Fragmentos: Dentro da noite veloz - Ferreira Gullar

A vida muda como a cor dos frutos lentamente e para sempre. A vida muda como a flor em fruto velozmente.
A vida muda como a água em folhas o sonho em luz elétrica a rosa desembrulha do carbono o pássaro da boca mas quando for tempo.
E é tempo todo o tempo mas não basta um século para fazer a pétala que um só minuto faz ou não mas a vida muda a vida muda o morto em multidão.


23 de out. de 2006

"Meu Paipai - Meu Garoto"


FILHO DE LULA TERIA FEITO LOBBY PARA A TELEMAR, DIZ REVISTA

Fábio Luís Lula da Silva seria um dos lobistas das negociações com o alto escalão do funcionalismo do governo federal para mudar as leis sobre telecomunicações.

O empresário Fábio Luís Lula da Silva, 31 anos, conhecido como Lulinha, é acusado na última edição da revista "Veja" de ser um dos lobistas das negociações com o alto escalão do funcionalismo do governo federal na tentativa de mudar as leis das telecomunicações para beneficiar a Telemar.
De acordo com a revista, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi chamado para tentar assegurar os interesses da empresa de telefonia junto ao governo que seu pai chefia. A reportagem sugere que houve, inclusive, uma disputa entre empresas de telefonia para "comprar" a influência do filho do presidente e seu acesso ao governo, e que a Telemar teria ganhado a disputa com o investimento de R$ 15 milhões na Gamecorp, empresa de Fábio Luís.
Segundo a "Veja", depois do investimento, o filho do presidente começou a se comportar como lobista da Telemar. Ele e seu sócio na empresa Gamecorp Kalil Bittar teriam mantido três encontros com Daniel Goldberg, titular da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE).
Em uma destas reuniões, no início de 2005, segundo a revista, eles perguntaram a Goldberg sobre a posição da SDE caso a Telemar comprasse a concorrente Brasil Telecom, um negócio proibido pela legislação vigente. O secretário teria dito que a fusão só seria possível através de uma mudança na lei. Ainda segundo a "Veja", os esforços para esta modificação foram abandonados por Lulinha devido à veiculação da notícia da compra pela Telemar de parte das ações da Gamecorp por R$ 5,2 milhões.
De acordo com a revista, isto nunca ''ocorreu oficialmente''. O assessor de Lulinha e Kalil, o jornalista Cláudio Sá, disse na reportagem que, se houve encontros, foram contatos meramente sociais. Goldberg, por sua vez, disse ter tratado de assuntos relativos à contratação de uma consultoria de contabilidade tributária e de um escritório de advocacia.
A revista diz também que Lulinha se associou a Alexandre Paes dos Santos, que responde a inquéritos por corrupção , contrabando e tráfico de influência. Enquanto estavam em Brasília, Lulinha e Kalil despachavam em uma sala do escritório do lobista, conhecido como APS, entre o fim de 2003 e julho de 2005.
O local é uma mansão de quatro andares e elevador, na região do Lago Sul. O assessor da dupla disse que Kalil esteve no escritório, mas disse que Lulinha nunca foi lá. APS confirmou que o filho do presidente despachava no local.

Na cidade que Lindberg (PT) é Prefeito!

Correio Braziliense - 23/10/2006
Para PF, dólares do dossiê saíram do Rio


Polícia acredita que “laranjas” sacaram dinheiro em agência de turismo de Nova Iguaçu.


Caso de polícia que virou o principal assunto nessa reta final das eleições presidenciais, a montagem do dossiê contra os tucanos, que tem ramificações em Mato Grosso e São Paulo, ganhou um novo entroncamento: a cidade fluminense de Nova Iguaçu.
Fontes da Polícia Federal, que investiga a origem dos R$ 1,75 milhão que seriam usados no pagamento do dossiê contra candidatos do PSDB, informaram que a maior parte dos 248,8 mil dólares que faziam parte desse montante saíram de uma agência de turismo de Nova Iguaçu. A empresa se chama Vicatur Agência de Turismo. Mas os nomes dos compradores não foram revelados para não atrapalhar as investigações.
Segundo a PF, os dólares foram adquiridos por “laranjas”, todos membros de uma mesma família, em lotes de valores variados. Suspeita-se que essas pessoas tenham “alugado” seus CPFs ou que seus nomes tenham sido usados sem o seu conhecimento. A próxima fase do inquérito da Polícia Federal deve durar mais 30 dias e todos serão chamados a depor.
Casas de câmbio de São Paulo e de Florianópolis (SC) também foram vasculhadas pela polícia. A Baixada Fluminense já tinha sido citada por fontes policiais em outras circunstâncias. Entre o dinheiro apreendido pela polícia, havia notas de pequenos valores, inclusive maços com fitas com a inscrição “Caxias 118” — em referência à cidade de Duque de Caxias — além de “Campo Grande 119”, nome de cidade da zona oeste. O fato levou a polícia a concluir que parte do dinheiro veio de bicheiros, chegando a apontar o banqueiro do bicho Antonio Petrus Kalil, o Turcão, 81 anos, como elo de ligação com os petistas fluminenses.

Charge do Dia - Angeli


Folha de São Paulo - 23/10/2006

Câmara Milionária

Folha de São Paulo - 22/10/2006
Um terço da nova Câmara é de milionários

Um em cada três deputados federais eleitos é milionário. Levantamento feito pela Folha mostra que, dos 513 parlamentares que assumem o cargo em 2007, 165 declararam ter patrimônio superior a R$ 1 milhão.
São 49 milionários eleitos a mais do que em 2002 (quando foram eleitos 116 milionários). Dos 165 deputados com mais de R$ 1 milhão, 74 são novatos e 91 estão na atual legislatura.O patrimônio médio do parlamentar eleito também aumentou: foi de R$ 2,2 milhões para R$ 2,5 milhões. No total, os 513 parlamentares têm juntos R$ 1,2 bilhão --R$ 128 milhões a mais que os eleitos para a Câmara há quatro anos.
Levando em conta o rendimento médio mensal do brasileiro (R$ 527, de acordo com o IBGE), seria preciso trabalhar mais de 392 anos para acumular R$ 2,5 milhões.Camilo Cola (PMDB-ES), 83, dono da viação Itapemirim, é disparado o mais rico dos deputados, com um patrimônio declarado de R$ 259 milhões. O segundo é Odílio Balbinotti (PMDB-PR), que declarou ter R$ 123 milhões.
Para o cientista político Fernando Abrucio, da FGV-SP, é impossível saber se as declarações são realmente compatíveis com a realidade. Apesar dos números, segundo ele, muitos podem ter declarado menos do que têm. "No Brasil, não pega bem ser rico. É um país com alto índice de desigualdade. As pessoas não querem se declarar ricas. Mas não acho que seja algo singular dos políticos."A bancada que terá o maior número de milionários é a do PFL: 38. Depois, vem o PMDB, com 37. O PSDB terá 21. As três legendas têm também o maior patrimônio declarado --total e médio. O PT terá seis milionários e é, pela média, o 16º partido em patrimônio.
Apesar do aumento do patrimônio dos deputados, Abrucio acredita que a minirreforma eleitoral --que proibiu showmícios e outdoors-- coibiu o abuso econômico e diminuiu a influência do dinheiro nestas eleições. "O que favoreceu mais foi ser conhecido pelo grande público e ter forte base social. "Devido à crise ética gerada pelo escândalo do mensalão e pela máfia dos sanguessugas, o cientista político coloca em dúvida o aumento de milionários. "Talvez haja mais gente [que já tinha mais de R$ 1 milhão] declarando suas contas agora."A maior parte dos deputados federais milionários é do Sudeste (62). São Paulo está em primeiro na lista, com 29. Minas Gerais vem logo atrás, com 25. O Rio tem seis e Espírito Santo, dois. O Amapá é o único Estado que não possui nenhum deputado com mais de R$ 1 milhão em patrimônio declarado.

20 de out. de 2006

Apareceu a margarida!

Terra Magazine - 20/10/2006
Novos nomes no caso dossiê: Dirceu e Berzoini

É extremo o cuidado no manejo de dois novos nomes surgidos no cruzamento de ligações telefônicas investigadas no rastro do dinheiro usado por integrantes do PT para a compra do dossiê Sanguessugas. Os dois nomes têm ligações de ida e retorno com os envolvidos: os ex-presidentes do partido, José Dirceu e Ricardo Berzoini.

O cuidado é extremo porque os motivos para as ligações telefônicas podem ser muitos em mais de 600 telefonemas cruzados, mas o fato inquestionável é que as ligações foram feitas e estão sendo apuradas as motivações.
Como dezenas de dados cruzados são de contatos feitos em instituições públicas, não se descarta terem sido de natureza corriqueira os telefonemas e, por isso, o cuidado em não divulgar uma informação de maneira leviana.

Entende-se que o caso está politizado e partidarizado ao extremo por conta do afunilamento da eleição presidencial e que, portanto, a conexão precipitada de nomes com fatos ainda não devidamente esclarecidos contribui apenas para a ainda maior partidarização do caso. Mas o fato é que o sétimo nome a se tornar o oficial na lista de investigados pode ser de um dos dois ex-presidentes do PT: José Dirceu e Ricardo Berzoini.
Terra Magazine

Charges Online 2 - Café


Charges Online 1 - Alecrim



Esta charge do Alecrim foi feita originalmente para o Charge Online


Do Blog do Josias de Souza


CPI suspeita que Lorenzetti comprou US$ 150 mil
Roosewelt Pinheiro/ABrA CPI das Sanguessugas investiga uma suposta compra de dólares feita por Jorge Lorenzetti, ex-chefe do birô de inteligência do comitê de campanha de Lula. Ele teria adquirido US$ 150 mil numa casa de câmbio chamada Centaurus, de Florianópolis (SC). A suspeita é de que o dinheiro integre o lote de cédulas que seriam usadas por petistas para comprar, em 15 de setembro, um dossiê contra políticos tucanos.

O deputado Raul Jungmann (PPS-PE), vice-presidente da CPI, diz que a informação chegou à comissão, que agora busca confirmá-la. A Centaurus nega que tenha transacionado dólares com Lorenzetti. Contatado pelo deputado, o delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito do dossiêgate, esquivou-se de confirmar se a Polícia Federal também persegue a mesma pista. Limitou-se a dizer que a cidade de Florianópolis é um dos focos da investigação.

A suspeita da CPI nasceu assim:

1) um ex-funcionário graduado do Banco Central, cujo nome Jungmann mantém em sigilo, discou para o deputado para informar sobre dados que supostamente estariam armazenados nos computadores do BC;

2) informou algo que já é sabido: as cédulas de dólar que compunham o R$ 1,7 milhão apreendido pela PF em poder dos “aloprados” Gedimar Passos e Valdebran Padilha vieram dos EUA. Compunham um lote de US$ 15 milhões adquiridos pelo Banco Sofisa, de São Paulo;

3) depois de custodiar os dólares na casa de valores Brinks, o Sofisa revendeu-os a 14 corretoras. Uma delas, chamada Action, teria adquirido US$ 500 mil;

4) a Action, por sua vez, também teria revendido os dólares a outras casas de câmbio. Entre elas a catarinense Centaurus, situada no número 183 da Avenida Osmar Cunha, em Florianópolis;

5) coube à Centaurus, segundo a suspeita divulgada por Jungmann, revender US$ 150 mil a Jorge Lorenzetti, por meio de uma transação a cabo. Nesse tipo de transação, o dinheiro é enviado para uma instituição financeira no exterior e disponibilizado ao comprador no Brasil;

Se for verdadeira, a informação transforma em pó o depoimento que Lorenzetti prestou à Polícia Federal. O ex-analista de risco da campanha reeleitoral, que respondia diretamente a Ricardo Berzoini, presidente licenciado do PT, disse à polícia que nada sabia a respeito do dinheiro apreendido no Hotel Íbis, em São Paulo. Disse ter ficado “chocado” ao tomar conhecimento do fato, pelo noticiário.

É preciso deixar claro que os dados divulgados por Raul Jungmann estão pendentes de confirmação. A casa de câmbio Centaurus nega que tenha vendido dólares a Lorenzetti. Em contato com o blog, Aldo de Campos Costa, advogado de Lorenzetti, disse que "as ilações do deputado são absolutamente infundadas". Depois de contatar o seu cliente, Campos Costa disse que Lorenzetti reitera o depoimento que prestara à PF. Ou seja, não sabe de onde veio e não tem nada a ver com o dinheiro do dossiê.

Para o advogado de Lorenzetti, declarações de políticos sobre o dossiêgate devem ser vistas "com reservas", uma vez que são "pessoas interessadas em influir no andamento do processo eleitoral". Resta aguardar que a Polícia Federal diga se as suspeitas divulgadas por Jungmann são ou não procedentes.

Link para o Blog do Josias de Souza

Freudduto

CorreioWeb - 20/10/2006
CPI encontra dinheiro de Duda na conta de Freud Godoy

Um mês depois de ser acusado de participar da compra do dossiê contra o PSDB, o ex-assessor particular da Presidência da República Freud Godoy volta a assombrar o divã do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um relatório encaminhado por integrantes da CPI dos Sanguessugas à Polícia Federal mostra que duas empresas do marqueteiro de Lula, Duda Mendonça — a CEP Comunicação Ltda. e a Duda Associados — fizeram no período de janeiro de 2004 a março de 2005 quatro depósitos no valor total de R$ 29.347,00 na conta da Caso Sistemas de Segurança, empresa registrada na em nome de Simone Messeguer, mulher de Freud.
Segundo fontes do Banco Central e da Receita Federal, as operações são suspeitas porque toda a grana dos depósitos foi sacada na boca do caixa. As transações colocam o presidente no foco da crise iniciada dia 15 de setembro com a prisão de militantes envolvidos com a compra do dossiê contra tucanos. Até de ser demitido do cargo, Freud era responsável pela resolução dos problemas particulares de Lula, da primeira-dama Marisa Letícia e até dos filhos do casal. Integrantes da CPI dos Sanguessugas acreditam que a quebra do sigilo de Freud e das empresas poderá esclarecer se o dinheiro de Duda foi ou não usado para pagar despesas de familiares do presidente.
Se ficar configurado um duto ligando a conta bancária de Duda a de Freud e desta a gastos particulares da família presidencial, um novo e grande escândalo terá nascido por causa da história do dossiê. Isso porque a CPI dos Correios mapeou contas do publicitário em paraísos fiscais. Elas foram abastecidas com dinheiro frio. Um dos dados guardados no arquivo daquela comissão é um saque de US$ 5.329 na conta da Dusseldorf Ltde, empresa off-shore pertencente a Duda, sediada nas Bahamas, paraíso fiscal caribenho.

Freud e o Dossiê

O Globo - 20/20/2006
Petista confirmou que Freud mandou comprar o dossiê
- O petista Gedimar Passos reafirmou à Polícia Federal no dia 18 de setembro, três dias após ser preso com parte do R$ 1,7 milhão que seria usado para comprar o dossiê contra tucanos, que foi Freud Godoy, ex-assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quem lhe dera a missão de entregar o dinheiro ao chefe da máfia dos sanguessugas.
Ao ser acareado com Freud na PF, Gedimar inicialmente manteve a versão que apresentara no dia da prisão. Só depois que Freud negou envolvimento no escândalo, Gedimar pediu para manter-se em silêncio no restante da acareação.
Semana passada Gedimar voltou atrás e alegou ter sido pressionado por um delegado da PF a acusar Freud. A Justiça autorizou ontem a quebra do sigilo bancário de Freud. A PF suspeita que "uma pessoa conhecida", além dos sete petistas já identificados, possa ter participado da compra do dossiê.

Charge do Dia - Glauco


Folha de São Paulo - 20/10/2006

18 de out. de 2006

PT, bichos & cia



Dinheiro para dossiê veio do PT, indica relatório
Documento está entre as 500 páginas do inquérito sobre o dossiê Vedoin que foram enviadas pela polícia à CPI dos Sanguessugas
Sônia Filgueiras e Expedito Filho


BRASÍLIA - Entre as 500 páginas do inquérito sobre o dossiê Vedoin que foram obtidas pela CPI dos Sanguessugas, um documento chamou a atenção dos parlamentares. Em relatório sobre o caso que investiga, o delegado Diógenes Curado Filho afirma que tudo indica que o dinheiro apreendido com Gedimar Passos e Valdebran Padilha veio do Partido dos Trabalhadores.
Dessa forma, o delegado expõe a sua conclusão pessoal a respeito da origem do dinheiro que pagaria as acusações de envolvimento de candidatos tucanos com a máfia dos sanguessugas. Num documento assinado.

Evidências

A avaliação do delegado está amparada em uma série de evidências:
- o dinheiro, reais e dólares no valor total de R$ 1,75 milhão, estava em uma mala preta entregue por Hamilton Lacerda, coordenador-geral da campanha de Aloizio Mercadante ao governo paulista;
- quase todos os envolvidos na operação irregular são integrantes do comitê pela reeleição do presidente Lula, sendo que alguns chefiavam núcleos;
- o dossiê visava a prejudicar adversários do PT, como o ex-ministro José Serra e o ex-governador Geraldo Alckmin, que apareciam em fotos apreendidas.

Dinheiro ilícito

O presidente da CPI, Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), que teve acesso aos documentos em Cuiabá e os levou a Brasília, foi o primeiro a reconhecer que se tratava de dinheiro ilícito, já que não aparece registrado em operações bancárias regulares. Biscaia visitou a PF e a Justiça Federal em Cuiabá, na segunda-feira, quando disse não ter dúvidas de que a origem do dinheiro era ilegal.
No caso dos US$ 248 mil apreendidos, a própria PF trabalha com a hipótese de que a quantia tenha sido levantada no mercado paralelo. Entre os reais arrecadados, há suspeita de que parte tenha sido amealhada por petistas junto à contravenção.
Dessa forma, a única conclusão construída a partir das investigações é de que o dinheiro é do PT.
Biscaia ainda considerou, após analisar o conteúdo dos documentos, afirmou que no dossiê não há nada que incrimine o ex-ministro da Saúde e governador eleito de São Paulo, José Serra.
Jogo do bicho

Daniel Lorenz, delegado-chefe da PF em Mato Grosso, confirmou que o jogo do bicho pode ter sido a fonte de parte do dinheiro. Otimista, ele informou que equipes federais realizam "ações intensas" fora de Mato Grosso. Contudo, não revelou em qual Estado a apuração se concentra.
Lorenz disse que houve um avanço no rastreamento da origem do dinheiro. "Houve basicamente a comprovação de uma tese", afirmou. Questionado se a tese à qual se referia aponta para a contravenção, foi categórico: "Não só isso, mas de várias teses. Estamos trabalhando com ações de inteligência."
O chefe da PF disse que "fontes humanas" estão contribuindo com a investigação. O delegado destacou que informantes "dão indicações bastante precisas".

Tiroteio Verbal


"Se o Lula for reeleito, o governo acaba antes de começar. "

Tarso Genro diz que Alckmin mostrou hoje seu "lado Pinochet"

Para Marta, pesquisa mostra "esfarelamento" da candidatura Alckmin

Tucano rebate Marta e diz que Alckmin vai ganhar na semana "decisiva"

Xuxu Amarelo

Terra Notícias - 16/10/1006
Para Mendonça, Alckmin "se acovardou" em privatizações


Responsável pelas maiores privatizações do País, o economista e ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros disse nesta quarta-feira que o candidato à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB) se acovardou diante da propaganda da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de que um novo governo tucano retomaria a venda de estatais, como Banco do Brasil e Petrobras. Na linguagem ácida que costuma usar, Mendonça de Barros não poupou Alckmin nem a campanha do presidente-candidato Lula e afirmou que a estratégia do PT de vincular tucano a um projeto privatista teve ressonância no eleitorado.
"Cola, principalmente porque o Alckmin não soube lidar com isso", afirmou o economista, reclamando que o candidato deveria estar mais preparado para defender as privatizações feitas no governo Fernando Henrique Cardoso.
"Como o Alckmin não tem coragem de falar isso, de defender isso, prevalece o mal-estar. Por isso é que tem que contar a história verdadeira", afirmou Mendonça de Barros, para quem a venda da Petrobras continua um tema em aberto.
Em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta quarta-feira, o candidato tucano chegou a afirmar que a desestatização foi "necessária" e "importante". Mas, para Mendonça de Barros, já é tarde.
"Acho que agora a coisa ficou confusa. Alckmin perdeu o momento dele, foi um erro, e agora não sei se recupera", disse.

Faltam os chefes da quadrilha!


Presos 12 acusados de golpe milionário no ICS

A Polícia Federal prendeu ontem 12 pessoas acusadas de dar golpe milionário nos cofres do Instituto Candango de Solidariedade. Entre elas estão o atual presidente do ICS, Lázaro Severo Rocha (E), e o antecessor, Ronan Batista de Souza (D), além de parentes, sócios e advogados dos dois. Um dos suspeitos de participar da fraude está foragido. Investigação feita por uma força-tarefa integrada pela PF, Receita e Ministério Público Federal descobriu que, nos últimos três anos, R$ 25,8 milhões repassados ao instituto pelo GDF e o Ministério da Saúde foram parar na conta de pessoas e empresas ligadas a Lázaro e Ronan. Os envolvidos no esquema vão responder por formação de quadrilha, desvio e lavagem de dinheiro.

Link para a reportagem completa: CorreioWeb

16 de out. de 2006

Burros e burrices

Lula diz que Berzoini caiu por não explicar quem fez a "burrice" do dossiê

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, afirmou nesta segunda-feira que Ricardo Berzoini foi afastado da coordenação de sua campanha justamente por não ter dado uma explicação para a tentativa de compra de um dossiê contra políticos tucanos por integrantes do partido.
"Chamei o presidente do partido e perguntei: 'eu quero saber quem fez essa burrice?' Porque foi de uma sandice inominável. Ele me disse que não sabia. Eu falei: 'Ricardo, você que é o presidente do partido tem obrigação de apresentar para a sociedade brasileira a resposta, Ricardo'. Ele não deu [a resposta]. Na quarta-feira, eu o afastei da coordenação da campanha", disse Lula em entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, que vai ao ar na noite desta segunda-feira.
Segundo Lula, a ordem dada por ele às instituições é para não deixar "pedra sobre pedra" na investigação sobre o episódio. "A ordem dada à Polícia Federal é que não deixe pedra sobre pedra. Pode demorar um dia, um mês, um ano, mas que nós vamos descobrir nós vamos", afirmou Lula.
Lula voltou a afirmar que quer saber quem é o "arquiteto desse plano" e que ele foi o único prejudicado com a tentativa de compra do dossiê.Questionado sobre as medidas que tomou, Lula disse que fez o que estava a seu alcance, uma vez que o caso "saiu do âmbito do poder Executivo"."Graças a Deus, o método rápido das pessoas contarem as coisas acabou [no Brasil]", disse Lula, em referência ao período de ditadura militar.

Do ex-Blog do César Maia


FREUD EM APUROS: O PLANALTO TREME!
Correio Brazilense

O Correio revelou a existência de uma empresa — a Caso Comércio e Serviços Ltda — cujo 95% do capital está nas mãos do segurança. Até então, só era conhecida a Caso Serviços de Segurança, registrada em nome da mulher de Freud, Simone Messenger. As duas firmas atuam complementando-se, uma (a de Simone) cuida da parte operacional, a outra (a de Freud), da financeira e empresarial.
Mais que isso, também em reportagem do Correio, veio á tona a informação de que o Coaf encontrou uma operação atípica vinculada ao CPF 136.070.188-55. O contribuinte registrado com esse número realizou um depósito em dinheiro vivo de R$ 150 mil na conta da Caso Serviços de Segurança, no dia 24 de março passado. O dono do documento é Freud e a operação causa estranheza porque na época em que ocorreu ele tinha como única fonte de renda declarada o cargo de assessor especial da Presidência, com proventos de R$ 6.650,00.

Traição aos trabalhadores à vista!

Blog do Josias de Souza 16/10/2006
Lula tem agenda secreta de cortes e reformas azedas

Favorito na corrida presidencial, Lula mantém em segredo um lote de providências e planos que seus ministros e auxiliares consideram incontornáveis num eventual segundo mandato. São temas que, por impopulares, não freqüentam os palanques e a propaganda eletrônica do candidato. A agenda secreta de Lula inclui cortes nos gastos públicos e o envio ao Congresso de propostas de reforma da Previdência e da legislação trabalhista.
O blog conversou com dois ministros de Lula a respeito dos temas que vêm sendo escamoteados na campanha eleitoral. Falaram sob a condição do anonimato. Disseram que, internamente, as providências vêm sendo consideradas há meses. Os cortes no orçamento público são vistos como inevitáveis no próximo ano.

As mudanças na Previdência e nas leis que regem as relações entre empregadores e empregados compõem o que o governo chama de “novo ciclo de reformas”. Reformas que, a depender da vontade de Lula, serão negociadas num amplo entendimento com os partidos de oposição.

Um dos ministros informou que os cortes de gastos são necessários inclusive para compensar novas despesas que foram criadas neste ano eleitoral. Só no primeiro semestre, informou o auxiliar do presidente, as despesas do governo cresceram 14%. Acima da arrecadação de tributos, que aumentou 11%.

A defasagem entre os dois percentuais fez cair de 4,18% do PIB para 3,87% o superávit primário, a economia que o governo é obrigado a fazer para pagar a dívida pública. “Os cortes são inevitáveis para que a gente possa aumentar os investimentos em infra-estrutura sem comprometer o equilíbrio fiscal”, disse o auxiliar de Lula. “São necessários também para que se possa manter o pagamento de benefícios sociais como o Bolsa Família, dos quais o presidente não abre mão.”

Quanto às reformas, o seu formato final ainda não foi fechado. Há detalhes sobre os quais ainda não há consenso. Alguns deles, se explicitados publicamente, decerto afugentariam eleitores. Na discussão previdenciária, por exemplo, desde a hipótese de fixação de uma idade mínima para a aposentadoria dos trabalhadores da iniciativa privada e até a reformulação do sistema de benefícios do setor público.

Pelas regras atuais, só se exige idade mínima para a concessão de aposentadorias dos servidores públicos: 60 anos para os homens e 55 anos para as mulheres. Do trabalhador do setor privado, exige-se apenas um tempo mínimo de contribuição: 35 anos para os homens e 30 anos para as mulheres.

A reforma trabalhista inclui aspectos ainda mais controversos. Um dos ministros que conversaram com o blog disse que há concordância no governo em relação à tese de que é necessário diminuir a informalidade no emprego.

A divergência surge no instante em que o debate avança para a forma de estimular o incremento dos contratos com carteira assinada. Parte da equipe econômica de Lula acha que basta “desonerar” a folha de salários, eliminando taxas e contribuições exigidas do empregador. Outra parte da equipe defende a “flexibilização” de direitos trabalhistas. Mesmo falando em reserva, o ministro esquivou-se de dizer que tipo de benefício os advogados da tesoura avaliam que poderia ser cortado.

Charge do Dia II - Glauco

Charge do Dia - Glauco

15 de out. de 2006

Do Blog do Josias de Souza

‘Aloprados’ do dossiêgate podem ficar impunes

A Polícia Federal e o Ministério Público reconhecem sob reserva que todos os petistas envolvidos no dossiêgate podem sair ilesos do episódio se a investigação não conseguir comprovar a origem ilegal do dinheiro que seria usado na operação. Não há no código penal nenhum artigo que tipifique como ilegal a compra de documentos. Tampouco há lei prevendo punição para pessoas pilhadas com R$ 1,7 milhão de provedor desconhecido.

Mesmo para enquadrar os envolvidos no Código Eleitoral, seria necessário demonstrar que o dinheiro saiu de alguma arca clandestina do PT ou do caixa de candidatos do partido. Algo que a Polícia Federal está longe de provar. O elo mais próximo do dinheiro com o PT é um lote de fitas de vídeo. As imagens mostram o petista Hamilton Lacerda, ex-coordenador da campanha de Aloizio Mercadante, entrando no Hotel Íbis, onde o dinheiro foi apreendido, com valises que, supõe a PF, estavam recheadas de reais e dólares.

Hamilton, porém, negou em depoimento que houvesse levado os recursos para Gedimar Passos, o ex-agente da PF que prestava serviços ao PT na noite de 15 de setembro, quando foi flagrado com os maços. Cabe à polícia provar que o assessor de Mercadante está mentindo. O que só será possível se o rastreamento das transações financerias ou das ligações telefônicas revelar as digitais de Hamilton em algum saque ou em contatos com doleiros e casas de câmbio.

Os investigadores estão convencidos de que o deputado Ricardo Berzoini, presidente licenciado do PT, conhece todos os meandros do dossiêgate, inclusive a origem do dinheiro. Numa primeira análise dos dados telefônicos, verificou-se que protagonistas do caso discaram para Berzoini no período em que a compra do dossiê antitucanos foi negociada. Berzoini será inquirido na terça-feira. Mas o conteúdo de seu depoimento já é conhecido.

14 de out. de 2006

Servidor é sempre o palhaço


Reajustes mais modestos

Coordenador da campanha do PT afirma que aumentos para servidores serão menores em eventual segundo mandato de Lula

Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito, a administração pública passará por uma “política gradual de corte nos gastos públicos”. A informação foi dada ontem pelo coordenador nacional da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, em respostas às críticas da oposição de que o atual governo elevou as despesas com a máquina pública e que pode comprometer o ajuste fiscal necessário para a queda nas taxas de juros e o crescimento econômico.
Entre as medidas a serem adotadas a partir de 2007 está a redução no ritmo dos reajustes de salários do funcionalismo. A recuperação dos ganhos das principais categorias já aconteceu nos primeiros quatro anos do governo Lula. “Os aumentos para servidores públicos devem ocorrer num ritmo mais lento do que na gestão atual. Nós não vamos mais precisar dar esses pinotes que foram necessários para atender à qualidade do funcionalismo público”, explicou. Garcia espera que, com a economia estabilizada e as reposições salariais das principais categorias típicas de Estado já feitas pelo governo “as categorias passarão a ter aumentos normais” de salários. O coordenador da campanha petista tratou do assunto em resposta aos economistas da oposição que criticam a elevação nos gastos com a máquina administrativa pelo governo Lula, principalmente com a contratação de novos funcionários e a elevação de seus salários. Segundo Garcia, os aumentos salariais já concedidos ajudaram a melhorar a prestação dos serviços públicos. “Os reajustes concedidos faziam parte de um plano de reestruturação das carreiras de 1,7 milhão dos 2 milhões de servidores públicos brasileiros – entre ativos, inativos, civis e militares”, disse o coordenador.

Charge do Dia 1 - Paixão



Esta charge do Paixão foi feita originalmente para o GAZETA DO POVO

Charge do Dia 1 - Aroeira



Esta charge do Aroeira foi feita originalmente para o O DIA

13 de out. de 2006

Leitores do Vermelho dão vitória a Alckmin no debate

Resultado
Quem ganhou o debate Lula-Alckmin na Band?

Total de votos - 4241

Alckmin, graças à agressividade 62%

Lula, graças à tranqüilidade 29%

Empatou; quero ver o próximo 4%

Alckmin golpeou abaixo da cintura 2%

Lula não respondeu à corrupção 2%

Link para o Vermelho

Assombração no Senado!


Collor visita Senado, mas evita comentar apoio ao presidente Lula

Mesmo com o Congresso Nacional vazio depois do feriado, o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PRTB), senador eleito pelo Estado de Alagoas, causou tumulto na manhã desta sexta-feira ao visitar pela primeira vez o Senado Federal desde que foi eleito.
De mãos dadas com a mulher, Caroline Medeiros, Collor visitou o plenário do Senado, o corredor das comissões e o gabinete do senador Eduardo Siqueira Campos (PSDB-TO), considerado um dos mais bem localizados no Senado.
Cercado por jornalistas, Collor não quis dar entrevista. Disse apenas que estava visitando o futuro local de trabalho, mas evitou comentar seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador eleito também não quis responder sobre a visita ao Congresso que, há 14 anos, aprovou pedido de impeachment da Presidência da República.

Rastros do Dinheiro

Folha On Line - 13/10/2006
Procuradoria quer quebrar sigilos de Freud Godoy


O Ministério Público Federal pedirá à Justiça a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-assessor da Presidência da República Freud Godoy, de sua mulher, Simone Messeguer Godoy, e da empresa dela, Caso Sistemas de Segurança. O alvo do pedido serão a movimentação financeira e as operações tributáveis declaradas ao Imposto de Renda no último ano.
A justificativa: conforme divulgado pela imprensa, em 24 de março, Freud teria sacado R$ 150 mil em dinheiro; em setembro deste ano, por meio da empresa Caso, o investidor Naji Nahas teria feito um crédito em favor do ex-assessor da Presidência no valor de R$ 396 mil. Freud teve seu nome envolvido na negociação para pagar R$ 1,75 milhão por um dossiê contra o governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB), então candidato. Quem fez a referência a Freud foi o agente de Polícia Federal aposentado Gedimar Passos. Em depoimento, Gedimar disse que o ex-assessor da Presidência participou da entrega do dinheiro, que acabou sendo apreendido pela PF no dia 15 de setembro, no hotel Ibis Congonhas, em São Paulo.
Freud deixou o cargo na Presidência tão logo seu nome foi envolvido no caso.Em seu primeiro depoimento, Gedimar colaborou com informações, apesar de parcialmente truncadas. Posteriormente, passou a dizer que voltaria a se pronunciar sobre caso somente em juízo. Nega-se até a discutir o assunto com colegas da PF, que têm insistido para que colabore.
Ao Tribunal Superior Eleitoral, que conduz um procedimento relativo às implicações eleitorais da negociação do dossiê, os advogados de Gedimar informaram que ele apontou o nome de Freud em seu primeiro depoimento à PF porque foi coagido. Ao recuar, tentava retirar a única referência a Freud que foi feita até agora na investigação do caso.Em Cuiabá, a PF segue o cruzamento de dados relacionados à quebra de sigilos telefônicos dos envolvidos e às operações financeiras por meio das quais teriam circulado os dólares e reais que seriam utilizados no negócio.

Chage do Dia II - Pelicano


Esta charge do Pelicano foi feita originalmente para o Bom Dia (SP)

Chage do Dia I - Paixão


Esta charge do Paixão foi feita originalmente para o Gazeta do Povo

Veneno do Cláudio Humberto


Cabideiro

O pessoal de Lula não teme que Alckmin, se eleito, privatize a Petrobras, a Caixa e o Banco do Brasil. O medo é que ele “despetize” as estatais.






Link para o Blog do Cláudio Humberto

Tendências?


Renata Lo Prete

A curva pró-Lula

ASSIM COMO se revelou infundada a expectativa oposicionista de que o desempenho de Alckmin no debate pudesse reativar o movimento ascendente que o colocou no segundo turno, também carece de base real a teoria lulista segundo a qual o programa de domingo passado seria o responsável pela ampliação da vantagem do presidente, detectada pelo Datafolha e endossada ontem pelo Ibope.
Vá lá que o tucano tenha incorrido em algum exagero no tom escolhido para se dirigir ao adversário, impressão potencializada pelo contraste com a imagem polida que projetou ao longo de sua trajetória política. Ainda que não admita de público, a própria campanha identificou esse estranhamento, especialmente nos dois primeiros blocos, em pesquisa com grupos que acompanharam o programa.
No essencial, porém, o debate serviu para o que geralmente serve esse gênero de confronto televisivo: cristalizar percepções prévias do eleitor. As respostas à bateria de perguntas do Datafolha sobre atributos dos candidatos mostram que qualidades e defeitos conferidos a Lula e a Alckmin se acentuam na ótica dos eleitores que assistiram ao programa. Assim, o desempenho de Alckmin tende a ser considerado "firme" por quem já o aprovava e/ou desaprovava Lula e "autoritário" ou mesmo "fascista" -na propaganda do ministro Tarso Genro- por quem está com o presidente e não abre. Debate serve também como matéria-prima para o horário gratuito, no qual seu conteúdo é editado ao gosto do freguês.
Ontem, na hora do almoço, Lula estreou com um condensado em que não havia vestígio de seu atordoamento inicial, evidente até para aliados presentes no estúdio da Band, com as perguntas do adversário. Pelo contrário, parecia ter todas as respostas. O "clipe" de Alckmin, por sua vez, manteve o bordão principal de sua ofensiva ("Lula, de onde veio o dinheiro para pagar o dossiê fajuto?"), mas deixou de fora outros momentos de cobrança em troca de enfatizar o que não havia sido a tônica do candidato no programa: dizer o que fará se chegar à Presidência da República.
Menos do que um ponto de inflexão, contra Alckmin ou a favor de Lula, o primeiro debate do segundo turno aconteceu dentro de uma onda que já vinha favorável ao petista -vide o Datafolha anterior-, basicamente devido ao esfriamento do escândalo do dossiê. Completando o quadro de dificuldades de Alckmin, sua campanha se viu obrigada pelo discurso do adversário a recuar para uma atitude defensiva. Neste momento, gasta boa parte do tempo negando que vá privatizar, cortar benefícios sociais e seqüestrar crianças. A esperança de Alckmin é que a pergunta-mãe do caso do dossiê volte para o centro do noticiário.

Link para Folha de São Paulo - Assinantes

Morde e Assopra!

Folha de São Paulo 13/10/2006
Campanha de Lula ataca a família de Alckmin e recua

Partido cita mulher e filha de adversário em boletim e depois pede desculpas
Presidente abre propaganda eleitoral dizendo que não desejava "baixaria"; Marco Aurélio Garcia afirma que ataque foi "inapropriado"

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

No dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu sua propaganda eleitoral dizendo que não desejava "baixaria", os sites na internet do PT e de sua campanha divulgaram um boletim com ataques a familiares do tucano Geraldo Alckmin. No final da tarde de ontem, o PT pediu desculpas em nota assinada pelo presidente da legenda e coordenador da campanha, Marco Aurélio Garcia.
Retirado do ar por ordem de auxiliares de Lula, o texto "O telhado de vidro de Alckmin" atacava Sofia e Lu Alckmin, respectivamente a filha e a mulher do tucano. O boletim criticava ainda veículos de comunicação e acusava o tucano de "hipocrisia e moralismo de ocasião"."Alckmin não deveria colocar o debate neste nível [sobre saber ou não de irregularidades]. Afinal, alguém poderia perguntar se ele sabia que sua filha era funcionária de uma empresa acusada de contrabando, a Daslu, ou se tinha conhecimento [de] que sua esposa ganhou de presente 400 vestidinhos chiques", diz o texto.
Em 2005, a PF prendeu a dona da Daslu sob acusação de evasão de divisas e contrabando.O texto foi retirado do site da campanha às 12h40 por determinação de um auxiliar do presidente, que falou com Garcia. Às 15h49, o site do PT reproduziu o texto, que seria retirado meia hora depois por orientação do presidente do PT.
Responsável pela área de internet da campanha e secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar disse que foi o autor do boletim. "Eu passei da mão. O Lula não aprovou a referência aos familiares e elas foram retiradas. O texto deverá voltar a ser divulgado sem essas menções", disse.
Por determinação de Lula, Pomar redigiu nota assinada por Garcia e que foi divulgada às 17h39 no site do PT. Ela dizia que o presidente, o partido e seus aliados consideravam "totalmente inadequado, inapropriado e lamentável lançar mão de ataques pessoais envolvendo os candidatos ou suas famílias". A nota afirmou que Lula sofrera ataques semelhantes em campanhas passadas. "Exatamente por isso, consideramos incorretas e nos desculpamos publicamente pelas referências feitas -em um boletim da campanha- a familiares do candidato da oposição."
Segundo relato de auxiliares diretos à Folha, Lula ficou contrariado quando soube do episódio por volta das 13h e deu ordem para que as informações do site de sua campanha passem pelo controle prévio do marqueteiro João Santana.
Na avaliação de Lula, ataques desse tipo poderiam colocar em risco a sua reeleição, pois vitimizariam Alckmin e poderiam resultar num contra-ataque à sua família. Lula teme que o PSDB lance suspeitas sobre a empresa de um filho seu, Fábio Luiz, que recebeu da Telemar um aporte de recursos no valor de R$ 10 milhões. No debate da TV Bandeirantes no último domingo, apesar do tom agressivo do evento, o petista e o tucano deixaram os parentes fora da disputa.

12 de out. de 2006

Mercadante Mercador

UOL Eleições 2006

PF quer ouvir Mercadante sobre dossiê contra tucanos

Por Áureo Germano

A Polícia Federal pretende ouvir o depoimento do senador Aloizio Mercadante, candidato do PT derrotado ao governo de São Paulo, nas investigações sobre a tentativa de negociação do dossiê contra políticos tucanos.
Uma fonte ligada à investigação afirmou à Reuters, sob a condição de anonimato, que a partir da descoberta de fortes indícios da participação de seu ex-coordenador de campanha Hamilton Lacerda na tentativa de aquisição dos documentos, os investigadores se convenceram da necessidade de ouvir o parlamentar sobre o suposto envolvimento de seu comitê eleitoral no caso."É preciso saber até onde vai o conhecimento do senador a respeito do envolvimento de seu (ex-)coordenador no caso", explicou a fonte.
Hamilton foi flagrado pelo sistema de vídeo de um hotel de São Paulo transportando uma bolsa na qual a PF suspeita que estaria parte dos cerca de 1,7 milhão de reais --apreendidos com Gedimar Passos e Valdebran Padilha, ligados ao PT-- que seriam utilizados na aquisição do dossiê.

Link para reportagem completa - site do UOL

11 de out. de 2006

Mais uma, Maluf!

Última instância - Revista Jurídica

Justiça paulista condena Paulo Maluf por improbidade administrativa

A juíza de direito Silvia Maria Meirelles Novaes de Andrade, da 12ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, condenou Paulo Maluf, ex-prefeiro de São Paulo, por improbidade administrativa. A decisão suspende seus direitos políticos por dez anos, mas a pena só pode ser aplicada quando a sentença transitar em julgado (todos os recursos possíveis esgotados). O futuro deputado federal já possui uma condenação transitada em julgado, de março de 2001.
Na prática, Maluf poderá assumir o cargo de deputado federal em 1º de janeiro de 2007, para o qual foi eleito com 739.827 votos. O ex-prefeito também está condenado a pagar multa cível equivalente a três vezes à vantagem patrimonial auferida, atualizada para a data do pagamento, bem como ao pagamento das despesas processuais. Cabe recurso de apelação ao Tribunal de Justiça de São Paulo.De acordo com informações do Ministério Público, a ação foi proposta em 24 de julho 1996 pela Promotoria de Justiça da Cidadania de São Paulo. A promotoria afirma que Maluf, recém-eleito deputado federal, teria se utilizado da máquina pública para promoção pessoal.
A advogada Patrícia Rios, uma das defensoras de Maluf na área cível, afirma que vai recorrer da decisão e que o ex-prefeito "é um cidadão no pleno gozo de seus direitos, tanto que vai assumir seu cargo de deputado federal no dia 1º de janeiro de 2007". Ela também afirmou que, assim que Maluf assumir suas novas funções em Brasília, seu eventual recurso automaticamente passará a correr no Supremo Tribunal Federal, já que os deputados federais têm foro privilegiado.
Enquanto prefeito, Maluf teria, às custas dos cofres municipais, determinado a promoção de campanhas publicitárias por meio de outdoors e de publicações na imprensa televisiva, utilizando-se de seu símbolo pessoal, um trevo vermelho formado por quatro corações simétricos, criado especialmente para suas campanhas político-eleitorais.
De acordo com o Ministério Público, o objetivo dessa medida seria o claro e ostensivo objetivo de promoção pessoal com dinheiro público, o que desrespeitaria o artigo 37, §1º, da Constituição. A ONG Transparência Brasil, que faz um acompanhamento da atuação dos políticos no país, informa que tramitam contra o ex-prefeito dois processos de interesse da Promotoria da Cidadania paulista sobre o desvio de dinheiro na construção da Avenida Águas Espraiadas. O processo cível, no qual os bens de Maluf foram bloqueados, corre na 4ª Vara da Fazenda Pública; o criminal corre na 2ª Vara Federal Criminal e resultou na retenção de seu passaporte.

Link para a reportagem completa

Charge do dia - Aroeira

Pinóquios

CLÓVIS ROSSI

Mentiras e indigência

Durante a campanha eleitoral de 2002, Ciro Gomes vinha subindo nas pesquisas até enroscar-se na própria língua: começou a contar mentiras, rapidamente desmascaradas, e caiu até ficar atrás de Anthony Garotinho na hora da contagem de votos. Eram pequenas mentiras, como a de jurar que estudara a vida inteira em escolas públicas, o que se provou falso. Mas parece que o eleitorado se deu conta de quem conta pequenas mentiras pode também contar grandes mentiras e, por extensão, é inconfiável para governar o país (ou o que quer que seja).
Se os votantes aplicassem idêntico critério para os dois candidatos remanescentes em 2006, o país ficaria sem presidente. Afinal, como a Folha mostrou ontem, tanto Luiz Inácio Lula da Silva como Geraldo Alckmin contaram mentiras -e grandes mentiras, não as pequenas que desclassificaram Ciro há quatro anos.
A principal mentira diz respeito, em ambos os casos, a crescimento econômico, dado fundamental para o pobre país tupiniquim. Lula "chutou" alto, bem de acordo com a megalomania que o caracteriza, ao dizer que nunca, nos últimos 20 anos, o país crescera tanto. Falso, mostrou a Folha ontem. Alckmin disse que São Paulo é que cresceu mais que a média nacional. Igualmente falso, como igualmente mostrou a Folha ontem.
Digo que é a principal mentira porque, se ambos estão satisfeitos com o desempenho econômico do país que um governa e do Estado que o outro governou, estamos todos roubados. Afinal, o crescimento da renda per capita do Brasil no século 21 foi de indigente 0,8% na média anual. O século 21 dividiu-se igualmente entre os irmãos-inimigos PT e PSDB. Se ambos festejam a indigência, seria melhor mesmo que ninguém se elegesse. O país talvez caminhasse com mais garbo.
crossi@uol.com.br

Link para Folha de São Paulo: assinantes

Um dos chefe da quadrilha

Correioweb - 11/10/2006
CPI acredita que Berzoini mandou comprar dossiê
Ugo BragaDo Correio Braziliense 11/10/200607h20-

O delegado Diógenes Curado, responsável pelo inquérito aberto pela Polícia Federal para investigar o caso do dossiê tucano, já tem montada uma história com começo, meio e fim sobre o caso. Segundo contou à comitiva de deputados da CPI dos Sanguessugas mandada a Cuiabá na segunda-feira, a operação não era uma tentativa desesperada de virar a eleição paulista na reta final da campanha. Ao contrário, começou antes mesmo de agosto. E teve participação ativa da cúpula da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição.
Pela versão atribuída à PF mato-grossense, a trama do dossiê partiu do então diretor de gestão de risco do Banco do Brasil, Expedito Antônio Veloso. Ele teria reunido informações comprometedoras sobre a relação dos sanguessugas com o empreiteiro paulista Abel Pereira. Este é muito próximo do último ministro da Saúde do governo Fernando Henrique Cardoso, o tucano Barjas Negri, hoje prefeito de Piracicaba (SP). E seria o laranja no pagamento de propinas a Negri. Era a prova que o PT procurava para jogar a máfia dos sanguessugas no colo da gestão anterior.
Uma vez confirmada, Expedito a teria passado a Jorge Lorenzetti, amigo pessoal, churrasqueiro preferido do presidente da República e chefe do grupo de análise de risco da campanha. Lorenzetti assumiu a operação do caso. Já portando as informações sobre os elos dos sanguessugas com o PSDB, Expedito Veloso foi três vezes a Cuiabá no mês de agosto. Negociou pessoalmente com Luiz Antônio Vedoin o preço e o conteúdo do dossiê, assim como uma entrevista dele atestando a papelada a algum veículo de amplitude nacional. Lorenzetti o acompanhou em duas dessas viagens. Animado com o que viu, Lorenzetti teria negociado o preço do dossiê (que baixou de R$ 20 milhões para R$ 2 milhões) e informado ao então presidente do PT, Ricardo Berzoini, que valia a pena comprá-lo. Recebeu deste sinal verde e foi a luta.

Reflexos do debate?

Lula amplia vantagem sobre Alckmin, diz Datafolha

Folha Online

A primeira pesquisa Datafolha após o debate na TV entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), realizado no último domingo, aponta que a vantagem do candidato petista subiu para 11 pontos em relação ao seu adversário tucano.
A intenção de voto em Lula oscilou de 50% para 51%. Já Alckmin caiu três pontos, de 43% para 40%, em relação a pesquisa anterior publicada no último dia 6. Considerando apenas os votos válidos, excluindo brancos e nulos, o candidato do PT à reeleição tem 56% contra 44% do ex-governador de São Paulo. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos, para mais ou para menos.O Datafolha entrevistou 2.868 eleitores em 194 municípios de 25 Estados. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número 21.972/2006.
Leia a pesquisa completa na edição desta quarta-feira da Folha de S.Paulo (só para assinantes).

10 de out. de 2006

Tiroteio pós-debate: Folha Online












Lula errou em acusação na TV, afirma líder do PT

Lula critica "pequenez" de Alckmin e diz que tucano só sabe privatizar

Líder do PSDB diz que Lula está desesperado e tenta criar fatos contra Alckmin

Lula diz que Alckmin é especialista em destruir o que ele construiu

Serra diz que Lula utilizou governo como "propriedade do PT"

Pergunta simples


Por que Lula não investigou?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz estar pronto para discutir corrupção e ética com o oponente, o tucano Geraldo Alckmin. Ministros, ex-ministros e aliados passaram a lembrar casos e suspeitas de corrupção do governo Fernando Henrique Cardoso, presidente por dois mandatos (1995-1998 e 1999-2002). E acusaram FHC e Alckmin de terem abafado CPIs quando presidente e governador.
Todo o governo diz: Lula quer debater, agora acha os confrontos na TV fundamentais para ganhar a eleição, está pronto para discutir ética, economia, política social.
No entanto, algumas perguntas sobre ética são pertinentes:
Se havia tantos casos de corrupção no governo FHC, porque o PT quer ressuscitá-los agora, quando não venceu no primeiro turno?
Por que Lula não mandou investigar tais acusações e suspeitas quando assumiu o poder em 2003?Se houve corrupção, o presidente não teria sido conivente ou omisso por não ter determinado apurações?
Se não houve corrupção, o presidente não estaria sendo leviano e jogando na confusão para fazer um contraponto ao mensalão e ao dossiêgate?
Se Lula está realmente preparado para debates, é importante que tenha respostas para essas perguntas. Do contrário, subestimará mais uma vez Alckmin. E poderá se dar muito mal.
No início do ano, quando o ex-governador de São Paulo foi escolhido candidato a presidente do PSDB, Lula disse a auxiliares que o achava mais perigoso do que José Serra, que perdera então a indicação partidária.
Motivo: Alckmin seria um fato novo, imprevisível. Já Serra, apesar do maior cacife nas pesquisas, foi derrotado pelo petista em 2002 e seria um inimigo conhecido. Portanto, mais previsível.
Com o passar tempo, a série de pesquisas que dava a Lula vitória em primeiro turno levou Alckmin a ser visto pela cúpula do governo como um chuchu marcado para perder. Não há dúvida de que o dossiêgate foi, sim, o maior responsável pela existência do segundo turno. A campanha de Alckmin comete um erro ao avaliar que haveria segundo fase independentemente do tiro no pé dado pelo PT.
No entanto, seria prudente o PT perceber que Alckmin atravessou o deserto com frieza e solidão incríveis. Talvez tenha tido algum mérito no cumprimento dessa tarefa. Talvez esteja mais para o adversário imprevisível do início do ano do que para o chuchu que apanhou calado na campanha do primeiro turno.
Kennedy Alencar, 38, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos.

Link para a coluna Pensata na Folha Online

Instituto Candango de Solidariedade aos LADRÕES

Correio Braziliense 10/10/2006
Atrás de desvios de R$ 1 bilhão

Investigadores procuram destino do restante do dinheiro público do Instituto Candango de Solidariedade. Devassa feita nas contas do ICS por integrantes de força-tarefa indicou irregularidades

Uma devassa realizada por auditores da Receita Federal e de outros órgãos do governo federal na contabilidade do Instituto Candango de Solidariedade (ICS) indica que a entidade filantrópica pode ter desviado nos últimos três anos quase R$ 1 bilhão de recursos repassados pelo Governo do Distrito Federal (GDF) e pelo Ministério da Saúde.
Investigação de força-tarefa da Receita Federal, Ministério Público e Polícia Federal indicou que R$ 26 milhões de recursos públicos foram parar na conta de empresas ligadas ao ex-presidente da entidade, Ronan Batista de Souza, e do atual, Lázaro Severo Rocha, conforme revelou o Correio na edição de domingo. Numa segunda fase de investigação, os auditores procuram agora o destino final do restante da bolada de recursos públicos que teve o destino modificado e ficou com dirigentes da instituição.
“Os R$ 26 milhões que encontramos é apenas uma migalha em relação ao montante de recursos desviados”, disse uma fonte ligada às investigações. Diante dos fortes indícios de desvio de recursos públicos, o Ministério Público de Contas do Distrito Federal adverte: “As irregularidades dos contratos de gestão, firmados com o ICS (Instituto Candango de Solidariedade), bem como as falhas e os desvirtuamentos constatados na execução do objeto contratual, são capazes de influenciar a regularidade das contas do governo”. O alerta de que os contratos com o ICS podem comprometer a prestação de contas do GDF está no relatório analítico e parecer prévio sobre os gastos do Executivo, referente a 2005, relatado pela conselheira do Tribunal de Contas do DF Marli Vinhadeli.
Em seis páginas, são listados 82 contratos sob suspeita do ICS com diferentes órgãos do GDF e identificados desvios como a falta de acompanhamento de execução, a contratação de mão-de-obra sem concurso público e a previsão de serviços sem estudo de viabilidade econômica. “As apurações existentes permitem concluir pela irregularidade da execução”, atesta o relatório.

Dossiê zoológico: deu avestruz na cabeça

Correio Braziliense - 10/10/2006
Dinheiro do jogo do bicho

Polícia Federal investiga se parte dos R$ 1,7 milhão apreendidos com petistas veio de bicheiros ou de caixa 2 de campanha

Marcelo Rocha - Enviado especial

Cuiabá — A Polícia Federal suspeita que parte do dinheiro arrecadado por petistas para a compra do dossiê contra o PSDB tenha origem em bancas do jogo do bicho no Rio. A linha de investigação foi debatida ontem durante encontro entre quatro integrantes da CPI dos Sanguessugas e o delegado Diógenes Curado, encarregado de desvendar de onde saíram os R$ 1,7 milhão (em notas de dólares e reais) que seriam usados na negociação do material que pudesse comprometer tucanos com os sanguessugas.
Os policiais também não descartaram a hipótese de que a procedência dos recursos seja de caixa 2 de campanha. Duas tiras de papel encontradas com os R$ 1,1 milhão e os US$ 248,8 mil que estavam em poder de Valdebran Padilha e Gedimar Passos, em São Paulo, chamaram a atenção dos investigadores. Elas trazem anotações de valores e fazem referência a duas localidades no Rio: Duque de Caxias e Campo Grande. Ao lado de cada nome, havia ainda um número que a polícia acreditava se referir a bancos (118 e 119, respectivamente). Após pesquisar a rede bancária, a PF constatou que não existem tais números.
Com isso, ganhou força entre os policiais a tese de que o dinheiro tenha origem no jogo do bicho. Também não foram descartadas outras fontes de recursos, como casas de bingo. A forma como o dinheiro foi encontrado também fez aumentar a desconfiança: boa parte em notas velhas e miúdas, de R$ 5 e R$ 10. “Essa foi uma operação digna de concorrer ao prêmio Nobel de burrice”, desabafou o deputado Paulo Rubem Santiago (PT-PE), um dos sub-relatores da CPI ao receber do delegado Diógenes Curado um panorama das investigações. Como integrante do partido, não lhe restou outra alternativa: cobrar explicações do presidente afastado da legenda. “Por maior ou menor grau de envolvimento, ele, como presidente do partido deveria ter abortado essa operação”, afirmou o pernambucano.

Fantasmas

CLÓVIS ROSSI

A assombração

É complicada a vida de um governante que, chamado reiteradamente de mentiroso por seu principal oponente do momento, não consegue demonstrar, em momento nenhum, que quem mente é o acusador. Aconteceu domingo com Luiz Inácio Lula da Silva ante um Geraldo Alckmin subitamente transformado de "picolé de chuchu" em atirador de facas.
O debate da Band serviu para demonstrar, uma vez mais, que, apertado, Lula entrega os companheiros sem a menor cerimônia para tentar livrar-se do fantasma que persegue o seu governo e o seu partido. Já havia ocorrido em entrevistas a William Bonner/Fátima Bernardes e, antes, a Pedro Bial, todos da Globo.
O presidente entrega seus auxiliares e seus amigos para poder refugiar-se no cantochão de que não pode saber de tudo o que acontece nos cantos de seu governo, em especial, os cantos escuros, que não são poucos.
Mesmo que seja verdadeiro, o argumento tem, por baixo, por baixo, dois graves inconvenientes: 1 - Dá a Alckmin um habeas corpus preventivo. Se Lula não sabe do que se passa em seu próprio governo, como Alckmin poderia saber, ainda mais quando a suspeita recai sobre governo alheio (no caso o de Fernando Henrique Cardoso)?
2 - Permite a dúvida que foi explicitada na pergunta do jornalista Franklin Martins. Se Lula não sabe das coisas, quem pode garantir que, no futuro, não se repitam os crimes cometidos (e confessados) às costas do presidente? Pior: quem pode garantir que neste exato minuto algum "aloprado", como diz Lula, não esteja tramando algum novo trambique em alguma sala do próprio Palácio do Planalto?
Significa dizer que a assombração continuará pairando sobre um eventual segundo governo Lula, mesmo que não seja suficiente para impedir agora a sua vitória.
crossi@uol.com.br
Link para a Folha de São Paulo: Assinantes

Ecos do Debate

Charge do dia - Glauco - Folha de São Paulo

Alckmin se diz "zen", acusa Lula de mentir e cobra origem de dinheiro
Alckmin agiu como "delegado de porta de cadeia", diz Lula
Tucano afirma que externou sentimento de revolta "que estava parado na garganta de todo mundo
Petista se queixa da falta de "nível" e afirma ter vivido um de seus dias mais tristes

9 de out. de 2006

Do blog do Noblat


Lula decepcionado com Alckmin


Lula se disse surpreso e decepcionado com a postura de Alckmin depois do debate de ontem na Rede Bandeirantes.

Jaques Wagner, eleito governador da Bahia, que voltou com Lula de São Paulo para Brasília, relatou que o presidente não esperava os ataques que recebeu no programa. Esperava que questões de programa de governo fossem o centro das discussões.

Diante da postura de Alckmin no primeiro debate, Lula avisou que vai se preparar melhor para rebater críticas nos próximos programas:

- Já entendi. A única coisa que eles querem é isso. Vou me preparar, embora quisesse discutir projetos -, disse Lula ao voltar para Brasília.

O próximo debate está marcado para a próxima segunda-feira na TV Gazeta. A conferir.

Link para o Blog do Noblat

Um homem de Opinião

Homenagem a Fernando Gasparian

Com a morte de Gasparian, fundador do jornal Opinião, está extinta a geração de empresários nacionalistas que foi combatida pela Ditadura Militar. Eram homens preocupados com um projeto nacional de desenvolvimento, que Gasparian simbolizava e em nome dos quais atuava na cena política.

Bernardo Kucinski

Passou quase despercebida na grande imprensa a morte na última sexta-feira (6) de Fernando Gasparian, o fundador do jornal Opinião, um dos mais importantes semanários de nossa história e referência da luta da imprensa alternativa contra a ditadura militar.
Conheci Gasparian e sua esposa em Londres no início de 1972, em pleno regime Médici. Com eu, ele estava em “exílio voluntário”. Eu havia saído de Veja com a equipe liderada por Raimundo Pereira, que trabalhou nas capas denunciando as torturas no Brasil. Gasparian e sua esposa estavam traumatizados com o seqüestro e assassinato, pelos militares, de seu grande amigo, o deputado federal também nacionalista Rubens Paiva.
Gasparian, dono da indústria têxtil América Fabril, era de uma geração de empresários nacionalistas que entrou em desgraça com o golpe militar de 1964. Suas empresas, em geral familiares, foram submetidas ao cerco econômico. Alguns deles, como Pignatari, sofreram confisco patrimonial e tiveram que fechar as portas ou suas empresas foram compradas na bacia das almas por grupos estrangeiros. Com a morte de Gasparian, pode-se declarar extinta essa geração de empresários nacionalistas, preocupados com um projeto nacional de desenvolvimento, que ele simbolizava e em nome dos quais atuava na cena política. Gasparian, em especial, era muito amigo de Celso Furtado, Fernando Henrique Cardoso, Barbosa Lima Sobrinho, Enio Silveira e outros intelectuais progressistas e/ou nacionalistas, que tentavam pensar um futuro para o Brasil. Tudo isso também foi interrompido de modo brutal pelo golpe militar.
Profundamente chocado, Gasparian pensava em lançar no Brasil um jornal moderno, que não tivesse com a ditadura a relação complacente da maioria dos jornalões brasileiros; um jornal que combatesse a ditadura militar e o entreguismo. Lembro que chegamos a visitar juntos uma feira de equipamentos gráficos em Londres. Indiquei a ele Raimundo Pereira como o jornalista capaz de liderar um projeto desse porte. Assim nasceu, poucos meses depois, o semanário Opinião.
Nessa época, outros empresários ou amigos de empresários também ajudaram a viabilizar projetos de imprensa alternativa de combate aberto ou velado ao regime militar. A revista Bondinho não teria existido sem a ajuda de Thomas Fárkas, dono da Fotóptica, e de Bresser Pereira, ligado ao grupo Pão de Açúcar (dai o nome Bondinho). Pasquim contou de início com apoio de Murilo Reis, dono de uma distribuidora de jornais e revistas.Mas Gasparian foi de todos o que mais se dedicou ao que poderíamos chamar de “mecenato político”, bancando todo o projeto desde o início, no segundo semestre de 1972, até sua última edição, 231 semanas depois, em abril de 1977. O projeto do Raimundo combinava o melhor da experiência de Veja, como semanário de atualidades que chegava simultaneamente a todas as grandes cidades brasileiras, e o melhor da imprensa mundial progressista da época, como o Le Monde, o The Guardian e o Financial Times. Gasparian fez acordos editoriais com todos eles, também como forma de blindar Opinião contra os ataques do regime militar. Richard Gott e Basil Davidson podiam ser lidos em Opinião. Também escreviam no semanário os principais intelectuais brasileiros da época, como Celso Furtado, Luciano Martins e Niemeyer. Com diagramação moderna e desenhos elegantes a bico de pena ao estilo do New York Times Review of Books, por Cássio Loredano e Luís Trimano, Opinião nasceu como se já tivesse cem anos de tradição.
Mas a força bruta da repressão prevaleceu sobre a qualidade e o cuidado editorial. Os tempos eram duros. Não por acaso, a capa do número zero era uma fina caricatura em bico de pena de Plínio Salgado, líder da extrema direita brasileira, que então se tornava cada vez mais forte junto ao governo Médici. A censura pegou Opinião já na nona edição e foi apertando o cerco até se tornar devastadora a partir da edição 23. Do material enviado para Brasília, metade era vetada ou mutilada.Quando Gasparian fechou o jornal, em abril de 77, Geisel fechava o Congresso, para baixar o famoso “pacote de abril”, que mudou as regras do jogo eleitoral numa tentativa de manter artificialmente uma maioria conservadora. De Médici a Geisel, esses foram os tempos vividos por Opinião. Tempos de resistência. Opinião tornou-se um símbolo de imprensa de resistência e Gasparian, sem dúvida está no céu, nem que seja só por isso.
Bernardo Kucinski, jornalista e professor da Universidade de São Paulo, é editor-associado da Carta Maior. É autor, entre outros, de “A síndrome da antena parabólica: ética no jornalismo brasileiro” (1996) e “As Cartas Ácidas da campanha de Lula de 1998” (2000).

Primeiro Roud II

Blog do Josias de Souza

Alckmin venceu o debate com Lula por um ponto: '?'

O tête-à-tête deste domingo deu o tom do que será a campanha presidencial no segundo turno. Quando um quer, dois acabam brigando. E Alckmin demonstrou que quer brigar. Foi ao ringue da TV Bandeirante de luvas em punho. Saiu distribuindo “chuchutes”. Venceu a luta por um ponto. O ponto de interrogação.

Como previsto, o debate converteu-se em luta de boxe. Uma luta em que Lula entrou, na maior parte dos cinco rounds, com a cara. Beneficiado pelo sorteio, coube a Alckmin a primeira pergunta. Poderia tê-la usado para fustigar o adversário com jabs de esquerda. Mas não perdeu tempo com golpes preparatórios.

Alckmin desferiu logo um direto de direita no calcanhar-de-aquiles de Lula. “De onde veio o dinheiro sujo, R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo, para comprar dossiê fajuto”? No contragolpe, Lula tentou respirar: “Quero saber quem arquitetou esse plano maquiavélico, quero saber qual é o conteúdo do dossiê, de onde vem o dinheiro. O único ganhador nesse trambique foi a candidatura do meu adversário (...)”.
Na réplica, porém, Alckmin empurrou o adversário para o córner: “Olha nos olhos do povo brasileiro e responda: de onde veio o dinheiro”? Lula não tinha resposta: “Não sou policial, sou presidente da Republica. O governador ainda tem saudade do tempo da tortura (...).” E Alckmin, algumas perguntas depois: “A questão do dinheiro, não precisa fazer tortura para saber de onde veio o dinheiro. É só perguntar para o PT (...). É só chamar os seus amigos de 30 anos e perguntar.”
Essa primeira troca de golpes deu o tom do embate, que girou em torno da ética por duas horas e meia. A grande novidade foi o timbre de Alckmin. De chuchu aguado, o candidato converteu-se em pimenta ardida. Manteve-se no ataque durante todo o tempo.
Lula também desferiu os seus socos. Martelou perversões da era FHC e do governo de Alckmin em São Paulo –as privatizações mal explicadas, a compra de votos da reeleição, o caixa dois de Eduardo Azeredo, a paternidade tucana das sanguessugas e dos vampiros, Barjas Negri, Abel Pereira, as 69 CPIs enterradas. Mas seus ataques vieram sempre na forma de contra-golpes de um lutador acuado.
Embora relevantes, os casos que Lula mencionou, por antigos, não têm a mesma materialidade plástica da montanha de dinheiro (R$ 1,7 milhão) que ninguém sabe de onde veio. Para desassossego de Lula, nos poucos instantes em que se discutiu programa de governo, o presidente não teve nem tempo nem organização mental para expor as coisas boas que julga ter realizado em quatro anos de mandato.
Alckmin subiu ao tablado com uma missão: não deixar o adversário respirar. Para atingir o seu intento, não hesitou em apelar para os golpes baixos, como nos instantes em que trouxe os gastos com os cartões de crédito da presidência e a compra do Aerolula. Chegou mesmo a dizer, se eleito, venderá o avião presidencial para construir cinco hospitais. Como se isso fosse resolver os problemas do país.
Em certos momentos, o boxe resvalou para a briga de rua. Alckmin chamou Lula de mentiroso em três oportunidades. Numa delas, o presidente pediu direito de resposta, negado pelos organizadores do debate. Revidou chamando Alckmin de leviano.
O Lula que foi aos estúdios da Bandeirantes não fez jus ao polemista experimentado dos embates de assembléias sindicais e de disputas presidenciais anteriores. O presidente apanhou nos dois primeiros rounds. Só não foi a nocaute porque recobrou os sentidos nos dois rounds seguintes.
Embora não tenha tido desempenho capaz de anular a vantagem do rival, Lula voltou à luta. Recuperou até a capacidade de produzir ironias, como no instante em que aconselhou o candidato a retomar o figurino leguminoso: “Sem essa coisa de ficar bravo. Não faz o seu gênero. Eu te conheço e sei que não faz o seu gênero”. Ou quando chamou o vice de Alckmin, José Jorge, de rei do apagão. No quinto e último round mantiveram-se as posições.
Analisando-se o conjunto da refrega, o desempenho de Lula foi inegavelmente inferior ao de Alckmin. A pergunta é: isso muda o cenário eleitoral? Debates, por maior audiência que possam ter (o de hoje teve audiência média de 14,2 pontos), não têm o condão de virar o jogo de uma eleição. É a repercussão do confronto e os seus desdobramentos no noticiário e na campanha, que podem influir no resultado da peleja. Dificilmente o eleitores de Lula e de Alckmin mudarão de opinião a essa altura do campeonato. Está em jogo principalmente a conquista dos indecisos. E Lula entrou na briga com uma enorme interrogação a pesar-lhe sobre os ombros: de onde veio o dinheiro? É esse o ponto de interrogação que deu vantagem a Alckmin no debate deste domingo.

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Charge do dia - Angeli


Folha de São Paulo 08/10/2006

Primeiro Round 1

Gilberto Dimenstein

Muito show, poucas idéias

O debate foi um belíssimo show, por manter, por mais de duas horas, a tensão entre os candidatos Lula e Alckmin. Não houve um único instante ameno, insosso, sonolento --nesse aspecto foi um notável resultado jornalístico, graças à flexibilidade para que os candidatos pudessem se expressar.
O problema é que faltou o essencial para quem queria ir além do show.
Se o espetáculo foi revelador do tom da campanha e da estratégia de marketing das candidaturas --e até revelou um Alckmin especialmente agressivo--, o telespectador mais crítico, interessado em soluções, certamente saiu frustrado.
Afinal, a grande questão nacional é hoje saber como vamos crescer mais rapidamente nos próximos anos para reduzir a miséria, aumentar o nível de emprego e elevar a renda. Sabe-se que cortes nos gastos públicos terão de ser feitos. Mas quando, onde e como? Quem vai perder. O que fazer para estancar os buracos provocados pelas aposentadorias? Certamente não se vai modificar muita coisa fechando alguns ministérios, economizando dinheiro dos gastos dos assessores e ministros nem vendendo o Aerolula.
Foi um ótimo entretenimento e ajudou a expor mais os candidatos para a escolha do eleitor. Mas, se alguém queria propostas, soluções, foi dormir de mãos vazias.
 
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