
CPI acredita que Berzoini mandou comprar dossiê
Ugo BragaDo Correio Braziliense 11/10/200607h20-
O delegado Diógenes Curado, responsável pelo inquérito aberto pela Polícia Federal para investigar o caso do dossiê tucano, já tem montada uma história com começo, meio e fim sobre o caso. Segundo contou à comitiva de deputados da CPI dos Sanguessugas mandada a Cuiabá na segunda-feira, a operação não era uma tentativa desesperada de virar a eleição paulista na reta final da campanha. Ao contrário, começou antes mesmo de agosto. E teve participação ativa da cúpula da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição.
Pela versão atribuída à PF mato-grossense, a trama do dossiê partiu do então diretor de gestão de risco do Banco do Brasil, Expedito Antônio Veloso. Ele teria reunido informações comprometedoras sobre a relação dos sanguessugas com o empreiteiro paulista Abel Pereira. Este é muito próximo do último ministro da Saúde do governo Fernando Henrique Cardoso, o tucano Barjas Negri, hoje prefeito de Piracicaba (SP). E seria o laranja no pagamento de propinas a Negri. Era a prova que o PT procurava para jogar a máfia dos sanguessugas no colo da gestão anterior.
Uma vez confirmada, Expedito a teria passado a Jorge Lorenzetti, amigo pessoal, churrasqueiro preferido do presidente da República e chefe do grupo de análise de risco da campanha. Lorenzetti assumiu a operação do caso. Já portando as informações sobre os elos dos sanguessugas com o PSDB, Expedito Veloso foi três vezes a Cuiabá no mês de agosto. Negociou pessoalmente com Luiz Antônio Vedoin o preço e o conteúdo do dossiê, assim como uma entrevista dele atestando a papelada a algum veículo de amplitude nacional. Lorenzetti o acompanhou em duas dessas viagens. Animado com o que viu, Lorenzetti teria negociado o preço do dossiê (que baixou de R$ 20 milhões para R$ 2 milhões) e informado ao então presidente do PT, Ricardo Berzoini, que valia a pena comprá-lo. Recebeu deste sinal verde e foi a luta.
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