula de 1998” (2000).

Primeiro Roud II

Blog do Josias de Souza

Alckmin venceu o debate com Lula por um ponto: '?'

O tête-à-tête deste domingo deu o tom do que será a campanha presidencial no segundo turno. Quando um quer, dois acabam brigando. E Alckmin demonstrou que quer brigar. Foi ao ringue da TV Bandeirante de luvas em punho. Saiu distribuindo “chuchutes”. Venceu a luta por um ponto. O ponto de interrogação.

Como previsto, o debate converteu-se em luta de boxe. Uma luta em que Lula entrou, na maior parte dos cinco rounds, com a cara. Beneficiado pelo sorteio, coube a Alckmin a primeira pergunta. Poderia tê-la usado para fustigar o adversário com jabs de esquerda. Mas não perdeu tempo com golpes preparatórios.

Alckmin desferiu logo um direto de direita no calcanhar-de-aquiles de Lula. “De onde veio o dinheiro sujo, R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo, para comprar dossiê fajuto”? No contragolpe, Lula tentou respirar: “Quero saber quem arquitetou esse plano maquiavélico, quero saber qual é o conteúdo do dossiê, de onde vem o dinheiro. O único ganhador nesse trambique foi a candidatura do meu adversário (...)”.
Na réplica, porém, Alckmin empurrou o adversário para o córner: “Olha nos olhos do povo brasileiro e responda: de onde veio o dinheiro”? Lula não tinha resposta: “Não sou policial, sou presidente da Republica. O governador ainda tem saudade do tempo da tortura (...).” E Alckmin, algumas perguntas depois: “A questão do dinheiro, não precisa fazer tortura para saber de onde veio o dinheiro. É só perguntar para o PT (...). É só chamar os seus amigos de 30 anos e perguntar.”
Essa primeira troca de golpes deu o tom do embate, que girou em torno da ética por duas horas e meia. A grande novidade foi o timbre de Alckmin. De chuchu aguado, o candidato converteu-se em pimenta ardida. Manteve-se no ataque durante todo o tempo.
Lula também desferiu os seus socos. Martelou perversões da era FHC e do governo de Alckmin em São Paulo –as privatizações mal explicadas, a compra de votos da reeleição, o caixa dois de Eduardo Azeredo, a paternidade tucana das sanguessugas e dos vampiros, Barjas Negri, Abel Pereira, as 69 CPIs enterradas. Mas seus ataques vieram sempre na forma de contra-golpes de um lutador acuado.
Embora relevantes, os casos que Lula mencionou, por antigos, não têm a mesma materialidade plástica da montanha de dinheiro (R$ 1,7 milhão) que ninguém sabe de onde veio. Para desassossego de Lula, nos poucos instantes em que se discutiu programa de governo, o presidente não teve nem tempo nem organização mental para expor as coisas boas que julga ter realizado em quatro anos de mandato.
Alckmin subiu ao tablado com uma missão: não deixar o adversário respirar. Para atingir o seu intento, não hesitou em apelar para os golpes baixos, como nos instantes em que trouxe os gastos com os cartões de crédito da presidência e a compra do Aerolula. Chegou mesmo a dizer, se eleito, venderá o avião presidencial para construir cinco hospitais. Como se isso fosse resolver os problemas do país.
Em certos momentos, o boxe resvalou para a briga de rua. Alckmin chamou Lula de mentiroso em três oportunidades. Numa delas, o presidente pediu direito de resposta, negado pelos organizadores do debate. Revidou chamando Alckmin de leviano.
O Lula que foi aos estúdios da Bandeirantes não fez jus ao polemista experimentado dos embates de assembléias sindicais e de disputas presidenciais anteriores. O presidente apanhou nos dois primeiros rounds. Só não foi a nocaute porque recobrou os sentidos nos dois rounds seguintes.
Embora não tenha tido desempenho capaz de anular a vantagem do rival, Lula voltou à luta. Recuperou até a capacidade de produzir ironias, como no instante em que aconselhou o candidato a retomar o figurino leguminoso: “Sem essa coisa de ficar bravo. Não faz o seu gênero. Eu te conheço e sei que não faz o seu gênero”. Ou quando chamou o vice de Alckmin, José Jorge, de rei do apagão. No quinto e último round mantiveram-se as posições.
Analisando-se o conjunto da refrega, o desempenho de Lula foi inegavelmente inferior ao de Alckmin. A pergunta é: isso muda o cenário eleitoral? Debates, por maior audiência que possam ter (o de hoje teve audiência média de 14,2 pontos), não têm o condão de virar o jogo de uma eleição. É a repercussão do confronto e os seus desdobramentos no noticiário e na campanha, que podem influir no resultado da peleja. Dificilmente o eleitores de Lula e de Alckmin mudarão de opinião a essa altura do campeonato. Está em jogo principalmente a conquista dos indecisos. E Lula entrou na briga com uma enorme interrogação a pesar-lhe sobre os ombros: de onde veio o dinheiro? É esse o ponto de interrogação que deu vantagem a Alckmin no debate deste domingo.

Link para o Blog do Josias de Souza

Charge do dia - Angeli


Folha de São Paulo 08/10/2006

Primeiro Round 1

Gilberto Dimenstein

Muito show, poucas idéias

O debate foi um belíssimo show, por manter, por mais de duas horas, a tensão entre os candidatos Lula e Alckmin. Não houve um único instante ameno, insosso, sonolento --nesse aspecto foi um notável resultado jornalístico, graças à flexibilidade para que os candidatos pudessem se expressar.
O problema é que faltou o essencial para quem queria ir além do show.
Se o espetáculo foi revelador do tom da campanha e da estratégia de marketing das candidaturas --e até revelou um Alckmin especialmente agressivo--, o telespectador mais crítico, interessado em soluções, certamente saiu frustrado.
Afinal, a grande questão nacional é hoje saber como vamos crescer mais rapidamente nos próximos anos para reduzir a miséria, aumentar o nível de emprego e elevar a renda. Sabe-se que cortes nos gastos públicos terão de ser feitos. Mas quando, onde e como? Quem vai perder. O que fazer para estancar os buracos provocados pelas aposentadorias? Certamente não se vai modificar muita coisa fechando alguns ministérios, economizando dinheiro dos gastos dos assessores e ministros nem vendendo o Aerolula.
Foi um ótimo entretenimento e ajudou a expor mais os candidatos para a escolha do eleitor. Mas, se alguém queria propostas, soluções, foi dormir de mãos vazias.

7 de out. de 2006

Tiroteio Verbal

Em comício anti-ACM, Lula hostiliza 'oligarquia' baiana

Alckmin: Lula vem dizendo um conjunto de mentiras

Marco Aurélio Garcia cria o “risco Alckmin” e diz que candidato tucano esconde dos eleitores o programa de governo

"Patota" petista deixa governo ineficiente e corrupto, diz Alckmin

Sigilo Zero

Blog do Josias de Souza - Folha on line
Sete mil contribuintes têm sigilo fiscal devassado

Investigação aberta na Corregedoria da Receita Federal no último mês de fevereiro descobriu que cerca de 7.000 pessoas físicas e jurídicas tiveram os seus dados fiscais bisbilhotados nos computadores do fisco. O caso foi noticiado aqui no blog em 29 de março. Àquela altura, o número de contribuintes cujos dados haviam sido perscrutados indevidamente somava 6.000.
O avanço da apuração revelou a existência de mais de 13 mil “acessos imotivados” a cadastros de contribuintes. Havia, porém, casos de reincidências. Ou seja, um mesmo contribuinte teve seus dados invadidos mais de uma vez. A lista incluía, de resto, homônimos. Feita a depuração, chegou-se a um número superior a 7.000 transgressões.

Conforme noticiado aqui, entre os contribuintes bisbilhotados estão o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles; o senador eleito e ex-ministro das Comunicações Eunício Oliveira (PMDB-CE); onze juízes da Justiça Federal de Brasília, o ex-secretário da Receita Everardo Maciel, a empresa dele (Logus Consultoria) e pessoas de suas relações (mãe, filha e ex-mulher).

A Receita separa as consultas indevidas ao seu banco de dados em dois tipos: o "acesso imotivado" e a "violação". O que distingue uma transgressão da outra é o fato de que, no segundo caso, além de bisbilhotar dados alheios, o infrator viola o sigilo das informações, divulgando-as.

Por ora, a investigação da Corregedoria da Receira detectou o vazamento para a imprensa de três casos. Envolvem o empresário Marcos Valério, protagonista do escândalo do mensalão, e duas empresas de publicidade que o tinham como sócio: SMP&B e DNA. Há, de resto, a suspeita de que também os dados sigilosos de Henrique Meirelles, o presidente do BC, possam ter sido divulgados indevidamente.

Os autores das supostas trangressões são auditores fiscais. Estavam lotados na própria Corregedoria da Receita. Chegou-se a eles por meio das senhas que dão acesso aos computadores do fisco. Os números de identificação de dois auditores ficaram gravados no sistema. O blog localizou um dos investigados. Chama-se Washington Afonso Rodrigues

Charge do dia - Glauco


Folha de São Paulo - 07/10/2006

6 de out. de 2006

Pé na bunda

Folha Online - 06/10/2006
Berzoini pede licença da presidência do PT

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, pediu nesta sexta-feira licença do cargo, após reunião com a Executiva nacional do partido. Berzoini já foi afastado da coordenação nacional da campanha do PT à Presidência após o envolvimento de um ex-assessor com o "dossiêgate".
O partido estava dividido sobre a permanência de Berzoini. Uma ala entendia que a situação de Berzoini havia se tornado insustentável após ele admitir que coordenava o chamado "núcleo de inteligência", composto pelos principais envolvidos no "dossiêgate". Por outro lado, outra ala do partido defendia que a saída do dirigente da presidência do PT deveria ocorrer somente depois das eleições, pois poderia ser usada pelo PSDB para prejudicar a campanha de Lula.Hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a manutenção de Berzoini no cargo."Eu não vejo necessidade de tomar nenhuma decisão política agora, enquanto você não desvendar esse processo [da compra do dossiê]. De qualquer forma, a direção vai se reunir e eu não sei qual vai ser a decisão tomada. Eu não vejo como isso [a decisão de expulsar Berzoini] pode ajudar nesse momento", afirmou.
O PT comunicou também nesta sexta-feira que Hamilton Lacerda e Jorge Lorenzetti, outros dois petistas envolvidos no "dossiêgate", se desfiliaram da legenda

Charge do dia - Glauco


Little Boy
















Senhor Diretas

Blog do Noblat 06/10/2006
Ulysses Guimarães

Se fosse vivo, Ulysses Guimarães completaria hoje 90 anos de idade. Em sua homenagem, segue artigo da cientista política Lucia Hippolito publicado no dia 14 de outubro de 1992 em O Globo por ocasião de sua morte

"Político que a mulher chama por um nome e o eleitorado por outro não tem futuro, me disse uma vez o doutor Ulysses. Doutor Ulysses, assim mesmo, sem necessidade de sobrenome. O Brasil inteiro o conhece assim. O mais completo dos políticos brasileiros dos últimos 50 anos.

Moderado por formação, radical quando necessário, irônico, charmoso, bom papo, dono de um finíssimo senso de humor, grande parlamentar. Formado na mais fina escola de políticos que o país já produziu, o velho PSD de Amaral Peixoto, Juscelino, Tancredo e Alkmin, o doutor Ulysses não acreditava em políticos improvisados. “No PSD todos eram do ramo”, dizia ele. O doutor Ulysses certamente era.

Deputado estadual em 1947, desde 1950 estava na Câmara dos Deputados – 42 anos ininterruptos. Em 1955 integrou a Ala Moça do PSD, junto com Renato Archer, João Pacheco e Chaves, Cid Carvalho, Nestor Jost, Leoberto Leal, José Joffily, Vieira de Melo e Oliveira Brito. Este grupo viabilizou a campanha e o governo de Juscelino, atuando dentro da Câmara dos Deputados. O doutor Ulysses presidiu a Câmara entre 1956 e 1957, contribuindo decisivamente para a aprovação do programa do governo JK. O doutor Ulysses já era moderno naquela época.

Concentrou sua atividade política na Câmara dos Deputados. Como ele mesmo dizia, casou-se com a Câmara. Ministro no primeiro gabinete parlamentarista, não acreditava no parlamentarismo. Só recentemente veio a se render ao sistema, tornando-se um entusiasta do governo de gabinete.

Durante os anos da ditadura, o doutor Ulysses falava por todos nós, exilados fora e dentro do país, amordaçados pela censura e pelo medo. Só ele não tinha medo. Enfrentou os tanques com a mesma dignidade com que enfrentou os cães da polícia:

- Respeitem o presidente da oposição!” Grande doutor Ulysses.

Em 74 aceitou a “anticandidatura” à presidência contra o candidato da ditadura, o general Geisel. Saiu pelo Brasil a pregar a redemocratização e a Constituinte. Com isso, impôs à ditadura uma fragorosa derrota, com a eleição de 16 senadores do MDB – um deles o atual presidente Itamar Franco. Foi o início do fim. Obra do doutor Ulysses.

Link para reportagem completa no Blog do Noblat

5 de out. de 2006

O silêncio dos culpados

CLÓVIS ROSSI

A origem dos "bandidos"

O leitor Eduardo Diniz, professor da Fundação Getúlio Vargas, exumou uma preciosidade em documento oficial do PT, aprovado em 1991. Diz: "A democracia e as relações internas no partido, nas prefeituras que dirigimos e nos movimentos sociais de que participamos devem ser analisadas e criticadas abertamente por nós.
É preciso reconhecer que no "petismo real" existem, em quantidade exagerada e perigosa, fenômenos como o aparelhismo, o sectarismo, as manobras espúrias, a falta de democracia. Sem superar tudo isso, o discurso acerca de nosso projeto de um socialismo renovado ficará no papel. Não seremos capazes de construir uma sociedade melhor amanhã se não formos capazes de mudar nossa prática hoje". Não mudaram nos 15 anos que se seguiram à aprovação dessa avaliação, que é, repito, do próprio PT, não da oposição nem minha.
Deu no que deu, a saber: 1 - O presidente da República e presidente de honra do PT afirma que "quem negocia com bandido vira bandido também". Mas esquece de dizer que quem negociou com bandidos é gente não só de seu partido mas da sua campanha e da campanha do homem pelo qual o presidente diz pôr a mão no fogo, aliás seu líder no Senado, Aloizio Mercadante. 2 - O ministro da Justiça do governo petista, Márcio Thomaz Bastos, disse, no ano passado, que "caixa dois é coisa de bandido".
Esqueceu de dizer que petistas graduadíssimos confessaram caixa dois no episódio do mensalão. Não basta, pois, demitir ou expulsar a meia dúzia apanhada agora com a mão na massa ou os 40 do escândalo anterior, a "quadrilha", segundo o procurador-geral da República. O texto de 91 prova que não nasceu agora a cultura que deu origem aos "bandidos", com a cumplicidade da cúpula e o silêncio da maioria dos filiados.

Chuchu Pai e Chuchu Garotinho

Do blog do Noblat

Panfleto recomenda voto em Lula e dá nº de Alckmin

Eleitores pernambucanos podem ter sido vítimas de uma fraude. O indício do logro está materializado em panfletos que teriam sido distribuídos na zona rural e em municípios do sertão de Pernambuco (veja imagem ao lado). Traz a foto de cinco políticos, seguidos dos respectivos números. Uma das fotos expõe a imagem de Lula. Ao lado, surge o 45, que é o número de Geraldo Alckmin. O de Lula é 13.
No universo eleitoral, esse tipo de panfleto é chamado de “santinho”. Serve para orientar o eleitor, informando-lhe o número que deve ser digitado na urna eletrônica. Junto com a foto de Lula aparecem políticos da coligação PMDB-PFL, que apoiou Alckmin em Pernambuco. São eles: Osvaldo Coelho, candidato à reeleição para a Câmara (número 2530), Geraldo Coelho, postulante à reeleição para a Assembléia Legislativa de Pernambuco (25230), Jarbas Vasconcelos, senador (156) e Mendonça Filho, governador (25).

Os “santinhos” fraudulentos foram revelados nesta quinta pelo sítio Supramax. Os responsáveis são desconhecidos. Tampouco se sabe a quantos eleitores a impostura foi distribuída. O PT de Pernambuco deve pedir uma investigação do caso.

Hortifrutigrangeiros


Folha Online - 5/10/2006
O abacaxi e o chuchu

Hélio Schwartsman

Lula conseguiu o que se afigurava mais difícil: deixou escapar entre os dedos a vitória no primeiro turno. Tendo obtido 48,61% dos quase 96 milhões de votos válidos, o presidente ficou a 1,3 milhão de sufrágios do necessário para liquidar o pleito no domingo passado. Ele até pode tentar falar em golpe, armação e complô das elites, mas o fato é que devem ser atribuídos ao PT e ao próprio Lula os erros que levaram a eleição ao segundo escrutínio.
Com efeito, o presidente liderava a disputa com boa folga até mais ou menos 15 dias antes do pleito, quando um grupo de petistas foi apanhado tentando negociar com notórios estelionatários um dossiê com acusações contra tucanos. De lá para cá, só se seguiram más notícias para o PT. Entre os envolvidos, havia gente próxima ao presidente da República. Ricardo Berzoini, presidente do PT e coordenador da campanha presidencial, teve de ser afastado. Fotos da dinheirama vazaram para a imprensa na antevéspera da jornada eleitoral. (As comparações com as imagens dos seqüestradores de Abílio Diniz vestindo camisetas do PT em 1989 não procedem; aquilo foi uma armação para prejudicar a candidatura Lula, pois os seqüestradores foram obrigados a colocar as camisetas antes de ser fotografados. Agora não, o dinheiro foi realmente encontrado com petistas).
Para tornar tudo um pouco pior, pegou bastante mal o fato de Lula ter-se recusado a participar do último debate presidencial. Tudo isso somado, fez com que o presidente não amealhasse os votos necessários para uma vitória antecipada.Sua situação agora se complica. Lula dá início à segunda etapa da campanha com um sabor de derrota na boca. Já seu adversário, Geraldo Alckmin, desponta como vitorioso, ainda que sua passagem para o segundo turno seja mérito do PT. A próxima bateria de pesquisas eleitorais já deverá colocá-los numa situação de quase empate.Apesar disso tudo, ainda considero Lula o favorito. Para que ele vença, entretanto, será necessário que o partido e os principais colaboradores do presidente se abstenham de mais uma vez meter os pés pelas mãos, o que está se tornando uma especialidade petista. Decididamente, trata-se de um partido dialético, que já traz em si sua própria oposição.
Voltando a Lula, em princípio ele não teria grande dificuldade para colher entre os quase 10 milhões de eleitores de candidatos menores o 1,3 milhão de votos de que necessita para alcançar a maioria das preferências. Precisa também, evidentemente, conservar os votos que já teve. Aqui podem surgir obstáculos às suas pretensões. Ao que tudo indica, São Paulo e outros Estados do eixo Sul-Sudeste-Centro-Oeste atravessaram uma onda tucana nas 48 horas que antecederam o pleito.
Um bom indicativo dessa hipótese é o fato de Eduardo Suplicy, que, nas pesquisas reinava absoluto nas intenções de voto para o Senado na cadeira paulista, ter vencido por uma diferença muito menor do que a inicialmente estimada. Lula precisa torcer para que esse movimento não se aprofunde nem se espalhe.
Outra fonte potencial de dificuldades são as investigações sobre a origem do dinheiro que compraria o dossiê. A PF já enrolou o quanto pôde na divulgação dos sacadores. Mais cedo ou mais tarde terá de revelar seus nomes, que poderão trazer novos dissabores à candidatura oficial. O presidente conta, a seu favor, com o fato de já ter suportado denúncias bem mais graves. Muitos analistas estão dizendo que o tempo agora atua contra Lula. Não ousaria desmenti-los, mas não excluo a possibilidade de os mesmos anticorpos que protegeram o presidente de tantos e tamanhos escândalos voltem a atuar, fagocitando as novas acusações. Na hipótese de o "dossiegate" esfriar, não há em princípio razão para que Lula não reconquiste o terreno perdido, da mesma forma que se recuperou da crise provocada pelo mensalão.
A situação de Alckmin, que hoje parece muito boa, não necessariamente continuará assim. Em termos de produto, ele é bem menos carismático que o adversário _e não há nada que se possa fazer a respeito. O presidenciável tucano também poderá sofrer "fogo amigo". Digamos, para ser simpáticos, que algumas das principais lideranças tucanas sentem-se ambivalentes em relação a Alckmin. José Serra e Aécio Neves, que têm a força de governadores eleitos, em primeiro turno, dos dois Estados mais ricos da Federação, não ficariam exatamente decepcionados com uma derrota do companheiro de plumas. Na verdade, seria bem melhor para suas pretensões em 2010 ver Alckmin definitivamente escanteado.
A maior barreira para o projeto alckmista, entretanto, ainda é a eleitoral. Seu desempenho no Nordeste, que reúne 27% do eleitorado, é pífio e, ao que tudo indica, continuará assim. Por lá não passou nem sombra de onda tucana. Muito pelo contrário, as surpresas que houve foram favoráveis ao PT, como a eleição, em primeiro escrutínio, de Jaques Wagner para o governo da Bahia.Conferir o mapa da votação de Lula e de Alckmin é um interessante exercício sociológico. Acho que a divisão entre ricos e pobres, sulistas (Sul e Sudeste) e nortistas (Nordeste e Norte), instruídos e nem tanto jamais foi tão evidente.
Seria tentador atribuir a forte votação no petista, mesmo após tantos escândalos, à ignorância e à desinformação de seu eleitor. Mas tal análise não resiste aos fatos. Prova-o a constatação de que parlamentares envolvidos nas denúncias terem sido exemplarmente punidos nas urnas: 91% dos 67 deputados sanguessugas perderam os seus mandatos ou por não ter conseguido se reeleger, caso 43, ou por nem ter tentado, como se deu com 18 deles. Apenas seis obtiveram um novo mandato. E, dos três senadores metidos no escândalo, apenas um, Ney Suassuna (PMDB-PB), enfrentou a reeleição. E fracassou miseravelmente, mesmo tendo disputado no que se considera um dos grotões do país.Sorte semelhante experimentou o ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti (PP-PE), que havia renunciado ao mandato para fugir do processo de cassação depois de ter sido apanhado num caso de extorsão. Severino não volta à Casa como havia planejado.
Com os mensaleiros, porém, o eleitor foi um pouco mais condescendente. Dos 11 que acabaram absolvidos pelo plenário da Câmara, cinco foram reeleitos, dois deles (João Paulo e José Mentor) por São Paulo, numa prova de que estar num dos principais pólos de riqueza e educação formal do país não significa muita coisa.Parece-me mais adequado analisar o fenômeno Lula como uma manifestação de pragmatismo. O eleitor, ainda que talvez não com detalhes, toma ciência dos descaminhos em que se metem seus representantes. O próprio Lula, convém lembrar, inicialmente sofreu impacto negativo por conta das denúncias de corrupção. Mas o cidadão que simpatiza com o presidente aparentemente colocou na balança as suspeitas e as realizações de seu governo e optou por desconsiderar o aspecto ético. É a versão tupiniquim de os fins justificam os meios.Resta saber se esse cálculo se manterá na nova fase da campanha ou se Geraldo Alckmin, pela sua incrível capacidade de manter-se inapelavelmente insosso, triunfará valendo-se dos erros do adversário.

Hélio Schwartsman, 41, é editorialista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha Online às quintas. E-mail: helio@folhasp.com.br

4 de out. de 2006

O Pinóquio do Planalto

Blog do Noblatb - 04/10/2006

Paulo Bernardo nega motivação política na liberação de R$ 1,5 bilhão de crédito extraordinário

De O Globo online

"O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou nesta quarta-feira, no Palácio do Planalto, que não teme os possíveis ataques que a oposição venha a fazer devido à edição de uma medida provisória que libera um crédito extraordinário de R$ 1,5 bilhão para pagamentos de dívidas dos ministérios e para investimentos em obras.

- Essa liberação não tem nada a ver com o momento político. As pessoas têm que entender que mesmo durante as eleições o governo tem que continuar trabalhando - disse Bernardo

Link para a reportagem completa no Globo Online

Série: Antes tarde do que nunca!

Folha Online - 04/10/2006

PF prende Luiz Estevão por desvio de recursos nas obras do TRT-SP

A Primeira Turma do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região determinou a prisão do ex-senador Luiz Estevão de Oliveira no processo que apura o desvio de R$ 169 milhões das obras do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São Paulo. A Polícia Federal informou que a prisão de Estevão foi efetuada nesta quarta-feira. Estevão é acusado de improbidade administrativa por alterar livros contábeis do Grupo OK para justificar o dinheiro superfaturado das obras do TRT.
Em maio, o TRF da 3ª Região condenou o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto a 26,5 anos de prisão pelos crimes de peculato, estelionato e corrupção passiva. Ele também foi condenado a pagar uma multa de R$ 1,2 milhão. Nicolau foi condenado no processo que apurou o desvio de R$ 169,5 milhões da obra do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São Paulo. Também foram condenados no mesmo processo o ex-senador Luiz Estevão de Oliveira e os empresários Fábio Monteiro de Barros e José Eduardo Ferraz, da construtora Incal. Luiz Estevão e Monteiro de Barros foram condenados a 31 anos de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, estelionato, uso de documentos falsos e corrupção ativa. A multa fixada a Luiz Estevão foi de R$ 3,150 milhões. Para Monteiro de Barros, o TRF aplicou o pagamento de uma multa de R$ 2,7 milhões.
O tribunal condenou Ferraz a 27,8 anos de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, estelionato, uso de documentos falsos e corrupção ativa e ao pagamento de uma multa de R$ 1,2 milhão.Todos foram condenados ao cumprimento de prisão em regime fechado. No caso de Nicolau, que já cumpre pena em regime de prisão domiciliar, nada deve ser alterado.

Zumbis

Pensata - Eliane Cantanhêde

A volta dos que não foram

A declaração de voto do governador Lúcio Alcântara (PSDB-CE) em Geraldo Alckmin é emblemática do que vai acontecer neste segundo turno. Ou melhor, já está acontecendo: os tucanos e pefelistas que puxavam o saco de Lula, dando como líquida e certa a vitória em primeiro turno, estão de volta ao ninho.
Alcântara rompeu com o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, que preferiu tirar o apoio à sua reeleição e despejar em Cid Gomes, do PSB, aliado de Lula e irmão do ex-ministro Ciro Gomes (um dos deputados mais bem votados do país). O governador ficou uma fera, e quem pagou o pato foi Alckmin. Numa cena de traição explícita, Lúcio Alcântara foi ao Planalto confraternizar com Lula no meio do primeiro turno. Perdeu a eleição para Cid e, agora, mal começou o segundo, já dá meia volta e declara voto em Alckmin. Durma-se com um barulho desses. Ou durma-se com uma política dessas...
A imprensa, sempre acusada de ser 'tucana', passou a campanha mostrando um Alckmin às traças, abandonado pelo PSDB, pelo PFL, pelos candidatos a governador, por gregos e troianos, sem vigor e sem chances. Não se passou um dia sem uma 'crise' na campanha, demonstrando fragilidade. Agora, pelo visto, estão todos de volta.O PFL, que chegou a anunciar o fim da velha aliança com o PSDB depois da eleição (lia-se: depois da derrota de Alckmin), agora é alckmista desde criancinha e para todo o sempre, amém. E reconhecendo que, sem os tucanos, a vida pode ficar muito dura. O partido perdeu Estados importantes, como a Bahia, está ameaçado em Pernambuco, disputa um surpreendente segundo turno no Maranhão e só levou um governo no primeiro turno: o do DF, com José Roberto Arruda.Sem poder (e sem cargos) nos Estados, o jeito é apoiar Alckmin e rezar para ele ganhar, para poder se pendurar no governo federal. Caso contrário, só sobra o Senado para os pefelistas reinarem. Ali, ele ficam com uma bancada de 18 senadores, a maior da Casa. E, pela tradição, cabe à maior bancada fazer o presidente.No PSDB, criou-se uma situação curiosa: foram meses de análises mostrando que Alckmin não estava com nada e enfatizando a força e as projeções de José Serra e Aécio Neves no cenário nacional, já que ambos estiveram na frente das pesquisas do início ao fim e acabaram mesmo se elegendo em primeiro turno em São Paulo e Minas. Esqueceram-se todos de combinar com o adversário --o adversário de Lula. Pois quem emerge forte da eleição, até pela surpresa, é Alckmin.Se ele ganhar, será que topa acabar com a reeleição? Duvide-o-dó. Depois de uma trajetória solitária no primeiro turno, agora ele não tem por que dar essa colher de chá aos companheiros tucanos. Vai fazer de tudo para ficar 8 anos. E Serra terá 72 anos em 2014.

A visão de Leonardo Boff sobre a eleição presidencial

Agencia Carta Maior - 04/10/2006

O que está em jogo na reeleição presidencial
Leonardo Boff

Quem derrotou Lula não foi Geraldo Alckmin mas o próprio partido do Presidente, o PT. O destemor insano de altos dirigentes petistas pôs a perder uma vitória garantida de Lula já no primeiro turno. O que pesou mesmo não foi tanto o escândalo do dossiê contra o candidato Serra, pois dossiês sempre existiram, fabricados por políticos afeitos à intimidação e ao manejo da mentira como arma política.
A ausência de Lula no debate final contou negativamente mas não foi o decisivo. O que destroçou o PT e atravancou o caminho da vitória foi a mostragem por todos os meios de comunicação da montanha de dinheiro para a compra do dossiê. Mais de 30% da população trabalhadora não ganha mais que um salário mínimo. Quando vê toda essa dinheirama se enche de auto-vergonha e pensa: meu trabalho não vale nada mesmo; nem que vivesse duas vidas acumularia tanto dinheiro quanto aquele mostrado aí. E esses corruptos tiraram de onde esse dinheiro? A indignação não tem tamanho. Políticos que usam esses expedientes mereceriam a excomunhão política e religiosa, tão grande é seu pecado contra o povo, sua dignidade e a economia popular.
Pode ocorrer um impasse jurídico, policial e institucional nas investigações do dossiê, especialmente se seu conteúdo for revelado, coisa que ainda não se fez e que pode eventualmente incriminar a gestão do PSDB quando começou a corrupção das ambulâncias. Mesmo assim o segundo turno traz também lá a suas vantagens: finalmente se criará a oportunidade de confrontar dois projetos de Brasil.
Geraldo Alckmin representa o velho projeto das classes dominantes. Não sem razão os banqueiros e os grandes industriais o apoiaram, pois sentem afinidade de classe e comunhão de propósitos: garantir políticas ricas para os ricos e pobres para os pobres. Notoriamente não possui carisma e não apresenta nada de realmente inovador, capaz de suscitar uma nova esperança. A retórica que usa é despistadora. Mas cabe à análise pôr à luz os interesses de classe ocultos. A macroeconomia que enfeudou a política, seguirá seu curso neoliberal deixando fatalmente anêmica a política social. Sua vitória representará o retorno daqueles que sempre construíram um Brasil para si, sem o povo ou contra o povo.Lula dá corpo a um projeto de mudança. Apesar dos constrangimentos encontrados num ambiente hegemonicamente neoliberal, tentou, com relativo sucesso, fazer a transição de um estado elitista e privatista para um estado republicano e social. Agora ele se vê obrigado a definir claramente seu projeto: dar a centralidade ao povo destituído, garantir seus meios de vida e sua inclusão cidadã. Para isso ele precisa se reaproximar de sua base real de sustentação: os movimentos sociais organizados e a imensidão dos excluidos. Esses poderão inviabilizar qualquer ameaça de impeachment. Tirar Lula é tirar nosso poder, dirão, é anular nossa vitória, é abortar nossa esperança.Para se diferenciar claramente de Alckmin, Lula deverá mexer em pontos importantes da macroeconomia para que ela seja de fato o sustentáculo de uma política social maciça. Deverá ter a coragem de colocar um gesto fundador de um novo Brasil: retomar o projeto de Plínio Arruda Sampaio, um dos que melhor entende de reforma agrária, e realizá-lo integralmente a fim de fixar o camponês no campo e desinchar as cidades favelizadas. Aí sim se consolidará seu governo, inaugurando a transformação social possível para o Brasil.
Leonardo Boff é teólogo e escritor.

Link para Agência Carta Maior

O Grã Circo Nacional apresenta:

ELIO GASPARI
Folha de São Paulo 04/10/2006

A marcha dos palhaços

Lula se candidatou ao lugar de coordenador da campanha eleitoral de Geraldo Alckmin

NA SEGUNDA-FEIRA, com aquelas olheiras que só a adversidade eleitoral produz, "nosso guia" se candidatou ao lugar de coordenador da campanha de Geraldo Alckmin à Presidência da República. Fez isso quando tratou do dossiê Vedoin e disse o seguinte: "Eu quero saber quem arquitetou essa obra de engenharia para atirar no próprio pé". Quer? Pergunte a Ricardo Berzoini e a Aloizio Mercadante. Eles podem ajudar.Ao tratar de um crime como curiosidade, Lula assumiu a condição de padrinho dos malfeitores petistas, aloprados e trambiqueiros. Padrinho no sentido da figura de Don Corleone/Marlon Brando.Não há nenhuma prova, indício ou pista de que haja bico tucano na construção do papelório. Há apenas um raciocínio lógico: se os tucanos foram favorecidos pelo episódio, há dedo deles na produção. Coisa assim: a invasão da Rússia por Hitler permitiu que Stálin consolidasse a sua tirania, donde, Hitler foi uma jogada de Stálin.Admita-se que o raciocínio de Lula está certo. No início de setembro, um tucano teve uma idéia: vamos pedir ao Vedoin que faça um dossiê contra o Serra, ele o vende ao PT, nós flagramos os compradores, fotografamos o ervanário e botamos o escândalo na imprensa. Um petista aloprado come a isca, compra-se o caso, acerta-se a publicação da denúncia, combina-se o pagamento e vai-se a um hotel buscar mais uns docinhos. Nisso reserva-se R$ 1,7 milhão, em grana viva, para os chantagistas.Se isso fosse verdade, o presidente de honra do PT teria razão ao chiar. O da República não é pago para tumultuar inquéritos. Os petistas que negociaram com um delinqüente cometeram uma contravenção ao trocar denúncia por dinheiro e um crime e ao remunerar bandidos. Transgrediram as leis da República. Respeitaram apenas a regra do silêncio de Don Corleone.Diante de um crime, o presidente da República não pode agir como advogado de porta de xadrez. (Será que em 1954 os capangas de Gregório Fortunato foram pagos por Carlos Lacerda para atirar no major Rubens Vaz?)Em São Paulo e no Rio, houve zonas eleitorais onde madames grisalhas, elegantes e gentis distribuíam narizes de palhaço. (Senhoras parecidas com aquelas que fizeram a Marcha da Família em 1964.) O sujeito ganhava uma bolinha vermelha e ia para a seção eleitoral. No comércio, a bolota de plástico custa R$ 2,50 e a de esponja sai por R$ 3, crime eleitoral explícito, mas isso fica para depois. Contra quem esse feliz palhaço protesta? Paulo Maluf? João Paulo Cunha? Clodovil? Lula?O calor que o senador Eduardo Suplicy tomou de Guilherme Afif Domingos mostra que se quebrou a associação da decência ao PT. Se são todos iguais, Lula é igual a Maluf e Fernando Collor. Exagero? Ouça-se Maluf: "Tenho plena consciência de que o presidente Lula é um homem limpo e correto". E Lula: "Collor poderá, se quiser, fazer um trabalho excepcional no Senado".Lula e o PT associaram-se a práticas indecentes. Fizeram isso porque quiseram. A mistura custou o resultado de domingo.A Justiça Eleitoral precisa estar cega para permitir a distribuição de prendas na área onde é proibido repassar santinhos de candidatos. Mesmo assim, o palhaço sempre poderá votar com um nariz que trouxe de casa. Ou Lula pára de dizer monstruosidades ou verá a marcha dos palhaços.

Charge do Dia - Jean


Folha de São Paulo - 03/10/2006

Eles se merecem

O Globo - 03/10/2006
Apoio de Rosinha e Garotinho a Alckmin abre crise no Rio
O ex-governador Anthony Garotinho e a governadora Rosinha anunciaram apoio à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), rachando ao meio o PMDB do Rio e abrindo crise na campanha no estado. O candidato do PMDB a governador, Sérgio Cabral, formalizou adesão à reeleição de Lula, que virá ao Rio amanhã para ato de apoio mútuo. Lula recebeu, no Palácio da Alvorada, o candidato derrotado Marcelo Crivella (PRB).
O prefeito Cesar Maia (PFL) criticou a aproximação de Alckmin com Garotinho que para ele, "pode ser virótica". "A fotografia com Garotinho desmonta o discurso ético de Alckmin", disse o prefeito, que considera a decisão de aceitar o apoio um "tiro na cabeça". Alckmin disse que apoio se agradece. "Não nos foi solicitado nada que não fosse compromisso com o Brasil." Cesar disse ainda que terá de rever a estratégia de campanha da candidatura Denise Frossard (PPS) para o segundo turno. (pág. 1, 3 a 10, Merval Pereira e editorial "Discurso punido")

Link para Sinposes - Agência Brasil - Radiobrás

28 de set. de 2006

Charge da Noite - Angeli

O Homem da Mala


Ex-assessor de Mercadante entregou dinheiro, diz PF

Polícia conclui que Hamilton Lacerda levou mala para pagar por dossiê

Gedimar Pereira Passos e Valdebran Padilha da Silva foram presos com R$ 1,168 mi e US$ 248,8 mil no dia 14, em São Paulo

Hamilton Lacerda, então coordenador da campanha de Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo, foi quem entregou a mala com dinheiro ao advogado Gedimar Pereira Passos e ao empresário Valdebran Padilha da Silva, no hotel Ibis em São Paulo, no dia 14, segundo informação da PF.Gedimar e Valdebran foram presos pela PF com R$ 1,168 milhão e US$ 248,8 mil. O dinheiro, cuja origem a PF ainda investiga, seria usado para comprar um dossiê contra tucanos montado pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia dos sanguessugas.Após analisar os CDs com a gravação de imagens que registram movimento de pessoas no hotel, a PF concluiu que Lacerda foi quem entregou o dinheiro a Gedimar e Valdebran. Contudo a PF informou que a confirmação oficial, necessária para conclusão do inquérito, será feita por meio de perícia.Desde o início da semana, a PF fazia a análise das imagens e ontem concluiu que Lacerda aparece na gravação entregando o dinheiro. Foram estudados vários CDs gravados no hotel no dia 14.Nesse dia, por telefone, Valdebran negociava com Vedoin, que estava em Cuiabá, a venda do dossiê contra os tucanos José Serra, adversário de Mercadante nas eleições em São Paulo, e Geraldo Alckmin, candidato a presidente. O material era composto por fotos, CD e fita de vídeo mostrando Serra e Alckmin em eventos de entrega de ambulâncias da máfia dos sanguessugas.O delegado Diógenes Curado Filho, que preside as investigações, deve ouvir Lacerda ainda hoje em São Paulo, segundo apurou a reportagem. O procurador da República em Cuiabá Mário Lúcio Avelar deve acompanhar o depoimento.Lacerda deixou a campanha de Mercadante após o caso.Na sexta-feira passada, em depoimento à PF em Brasília, Jorge Lorenzetti, ex-assessor da campanha e amigo do presidente Lula, disse que o dossiê seria entregue a Lacerda.Cinco dias após as prisões de Gedimar e Valdebran, Lacerda deixou o cargo, pois foi citado pela revista "IstoÉ" como intermediador da entrevista em que os Vedoin acusam José Serra de envolvimento na máfia dos sanguessugas.Conforme Gedimar em seu primeiro depoimento à Polícia Federal, o dinheiro seria usado para pagar o dossiê e uma entrevista à imprensa.Até ontem, o procurador Avelar focava a investigação em outros quatro petistas, deixando de lado Lacerda.Além de pedir novamente a prisão de Gedimar e Valdebran, Avelar queria que fossem presos Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil, Oswaldo Bargas, que trabalhava na campanha de Lula, Lorenzetti e Freud Godoy, assessor da Presidência da República até o início do escândalo.A Justiça decretou a prisão, mas, devido à legislação eleitoral, que proíbe prisões cinco dias antes das eleições, a PF só poderá efetuá-las a partir da próxima quarta-feira.

Link para a Folha de são Paulo

Corrupção Eleitoral


Palocci é investigado por suposto abuso de poder econômico no TRE
Ex-ministro é suspeito de oferecer um churrasco para mais de 200 pessoas


O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci Filho, candidato a deputado federal pelo PT, está sendo investigado pela Justiça Eleitoral por suposto abuso de poder econômico.Com uma das mais caras campanhas de São Paulo, ele é suspeito de oferecer um churrasco para mais de 200 pessoas em evento em Cedral, na região de São José do Rio Preto, no dia 14. Ônibus e vans foram fretados para transporte de eleitores de cidades vizinhas.Se comprovada, a ação pode ser considerada como compra de votos, passível a perda de mandato em caso de eleição, conforme legislação (lei 9.540).
O evento só ficou conhecido pelo juiz eleitoral Paulo Marcos Vieira após a divulgação de uma reportagem do jornal "Bom Dia", que infiltrou, como convidados, uma repórter e um repórter-fotográfico. De acordo com Vieira, a Presidência do Tribunal Regional Eleitoral foi comunicada do ocorrido, que pediu para que o fato fosse relatado por escrito. O ofício (79/2006), cópias das reportagens para apuração, foi encaminhado anteontem. O TRE informou ainda não ter recebido o documento enviado pelo juiz e ainda vai analisar quais medidas serão tomadas.
Na opinião do juiz, a reunião política deveria ter sido informada à Justiça Eleitoral. "Faz uma reunião, sem comunicar, já tem uma suspeição. Se tem churrasco, bebida, tem gasto. Com certeza, não é contabilizado. Se não é contabilizado, aí o que existiu? Aquilo que chamam de caixa 2", afirmou. O presidente do PT de São José do Rio Preto, AiltonBertoni, 44, disse que a reunião não foi comunicada à Justiça por se tratar de uma reunião interna do partido. "Isso é perseguição ao ex-ministro".Segundo a repórter Cláudia Russo, que esteve no evento, parte dos convidados eram pessoas humildes e algumas nem sabiam quem era Palocci.A assessoria de imprensa do ex-ministro informou que ele não patrocinou o churrasco -apenas aceitou o convite.

Charge do dia - Glauco


Folha de São Paulo - 28/09/2006

26 de set. de 2006

Cego, surdo e mudo!

Folha de São Paulo - 26/09/2006

Gustavo Ioschpe

Lula sabia?

A PERGUNTA QUE circula, nesses dias em que nos deparamos com mais um típico escândalo oriundo do método lulo-petista de governar é: Lula sabia? Acho que sim, assim como creio que pouco importa, e me explico. Acredito que Lula sabia por uma série de motivos.
Primeiro, porque Wagner Cinchetto admitiu ter participado do grupo de formação de dossiês contra adversários na campanha de Lula de 2002, dizendo explicitamente sobre o conhecimento do candidato: "não só tinha conhecimento como autorizou que o grupo fosse criado".
Segundo, porque todos os envolvidos na operação sabiam que seu malogro teria conseqüências dramáticas para a campanha de Lula, e duvido que se atrevessem a entrar nesse risco sem que a maior vítima em potencial estivesse de acordo.
Terceiro, pelas pessoas envolvidas. Os envolvidos na chefia da operação têm ligação direta com Lula: Berzoini foi seu ministro e era chefe da sua campanha, Lorenzetti era seu amigo e churrasqueiro, Freud Godoy era uma espécie de faz-tudo há anos. Difícil de imaginar que pessoas com esse nível de acesso tenha empreendido uma ação desse porte sem ao menos avisar o presidente-candidato.
Quarto, porque se encaixa no método petista de achincalhar opositores. A campanha "Fora, FHC", o caso Eduardo Jorge, os cartazes associando Jorge Bornhausen a Hitler, a campanha contra Paulinho nas eleições de 2002 e agora esse dossiê: há um método.
É possível desconhecer o trabalho de subalternos na primeira vez. Mas quando ocorre uma segunda, há que se imaginar que há a conivência das lideranças da organização. Tudo isso, porém, são conjecturas amparadas na lógica e nos fatos. Certamente, lulistas de carteirinha hão de usar outra lógica e outros fatos para chegar a conclusões distintas. Portanto, é uma discussão que importa pouco. O fundamental é: ele tinha de saber. Assim como no direito vale a máxima de que ignorantia juris non excusat -o desconhecimento da lei não é desculpa para inocentar o criminoso- em qualquer organização vale o princípio de que o desconhecimento do chefe não o desculpa dos erros dos subalternos. Lula é culpado pelo dossiê porque escolheu Berzoini para ser seu chefe de campanha. Ponto. E assim tem de ser, especialmente quando se trata da Presidência, porque senão todo governante diria a seus subordinados: "façam todas as loucuras que vocês acharem importantes para o meu mandato, mas não me contem".
Se um presidente pudesse se eximir da responsabilidade dessa maneira, não só teríamos dossiês e mensalões, como talvez coisa muito mais séria. Se o presidente é inimputável pela ação de seus subordinados, talvez tenhamos amanhã o Exército invadindo a Argentina ou testando uma bomba atômica, a Fazenda atrelando o real ao dólar e a Polícia Federal abrindo as fronteiras. Enfim, ou os chefes têm responsabilidade sobre a ação de seus subordinados ou não são chefes.

GUSTAVO IOSCHPE é mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Yale (EUA)

25 de set. de 2006

Vampiros

Procurador denuncia Costa e Delúbio por envolvimento na máfia dos vampiros
GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em Brasília

O procurador da República no Distrito Federal, Gustavo Pessanha, decidiu nesta segunda-feira denunciar à Justiça o ex-ministro da Saúde e candidato ao governo de Pernambuco, Humberto Costa (PT), e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares por corrupção e formação de quadrilha na máfia dos vampiros.
A Polícia Federal já havia indiciado Costa, Delúbio e outros 40 envolvidos no esquema. O relatório da PF foi entregue ao Ministério Público em 15 de agosto. O documento da Polícia Federal indicia os suspeitos sob acusação de praticar fraude a licitações, crimes contra a ordem econômica, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de influência e formação de quadrilha, entre outros delitos, no âmbito da Saúde.
Hoje, o procurador protocolou a denúncia na 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília. No total, Pessanha decidiu denunciar 33 envolvidos no esquema.A Operação Vampiro investigou o envolvimento de empresários e funcionários do Ministério da Saúde na compra superfaturada de medicamentos que atuam no processo de coagulação do sangue, os hemoderivados.Aliados de Costa temem o impacto negativo da denúncia na campanha do petista.

Link para reportagem: Folha Online

Do Blog do Claudio Humberto

Conta no Rio seria da máfia do combustível

Empresa denunciada na finada CPI dos Combustíveis em 2003 por corrupção, furto de combustível e sonegação de impostos é a pista mais concreta da conta em Duque de Caxias (RJ) onde teria sido depositada parte dos R$1,1 milhão do suposto dossiê petista. A distribuidora, que trocou de nomes várias vezes, opera com a bandeira BR no estado e seria de empresário que teve uma empresa de consultoria na zona oeste do Rio, lobista com livre trânsito no Executivo e no Congresso e forte vínculo com poderoso ex-dirigente. O esquema, apurado na CPI, funcionava com arrendamento e licenças irregulares, fraude no ICMS e roubo de gasolina, com apoio de dois funcionários da Petrobras, na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), onde a Polícia Federal descobriu uma das contas da gangue do dossiê. Um deputado federal petista do Rio apareceu em gravações autorizadas pela justiça durante a investigação do Ministério Público, ainda em curso. A CPI não indiciou ninguém. Para não ser identificada, a empresa tem uma offshore no Uruguai, a American Petros
 
Site Meter